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Zebra: o incrível animal listrado 

zebra

Fique tranquilo! Não “vai dar zebra” neste artigo.

Se você tiver mais de 30 anos, certamente sabe porque iniciamos este texto com esta expressão. Especialmente se você for vascaíno. Porém, como esse tema é à parte deste conteúdo, vamos voltar a ele no fim.

Quanto à zebra, a zebra mesmo, você também já conhece esse animal quase exótico. Entretanto, é muito possível que não conheça alguns detalhes de seu universo que são realmente surpreendentes.

Um deles, por exemplo, é que zebra se escreve assim também em inglês, dinamarquês, turco e numa série de outros idiomas. E, na maioria de todos eles, a grafia é bem semelhante.

A zebra é engraçadinha, convenhamos. Seu trotar é tranquilo e seu semblante é atraente. Não fossem as listras, seria um cavalo de porte menor. Aliás, você já ouviu falar em zebroide? E quanto àquela famosa questão “zebras são pretas com listras brancas ou brancas com listras pretas”?

Então, conheça o zebroide e a resposta a essa questão ao continuar esta leitura.

As listras científicas da zebra

A zebra é da família dos equídeos.
A zebra é da família dos equídeos.

Ela pertence ao mundo dos mamíferos na família dos equídeos, como os cavalos. Suas listras pretas em contraste com as brancas são verticais na maioria. Porém, as das pernas são horizontais. Isso é possível porque elas vão se acomodando ao longo do corpo até chegar aos membros.

Seu habitat é compartilhado por felinos e outros predadores. Assim, ao longo da formação de sua estrutura genética, tornou-se animal ágil, veloz, esperto.

Alimentação

Tanto quanto seus primos equinos, a zebra é eminentemente herbívora. Busca os pastos das savanas africanas durante o dia fim de conseguir alimento.

As espécies de zebra conhecidas

São muitas espécies de zebra que existem.
São muitas espécies de zebra que existem.

Há três espécies classificadas e todas pertencem ao gênero Equus. Nenhuma delas se encontra em processo de extinção atualmente. Porém, há um detalhe interessante que você vê logo abaixo.

Zebra-da-planície

É classificada como sendo do subgênero Hippotigris. A aparência e postura lembram muito os cavalos. É também conhecida como cuaga por conta do som de emite em determinadas situações. É considerada a espécie mais abundante, mais comum de zebra.

Teve muitas outras subespécies ao longo da história. Vive mais na Tanzânia. As listras são bem mais finas e geralmente não se cruzam no dorso.

Em geral, alcança mais ou menos 1,3m até a altura do ombro, tem por volta de 350kg e uns 2,5m de comprimento.

Zebra-da-montanha

Também é pertencente ao subgênero da zebra-da-planície. Contém as características da outra. Apesar de não estar na listra de animais em extinção – como a gente comentou acima -, a zebra-da-montanha talvez entre na categoria “ameaçada” em função de uma série de fatores.

Observadores dizem que a pelagem da zebra-da-montanha apresenta mais elegância e soberba no padrão das listras. Ou seja, elas são mais finas e se distribuem mais claramente pelo corpo do animal.

Zebra-de-grevy

É a única espécie de zebra no subgênero Dolichohippus. A aparência está mais para jumentos que para cavalos, o que não tira seu ar simpático. Há maior número de indivíduos no Quênia.

Segundo pesquisadores, é a maior das espécies. Possui cabeça estreita e mais longa. Há mais abundância de indivíduos nas regiões semiáridas do Quênia e da Etiópia. Apesar disso, é também considerada espécie menos comum.

Interessante: A zebra-da-planície foi considerada oficialmente extinta há algumas décadas. Porém, esforços de biólogos e pesquisadores da vida animal conseguiram produzir diversos indivíduos a partir de cruzamentos especiais. Posteriormente, muitos foram levados à vida selvagem e deram continuidade à procriação. Trata-se de um dos casos de sucesso na manutenção das espécies a partir praticamente do zero, conduzidos pelo conhecimento humano.

Não vai dar zebroide

As espécies de zebras têm características em comum, claro. Entretanto, é difícil conseguir bons resultados em seus cruzamentos. Houve eventos em cativeiro que surtiram alguns bons efeitos. Machos da zebra-da-planície cobriram fêmeas da zebra-da-montanha. Os frutos das tentativas foram potros híbridos com algumas deficiências. Apesar de apresentarem orelhas muito maiores, entretanto, tinham aparência de zebra-da-planície.

Já as tentativas de procriação entre zebra-de-grevy e zebra-da-montanha foram deixadas de lado. Afinal, a taxa de aborto e de mortandade não incentivaram continuidade nas pesquisas.

E o tal zebroide nasceu do cruzamento entre zebra e indivíduos de outras espécies, como jumento ou burro. Ele ainda é cultivado em diversa regiões da África.

RG e CPF da zebra

Não há um padrão de listras iguais na zebra.
Não há um padrão de listras iguais na zebra.

Os indivíduos têm marca própria. Não há duas zebras com padrão de listra igual. Cada zebra é desenhada geneticamente de maneira diferente. Assim, diz-se que suas listras são como as impressões digitais humanas.

Aliás, há um, digamos, dilema entre os leigos sobre zebra. Trata-se de ser esse animal branco e ter listras pretas ou ser preto e ter listras brancas. Bem, o ventre dessa zebra foi motivo dessa contenda.

Até há algumas décadas, imaginava-se que se tratava se animal branco, pois sua barriga era branca. Então, tinha listras pretas espalhadas pelo corpo. Todavia, análises embriológicas demonstraram que o caso é justamente o contrário. O plano de fundo do corpo da zebra é preto. A região da barriga é adição genética.

Além de tudo isso, as listras funcionam como repelentes a insetos, em especial a tsé-tsé que gosta muito de sangue, além da mutuca. Segundo estudos profundos, o padrão vertical das listras confunde os insetos a ponto de eles se afastarem.

Reprodução e manutenção da espécie

A zebra procria nas estações chuvosas.
A zebra procria nas estações chuvosas.

Os partos ocorrem especialmente nas estações chuvosas, mas a zebra copula em qualquer época do ano. A fêmea permanece em gestação por quase 400 dias, o que dá pouco mais de 13 meses, e raramente há mais de um filhote. Porém a média fica entre 375 dias.

Tão logo nasça, o potro já tem condições de se manter em pé ainda de maneira irregular. Tem mais ou menos 30kg e por volta de 1,20m de comprimento. Começa a se alimentar em pastagem em uma semana. Entretanto, deixa de mamar por volta de 11 meses de vida. A puberdade e adolescência são atingidas lá pelo vigésimo mês.

Interessante: a mãe vai tentar manter as outras fêmeas bastante longes de seu filhote. Dessa maneira, há tempo para que ele a identifique pelo padrão de listra, pelo cheiro e pelo urro.

Ele deixa de seguir o grupo, isto é, passa ter sua própria individualidade a partir 2 ou 3 anos. É nesse tempo que o macho passa a buscar companhia de outros machos solteiros e encontrar fêmeas para constituir seu próprio harém. Após mais 1 ano, ele vai aprender que precisa brigar por sua fêmea.

Sem vergonha de mostrar sentimento

O macho da espécie zebra-da-planície acasala com várias fêmeas do grupo. Isso também ocorre com as outras espécies, mas não com tanta efetividade. Já as fêmeas têm comportamento diverso, pois se apresenta ao mesmo macho várias vezes ao ano. Isso faz que não haja muita competição por fêmeas entre garanhões da espécie.

O período de cio da fêmea (chamado tecnicamente de estro) é demonstrado por comportamento apenas no primeiro evento. É a maneira como a natureza se previne quanto à preservação, de forma que o macho realmente perceba que está pronta. Nesse caso, ela vai urinar e assim exalar seu feromônio.

Ainda, ela mantém a cauda levantada a fim de que seu cheiro se espalhe mais facilmente, abre as pernas traseiras e eleva a cabeça. Essa postura indica ao macho que não haverá rejeição se ele se aproximar. Se não estiver “comprometida” com algum macho dominante, essa fêmea vai ser cortejada por vários garanhões, em especial aqueles que ainda não possuem seu próprio harém.

Nesse caso, a fêmea pode praticar a chamada poliandria, isto é, vai acasalar com vários machos.

Interessante: pesquisadores obtiveram demonstrações claras e não raras de afeto do garanhão para com a fêmea em estado de cio. Eles se aproximam, encostam e roçam a cabeça no pescoço da fêmea. Assim, ela vai se sentir segura em relação ao comportamento dele. Essa fêmea vai se manter fiel ao macho por vários anos, normalmente pelo resto da vida.

A história da zebra

Os cavalos de 4 milhões de anos atrás são os ancestrais da zebra. Viveram nas regiões que hoje conhecemos como Eurásia e África. A espécie zebra-de-grevy veio de linhagem diferente de outras zebras, assim como ocorreu com os burros e jumentos. E é possível que isso tenha ocorrido a zebra-da-montanha também.

Portanto, é grande a possibilidade de os ancestrais da zebra, do jumento e do burro terem apresentado listras. Porém, por algum deslize genético, apenas a zebra as manteve. Postula-se que as listras em jumentos e burros foram sendo dispensadas ao longo da evolução genética por motivos de clima. Ou de camuflagem.

As listras do cotidiano da zebra

A zebra é de origem africana.
A zebra é de origem africana.

A zebra é originária da África, nas regiões centrais e sulistas, mais precisamente em savanas africanas. É dócil, especialmente com seus pares – pelo menos enquanto não precisa lutar por uma fêmea, como você vai ver mais abaixo. Assim, prefere viver em grupos, que são chamados de manadas, formados via de regra por famílias. Apesar da docilidade, é mínima a quantidade de indivíduos que se adaptaram ao convívio humano.

Aliás, outro fator que dificulta convívio com humanos é seu forte coice. É capaz de destruir mandíbulas de grandes felinos. Portanto, a domesticação é realmente difícil, o que já a diferencia um tanto de seus primos, os cavalos e burros.

Ela é predada por leões, lobos, tigres, cães selvagens, crocodilos etc. Porém, seu instrumento mais eficaz de defesa é a velocidade, já que alcança até 65km/h.

A sociedade da zebra

A zebra, por si, convive em grupos com certo nível de complexidade de relacionamento. Apesar de tais grupos se comporem de famílias, a zebra-da-planície tem hábito de criar haréns. Há um macho dominante que dispõe de até 6 ou 7 fêmeas. Porém, estas têm algum grau de emancipação, ou seja, copulam ou se aproximam ocasionalmente de outro macho.

Contudo, o dominante tem não apenas preferência, mas exclusividade na reprodução. É como a natureza se defende de eventuais problemas genéticos, buscando produzir proles a partir de somente um DNA. Por outro lado, o macho dominante precisa “merecer” essa exclusividade.

Assim, briga muito por ela com os chamados “machos desafiantes”. A contenda se dá de maneira brutal com coices, mordidas, urros, cabeçadas etc. O dominante mantém seu posto se vencer; se perder, é relegado a segundo plano, indo conviver com outros machos “solteiros” ou com outros animais “velhos demais para participarem de brigas”.

Sendo jovens, os animais vencidos nas batalhas que se juntarem a algum grupo vão tentar montar seu próprio “harém”.

As manadas maiores são formadas geralmente durante pastagens ou em migrações em busca de alimento. Elas obedecem a certos graus de simpatia e empatia entre os indivíduos. Alguns estudos indicam que esses graus são, via de regra, determinados pelos padrões das listras de cada zebra.

Espírito de defesa comunitária

A zebra tem espírito de comunidade e vive em bandos.
A zebra tem espírito de comunidade e vive em bandos.

A complexidade social mostrada acima chega ao processo de defesa do grupo. Se a manada para a fim de se alimentar ou beber em lagos ou rios, um indivíduo permanece em vigília para observar chegada de predadores. Nesse caso, ele vai urrar alto e todos saem em disparada.

O interessante é que o indivíduo vigilante foge sempre atrás do grupo. Com isso, evita que outro se desgarre ou se mostre presa fácil. Não havendo ataques por predadores, o vigilante vai de alimentar ou beber enquanto o grupo continua próximo.

Por outro lado, se uma zebra se isola do grupo, ela vai urrar alto e combinar o urro com som parecido com latido canino. É a maneira que tem se chamar a atenção para si. Os outros componentes do grupo, então, passam a urrar também a fim de que o indivíduo isolado localize a manada ou então se deslocam até ele.

O macho dominante tem obrigação de dirigir e defender o rebanho. Entretanto, durante época de acasalamento, pode ser que diversos grupos se juntem para formar rebanho maior, com até 30 ou 35 elementos.

Porém, apesar não se perceber sentido de territorialidade entre os indivíduos desses grupos grandes, há organização para que eles não se misturem a ponto de se confundirem.

Como a zebra se comunica

O processo de comunicação é comum à maioria dos equinos. A zebra estica os lábios, levanta as orelhas, expõe a dentição, meneia ou posiciona a cabeça a fim de mostrar seus humores. Qualquer perigo, por exemplo, é demonstrado por orelhas abaixadas.

Porém, o urro é o instrumento de comunicação mais usado, como sempre acontece. A zebra-da-planície urra três vezes seguidas um som rápido para alertar sobre predadores se aproximando. Certo tipo de urro pode indicar que o indivíduo esteja com alguma machucadura.

Interessante: pesquisas de comportamento da zebra mostram que as listras servem como meio de reconhecimento entre os indivíduos. Há diversos casos registrados em os garanhões de grupos diferentes se reconhecem como tal. Quando há algum nível de simpatia entre eles, são capazes de se cumprimentar. Para isso, levantam as orelhas um para o outro de forma diferente.

Por outro lado, a zebra-da-montanha toca a ponta do nariz em outra em saudação entre si. E a posição hierárquica dentro do grupo também é mostrada a partir de gestos. A zebra jovem vai manter as orelhas semi abaixadas e movimentar os lábios como se estivesse mastigando.

Aqui vai dar zebra

Quando algo inesperado acontece, diz-se “hum… deu zebra”. Esta expressão tão usada por brasileiros e que surpreende quaisquer estrangeiros nasceu dentro do universo do futebol. Foi usada pela primeira vez pelo técnico Gentil Cardoso, um dos maiores filósofos do futebol brasileiro, em 1964, num jogo do Vasco da Gama contra o seu time, a Portuguesa, pelo campeonato carioca daquele ano. O Vasco detinha o favoritismo absoluto da partida

Conta-se que, pouco antes daquele jogo, um repórter de campo perguntou ao vivo a Cardoso se ele estava confiante em seu time, a Portuguesa. Ele respondeu justamente isso: “hoje vai dar zebra”. O que poucos sabem é que o técnico usou o jogo bicho para cunhar a frase. Afinal, nessa loteria não oficial, não há “zebra” entre os 25 animais. Portanto, é impossível que dê esse animal no sorteio, tanto quanto era impossível que a Portuguesa ganhasse.

Acontece que a Portuguesa ganhou. Assim, deu zebra. Posteriormente, com a criação da Loteria Esportiva, um canal de televisão dava os resultados dos jogos da semana. Uma zebrinha mostrava os resultados dos 13 jogos indicados nos volantes de apostas. Se ocorresse de algum time grande perder ou empatar para um time pequeno, a zebrinha gritava “olha eu aí… zeeebra!”.

Dessa forma, Cardoso foi o criador da associação entre o improvável, o Futebol, o jogo do bicho e a zebra. Porém, você pode fazer que não “dê zebra” na vida dos animais, pois você é admirador da vida selvagem. Assim, manifeste sua opinião em redes sociais, participe de movimentos, colabore para que a vida animal seja defendida.

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Serg Smigg

Written by Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados.
A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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