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Cavalo-marinho, um ser de outro mundo

Você já viu um cavalo-marinho. Todavia, se jamais viu um ou ouviu falar dele, vai reconhecê-lo facilmente quando o vir. Ainda que esteja num aquário com as milhares e milhares de exemplares de espécies marinhas de todos os oceanos, vai identificá-lo. Afinal, ele tem aparência única: exatamente o que o nome indica – de cavalo.

Não é todo dia que você encontra um ser que aparentemente tenha saído de seus sonhos. O universo marinho é pleno de formas e tamanhos tanto em relação a seres animados quanto a inanimados. Muitos deles parecem ter vindo de outros planetas – alguns, dos planetas mais sombrios. Porém e com certeza, o cavalo-marinho veio do mundo de Morpheu, senhor dos sonhos.

Na mitologia, deuses associados a oceanos e mares – como Poseidon (grego) e Netuno (romano) – domavam cavalos-marinhos para que seus súditos patrulhassem seus reinos. Além disso, ambos vagavam pelas profundezas dos mares montados em cavalos-marinhos gigantescos e alados.

Em muitos locais, é chamado de Hippocampus, ou seja, “hippo” – cavalo – e kampis – monstro marinho.

Veja neste artigo o quanto ele merece o título de um dos mais belos animais marinhos.

Cavalo-marinho e seu comportamento

O cavalo marinho é um dos animais mais fiéis ao seus companheiros que existem.
O cavalo marinho é um dos animais mais fiéis ao seus companheiros que existem.

Humanos infiéis em seus relacionamentos se baseiam no mundo animal para justificar a infidelidade. Dizem eles que isso é instintivo na natureza, especialmente no reino irracional. E assim for, o cavalo-marinho jamais poderia ser usado como exemplo. Tanto macho quanto fêmea são fidelíssimos, monogâmicos.

Veja mais curiosidades sobre o comportamento do cavalo-marinho.

Cavalo-marinho macho. E prenhe

Bem, não é assim gravidez propriamente dita. Porém, o cavalo-marinho macho recebe os óvulos que foram liberados pelo cavalo-marinho fêmea. Essa postura animal é única em todo o reino dos seres vivos.

Último no campeonato de natação

Cavalos-marinhos não nadam bem. Com certeza, a aerodinâmica de seu corpo não ajuda em nada (veja mais sobre isso logo abaixo). Além disso, estão sempre na posição vertical, o que os torna ainda mais lentos – não se movimentam a mais de 1,5km/h. Aliás, são considerados os peixes mais lentos do mundo.

Mais abaixo, você vai ver que o cavalo-marinho controla quantidade de ar para subir e descer na água. Para se locomover na horizontal, se impulsiona a partir de movimentos de pequeníssimas barbatanas presentes no dorso. Apesar de oscilar entre 35 e 40 vezes por segundo, essas barbatanas movem o cavalo-marinho muito lentamente, como foi visto.

Assim, procuram águas tranquilas, sem muita movimentação por ondas submersas. Por isso, normalmente estão em situação de aparente repouso. Em verdade, estão se preparando para se deslocar na água.

O cavalo-marinho e a Biologia

O cavalo marinho é um peixe.
O cavalo marinho é um peixe.

Cavalo-marinho faz parte da família dos Syngnathidae. É considerado peixe, apesar de muitos imaginarem que se trata de mamífero.

Ele intrigou a maioria dos biólogos de séculos passados, quando começou a ser estudado, por conta da complexidade de reprodução. Algumas espécies têm até capacidade de alterar a cor conforme o ambiente em que estejam, à semelhança de camaleões. Segundo registros fósseis, o cavalo-marinho existe há pelo menos 3 milhões de anos.

Estudos indicam que evoluíram com objetivo de habitar o solo aquático porque evitam águas profundas. Isso incutiu nele a necessidade se ocultar em grama e vegetação marinha em geral. Dessa maneira, se camufla para não ser visto por predadores.

Veja mais dados biológicos sobre esse ser fascinante.

Onde vive o cavalo-marinho

O cavalo marinho mora em Algarve, em Portugal.
O cavalo marinho mora em Algarve, em Portugal.

Está espalhado pelo mundo onde haja água razoavelmente rasa e mais ou menos quente. Há pesquisas de informam que a maior população de cavalo-marinho está na Ria Formosa. É local de alagamento natural ocasional na província de Algarve, Portugal. Ali, encontram-se milhares e milhares de indivíduos de muitas espécies.

Não gosta muito do frio. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais o cavalo-marinho tem estado presente na lista de animais com existência ameaçada. Veja mais sobre isso no capítulo sobre perigo de extinção.

De certa forma, nem sempre é fácil vê-lo, mesmo em aquários, pois adora se esconder. Busca locais com boa quantidade algas, corais, mangues.

Contudo, é bom saber que não se dá muito bem em aquário. Apreciadores de animais até tentam mantê-lo em cativeiro para deleite e prazer, mas é difícil. Parece que o sentido de liberdade desse animal é forte, pois qualquer situação de prisão o estressa. Normalmente, isso é fatal para eles.

Além disso, seu organismo é realmente sensível a doenças quando em cativeiro. Ele foi feito para viver mesmo no fundo do mar.

O corpo do cavalo-marinho

O cavalo marinho tem corpo comprido e focinho alongado.
O cavalo marinho tem corpo comprido e focinho alongado.

Ele tem focinho alongado, quase uma probóscide, ou seja, quase uma tromba. Certamente é a característica visual que mais o identifica porque é o que o torna bastante semelhante a cavalos. Além disso, a maioria das espécies dispõe de pequenos fios no alto da cabeça e do pescoço que lembram crina.

Isso é interessante: ele pode mover os globos oculares de maneira independente. Assim, tem visão ampliada perante a maior parte do ambiente.

Isso também é interessante: ele não possui cavidade estomacal. Então, o alimento vai direto para o sistema digestivo, o que o obriga a comer mais frequentemente.

A cabeça, como você sabe, lembra a de um cavalo. O restante do corpo é alongado, como de peixes. Entretanto, possuem guelras e placas de pele entre o que se pode chamar de dedos nas nadadeiras, que são dorsais.

Reprodução, tamanho e ciclo de vida

O cavalo-marinho produz um dos mais complexos rituais de acasalamento. Isso acontece normalmente na primavera. Sabe-se que a fêmea tem preferência por machos grandes – atendendo ao instinto de preservação – e com aparência provida de cores fortes.

Dancinha

O cavalo-marinho macho cria uma espécie de coreografia interessante a fim de mostrar à fêmea que é o parceiro ideal. Sobe, desce, altera a coloração, se contorce. Tudo para chamar a atenção dela. Aos poucos, vai se aproximando e, não havendo rejeição, se posiciona de frente. Nesse momento, ela transfere seus óvulos para pequena bolsa – chamada incubadora e semelhante à dos cangurus – existente no início da cauda do macho. Dessa maneira, ela está livre para produzir mais óvulos imediatamente.

Ali, os óvulos recebem o espermatozoide e são finalmente fecundados. Também ali, eles evoluem até o momento de nascer, o que se dá depois de 2 meses de gestação. Nesse momento, o cavalo-marinho macho passa se mover ritmada e rapidamente a fim de expulsar os filhotes. Somente um indivíduo é capaz de produzir entre 100 e 500 cavalinhos.

Transparentes

Tão logo nasçam, são transparentes. Vão assumindo cores em poucos dias. Os filhotes recém-anscidos vão à superfície a fim de encher o que se chamada bexiga natatória. Assim, conseguem se manter em equilíbrio na vertical, subindo e descendo. A partir daí, os filhotes têm vida própria completamente indiferente à presença dos pais. Começam a ter suas próprias aventuras de sobrevivência, apesar da fragilidade tanto estrutural quanto de “experiência”.

Há espécies de cavalo-marinho que não passam de 1,5cm. Com certeza, isso dificulta ainda mais que sejam vistos, mas os torna ainda graciosos. Já as espécies maiores alcançam até 30cm. Quanto ao peso, fica entre 50gr e 100gr.

Ao contrário de muitos outros animais, seu ciclo de vida é maior quando solto na natureza marinha. Aparentemente, corre mais riscos de predação quando no mar, mas, se mantido em cativeiro, vive por volta de 2 a 3 anos; se no mar, de 5 a 7 anos.

Apesar disso, dos entre 100 e 500 filhotes que nascem, mais de 90% vão ser vítimas de ataque de peixes famintos.

O cardápio do cavalo-marinho

O cavalo marinho tem alimentação variada.
O cavalo marinho tem alimentação variada.

Ele tem alimentação variada. Praticamente todos os invertebrados marinhos e pequenos peixes compõem seu quadro alimentar – moluscos, vermes etc. – além plâncton. Como a cauda tem formato preênsil, ou seja, em forma de ganho, ele se agarra às plantas para alimentar.

As espécies de cavalo-marinho

Biólogos conseguiram registrar 40 espécies até agora; duas delas são brasileiras: o Hippocampus erectus e o Hippocampus reidi. Há pesquisas em andamento com objetivo de identificar e registrar outras que, segundo populares, já foram vistas.

Veja agora algumas delas.

Hippocampus erectus

É visto – não tão facilmente – no litoral brasileiro e também no Caribe. A cor varia bastante, pois ele consegue alterá-la de acordo com o ambiente. O que o caracteriza bem são as faixas brancas finas ao longo do pescoço.

Hipocampus reidi

É outra espécie considerada brasileira, mas é encontrada em toda a costa da América do Sul e chegando ao Caribe.

Cavalo-marinho Pigmeu

Menos de 15mm. Sim, quase microscópico, daí seu nome. O nome oficial era Hippocampus bargibanti, mas deixou de ser exclusivo dessa espécie porque foram encontrados outras com os mesmos detalhes e características. Apresenta faixas aneladas no tronco, o que a diferencia das outras espécies. É a espécie que melhor se camufla como autoproteção.

Hippocampus algiricus

É encontrado mais no Oceano Atlântico próximo à Angola e Costa do Marfim, mas está presente em toda a costa africana. Em verdade, sabe-se pouco sobre essa espécie. Foi vista inicialmente há poucos anos, em 2012.

Hippocampus breviceps

É também conhecido como cavalo-marinho-de-cabeça-curta. Está presente mais na costa sudoeste e sudeste da Austrália. O tamanho é por volta de 10cm. Apresenta o alto da cabeça bastante evidente. A maioria dos indivíduos dessa espécie tem algo como tentáculos unidos que vão da cabeça ao dorso.

Cavalo-marinho do Norte

A maioria da espécie é encontrada na faixa do Peru à Califórnia, EUA. Adultos, podem ter de 12 a 19cm, mas há registros de indivíduos com até 30cm de comprimento (altura, no caso).

Perigo de extinção

Muitas lendas e mitos que envolvem o cavalo-marinho têm levado esse animal à lista de perigo de extinção porque se tornam alvos de pescadores. A medicina milenar chinesa consome indivíduos para manutenção da saúde humana. Mais de 20 milhões de indivíduos servem anualmente às crenças.

Já na Indonésia e nas Filipinas, ele é pescado para ser usado em rituais diversos.

A procura por cavalo-marinho leva pescadores a usar métodos altamente agressivos. Redes, armadilhas e outros instrumentos obrigam o pequeno peixe a buscar locais mais seguros. Como foi visto acima, ele tem dificuldade para nadar. Assim, quando se movimenta por longos períodos, acaba morrendo por exaustão estrutural.

Por outro lado, o cavalo-marinho é elemento importante na cadeia alimentar de outros seres. Arraias, caranguejos, pinguins, peixes diversos precisam deles para sobreviver. Como a população de cavalos-marinhos está diminuindo por conta também de poluição marítima, isso aumenta certamente o perigo de extinção. Além disso, eles próprios são predadores de vermes que, em abundância, vão causar desequilíbrio terrível na vida marítima.

E, se deixarem de existir, muitas outras espécies vão ter problemas para sobreviver. Por isso, a pesca e criação é fiscalizada pela Cites, que significa em Português Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. Porém, países como Japão, Coreia do Sul, Noruega e outros optaram por não se submeter às regras.

Dessa maneira, o perigo para sobrevivência das espécies aumenta sobremaneira.

Então, a existência do cavalo-marinho é de suma importância para a natureza (Poseidon e Netuno que o digam).  Você, que é apreciador consciente de animais, é fonte inesgotável de ações de conscientização de respeito a eles. Comente sobre este artigo em suas redes sociais, converse com seus parentes, fale com amigos.

Sua participação na manutenção da vida é também suma importância.

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Tigres-de-Bengala: Habitat e curiosidades

“Três tigres trocam prestígio entre o trio”. Não, não é uma espécie de trava-língua. Trata-se do Tigre-de-Bengala, Tigre-de-Bengala “Albino” e o Tigre-de-Bengala Negro. Este artigo traz referências interessantes sobre os três.

O nome mais conhecido desse belo animal é Tigre-de-Bengala. Os primeiros estudos foram feitos com animais que viviam em Bengala, um dos estados da Índia, local com maior população desse felino. Daí, o nome; já o nome científico oficial é Panthera tigris tigris.

Entretanto, todos vão entender muito bem se você chamar esse enorme mamífero de majestoso, suntuoso, grandioso, pomposo.

O tigre de bengala é o segundo maior representante do gênero felino e da força que esse tipo de animal possui – está atrás em tamanho somente do Tigre Siberiano.

Tanto que é título de filme rodado em 1959, e personagem de literatura (O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, publicado no Brasil em 1933 pela Companhia Editora Nacional).

Walt Disney também se encantou com o Tigre-de-Bengala e fez o desenho Mogli para o cinema. Nele, o animal é destaque. Ainda, o longa-metragem A Vida de Pi tem esse animal como personagem central.

Como é o dia a dia do Tigre-de-Bengala

Os tigres de bengala vivem nas florestas tropicais da India.
Os tigres de bengala vivem nas florestas tropicais da India.

Ele vive mais nas florestas tropicais da Índia. Por isso, é também conhecido como tigre indiano. Eram tantos elementos há muitas décadas que faziam parte da tradição cotidiana da grande população do país. O Tigre-de-Bengala representa a metade de todas espécies de tigres das florestas da Índia.

Entretanto, tem preferência por terras de grande altitude. Assim, é encontrado também no Butão, Nepal e Bangladesh. Sua fama na região é tamanha que é considerado patrimônio da Índia – onde sua imagem é encontrada até mesmo em cédulas do país – e de Bangladesh.

Há também espécimes na China e Birmânia, mas em menor quantidade. Quanto ao Tigre-de-Bengala de Bangladesh, é visto normalmente em regiões de grandes mangues.

Aliás, é o único felino de porte que sobrevive nesse ambiente. Não é raro ser visto nadando entre as ilhas do local (veja mais sobre essa condição no capítulo a respeito do perigo de extinção).

Ele é solitário, esse Tigre-de-Bengala

Os tigres de bengala não gostam da presença de outros animais.
Os tigres de bengala não gostam da presença de outros animais.

O tigre-de-bengala não é muito acostumado com presença de outros animais, mesmo que semelhantes. Esse comportamento é notado no hábito de marcar seu território. Com isso, afasta rivais que eventualmente possam significar perigo, rival de alimento ou adversário em fase de cio das fêmeas.

Porém, tem fama de ser agressivo com seres humanos. Na verdade, ele até evita quando se depara com um. Mas, claro, experimentar esse comportamento nele não é boa ideia. Mantenha-se afastado de grades em zoológicos ou bem protegido em veículos se você estiver em aventura de safári.

Desta maneira, em sua solidão, mantém energia para as sessões de caça noturnas ao iniciar as manhãs ou começo de noites.

Hábitos alimentares do Tigre-de-Bengala

Os tigres de bengala são carnívoros.
Os tigres de bengala são carnívoros.

Ele é essencialmente carnívoro. Não consome vegetais em hipótese alguma, pelo menos não como base alimentar. Assim, pode passar muitas horas na caça a javalis, búfalos, porcos e outros mamíferos de porte (veja abaixo mais sobre isso).

Entretanto, em época de escassez de caça, não privilegia nem mesmo animais menores. Aliás, nem mesmo felinos de porte médio, como leopardos.

É capaz de consumir mais de 30kg de carne numa só noite se estiver faminto. Porém, via de regra, come menos, entre 13 e 18kg. Aliás, tem hábito de caça na escuridão, não necessariamente durante a noite inteira. Raramente é visto em busca de presas durante o dia.

Caçador implacável

Os tigres são caçadores implacáveis.
Os tigres são caçadores implacáveis.

O instinto de caça do Tigre-de-Bengala é conhecido no mundo todo. Ele se amoita em região de grama alta e permanece à espera. Quando avista uma presa em potencial, desliza silencioso entre a mata. Assim que domina a presa, abocanha, mas não consome no local. Normalmente, procura local tranquilo para degustar o alimento.

Ele é fofo quando nasce

A fêmea do Tigre-de-Bengala chega ao ápice de reprodução por volta de 4 anos de idade. Nessa época, seu organismo está pronto para procriar. Já o macho demora um pouco mais, estando pronto aos 5 ou 6 anos.

Aliás, a fêmea parturiente cuida dos bebês praticamente sozinha, sem ajuda do macho. Sua gestação dura mais ou menos 100 dias. Não há um período específico de procriação; assim, a ninhada pode nascer em qualquer época do ano. Porém, há mais nascimentos entre os meses iniciais do ano que entre os finais.

Interessante: quando se aproximam os dias para dar à luz, seu instinto materno procura área adequada. Matagais próximos a riachos, relva macia, de forma que os futuros filhotes se protejam do calor intenso o verão.

O tigre-de-bengala nasce em ninhada de até 06 elementos, mas normalmente 3 ou 4; a pelagem inicial é extremamente macia e farta. Assim como bebês humanos, abrem os olhos e canal auricular depois poucos dias de vida. Também seus dentes começam a surgir em 02 semanas e são trocados com mais ou menos 6 meses.

Todos permanecem até um ano e meio de vida junto da mãe. Depois disso, eles começam a explorar o ambiente.
Porém, já aos 6 meses de vida, quando já têm dentes permanentes, passam a se distanciar gradativamente até nos meses seguintes. Então, os pelos são trocados e vão adquirindo porte “de gente grande”.

O instinto se incumbe de ensinar a eles a tradição de marcar território com urina. Logo cada um identifica o seu e o demarca contra invasão de rivais. Somente após esse processo natural, o organismo da fêmea inicia novo ciclo de cio a fim de preservar a espécie.

O físico invejável do Tigre-de-Bengala

Os tigres de bengala possuem um físico invejável.
Os tigres de bengala possuem um físico invejável.

Imagine um ser vivo intensamente amedrontador somente pelo porte físico. Esse ser é o Tigre-de-Bengala. Seu tamanho é um dos aspectos que emprestam ares de poder e majestade a ele.

Os tigre-de-bengala machos atingem tamanho mais acentuado que o das fêmeas. Incluindo a cauda de pouco menos de 1m, eles podem ter mais de 3m de comprimento e pesar mais de 200kg; já as fêmeas têm pouco mais de 2,5m e mais de 150kg.

A natureza ainda deu a ele uma pelagem apropriada. Suas listas pretas juntas com pelos camurça são ideais para camuflagem entre as árvores. Aliás, é possível distinguir um indivíduo de outro justamente pela listas. Não há dois com o mesmo padrão, o que as torna uma espécie de impressão digital como nos seres humanos.

Ainda, a coloração acamurçada meio amarela cobre o dorso com a série de listas. Porém, a barriga e a parte interna dos membros são esbranquiçadas, o que aumenta a capacidade de ocultação na floresta.

O hábito de se manter à espreita de suas presas é outro fator mortal. E, ainda, é capaz de se movimentar lenta e sorrateiramente sem ser percebido. Some isso à enorme força nas patas traseiras. Elas são tão fortes que impulsionam seus mais de 200kg com facilidade surpreendente.

Não é dente de sabre, mas é quase

Suas presas são suas armas mais mortais ao lado de garras enormes. São os dentes caninos mais temidos da selva, com mais de 10cm de comprimento. Tanto as presas como as garras são capazes de quebrar ossos dos animais mais fortes.

Estas são curvadas para trás e se ocultam entre os dedos, o que é ideal para escalada em árvores em busca de alimento.

Em fase de extinção

Os tigres de bengala estão em extinção.
Os tigres de bengala estão em extinção.

É grande caçador, mas também é caçado. Segundo levantamento de órgãos competentes, há menos de 4 mil tigres de bengala circulando em seus habitats.

Tais órgãos são associados à União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN. O Tigre-de-Bengala é a espécie com mais indivíduos no mundo, mas está também em extinção.

Para você ter uma ideia, pesquisadores informam que originalmente existiam 8 subespécies que conviviam nas florestas do mundo. Isso foi até o sec. XX somente. Depois disso, 3 delas foram sendo dizimadas e chegaram à extinção.

Anos e anos de desproteção

Os tigres passaram anos sem proteção.
Os tigres passaram anos sem proteção.

Os mais de 100 anos de caça desregrada, não fiscalizada, fizeram a população de tigres diminuir drasticamente. Ainda hoje, a caça é objeto de ação de verdadeiras gangues criminosas. E organizadas.

Patrocinam a caça ilegal a fim de alimentar o mercado de consumo na China, Índia, Nepal e toda a região. E isso acontece até mesmo sob as vistas de profissionais responsáveis por combater a ação.

Além disso, o processo de destruição florestal colaborou muito para que milhares de elementos morressem ao longo do daquele século. E ainda hoje isso ocorre. Por outro lado, o Tigre-de-Bengala que vive nos mangues é ainda mais propenso à extinção.

O tigre do manguezal sofre com a variação climática quando o nível do mar está em subida, pois isso mexe com a dinâmica do ambiente. Por mais forte que seja, as alterações acabam influenciando em seu comportamento e organismo.

Caça sem objetivo prático

Porém, diz-se que tal dizimação é gratuita. Afinal, os objetivos são dos mais tolos: embalsamação como troféu e uso em crendices milagrosas. Nada mais que isso. O homem ainda necessita impor sua força para se sentir bem.

E o que torna o fato ainda mais criticável é que tal força é apoiada por instrumentos bélicos. Isso torna a briga injusta, já que o tigre dispõe apenas de sua natureza.

Por outro lado, determinadas regiões da China usam partes do corpo do animal como matéria prima na medicina tradicional. E, ainda: o uso nada tem de comprovação de eficiência, não passando de crendices populares.

Há alguns ossos do corpo do Tigre-de-Bengala cuja valor é altíssimo no mercado. E, quanto mais o animal é protegido, mais esse valor aumenta. De certa forma, não deixa de ser motivo para que os tigres estejam ainda em perigo de extinção. Prova disso é que as 5 subespécies estão na lista vermelha dos órgãos protetores.

O problema do perigo de extinção tem ainda outro estímulo. As regiões em que ele vive estão sempre em evolução. Assim, é grande a chance de haver embates entre animal e ser humano. Esse fato alimenta medos e histórias sobre o tigre, criando assim aura de “animal assassino de humano”.

Desta forma, mesmo não caçadores acabam matando tigres eventualmente vistos em área de comunidade humana.

A contrapartida: protecionismo organizado

A boa contrapartida é que há bons programas protetores em defesa do Tigre-de-Bengala. Somente no Nepal e na Índia, há dezenas de áreas de proteção que mantêm o habitat o menos invadido possível. Certamente, isso contribui bastante para manutenção da espécie.

Outra instituição, também na Índia, monitora grande extensão dos limites do país para coibir caça ilegal. Tem bom êxito na área judicial ao denunciar traficantes. Entretanto, como dito acima, o crime de caça é bastante organizado. Não se tem notícias que levem à descoberta dos principais “donos do negócio”.

Entretanto, as ações não podem parar, pois a população de tigre-de-bengala continua decaindo muito. Contra isso, desde o início desta década, as instituições lançaram um movimento de alcance global para salvar os Tigres-de-Bengala.

Estão atualizando metodologia de combate com objetivo de aumentar a população de animais dentro dos próximos anos.

Tigre-de-Bengala Albino

Tigre de bengala albinos são seres exuberantes.
Tigre de bengala albinos são seres exuberantes.

Para aumentar ainda mais a imagem de animal especial, certa alteração nos genes transformou a aparência do bichano. Com isso, gerou um tipo de tigre conhecido por Tigre-de-Bengala Branco” ­ou simplesmente “Tigre Albino”.

Ele possui também listas. São pretas contra pelagem branca. Os olhos azuis completam a metamorfose que deixa o tigre muito mais belo.

Contudo, apesar de ser chamado de albino, não se trata disso no real sentido do termo. É somente questão de variação acidental de genes no organismo do tigre normal. Ou seja, não é uma espécie em si ou um tipo de Tigre-de-Bengala, mas de casualidade.

Tigre-de-Bengala Negro

Não é tão conhecido quanto seus parentes, mas é tão grandioso e bonito quanto. Os pelos são, obviamente, enegrecidos misturados com outros que formam também listas ou brancas ou amarelas. Apesar disso tudo, também não se trata de outra espécie, mas de casualidade genética com origem no Tigre-de-Bengala, digamos, normal.

Então, você que gosta de animais, colabore na preservação do Tigre-de-Bengala. Divulgue informações sobre o perigo de extinção. Tendo oportunidade, doe o quanto puder a instituições de proteção. Se tiver conhecidos com hábitos de colecionar objetos feitos de partes do corpo do Tigre-de-Bengala, desincentive-os.

O Tigre-de-Bengala merece os esforços de todos. E se você tiver dúvidas mais informações a respeito desse belo ser, deixe no campo de comentários abaixo.