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Mosquito Aedes Aegypti: O mosquito da dengue

Nosso site já falou sobre uma infinidade de tipos de animais. Normalmente, são aqueles que mais agradam aos olhos e sensibilidade humanos. Neste artigo, vai falar sobre o famigerado “Aedes aegypti”, um do animais que fazem a gente exclamar “bendito Noé!”. É ou não é?

Por outro lado, do ponto de vista da Filosofia, a gente pode discorrer sobre a relação tamanho-produtividade. Afinal, como pode um ser tão pequeno fazer um estrago tão grande? E ainda, um estrago numa civilização de bilhões de outros seres infinitamente mais inteligentes que ele?

Por que, enfim, a natureza cria elementos semelhantes? Teria ele alguma função menos, digamos, aterradora? Bem, se tiver, ainda não se sabe. E, mesmo que haja, talvez não seja tão expressiva quanto a função que já conhecemos: destruir o corpo humano.

O “aedes aegypti” é um ser do mal, diriam os adeptos de filmes de terror; é o inimigo a ser derrotado, diriam os amantes de literatura policial; é um monstro adaptado, falariam os que gostam de ficção científica.

Não importam as metáforas, as associações etc. O tal “aedes aegypti” está sempre envolvido em problemas para os humanos. É capaz de mover montanhas de pessoas a caminho de centros de vacinação. É capaz de tirar o sono das mais seguras gestantes. É capaz de fazer cientistas trabalharem por dias e dias sem descanso.

É o alvo a ser abatido numa guerra. Então, numa guerra, a melhor estratégia é conhecer as características do inimigo. Afinal, todos conhecemos as doenças que esse mosquito ajuda a transmitir. Vamos lá, então, conhecer mais sobre o transmissor.

História do Aedes aegypti e dos insetos em geral

Vamos por partes. Para você ter noção do envolvimento e dos efeitos dos insetos na vida humana, é preciso saber um pouco mais outros tipos.

Os insetos em geral

Os insetos, de maneira geral, são a maior classe de todos os seres vivos. Ou seja, a quantidade de espécies é a maior já conhecida por entomologistas (para quem gosta de conhecimento mais profundo, “entomologia” é a parte da ciência que estuda os insetos).

Não se sabe exatamente quantas espécies há, mas se estima que sejam em torno de 5 milhões. Isso é mais ou menos 2/3 das espécies de seres vivos conhecidas. Porém, apenas uma pequena parte disso já foi registrada pela taxonomia (que é o ramo da biologia que trata de identificar os seres existentes).

A ciência achava que os primeiros exemplares de insetos surgiram no Planeta há 400 milhões de anos. Entretanto, o danadinho é mais velho pelo menos uns 80 milhões de anos, segundo estudos mais recentes. Ou seja, quase 500 milhões de anos. (Pensando bem, até mesmo na idade ele deu um baile nos humanos).

Confusão na origem

Começou a existir junto com outros seres com patas articuladas acopladas à estrutura esquelética. Por sua vez, essa estrutura é externa. Esses tipos de seres são chamados “artrópodes” – para quem gosta de conhecimento mais profundo.

Em princípio, a confusão com sua idade se deu por questões de evolução da espécie. Somente depois de uns 80 milhões de anos é que as espécies desenvolveram asas e começaram a voar. Por isso, os cientistas taxaram sua origem com menos precisão.

Interessante: As relações da natureza com seus componentes são muito intrigantes. Sabe-se que, por exemplo, os insetos começaram a desenvolver asas por causa de comida. Sim. Como as plantas passaram a crescer na vertical – por conta de outra imposição natural -, os insetos precisaram alcançá-las. Para isso, a natureza foi alterando os genes e dando asas a eles.

E isso levou 80 milhões de anos. Assim, imagine todas as formas possíveis de insetos: voadores, rastejantes, grandes, muito pequenos, venenosos, inofensivos etc. De lá pra cá, essa turma toda foi se criando. E causando problemas pra gente. Bem, pelo menos a maioria dela.

Aedes aegypti, o danado

Quanto ao Aedes aegypti em si, tem origem na África, como, aliás, o próprio nome indica, mais precisamente no Egito. Chegou ao Brasil no período colonial em navios que trouxeram escravos. Por volta do ano de 1760, já era conhecido como Culex aegypti.

Por aqui, começou a criar problemas sérios à saúde pública no séc. 20. Suas ações maldosas estavam ligadas somente à febre amarela na época. Então, usou-se inseticida químico mais ou menos comum, porém, os resultados foram satisfatórios. Em grandes campanhas territoriais, ele foi erradicado por volta dos anos 1950.

Bem, assim se pensava. O ser do mal retornou com força total. Deu até impressão de que esteve fazendo cursos para se tornar ainda mais maléfico. E o curso foi em Cingapura, pois, até onde os estudos levantaram, foi de lá que ele veio pra cá.

Aquilo que parecia boa ideia – usar inseticida – se revelou, na verdade, ação de incentivo para os insetos. Afinal, a esmagadora maioria dos exemplares foi exterminada. Entretanto, a mortalidade alcançou os indivíduos fracos. Permaneceram os mais fortes, como normalmente acontece na natureza.

E foram justamente esses mais fortes que retornaram. E mais resistentes. E mais perigosos. E, portanto, mais aterradores. Assim e por conta disso, as autoridades científicas atuais optaram por usar a menor quantidade possível de inseticida.

Vai que isso torne alguns Aedes aegypti ainda mais fortes?!?! Dessa maneira, desenvolveram-se algumas outras estratégias de combate que a gente vai ver logo abaixo.

Reconheça um Aedes aegypti

Você já sabe que o Aedes aegypti transmite terríveis doenças: febre zika, dengue e chikungunya, além da febre amarela urbana. Isso foi divulgado aos quatro ventos durante muitos e muitos meses no Brasil. Falou-se também sobre alguns aspectos físicos do mosquito que porta o vírus dessas doenças. Porém, nunca é demais ressaltar.

Você deve prestar atenção maior se você vir um inseto com:

  • Tamanho pequeno – ou seja, pequeno em relação aos que você já conhece. Mede por volta de 0,5cm
  • Pontos brancos ao longo do corpo
  • 2 pares de asas
  • 3 pares de patas
  • Asas transparentes que quase não fazem barulho quando em movimento

Comportamento do Aedes aegypti

O Aedes aegypti tem preferência por área urbana. Apesar de alguns elementos terem sido encontrados em zona rural, sabe-se que foram levados em recipientes com larvas. Porém, não se dão bem por lá.

Também não são lá muito favoráveis a temperaturas baixas. Assim, regiões com altitudes elevadas estão praticamente livres dessas pragas. Exceto se, como aconteceu no caso do uso de inseticida, esses carinhas descobrirem também uma maneira de viver no frio.

Entretanto, machos e fêmeas descobriram que os ambientes internos das residências são bons. Assim, adquiriram hábito de permanecer no interior dos lares. Bem, isso é um complicador a mais.

A fêmea é mais perigosa

O macho da espécie praticamente não causa mal algum (que os adeptos da ideologia de gêneros não nos interpretem mal ). Ele se alimenta apenas de frutos em geral. Porém, a fêmea é mais sanguinária. Precisa de sangue para sobreviver. Ocorre que o sangue preferido dela é justamente o humano, sabe-se lá o porquê.

Uma das funções do sangue é fomentar amadurecimento dos ovos dela. Estes são depositados nas paredes internas de objetos que, por sua vez, acumulem água. Aliás, poça de água é o ambiente adequado para eclosão dos ovos. Por isso, uma grande campanha teve quintais como alvo de observação, fiscalização e manutenção.

Interessante: as fêmeas parecem não gostar de água em si. Assim, põem seus ovos a pouquíssimos milímetros da superfície de água acumulada. Em época de chuva, o nível da água sobre e envolve os ovos. Antes disso e durante esse tempo, os ovos estavam em preparação ainda na parede os objetos. Tão logo a água os envolva, eclodem e se transformam em larva.

É a mecânica da natureza agindo com eficácia. Nesse caso, eficácia maléfica.

Nos 7 ou 9 dias seguintes, a larva vai percorrer um caminho transformativo de 04 fases distintas:

  • Ovo (mede mais ou menos 1mm)
  • Larva (fase em que o organismo se alimenta de substâncias encontradas na parede dos recipientes)
  • Pupa (fase em que não se alimenta; permanecem em preparo para a nova fase)
  • Adulto

Mecânica de autocontaminação

As fêmeas buscam animais para obter o sangue necessário. Qualquer animal. Contudo, algumas espécies de mamíferos contêm vírus em seus organismos. Muitos deles, aliás. Durante a picada, ela pode capturar vírus.

Sabe-se que os vírus que causam dengue, febre amarela e chikungunya são os que mais sobrevivem no organismo dela.

Uma vez contaminada, ela vai levar o vírus para qualquer ser que contenham sangue quando for se alimentar. Inclusive o ser humano. Aliás, especialmente o ser humano, pois o vírus é inofensivo à maioria dos animais.

Tanto que ela captura o vírus justamente de animais que o contenham, mas que são saudáveis. Já foram encontradas colônias na corrente sanguíneas de algumas espécies de macacos.

A fêmea do Aedes aegypti fecundada e seus ovos

Aquela fêmea – a mesma que picou um mamífero contaminado – vai se acasalar em algum momento de seu ciclo de vida. Aedes aegypti são ovíparos, ou seja, se criam a partir de ovos. Ela vai depositar seus ovos perto de poças de água, conforme a gente ilustrou acima no capítulo de comportamento.

Inicialmente, imagina-se que as fêmeas punham seus ovos apenas próximo à água limpa. Dessa maneira, toda a campanha de combate se deu em cima dessa ideia (veja mais no capítulo de estratégias). Porém, descobriu-se mais tarde que a qualidade da água não interfere em nada. Ela pode pôr ovos em líquido completamente poluído.

Os ovos são esbranquiçados nos primeiros momentos, mas se tornam enegrecidos e razoavelmente brilhantes depois. Uma fêmea é capaz de produzir até 200 ovos nos mais ou menos 30 dias de seu ciclo de vida.

Assim, estando ela contaminada por vírus, é monstruosamente grande a chance de os ovos evoluírem e transmitirem as doenças. Isso vai acontecer depois que concluírem a fase de crescimento e se tornarem insetos adultos.

O grande problema é que foi descoberto que, se contaminada, vai transmitir o vírus durante todo seu tempo de vida. E ela pode se contaminar em apenas uma picada em portador do vírus. Aliás, a gente disse acima que ela pode se contaminar no sangue de qualquer animal que porte o vírus. E “qualquer” inclui o humano. Assim, isso pode acontecer se uma fêmea não contaminada picar um humano contaminado.

Mecânica de contaminação de humanos

Como foi dito acima, as fêmeas preferem sangue humano. A proteína encontrada nele é adequada à manutenção de seu organismo. Suas atividades são mais intensas nas manhãs e tardes. Já as áreas do corpo preferidas são as dos joelhos para baixo, pois não voam acima dessa altura.

Ocorre que ela contém substâncias anestésicas na saliva. Assim, sua picada quase não é sentida. Isso, claro, complica ainda mais a situação.

Feitiço contra o feiticeiro

Essa máxima popular já é conhecida por estudiosos que combatem efeitos do comportamento animal contra humanos. É muito usada na produção de soro contra picada de cobras em que o próprio veneno funciona como antídoto.

Agora, cientistas da Universidade Estadual Paulista – Unesp de Botucatu-SP querem fazer o mesmo com o Aedes Aegypti. Eles descobriram certos tipos de bactérias com poder larvicida nos intestinos dos próprios insetos. Ou seja, capazes de matar as larvas do mosquito.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp apoia o projeto. Dados colhidos por seus pesquisadores demonstram que 06 dos diversos tipos de bactérias ali localizados são eficazes. Assim, matam percentual muito grande das larvas, próximo a 90%, em 48 horas.

Isso é realmente promissor. Apesar disso, alguns procedimentos ainda são necessários. É preciso, por exemplo, identificar a quantidade ideal de concentração de bactérias, o ambiente e tempo adequados para exposição às larvas. Além disso, é necessário classificar coerentemente as bactérias que são mais eficientes.

As pesquisas foram intensificadas depois que pesquisadores perceberam que os Aedes aegypti da região de Botucatu se infectam menos. Assim, a comparação com outras áreas resultou em curiosidade dos profissionais.

Depois de constatado o fato, deram sangue contaminado para os mosquitos. A lógica seria que mantivessem colônias do vírus em seus organismos. Entretanto, percentual pequeno dos indivíduos tinha contaminação considerável.

Assim, tudo o que tinham a fazer é arregaçar as mangas e descobrir por que isso acontecia. As análises encontraram as bactérias nos intestinos dos mosquitos em combate com os vírus. Consequentemente, as investigações apontaram que era preciso dar atenção àquele microbioma. (Microbioma é uma quantidade de micro-organismos da mesma espécie.)

Estratégias de combate

Inicialmente, as grandes campanhas de combate ao Aedes aegypti batiam na tecla da água parada. Equipes dos órgãos de vigilância sanitária estiveram nas residências a fim de fiscalizar e destruir eventuais focos, ou seja, água parada. Era preciso ter toda atenção do mundo para não permitir que as fêmeas do mosquito depusessem seus ovos.

Com o tempo e com o aumento de conhecimento, as estratégias foram se tornando mais eficazes. E mais inteligentes.

Uma nova proposta de combate

Atualmente, autoridades têm incentivado que familiares mantenham um copo com água limpa à vista. Deve-se deixá-lo em local de fácil acesso ao mosquito.

Tão logo os ovos sejam depositados na água, deve-se aplicar gotas de cloro e água sanitária para matar as larvas. Depois, deve-se descartar a água no vaso sanitário e lavar o copo para reutilização.

Essa ação passou a ser recomendada depois que se descobriu que as fêmeas morrem após pôr os ovos. Assim, além destruir o foco em si, a quantidade de elementos fêmeas vai diminuindo gradativamente.

Porém, essa estratégia é controversa. Opositores alegam que as pessoas não vão conseguir identificar o estágio de ovos/larva. Assim, facilitando a ação das fêmeas, os vírus poderiam se alastrar ainda mais rapidamente.

Outras propostas

Não deixe água suja parada em casa ou no quintal. Averigue pneus velhos, pratos de vasos, poças de água em cimentados, tampas de reservatórios de água, garrafas vazias etc.

Ainda, misture borra de café em um pouco de água e coloque nos locais em que acha que haja ovos de Aedes aegypti. Isso ajuda a matar as larvas.

As prefeituras são incumbidas de incentivar fiscalizar o combate ao mosquito. Assim, mantêm equipes treinadas para comparecerem às residências em busca de foco de água parada e instruir os moradores.

Estudos em laboratórios estão em andamento sobre esterilização de mosquitos machos. Assim, machos estéreis acasalariam, mas não procriariam. Em determinado período de tempo, a população de mosquitos decairia a níveis aceitáveis.

Então, é isso. A mídia pode estar meio silenciosa ultimamente sobre os perigos que o Aedes aegypti representa. Entretanto, você, cidadão responsável, não pode se desatentar. Mantenha vigilância sobre comportamento de insetos em sua casa e nos arredores. Observação e informação nunca são demais.