Nosso já fez essa pergunta em relação a outros animais: burro ou jumento? Salamandra ou lagarto? Grilo ou gafanhoto? E alce e rena? E agora, veado ou cervo? Isso significa que a variedade de formas, estilos, comportamento etc. de animais na natureza é fantástica. A partir de detalhes, um universo de surpresas.

Por exemplo: o veado não pôde ser domesticado ao longo de seu relacionamento com humanos por diversas razões (talvez o tamanho da galhada seja uma delas). Entretanto, teve enorme importância social como fonte de alimento a humanos. Aliás, ainda é fonte para muitas regiões do planeta.

Você vai encontrar mais informações sobre importância dos cervos para comunidades humanas mais abaixo.

Afinal, quais são as diferenças entre veado e cervo? Haveria alguma? É possível mesmo distinguir um do outro? É o que a gente vai ver agora.

O que diz a ciência sobre veado

O veado é chamado de muitos nomes diferentes.

O veado é chamado de muitos nomes diferentes.

O nome da família, tecnicamente falando, é Cervidae e a ordem é a Artiodáctilos. A relação de componentes dessa família é grande: alce, caribu, wapiti, muntjac, pudu etc.

Parece haver certo dilema taxonômica em relação aos cervídeos (taxonomia é o braço técnico da Biologia que identifica, classifica e nomeia os seres vivos). Estudos filogenéticos não demonstram claramente a existência de 50 espécies diferentes, mas muitos estudiosos garantem que realmente existem.

Veja abaixo mais dados já conhecidos pela ciência.

Como o cervo é

Trata-se de espécie ungulada, ou seja, dispõe de cascos rachados, fendidos na pata. O veado tem torso reto, membros longos em proporção à espessura e caudas bem pequenas. A esmagadora maioria dos machos contém chifres dos mais variados formatos, exceto o veado chinês, que não apresenta galhada alguma.

Entretanto, somente os machos dispõem de chifres. Estes são estruturas ósseas originadas de uma subestrutura chamada pedicelo. O veado pode ser muito rápido quando precisa. Em fuga, chega 30km/h.

Mais detalhes

A pelagem é normalmente marrom e a tonalidade varia de escura para clara. Veado branco é extremamente raro. Dessa maneira, é popularmente tido como folclore ou lenda e até mesmo associado a crendices.

Entretanto, ele existe. Trata-se de anomalia chamada leucismo, que evita que o pelo adquira a coloração natural amarronzada. Quando é avistado, deve ser rapidamente protegido, pois caçadores o procuram a fim de ostentar como prêmios de caça e vender por quantias exorbitantes.

Interessantíssimo: o cervo substitui os chifres uma vez por ano. Aliás, essa característica é destacável em toda a família cervídea. Segundo estudos, o “fenômeno” está associado a alterações nos níveis do hormônio testosterona. Os chifres dão impressão tátil de veludo por conta de uma camada de nervos chamada velame que funciona como proteção e meio de nutrição da galhada.

Em determinadas circunstâncias, o cervo fricciona a galhada em alguma base fixa (árvore ou rocha). Assim, o velame se rompe e a estrutura óssea se expõe, tornando-se quebradiça. A irrigação sanguínea no local possibilita formação de cicatriz que, por sua vez, permite nascimento de nova estrutura de galhada.

Aliás, a galhada é outra característica que distingue o cervídeo de outros ruminantes. Em vez de galhada, aqueles possuem chifres propriamente ditos.

Galhada boa para a humanidade

Esse processo dura mais ou menos 30 dias, crescendo à taxa de 2cm por dia. Por se tratar de fato intrigante, cientistas de diversos países têm se debruçado sobre pesquisas a fim de descobrir o processo natural. Dessa maneira, tencionam aplicá-lo à saúde humana em casos de rompimento de ossos, por exemplo.

Assim, em fins de 2018, foi divulgado descoberta do gene responsável pelo rápido crescimento dos chifres do veado.

Sistema gástrico

O sistema estomacal do veado é composto por 4 câmaras distintas, 3 delas são consideradas “falsas”. Ele mastiga constantemente o bolo alimentar, ruminando-o (devolvendo do estômago à boca) a fim de facilitar a digestão.

Outras características físicas

Por conta do tal dilema e da quantidade de espécies, tamanho e peso variam demais. Segundo estudiosos, a espécie nativa do Chile e Argentina chamada o Pudu do Sul é a menor delas, pois não passa de 10kg e de 40cm de altura. Quanto à maior, é o próprio cervo, que chega a 2m altura e passa de 800kg.

Mesmo com tais peso e tamanho, o veado é capaz de dar saltos realmente altos. E nada muito bem também.

A visão

Os globo oculares do veado estão localizados nas laterais da cabeça. Isso permite visão angular bastante ampla, de maneira que perceba perigos em situações diversas. Além disso, a posição dos olhos permite que ele observe com atenção tudo ao redor ainda que esteja focado a sua frente.

Aliás, o cervo possui visão noturna excelente. Como ele é bastante ativo nos crepúsculos, essa característica é altamente eficiente.

Entretanto, experiências demonstraram que não captam cores nem de maneira mínima. As resolução com que veem os objetos também não é boa.

A audição

Quanto à audição, experiências indicam que é muito superior à do ser humano (segundo estudos, talvez umas 100 vezes superior). Ele detecta os sons mais sutis e, ainda, identifica a distância em que se originaram. Esse é um dos motivos pelos quais é muito difícil que predadores apanhem o veado de surpresa.

Um dos segredos para audição tão forte é o formato e movimento das orelhas. Tão logo ouça algo, ele as volta para o local e espreita a partir de olfato, visão e, claro, audição.

O olfato

O olfato do veado é altamente eficiente. Aliado à visão e à audição, torna-se arma imprescindível no momento de detectar perigo. Ele mantém o focinho umedecido constantemente. Dessa maneira, partículas da atmosfera são atraídas, o que melhora ainda mais a qualidade do odor.

Assim, ele consegue notar um cheiro ainda que este esteja a centenas de metros de distância.

Onde tem cervo?

O veado só não vive na Austrália e na Antártica, ou seja, os indivíduos estão presentes em quase no mundo inteiro. Curiosamente, na África há apenas uma espécie de veado, o cervo-vermelho da Barbaria. Outros continentes possuem diversas outras em seus territórios.

Portanto, o veado se adapta a ecossistemas dos mais variados: regiões úmidas, florestas tropicais, montanhas, pastagens etc. Ultimamente, por conta da aproximação constante com comunidades humanas, é possível encontrar cervos até no interior de tais comunidades. Não vivem de forma exatamente domesticada, mas convivem muito bem em regiões urbanas.

Algumas espécies do Brasil

Há várias espécies de veado no Brasil.

Há várias espécies de veado no Brasil.

Veado-campeiro

Ou Ozotoceros bezoarticus para a ciência. Trata-se do único representante do gênero Ozotoceros. Assemelha-se fisicamente ao veado-do-Pantanal, mas sua genética é mais adequada ao veado-andino-do-norte.

Veado-do-Pantanal

Para a ciência, Blastocerus dichotomus. É também conhecido como suaçuapara, suaçupu, suaçuetê guaçupuçu. Havia mais indivíduos nas várzeas e margens de rios do centro da América do Sul. É a maior espécie sul-americana, chegando a quase 130kg e mais de 1,20m de altura.

Veado-mateiro

A cor é meio vermelha; apresenta pescoço cinza e barriga branca. Chega a 40kg e 80cm de altura. Não possui galhada, mas apenas chifres de no máximo 20cm de comprimento.

Veado-roxo

Ou também fuboca em algumas regiões. Seu porte é pequeno. É animal inteiramente restrito à América do Sul. Existe uma população no Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, guiana Francesa, leste do Equador, leste do Peru, Brasil e possivelmente norte da Bolívia.

Veado-bororó-do-sul

É veado exclusivo do continente americano. Populares deram a ele diversos nomes, como veado-mão-curta, veado-poca, veado-cambuta, veado-bororó, veado-anão ou mesmo cambucica.

Como o veado foi antes

Pesquisas demonstram que os ancestrais do veado foram realmente muito grandes, quase gigantes. E viveram há pelo menos 11 mil anos. Seus chifres de ponta a ponta alcançavam a largura de quase 4m.

Estudos publicados em 2016 mostram grandes possibilidades de humanos pré-históricos terem deslocado muitos cervos em seus êxodos à procura de melhor ambiente e alimentos. Levantamentos fósseis trabalharam sobre resíduos a espécie veado-vermelho para chegar a essa conclusão.

O diz o cotidiano do veado

O veado vivem em bandos e é sociável com seus semelhantes.

O veado vivem em bandos e é sociável com seus semelhantes.

O veado se comunica com seus semelhantes, possui um nível mínimo de sociabilidade entre si – aliás, tem respeito pelo espaço alheio -, se alimenta de vegetais. Veja aqui mais detalhes sobre o dia a dia do veado.

O veado se comporta assim

Ele está sempre entre rebanho, que é o termo técnico para grupo de cervos. Há um macho dominante, o que é normal em grupos de mamíferos de certo porte físico. No caso do veado, há rebanhos em que os gêneros convivem, mas machos de um lado e fêmeas de outro.

Assim, nos rebanhos compostos por fêmeas, há também a fêmea dominante. Entretanto, um grupo de machos pode se manter em vigília em relação a um grupo de fêmeas. Não se sabe ainda se isso se dá por proteção ou por espreita a fugas ou possibilidade de acasalamento.

O veado é bem mais ativo durante as manhãs e tardes; dorme durante a noite. Nesse meio tempo, está em busca de alimento. Apesar disso, não é exatamente territorialista. Entretanto, os grupos podem ocupar área de até 50km, na qual se desloca em busca de alimento.

Como se alimenta

Como a maioria dos cervídeos, ele se alimenta exclusivamente de vegetação. É herbívoro, portanto. Alimenta-se de grama folhas, arbustos. Atualmente, por conta da aproximação em regiões urbanas, o veado tem buscado comida em latas de lixo e em acúmulo de resíduos.

Na primavera e no verão, o cervo prefere se alimentar de vegetal folhoso, flores, botões e outras culturas sazonais, enquanto no outono começam a comer milho e nozes.

Porém, o veado dispõe de estratégia. Ele procura gastar menos energia no inverno, pois “sabe” que há menos comida disponível (lembre-se de que é herbívoro).

Como se comunica

Há uma série de meios pelos quais o veado expressa seu estado interior instintivo. Movimentos corporais, sons, posição das orelhas, odores, movimento de cauda etc. são alguns deles.

É sabido, por exemplo, que ele informa seu paradeiro a partir de cheiros que impregna nas árvores e rochas. Ele vai bater seus cascos nesses locais a fim de expelir substância odorífera.

Como se procria e quanto vive

O casal de veado vive a vida inteira juntos.

O casal de veado vive a vida inteira juntos.

Pode-se dizer que o casal convive conjugalmente por toda a vida. Entretanto, a monogamia não é exatamente comum, pois depende da espécie.

A gestação e parto dependem do local em que a fêmea se encontra. Em regiões de clima temperado, os filhotes nascem entre o fim do outono e início do inverno. Em áreas de clima menos temperado, o parto ocorre entre a primavera e o verão. Já os de clima tropical são menos sistemáticos. Assim, acasalam e dão à luz em qualquer época do ano.

Interessante: ao nascer, os filhotes não exalam qualquer cheiro. É como a natureza os protege, de forma que predadores não os localizem. Pelo menos não facilmente.

A gestação tem duração de 180 a 240 dias, também dependendo da espécie. É comum que a fêmea necessite de mais tempo quanto maior for a estatura média de sua espécie. Ela vai levar à luz um filhote por vez normalmente, mas não são raros os casos em que pode ocorrer parto com 3 filhotes.

Por questão de defesa natural, os filhotes nascem com regiões brancas na pelagem rala. Isso ajuda a camuflá-los de predadores. O filhote de veado é bastante dependente por vários meses. Desmama por volta de 6 meses de vida.

Os perigos da vida selvagem praticamente impedem que o veado viva além dos 12 anos; porém, sua estrutura é constituída para chegar a essa idade. Em cativeiro, ele consegue viver por muito mais tempo.

Manutenção da espécie

A União Internacional para Conservação da Natureza – IUCN, órgão que monitora as condições de vida dos seres vivos no mundo inteiro, indica que o veado está em fase de ameaça, mas não preocupante. A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas mantém algumas espécies específicas nesse status. Exemplo: veado de Bawean, veado de Calamian, veado de Almíscar etc.

Há, porém, uma espécie incluída no status “Extinto”. Trata-se do veado do Pai David. Já não é encontrado na natureza. Entretanto, há indivíduos mantidos em cativeiro para estudos e pesquisas.

Aliás, o veado de Almíscar mencionado acima é listado como Cervidae, mas muitos biólogos preferem classificá-lo em família diversa, a Maschidae, que tem um gênero e quatro espécies. Uma dessas espécies está no status “Ameaçado Crítico”, o veado almiscarado da Caxemira.

O Almiscarado é encontrado mais no centro da Ásia. Como dito acima, não apresenta chifres. Porém, em contrapartida, desenvolve grandes presas que usa como defesa e como meio de atração a fêmeas.

Abatedouro autorizado

Já na Irlanda, o veado quase não enfrenta predadores, pois estes são realmente muito poucos. Nesse caso, depois de determinado período de anos, o governo irlandês precisa abater boa quantidade de indivíduos a fim de controlar a população.

Dessa forma, diminui-se número de invasões por parte dos animais em áreas urbanas, além se evitar proliferação de doenças entre humanos e entre os próprios animais.

Típico das regiões da América do Norte, o veado-da-cauda-branca, entretanto, sofreu revés terrível na manutenção de sua existência. Estreitamento de seu habitat em função de desmatamento intensivo e caça não monitorada causaram grandes danos à população do veado. Isso aconteceu em fins do séc. 19.

Porém, implantação de leis de proteção mais firmes e conscientização do habitante rural sobre melhor uso da terra fizeram a situação se reverter. A recuperação foi vertiginosa.

O cervo e o ser humano

A história humana de muitas regiões em todo o mundo é cravada de certa dependência em relação ao veado. Em época de intenso frio, seu couro serviu de roupa; em época de escassez de alimento, sua carne alimentou milhares e milhares em centenas de gerações.

Bem, você, leitor atento, percebeu que este artigo usou ora o termo “veado” ora o termo “cervo“. Isso significa que não há qualquer diferença entre esses animais além do nome em si. Portanto, fica aqui respondida a questão inicial: ambos os termos representam o mesmo animal. É apenas questão de uso regional.

E você pode ajudar na manutenção da vida animal no Planeta. Participe de movimentos, divulgue os artigos deste site, converse com seus conhecidos sobre a importância deles para a natureza e, consequentemente, para a humanidade.

Tendo mais dúvidas sobre esse animal, deixe nos comentários abaixo.