Quando você pensa tartarugas, é claro que a primeira ideia associada é lentidão, marasmo, esmorecimento, apatia. Por muito tempo, essa noção foi sendo metralhada na cultura popular a partir de filmes, livros, lendas, histórias da Carochinha etc. Nesse caso, é quase certo que quem faz essa associação não tem conhecimento sobre o comportamento das tartarugas marinhas.

Se você já ouviu o termo “singrando os mares”, pode aliar essa ideia às tartarugas marinhas.

Bem, ok! Não se pode dizer que tartarugas marinhas sejam, assim, como a Tartarugas Ninja dos desenhos animados infantis. Mesmo porque elas são 4 seres criados em pranchetas de marketing. Porém, as tartarugas reais, aquelas de que a gente vai falar muito neste artigo, foram criadas nas pranchetas da natureza. E por milhões e milhões de anos.

Dentro de seu universo, as tartarugas marinhas não são tão lentas. Ainda assim, têm limitações. Entretanto, quem não tem, não é mesmo?

Mas esse ser estranho que leva sua casa nas próprias costas é mais intrigante do que se imagina. Você vai descobrir isso ao longo deste artigo. E vai se surpreender com a possibilidade de haver uma tartaruga extremamente gigante que vaga pelo espaço. E que sustenta nosso Planeta para que ele não caia no abismo absoluto.

Sim, há séculos e durante muitos deles, sociedades inteiras acreditavam que houvesse uma tartaruga gigantesca segurando o Planeta. Afinal, era a “única explicação” para a Terra permanecer “parada” no espaço. Terem acreditado nisso há milhares de anos não é surpreendente; o surpreendente é que ainda haja quem creia nessa teoria ainda hoje.

As tartarugas marinhas pela Biologia

As tartarugas marinhas vivem nos oceanos em várias partes do mundo.

As tartarugas marinhas vivem nos oceanos em várias partes do mundo.

São oficialmente classificadas como componentes da superfamília biológica chamada Chelonioidea. Já a ordem a que pertentem é a Testudines, na subordem Clyptodira (exceto as tartarugas marinhas de Couro, que são as únicas componentes da família Dermochelyida). Bem, tudo isso quer dizer que as tartarugas marinhas são répteis.

Elas estão em praticamente todas as águas com temperatura adequada a seu sistema de vida, de mornas para quentes. Elas nidificam (ou seja, constroem seus ninhos) em areias quentes, tropicais. Aliás, você vai ver abaixo que o calor das areias é determinante do gênero dos filhotes.

São capazes de migrar por centenas de quilômetros até encontrar alimento suficiente. É até comum que transmigrem por todo o oceano durante dias. Para você ter uma ideia, há espécies que fazem seus ninhos no Japão e se deslocam para a Califórnia, nos EUA, para forragear (procura de alimento) e depois voltar para próximo dos ninhos.

Bem, nesse caso, as tartarugas podem até ser lentas em relação a outros animais, mas são muito mais resistentes. Prova disso é que sobreviveram a seja lá o que for que tenha destruído os dinossauros, conforme é dito logo abaixo.

Espécies de tartarugas marinhas

Existem várias espécies de tartarugas marinhas.

Existem várias espécies de tartarugas marinhas.

Há sete espécies delas espalhadas pelas águas do Planeta. A maioria delas tem compleição física pequena, estando entre 60cm e 120cm de comprimento.

Tartarugas marinhas verdes

Essa espécie consegue permanecer por até cinco horas embaixo da água quando estão dormindo. O ritmo cardíaco é minorizado a fim de aproveitar o máximo possível de oxigênio. Porém, isso é apenas se for necessário, pois a média de tempo de mergulho é de 5 minutos. Sua alimentação é mais baseada em ervas marinhas.

O tamanho fica entre 0,80m e 1,10m, pesando mais ou menos entre 70kg e 160kg. Essa espécie é onívora (ingere plantas e animais) durante a vida inteira.

Tartarugas marinhas cabeçudas

Elas têm até pouco mais de 1m de comprimento e 100kg quando chegam à fase adulta.

Ridley de Kemp

É a menor das espécies. Não passa de meio quilo. Porém, é boa apreciadora de caranguejos. É espécie também onívora.

Ridley verde-oliva

O nome é dado em função da cor de sua gordura corporal. Estranhamente, essa espécie tem hábito de buscar a praia em dias de sol forte a fim de aproveitar o calor. Isso ocorre via de regra no Pacífico. Essa espécie é onívora durante os primeiros anos de vida; depois, torna-se exclusivamente herbívora.

Tartarugas marinhas de pente

Assim como a Ridley de Kemp e verde-oliva, é espécie onívora.

Flatback

Têm menos de 100kg e menos de 1m de comprimento.

Tartarugas marinhas de Couro

Têm pele mais espessa, o que as protege quando vão buscar alimentos em águas frias. É a maior espécie das tartarugas marinhas, com 2 a 3 metros de comprimento e 1m a 1,5 m de largura. Podem pesar até 700 kg. Como base alimentar, preferem água-viva e moluscos.

Tartarugas marinhas como elas eram

Foram encontrados fósseis que datam do período Jurássico Superior, ou seja, há mais de 150 milhões de anos. Isso quer dizer que são tão antigas quanto os mais antigos dinossauros. E quer dizer também que sobreviveram à hecatombe que destruiu seus gigantes contemporâneos.

Sabe-se que a primeira espécie existente na África foi a Angolacgelys. Entretanto, nenhum fóssil encontrado até agora parece ter relação com os animais que conhecemos hoje. As tartarugas marinhas estão representadas em artes rupestres.

Tartarugas marinhas como elas são

As tartarugas marinhas ficam protegidas pelo seu casco-conha.

As tartarugas marinhas ficam protegidas pelo seu casco-conha.

Mais de 90% da estrutura física delas são protegidos pela concha. Esta é seccionada em duas partes: carapaça (ou dorso) e plastrão (ou ventre). A carapaça se constitui por plaquetas. Aliás, os biólogos costumam identificar as espécies ao avaliar o formato e quantidade de tais plaquetas.

Obviamente, a natureza foi construindo seu físico ao longo dos anos e adaptando à vida marinha. As patas traseiras são providas de nadadeiras para melhorar o impulso na água. Por outro lado e também por isso, as tartarugas marinhas são intensamente frágeis em terra, tornando-se presas fáceis.

As pálpebras são também mais fortes e grossas a fim de proteger os olhos quando submersas. Já as orelhas não dispõem de orifício, de forma que tenham menos problema com invasão de água. Por não terem dentes, as mandíbulas das tartarugas marinhas são efetivas para cada tipo de alimento de cada espécie.

Mais detalhes

De maneira geral, as tartarugas marinhas apresentam visual mais interessante que suas primas, as tartarugas de água doce e as terrestres. Ou seja, têm forma de fuso mais evidente, o que significa que são mais espessas ao centro e vão se atenuando em direção às extremidades.

Esse formato aerodinâmico impede o movimento de retração pelo qual elas esconderiam a cabeça e os membros. Entretanto, posto que as tartarugas marinhas vivem muito mais tempo dentro da água, esse mesmo formato se torna aquadinâmico. Com toda certeza, isso facilita muito no nado, pois oferece bem menos resistência na água (na natação, isso é chamado de arrasto). Ou seja, as tartarugas sofrem menos atrito na água por possuírem tal estrutura.

Elas têm pulmões proporcionalmente grandes. Assim, conseguem abastecê-los com apenas uma inspirada a fim de se manter submersas depois. Por outro lado, isso evita que gazes externos influenciem na qualidade do oxigênio.

Diferenças físicas entre os sexos

Quase não há diferenças entre machos e fêmeas de tartarugas marinhas.

Quase não há diferenças entre machos e fêmeas de tartarugas marinhas.

Quase não é possível encontrar diferenças enquanto não chegam à fase adulta. Então, ao chegarem lá, nota-se que machos têm cauda mais comprida e larga a fim de proteger o membro reprodutor, que está justamente na base da cauda.

Machos possuem garras mais curvadas nas nadadeiras, além de mais alongadas. Isso facilita durante o coito, pois ele precisa reter o casco da fêmea me meio ao movimento das águas. Assim, segura-o com firmeza. Entretanto, esse detalhe não existe na espécie Couro.

Evolução inteligente

Como se sabe, a evolução física das espécies foi e tem sido conduzida a partir das situações que enfrentam no dia a dia. Isso aconteceu igualmente com as tartarugas marinhas. Pesquisas intensas descobriram que o cérebro de centenas de gerações anteriores não apreendia muito bem as impressões externas.

Com isso, seu córtex frontal não desenvolvido oferecia processo de cognição muito limitado. Dessa maneira, a vida das tartarugas marinhas sofria muito mais riscos, pois elas não assimilavam, por exemplo, situações de perigo.

Outro fato que indica evolução inteligente é o tamanho das tartarugas marinhas. Tão logo saem das covas, os filhotes correm para o mar. Entretanto, pesquisas intensas identificaram que os maiores são bem mais rápidos. Nesse caso, estão menos propensos a predadores porque permanecem expostos por tempo menor nesse deslocamento.

Assim, de geração em geração, o tamanho dos animais foi aumentando. Isso porque o visual maior indica a eventuais predadores que o animal pode ser mais perigoso.

Elas se reproduzem assim

As tartarugas marinhas levam muito tempo para completarem o seu ciclo de reprodução.

As tartarugas marinhas levam muito tempo para completarem o seu ciclo de reprodução.

São necessários muitos anos para que as tartarugas marinhas cheguem à fase ideal de procriação. Em certos casos, viajam centenas de quilômetros até encontrar local ideal para acasalamento. Esse processo de deslocamento é chamado tecnicamente de filopatria. No caso das tartarugas marinhas, isso pode ocorrer de dois em dois anos após a chegada da maturidade sexual.

Dependendo da espécie, o período pode variar. Porém, é possível dizer que as tartarugas marinhas acasalam via de regra entre fim de março e início de outubro. A fêmea gesta o óvulo por até 10 semanas. E repetem o coito até 10 vezes por período, dependendo da espécie.

As fêmeas “cheias”, que é o termo popular para designar as tartarugas fecundadas, buscam área ideal na areia da praia. Lá, constroem uma cova mais ou menos funda com cerca de meio metro de profundidade. Elas jogam a areia para trás com suas patas traseiras até a cova esteja ideal. Posicionam seu corpo e depõem os ovos. Elas vão depor entre 100 e 200 ovos.

Depois disso, elas recobrem o ninho com areia e “enfeitam” com galhos e folhas até que esteja perfeitamente camuflado. Toda essa ação precisa de mais ou menos 30m a 40m para estar pronta. Então, seus instintos as levam de volta às águas.

Instintos dos filhotes

Os ovos vão permanecer enterrados por mais ou menos 2 meses. Eclodem praticamente no mesmo momento à noite. Entretanto, ovos da espécie Ripley de Kemp se rompem durante o dia, o que os torna ainda mais vulneráveis à ação de predadores.

Interessante: Os filhotes permanecem na cova por até 7 dias após a eclosão dos ovos. Precisam desse tempo para que a musculatura esteja adequada. Então, novamente o “fenômeno dos instintos” entra em ação e eles se dirigem para as águas. Ainda que o deslocamento ocorra à noite, não erram a direção, não se perdem. Bem, pelo menos até que edifícios alterem seus instintos, como está explicado logo abaixo.

Pesquisadores alegam que esse instinto é efeito do visual do horizonte, que atrai os filhotes para si. Porém, o mecanismo que a natureza “escolheu” para levar os filhotes até a água é problemático para eles próprios. Isso você vai ver mais abaixo.

O calor contido na areia em que a cova foi construída implica muito no gênero dos filhotes. Se superior a 30º.C, a grande tendência é que ocorram mais filhotes femininos; menos que isso, femininos. Os primeiros anos das tartarugas marinhas serão vividos em mar aberto.

As tartarugas marinhas pelo cotidiano

Vamos ver agora o que comem, seu comportamento no dia a dia, o estado de conservação das espécies e outros detalhes.

Como e o que comem

A maneira como se alimentam depende da espécie e do local em que vivem. Alguns alimentos, entretanto, podem ser considerados comuns entre elas. Algas, camarões, moluscos em geral, medusas são alguns deles.

Elas se portam assim

Não é muito fácil para pesquisadores acompanharem o dia a dia das tartarugas a fim de registrar seus hábitos. Elas passam muito tempo na água, onde as estratégias de pesquisas são bem mais complicadas. Aliás, isso ocorre em relação a todos os animais marinhos.

Por outro lado, filhotes e fêmeas vão mais à terra ou praia que machos. É a partir deles que pesquisadores conseguem a maioria das informações técnicas.

Onde estão

É mais fácil dizer onde não estão: nas regiões polares. Porém, certas espécies se limitam a certas regiões do Planeta. As tartarugas marinhas de Kemp, por exemplo, estão restritas ao Golfo do México e nas regiões costeiras dos EUA.

Como dito acima, elas passam os primeiros anos de vida em águas pelágicas, ou seja, próximas à superfície, em mar aberto. À medida que vão avançando em idade, vão se aproximando da costa. Isso ocorre em especial com as fêmeas em fase procriação.

Elas estão ameaçadas

Há décadas que as sociedades mundiais divulgam números preocupantes sobre a preservação das espécies das tartarugas, em especial as marinhas. Lamentavelmente, são as ações humanas o meio mais ativo para tal fato.

Junto a isso, a própria “viagem” que os filhotes fazem do ninho para o mar quando nascem é fonte de perigos terríveis. Além disso, eles são presas fáceis de uma série de outras espécies na água. E de humanos na areia.

Outros motivos são equipamentos de pesca instalados irresponsavelmente por pescadores inconscientes; escassez sazonal de alimentos; caça ilegal; poluição das águas etc. Elas se enroscam nos instrumentos de pesca e acabam se asfixiando.

Importante: Análises de resultados de filhotes mais ou menos recentes indicam uma situação diferenciada. A evolução da construção civil nas regiões costeiras tem confundido o instinto dos filhotes quando estes saem das covas. Então, são atraídos pelo visual gigantesco e pela incidência de luzes artificiais, consequentemente, se afastando das águas.

Além disso, grandes prédios interferem nos reflexos solares sobre a areia, o que altera a temperatura da areia.

A poluição das águas oceânicas são outro fator importante. Com excesso de plástico – em especial os transparentes – nas praias, a maioria é levada por ondas. Um vez no mar, a tartarugas o confundem com águas-vivas e acabam ingerindo-o.

Relação com os humanos

Tartarugas marinhas participam da vida da humanidade em duas frentes principais: uma negativa, pela qual é dizimada; outra positiva, pela qual auxiliar na manutenção da vida marinha.

Pesca ilegal

O maior predador das tartarugas marinhas é o homem. Aliás, isso é percebido em relação à maioria dos animais em fase de perigo de extinção. Elas são aprisionadas em armadilhas ilegais em todo o mundo.

A ação alimenta uma “rede promíscua” de consumidores de sua carne, de seus ovos e de sua fama de animal marinho místico. Nesse caso, são usadas em rituais com os mais diversos objetivos.

Há registros de textos chineses de mais de 2 mil anos que mostram a preferência da carne de tartarugas marinhas como prato exótico. Entretanto, o consumo como alimento é também atual. Há diversas regiões costeiras cuja população mantém esse animal como fonte de proteína. Usam a estratégia de pescar grandes quantidades e manter os indivíduos vivos até que sejam consumidos.

Jardineiras do fundo do mar

Elas têm função especial nas relações do fundo do mar e em terra igualmente. Fazem parte de pequeno grupo de animais que se alimentam também de grama marinha, que precisa se manuseada constantemente para manter a qualidade nutricional. Afinal, diversas outras espécies e gêneros de animais precisam desse fator alimentar para sobreviver.

Por outro lado, essa ação das tartarugas marinhas ajuda na preservação da saúde das águas do fundo do mar. Mesmo porque, além de fonte de alimento para muitos outros animais, a vegetação marinha serve também como local de nidificação e de esconderijo.

Ajude as tartarugas marinhas

O Brasil detém um dos melhores e mais fortes projetos para conservação da vida marinha, em especial em suas costas marítimas. Trata-se do Projeto Tamar, que revolucionou a luta pela preservação de espécies ameaçadas de extinção. Seu objetivo principal é justamente preservação das tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção.

Você pode ajudar de diversas maneiras. Uma elas é divulgando os artigos deste site, cuja função é principal é divulgar detalhes da fauna mundial. Outra maneira é deixando suas dúvidas e sugestões na área de comentários abaixo.