No artigo sobre Urso Polar publicado em nosso site, comentamos que aquele colosso poderia rivalizar facilmente com leão e requerer o título de “Rei dos Animais”. Certamente, se ele vivesse nas florestas, a disputa seria firme. Porém, ele até pode ter um representante: o urso pardo.

Você já viu um urso pardo. Aliás, já deve ter convivido diariamente com um deles. Bem, claro, se você tiver mais de 20 anos de idade. O famosíssimo Zé Colméia foi inspirado em um urso dessa espécie.

O clássico desenho animado de Hanna-Barbera apresenta o dia a dia do mais famoso urso da TV. Zé Colméia e seu inseparável amigo Catatau passavam o dia em busca de comida no parque público onde vivem, o famoso Yellowstone National Park em Wyoming, Montana e Idaho, nos Estados Unidos. Isso porque o parque é o típico habitat desse animal, e tem avisos por toda sua extensão: “não alimente os ursos”.

E outra: você já ouviu falar muito no tal Abominável Homem das Neves, claro. Ainda Não? Bem, trata-se de uma figura mística que há décadas diz-se ser avistada nas geleiras no Himalaia. O que ele tem a ver com nosso urso pardo?

É o que também vamos tentar desvendar neste artigo.

Como a ciência vê o urso pardo

O urso pardo é uma das maiores espécies de ursos que existe.

O urso pardo é uma das maiores espécies de ursos que existe.

Estamos falando de uma das maiores espécies de ursos, um dos maiores carnívoros, que perde apenas para seu “primo”, o urso polar. Tanto que ele não tem predadores, pois está no topo da cadeia alimentar. Certamente, isso significa que caça animais para se alimentar, mas não é caçado por nenhum outro. Bem, não é para menos, a contar de seu tamanho.

Faz parte da família biológica dos Ursídeos. A coloração dos pelos varia entre um avermelhado escuro, marrom e creme também escuro dentre outras tonalidades, a depender da subespécie. Assim, é até possível que haja semelhanças entre as subespécies. Entretanto, o urso pardo é maior e mais forte que o urso preto, por exemplo.

Por seus hábitos alimentares e rotineiros, suas garras se tornaram bem grandes e a estrutura física ganhou massa corporal bastante avantajada. Com isso, remove facilmente grandes toras a fim de encontrar comida.

Também por seus hábitos e características orgânicas, apenas uma espécie de urso pardo já contém todos os indivíduos encontrados até então. Entretanto, há diversas subespécies. Você tem informações sobre algumas logo abaixo.

Apesar do tamanho do urso pardo, ele é muito ágil. E rápido. Consegue alcançar velocidade de até 30km/h, se necessário. E detém grande resistência também, pois é capaz de percorrer distâncias enormes se seus instintos disserem há comida no destino.

Estrutura física do urso pardo

O urso pardo pode chegar a 3 m de altura e pesar 250kg.

O urso pardo pode chegar a 3 m de altura e pesar 250kg.

Esse “senhor das florestas” – seu habitat natural – chega à altura da sua sala (desde que seja uma sala normal, claro). E sem levantar os pés. E sem levantar os braços.

Ou seja, chega a 3m de altura facilmente. Quanto ao peso, 250kg é resultado de uma dieta riquíssima em gordura e nutrientes fortes. Porém, as fêmeas são um pouco menores e consequentemente menos pesadas, como, aliás, ocorre com frequência no mundo animal.

Aliás, o urso pardo com maior altura é encontrado nas regiões britânicas e também no Alasca. Urso pardo cuja base alimentar é grande quantidade de salmão tem propensão à saúde e massa física mais abundantes.

Com tanta estrutura e com seus hábitos, além, claro, de sua força descomunal, o urso pardo atinge até 25 anos de idade quando em vida selvagem. Já em cativeiro, por conta de minimização de perigos e rivalidade, o ciclo de vida é mais ou menos 30 anos. O urso pardo que mais viveu em vida selvagem foi até 34 anos; já o recorde em cativeiro é de 47 anos.

Curioso: por conta dessa estrutura toda, ele não consegue escalar árvores ou encostas muito íngremes. Ainda que haja boa comida lá em cima, ele não vai conseguir por conta do peso. Porém, quando não atingiu ainda a fase adulta, essas manobras são muito fáceis e o bichinho sobe em árvores sem problemas.

Portanto, se você se deparar com um urso, suba em uma árvore e torça para que não seja um jovenzinho com muita energia.

Reprodução

O urso pardo pode se reproduzir a aprtir dos 3 anos de idade e ter 4 filhotes.

O urso pardo pode se reproduzir a aprtir dos 3 anos de idade e ter 4 filhotes.

O urso pardo está apto a se reproduzir a partir dos 3 anos de vida. A fêmea grávida vai parir entre o inverno e a primavera. Quando a estação fria se aproxima, ela procura um local para hibernar. É ali que vai dar à luz, durante a hibernação, até 4 filhotes por parto, mas a média é 2 indivíduos. Estes nascem com entre 1kg e 1,5kg.

A fêmea vai parir normalmente dois filhotes (quase sempre é em pares). E isso acontece enquanto ela hiberna. Ou seja, a mamãe urso pardo dorme tranquilamente enquanto entra em trabalho de parto. Quando finalmente acorda, os filhotes já estão agarrados em suas tetas havia muito tempo.

Os filhotes são pelados e sem visão alguma. Por instinto, vão procurar os mamilos da mãe a fim de usufruir da primeira mamada. As mamadas perduram até a primavera. A partir daí, a família inteira vai deixar a hibernação e buscar as primeiras explorações do ambiente.

Durante alguns meses, a mãe ursa vai ensinar métodos de sobrevivência, incluindo, claro, busca por alimentos. Porém, eles se desenvolvem rapidamente porque o leite da fêmea é composto por altíssimos índices de gordura e outros nutrientes. Aliás, ursos em geral têm a maior taxa de crescimento/assimilação de massa corporal do reino animal dos invertebrados.

Os primeiros 30 meses de vida serão de aprendizado. Depois disso, os filhotes estarão prontos para viver a própria vida e, portanto, sair da “barra da saia da mãe”. E mãe, a partir de então, vai estar disponível para se fecundar novamente.

Estado de preservação e moradia do urso pardo

Ainda não se encontra da lista de perigo de extinção. Entretanto, sabe-se que caça desenfreada, ocupação de seu território por parte de humanos, aquecimento global, dentre outros fatores, sempre põem os animais em perigo. Com o urso pardo, a coisa não é diferente.

Nesse caso, razoável afirmar que seu habitat está em perigo. Por consequência, ele igualmente. Mas o urso pardo ainda se encontra em boa população na América do Norte, onde a coloração do pelo e aparência depende de alguns fatores. Ali, a dieta, o território e até a estação do ano interferem na aparência de indivíduo para indivíduo.

Na Europa e Ásia, o urso pardo também dispõe de boa qualidade de vida. Ainda. Pelo menos enquanto o homem não avançar muito sobre seu cotidiano. Lá, é mais amarronzado e é bem familiarmente conhecido, pois se distribui adequadamente por todo o território. Ele está em florestas, montanhas, vales e prados.

Algumas subespécies de urso pardo

Existem algumas subespécies de urso pardo.

Existem algumas subespécies de urso pardo.

Como a gente comentou acima, toda a população de urso pardo está contida em uma única espécie. Porém, há diversas subespécies que se espalham por muitas regiões. Eis algumas.

Urso-pardo-do-atlas

Trata-se de subespécie já extinta. O nome oficial é Ursus arctos crowther e viveu nas regiões africanas. Aliás, chegaram àquelas regiões com expedições exploratórias da Roma Antiga. Foi a única subespécie africana que conseguiu sobreviver até a era moderna

Urso-pardo-europeu

O nome científico é Ursus arctos arctos, mas se tornou popularmente conhecido como urso-pardo-euroasiático, já que é encontrado também na Ásia. Apresenta pelos acastanhados voltados para escuro e alguns nuances cor de ouro em alguns casos. Sua pelagem pode alcançar até 10cm de espessura.

Urso-pardo-siríaco

Ou Ursus arctos syriacus, que é como se conhece na ciência essa subespécie. Vive nas montanhas do Oriente Médio. Seu pelo é mais claro do que nas outras subespécies de urso pardo. Pode ser castanho claro ou castanho bege. O urso-siríaco é a menor de todas as subespécies de urso pardo.

Urso-pardo-de-kodiak

É conhecido no meio científico como Ursus arctos middendorffi e no meio popular como urso-gigante-do-Alasca. Isso porque é a maior subespécie de urso pardo conhecida. Habita as ilhas do arquipélago de Kodiak no sudeste do Alasca e ilhas adjacentes.

Urso-pardo-cinzento

É também conhecido como urso grisalho ou urso pardo norte-americano. A maioria dos indivíduos dessa subespécie é grande, podendo pesar mais de 350kg e passar facilmente de 2m de altura. Um fato interessante é que, grande nascem, não chegam a meio quilo. Porém, como todos os ursos, crescem vertiginosamente.

Urso-pardo-siberiano

A biologia o classifica como Ursus arctos collaris. Está presente no leste da Sibéria entre o rio Ienissei até a faixa de Stanovoy e em partes do rio Lena. Há indivíduos da subespécie também no norte da Mongólia.

Os hábitos do urso pardo

O urso pardo vivem em bandos e adora nadar.

O urso pardo vivem em bandos e adora nadar.

Urso pardo não é afeito a viver em grupos. Ao que parece, é adepto do ditado “antes só do que mal acompanhado”, não é? Porém, como é esperto, ele deixa esse ditado de lado em período de acasalamento.

É possível encontrar alguns indivíduos próximos a outros. Entretanto, há brigas, via de regra, pois estão juntos porque casualmente encontraram o mesmo local de abundância de comida. Especialmente salmão. As brigas são terríveis justamente em função de tanta energia corporal e tanta necessidade de consumir ainda mais.

Ele se alimenta pelas manhãs ou tardes. Assim, evita o calor do período intermediário. Durante todo o verão, o urso pardo vai se alimentar o máximo possível a fim de acumular energia corporal. Dessa maneira, vai se manter no inverno sem grandes problemas.

Urso pardo também hiberna, não apenas os brancos dos polos. Entretanto, isso depende de seu habitat e, se necessário, ele desperta por algum motivo forte. Nas regiões mais frias, ele sai à procura de covas e cavernas. Então, entra em estado de letargia orgânica que pode durar até 7 meses.

Nesse período, ele não se alimenta, pois acumulou gordura nos meses anteriores; portanto não defeca. Não bebe água, portanto, não urina. A temperatura corporal desce alguns graus chegando a 32°C. Assim, a frequência cardíaca baixa assustadoramente, bem como o ritmo respiratório diminui de intensidade.

Hábitos alimentares

O urso pardo é uma animal onívoro, que se alimenta tanto de frutas e vegetais como de carne (vermelha e peixes).

O urso pardo é uma animal onívoro, que se alimenta tanto de frutas e vegetais como de carne (vermelha e peixes).

Nós falamos em salmão logo acima. Portanto, ele se alimenta de seres vivos, o que o classificaria como mamífero carnívoro. Entretanto, o urso pardo não dispensa bons vegetais. Dessa maneira, é classificado oficialmente como animal onívoro, ou seja, se mantém a partir dos dois tipos de alimentos.

Gosta muito de folhas, grama, frutos diversos, nozes, tubérculos etc. Por outro lado, vai atrás de cupins, formigas, besouros e mais uma infinidade de insetos. Entretanto, quando se propõe a caçar, vai se refestelar com esquilos, raposas, roedores diversos etc. Até mesmo cervos e ovelhas estão em sua mira.

Mas o cardápio do “rapazinho” é muito mais variável e os alimentos acima não são suficientes para sua satisfação. Ele também pesca. Aliás, é excelente pescador (desses que pescam mesmo; não dos que apenas mentem). Afinal, o urso pardo é fascinado por salmão (a gente quase pode ouvir você dizendo aí “eu também, claro”).

Como fazem pescadores humanos mais ou menos rivais, o urso pardo identifica um ponto ideal de pesca, mas não conta pra ninguém. Mantém o local para seu uso pessoal.

No outono, a sanha alimentar do urso pardo redobra, pois ele vai precisar se abster de comida na hibernação invernal. Então, é capaz de consumir quase 50kg de comida por dia nesse período. Isso significa que ingere por volta de 20% do próprio peso, o que o faz engordar o dobro.

O “Abominável Urso Pardo das Neves”

Na verdade o popular "Abominável urso das Neves", não passa de um urso pardo.

Na verdade o popular “Abominável urso das Neves”, não passa de um urso pardo.

A personagem lendária Yeti, mais conhecida como O Abominável Homem das Neves, parece não passar mesmo disso: lenda. Ou melhor, nem mesmo é lenda nem é abominável. Nem é homem.

Populares alegam ter visto a figura meio humana vagando por regiões inóspitas e distantes da cordilheira do Himalaia. Para alguns deles, o bicho tem mais de 5m de altura; para outros, quase 8m. Segundo cálculos de alguns, deve ter mais de uma tonelada de peso. Já outros afirmam – na verdade, juram – que é tão peludo que nem mesmo é possível ver os olhos do dito cujo.

Entretanto, segundo estudos publicados na revista científica Proceedings of the Royal Society em 2017, a tal figura é na verdade um urso pardo das altas montanhas da Ásia. As pesquisas foram desenvolvidas a partir de métodos de vanguarda por DNA capturado em locais nos quais a figura foi vista por populares.

Ossos, dentes, pele, cabelos e amostras fecais anteriormente atribuídas à criatura misteriosa foram usados na pesquisa. Os resultados dos exames em laboratório identificaram que o DNA pertence a três subespécies de ursos: urso pardo asiático, urso pardo tibetano e urso pardo do Himalaia.

Diz-se que pertence a três subespécies porque, certamente, os eventuais avistamentos foram feitos alternadamente sobre indivíduos dessas subespécies.

As pesquisas sugerem fortemente que os elementos biológicos que sustentam a lenda do Yeti podem ser encontrados em ursos pardos locais. Não é a primeira vez que exames laboratoriais denunciam a confusão popular entre urso pardo e o “abominavelzinho”. Entretanto, trata-se de estudos muitos mais aprofundados que oferecem riqueza de detalhes jamais conseguidos.

Então, tem alguma outra curiosidade ou dúvida sobre o Abominável… quer dizer, sobre o urso pardo? Deixe aí nos comentários.