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Onça pintada e tudo o que você quer saber

A maioria dos filmes a que você assiste, ou mesmo documentários, dão impressão de que a onça pintada é animal genuinamente brasileiro. Isso acontece porque o ambiente em que ela aparece nas cenas é sempre muito familiar. Em especial, a quem mora ou conhece a selva amazônica.

Entretanto, não é bem assim. Ela está presente no imaginário americano em geral, incluindo população da área rural dos EUA e da América do Sul, além de em civilizações antigas, como os astecas. É certo que se vê a onça pintada mais em território brasileiro, porém, a população desse animal está espalhada por todo o continente.

Aliás, a caça à onça pintada sempre teve carga psicológica bastante intensa. Afinal, o oponente do caçador é um dos animais mais interessantes, fortes e poderosos de que se tem notícia. Quando alguém sai por aí dizendo que enfrentou, se deparou ou simplesmente viu uma onça, esse alguém se torna centro das atenções.

Especialmente, se puder provar a empreitada.

Se, por um lado, a onça pintada tem fama de animal feroz, por outro lado, a realidade é outra. Aliás, você vai saber mais sobre o comportamento desse belo animal neste artigo e muito mais.

O começo da onça pintada

A onça pintada é parente do leão e do leopardo.
A onça pintada é parente do leão e do leopardo.

Ela é descendente direto de felinos do Velho Mundo. Como é vista mais na américas, isso pode parecer contraditório, porém, é o que consta em pesquisas biológicas. Ou seja, ela compartilhou a genética de um animal ancestral.

Isso ocorreu há pelo menos 2,9 milhões de anos. Essa evolução nos genes aconteceu também com o leão e o leopardo, ou seja, esses felinos são “parentes”.

Portanto, ainda no período Pleistoceno, os ancestrais da onça pintada (e dos outros felinos mencionados) migraram para a região hoje conhecida como Continente Americano. Para isso, passaram pela Beríngia, nome dado ao estreito de Bering, que liga a Sibéria ao Alasca. Portanto, ter chegado à América do Sul não é surpreendente.

A onça pintada em si surgiu volta de 2 milhões de anos atrás. Todavia, há intensa discussão entre paleontólogos sobre a verdadeira origem da onça pintada. Alega-se que a Panthera gombaszoegensis pode ter sido uma subespécie da atual onça-pintada (P. gombaszoegensis viveu há cerca de 1,5 milhão de anos, ainda no Plioceno em transição para o Pleistoceno. Trata-se da espécie mais antiga do gênero Panthera que se conhece. É também conhecida como Pantera-europa).

Onça pintada pela ótica popular

A onça pintada é muito comum no Pantanal e Floresta Amazônica.
A onça pintada é muito comum no Pantanal e Floresta Amazônica.

Ela é animal íntimo dos habitantes em especial do pantanal e floresta amazônica. Pesquisas oficiais científicas procuram normalmente informações iniciais sobre uma infinidade de outros animais em comunidades das regiões.

Onça pintada: seus nomes, seus jeitos

Por estar espalhada por toda a região continental, cada povo que a viu pela primeira vez acabou dando um nome. Via de regra, tal nome segue determinado padrão local. Então, a onça pintada é conhecida por simplesmente onça ou apenas pintada, canguçu, jaguaretê, onça-verdadeira, jaguar, acanguçu, jaguarapinima.

A palavra onça tem origem no termo grego lynx, que chegou ao português por meio do termo latino luncea e do termo italiano lonza.

No Brasil, o nome onça-pintada nasceu de adaptação feita a partir da observação popular sobre as manchas no corpo do animal. Foi contraposição verbal a outro animal também muito conhecido, a onça parda.

Um jeitão diferente do imaginado

A fama da onça pintada faz que seja temida. A imaginação popular tem criado estórias em que o animal surge como centro de preocupação de comunidades inteiras. Essa imagem de ferocidade, com toda certeza, se originou no medo ancestral que o ser humano adquiriu ao longo dos milênios em relação a animais diversos.

A história do desenvolvimento comportamental humano é cheia de encontros com animais realmente ferozes. Então, qualquer animal a partir de certo tamanho já incentiva medos e, por conseguinte, estórias e, daí por diante, “meias verdades”.

Porém, a onça pintada normalmente foge da presença humana. Claro, se for atacada, se pressentir perigo rondando seus filhotes, vai tentar se proteger de todas as maneiras, inclusive se impondo contra o “inimigo”. Entretanto, a primeira reação é de fuga.

Sempre. Inclusive de estiver faminta. Se humanos se aproximarem enquanto ela se alimenta, ela vai procurar carregar o alimento consigo. Porém, isso não sendo possível, vai defender sua caça com unhas e dentes. Literalmente, aliás.

Melhor dizendo, a onça pintada tem a cautela como base. Está sempre em observação, espreitando o ambiente a fim de ver caça ou perigo.

Interessante: Desenvolveu a capacidade tentar se deslocar sempre contra o vento. De alguma maneira e segundo pesquisas, seus instintos reconhecem o vento favorece transporte de odores de presas e de perigos.

Onde encontrar a onça pintada

Desde o sul dos EUA até meados das regiões argentinas, você vai encontrar uma onça pintada em algum momento. Em especial se você estiver caminhando por matas e florestas.

Entretanto, há mais indivíduos no Brasil, razão pela qual se imagina que exista apenas em nosso território. Por aqui, ela vive em 5 biomas (ecossistemas) diferentes (há 6 no país). Ou seja, está em florestas, caatingas, pantanais, cerrados e matas. Parece não gostar apenas da caatinga.

Ela fixa moradia temporária em buracos de troncos de árvores – via de regra, caídos – ou em pequenas grutas naturais que eventualmente encontre. Pode também instalar moradia em galhos de árvores. Ou melhor, é neles que ela se sente mais segura.

Onça pintada pela ótica da Biologia

A onça pintada é um mamífero carnívoro.
A onça pintada é um mamífero carnívoro.

Ela se classifica como mamífero carnívoro da família Felidae. Biólogos afirmam que a onça pintada é o maior felino do Brasil, sendo o leão o maior do mundo.

Seu habitat preferido são florestas tropicais. Pesquisadores alegam que é difícil encontrar onças pintadas em regiões com altitude superior a 1.200m. Eles também registram que a onça pintada procura viver em locais em que exista água em abundância, pois gosta muito de nada.

As manchas em seu pelo são mistura de amarelo, branco e preto. A distribuição delas está para a onça pintada o mesmo que as impressões digitais estão para o ser humano: elemento identificador, pois é único. Isto é, não existem duas onças pintadas com distribuições de manchas idênticas.

Mas ela é sempre pintada? Eu já vi onça preta.

Desculpe, o que você viu é uma onça pintada, ainda que preta. Ocorre que houve algum acidente genético em determinada geração que deu origem a indivíduos com pelos negros. Esse acidente é chamado melanismo.

Porém, as manchas estão lá, escondidas sob tais pelos pretos. Para vê-las, é preciso alguma proximidade razoável – o que não é aconselhável por questões óbvias – e boa incidência de luz. Essa variação animal é também conhecida como jaguar negro.

A onça pintada é assim fisicamente

A onça pintada é robusta, ágil e musculosa.
A onça pintada é robusta, ágil e musculosa.

A estrutura física da onça pintada é robusta. Os músculos estão distribuídos de tal forma que ela consegue nadar muito bem, correr velozmente, se rastejar como soldado em guerra, deslizar silenciosamente. Como complemento, ainda escala árvores com tal facilidade que surpreende presas desinformadas dessa capacidade.

Aliás, o poder de escalar árvores se dá porque suas unhas têm forma de ganho e são recolhíveis. (Como as de seus primos mais conhecidos, os gatos.) Assim, além de tudo, as unhas são extremamente duras, verdadeiros ganchos de aço; por isso, suportam o peso do corpo do felino facilmente.

Ela se parece com o leopardo (Panthera pardus); a diferença está no formato das manchas no pelo. E no tamanho igualmente, sendo menor. Assim, as pernas são bem mais curtas que as dos outros felinos de grande porte, porém, mais grossas e mais fortes.

Esse belíssimo animal é realmente grande dentro dos padrões felinos. No mundo inteiro, fica atrás somente do leão, o maior, e do tigre. Já no continente americano, não há felino maior, como a gente já mencionou neste artigo.

Muito embora se assemelhe ao leopardo, a onça pintada está mais próxima do leão (Panthera leo) em termos de evolução biológica.

Menção especial à mordida da onça pintada

A cabeça da onça pintada é grande em proporção ao corpo. Isso produz mandíbula realmente forte. É capaz de abrir a boca em até 15cm de diâmetro e num ângulo de 70 graus. Portanto, trata-se da mordida mais potente em relação a todos os felinos.

Chega a quase 1 tonelada de força. Para você ter ideia, isso é o dobro da força da mordida do leão. Em termos de poder, somente a hiena pode suplantar a mordia da onça pintada. Com isso, ela desestrutura e rompe cascos de tartarugas. Não à toa, ela tem costume de atacar primeiro a cabeça da presa, como você vai saber mais abaixo.

Alguns números da onça pintada

O tempo de vida da onça pintada é semelhante aos gatos domésticos: 12 anos mais ou menos quando está solta na natureza. Contudo, é possível que chegue a mais de 20 anos quando recebe tratamento adequado em cativeiro. Um dos motivos para essa diferença de expectativa de vida tem a ver com os perigos enfrentados em seus habitats.

O macho alcança quase 2m de comprimento; a fêmea, por volta de 1,50m. Esse tamanho não inclui a cauda, que é curta para os padrões felinos: mais ou menos 60cm.

Quanto ao peso, fica em torno de 100kg em ambos os sexos. Entretanto, há registros de uma onça com quase 160kg, mas é muito raro; e de uma fêmea com menos de 40kg, o que também é muito raro.

Do chão à cernelha (próximo ao ombro), ela tem pouco mais de 70cm.

Como se alimenta

Como já comentado, é carnívora por natureza. Consegue ficar sem comida por até uma semana sem para seu organismo. Porém, quando encontra caça adequada, ingere mais de 20kg. Então, guarda o resto para o dia seguinte, mas não ingere material nem em início de putrefação.

É caçadora noturna, quando seus instintos estão mais apurados e suas estratégias (veja abaixo) têm maior eficácia.

Para manter sua estrutura em bom estado e com energia suficiente para enfrentar o dia a dia, precisa de muita carne animal. Assim, quando faminta, procura tanto animais de pequeno porte quanto de grande.

Nesse caso, coelhos, tartarugas, lebres, aves e outros são, digamos, aperitivos. Ela procura mesmo é capivaras, antas, veados. Até mesmo peixes, pois, como a gente destacou acima, é excelente nadadora. Portanto, ter peixes de água doce em sua dieta é plenamente natural.

Sua habilidade de caça é impressionante. Você já viu acima que seu andar é silencioso; então, a estratégia mais usada é a emboscada. A onça pintada praticamente prepara a caçada. Ao observar a direção do movimento de sua presa, ela se antecipa e se põe à frente. Assim, calcula o melhor momento para o bote.

Aliás, o bote é certeiro. E fatal por conta do poder de sua mordida, como você viu acima. E fatal também porque a onça pintada tem hábito de abocanhar diretamente a cabeça da presa entre os ouvidos, esmagando-a facilmente. Em segundos, o cérebro é pressionado e a vítima se mostra inerte.

De certa maneira e pela visão humana, esse comportamento se mostra terrível. Entretanto, ele faz parte de mecanismos naturais de controle populacional animal. Nesse caso, a onça desempenha papel importante, pois ingere qualquer animal que se puser em seu caminho quando ela está faminta.

Assim, participa do processo de controle de habitantes dos ecossistemas que habita.

Onça pintada pela ótica do comportamento

A onça pintada é um animal crepuscular e solitário.
A onça pintada é um animal crepuscular e solitário.

É um animal crepuscular, apesar de gostar de caçar à noite, e solitário. Seu rugido forte não objetiva apenas alertar animais sobre sua presença. Trata-se de maneira de marcar território. Por outro lado, também marca território a partir de mensagens visuais, como ranhuras em troncos de árvores e em solo.

Além disso, também usa a urina como mensagem olfativa a fim de informar que certa região lhe pertence. Esse território demarcado pode compreender até 100km quadrados.

É possível que o macho dono de um território permita presença de duas ou três fêmeas. Porém, fêmeas também demarcam territórios, mas estes são bem menores.

Autopreservação da onça pintada

O casal de onças pintadas acasalam sem período específico. O cio da fêmea ocorre, portanto, em qualquer época do ano. Ainda não existem estudos apropriados que indiquem motivos para isso. Sabe-se, porém, que o macho está pronto para acasalamento aos 3 anos de vida enquanto a fêmea começa a se preparar já aos 2.

Uma vez prenhe, a gestação perdura por volta de 100 dias, podendo chegar a 110. A fêmea traz à luz até 4 filhotes, mas média é 2. Eles têm mais ou menos 1kg ao nascer. Os olhinhos permanecem fechados até 12 ou 13 dias. Com pouco menos de 3 meses, começam se acostumar com carne animal. Contudo, continuam mamando por muitas semanas depois disso.

Vamos ver se está em fase de extinção

A onça pintada está quase em extinção.
A onça pintada está quase em extinção.

A União Internacional para Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature) – entidade voltada à proteção das regiões naturais do Planeta, dispõe de lista de condições de sobrevivência de animais. É chamada “Lista Vermelha de Animais em Extinção” e atualizada de tempos e tempos.

A classificação da onça pintada naquela lista é “quase ameaçada”. O motivo é a quantidade de indivíduos registrados em comparação à distribuição geográfica da espécie. Porém, apesar de não alarmante, há registros de declínio na população desse animal. Essa situação é produto de diminuição das áreas de seus habitats por conta de queimadas.

Por outro lado, existem riscos sérios de desaparecimento da espécie em locais específicos, ou seja, pontuais. Exemplo disso pode ser sentido na América Central e do Norte, além de na Mata Atlântica no Brasil. Nos EUA, há diversas regiões em que já não existe mais nenhum indivíduo, exceto talvez no Arizona. E justamente onde a presença desse animal era razoavelmente abundante.

Ações humanas – para variar – colaboram muito nessa condição da onça pintada. Comércio de pele e de outras partes do animal é proibido internacionalmente. Porém, agricultores, fazendeiros e caçadores esportivos ocasionais não têm muito receio das Leis, como se sabe.

A onça pintada também precisa de ajuda

É certo que a sobrevivência da onça pintada não está tão ameaçada quanto a muitos milhares de outros animais. Entretanto, nunca é demais dizer que todos os animai precisam de apoio e proteção. Eles têm importância crucial na manutenção da vida humana no Planeta.

Portanto, lance mão do que você tiver à disposição para ajudar. Envie mensagens, participe de movimentos, conscientize seus contatos. E deixe seus comentários na área abaixo deste artigo.

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Capivara, o maior dos roedores

Qualquer outro roedor de mundo é menor que a capivara e isso está informado em qualquer texto sobre este animal. Por si só, isso já diz muita coisa sobre essa mamífero interessante. Além disso, a capivara está ajudando o ser humano a ver melhor. Como assim? Sim, está ajudando, como você poderá ver mais abaixo.

Entretanto, há muito mais detalhes entre o nosso conhecimento e a capivara do que imagina nossa vã filosofia. São esses detalhes que embelezam a vida selvagem dos bichos. Você quer saber muito mais sobre capivara? Vamos lá.

Capivara: etimologia

Por exemplo, Porco-aquático, porco-da-água, porquinho-da-lagoa, porco-capivara, cachapu, carpincho, trombudo, capincho, beque, cunum, cubu, entre outros, são todos nomes atribuídos ao animal.

O nome “capivara” vem do tupi “kapi’wara”, que significa “comedor de capim”. Por qualquer desses nomes que você chamar a capivara, ela vai entender.

Aliás, o nome científico é Hydrochoerus hydrochaeris. Isso, no idioma grego, significa “porco da água”, justamente. Pertence à família Caviidae e subfamília Hydrochoerinae. Por falar nisso, a capivara consegue ficar por até uns 5 minutos debaixo da água, se refrescando ou apanhando alimentos.

Note: Por mais incrível que pareça, a capivara não está ameaçada. Ou seja, ela não está na lista negra dos órgãos internacionais de proteção de vida animal, como os animais em extinção. E isso é raro, pois a grande maioria dos animais selvagens estão nessa condição de existência.

E não é só isso, a sua carne é bastante consumida em diversos lares do Brasil, pois parece ter sabor muito próximo à do porco. E ainda sua pele é alvo do comércio de couro legal e ilegal. E apesar do baixo ciclo de vida: até uns 10 anos em vida selvagem e até uns 13 em cativeiro, é ainda muito encontrada por aí, em bandos e à solta.

Capivara, um “hermano” antiquíssimo

A capivara é um animal bastante antigo.
A capivara é um animal bastante antigo.

Já no período Mioceno (de 24 milhões e 5 milhões de anos atrás), havia um animal intensamente parecido com a capivara. Os registros fósseis mais antigos datam de quase 10 milhões de anos e foram encontrados na Argentina.

Estudos de tais fósseis indicam que a família ancestral da capivara passou a existir na Patagônia. Ainda por tais estudos, sabe-se que aquele grupo de ancestrais permaneceu em transformação e atingiu o período posterior (Plioceno, 5 milhões e 2,5 milhões de anos).

Assim, o formato corporal semelhante à barril deitado estava muito mais evidente. Naquelas eras, a capivara já tinha hábitos semiaquáticos. Além disso, o comportamento de formação de grupos já estava também instalado. Entretanto, era muito maior que a capivara atual, chegando a quase 200kg de peso.

O dia a dia da capivara

Boa parte do dia da capivara é passada na água. Inclusive quando dorme, como a gente mostra abaixo. E está sempre em bando. Muito raramente você vai encontrar uma delas solitárias. Por outro lado, o bando não é numeroso sempre. Um grupo de tamanho médio contém de 10 a 15 elementos.

Porém, a quantidade de componentes do grupo depende da período do ano. Em tempos chuvosos, há bandos com uns 50 elementos; em tempos de seca, esse número pode dobrar. Essa conduta é estratégia da capivara. Em fases de abundância de água, ela não precisa de muita companhia; em fase de escassez, busca mais elementos porque é mais fácil encontrar água.

E gosta de crepúsculo. Isto é, é bastante ativa ou pela manhã ou ao fim da tarde. Entre esses períodos, está dormitando em lama, como a gente descreve abaixo.

Mas essa conduta não é regra. Em momento de pressentimento de perigo, podem trocar o dia pela noite. De alguma maneira, ela reconhece que a escuridão é mais propícia para se ocultar de adversários famintos.

Onde se vê a capivara

Onde você vir água em ambiente selvagem nas américas do Sul e Central, é quase certo que vai ver também uma capivara. Já no Brasil em especial. Até mesmo ao sul da América do Norte. Ela é perfeitamente adaptável a diversos ambientes, ainda que ambientes modificados pela ação do homem. Aliás, isso tem ajudado muito na manutenção da espécie.

Isso significa que pode inclusive viver em região urbana. Mas precisa haver água, mesmo que seja água em regiões ocasionalmente inundadas. Havendo água, a capivara vai estar por lá. Não é raro se ver indivíduos caminhando em estradas após dias de chuvas cujas águas tenha avançado.

Capivara não apenas gosta de água, mas precisa dela. Sua pele é dura e grossa, mas sensível ao calor. Então, inteligentemente, está sempre perto de lagoas, estuários, rios e até pequenos córregos.

Isso serve para manter a pele umedecida. Aliás, até mesmo dorme próximo à água. É comum se ver uma capivara dormindo em terrenos enlameados nas margens de rios e lagoas. Mas sempre em meio à vegetação aquática, na qual se esconde. É sua maneira de se ocultar de predadores.

Quem manda é o macho

Como a gente viu, a capivara é bastante sociável, já que está sempre acompanhada de outros iguais.

Sabe que, em grupo, os perigos do dia a dia são menos amedrontadores. E, nesse grupo, o macho é quem manda. A propósito, o macho de diferenciado minimamente da fêmea. Este possui uma glândula na extremidade do focinho que não contém pelos.

O bando escolhe o líder democraticamente após uma batalha sangrenta. O vencedor tem a coroa do rei. Uma vez vencida a briga, ele emana seu cheiro característico para marcar seu território.

Interessante: a capivara vive em bando, como dito acima. E, normalmente, é bando familiar, constituído, então, de macho – que é o dominante -, muitas fêmeas e eventualmente seus filhotes. Além disso, outros machos que já foram dominados, vencidos pelo macho dominante, compõem o grupo.

O macho dominante os mantém no grupo como vigilantes, dispondo-os sempre em volta do bando. Assim, podem fazer soar alertas quando qualquer intruso se aproxime ou algum predador estiver à espreita.

Outro fator interessante, é o motivo porque há várias fêmeas para um macho dominante. Este é frequentemente alvo de predação justamente porque é o líder. Além disso, machos que entram na fase adulta são apartados do grupo para se evitar lutas contra o macho dominante. Sem a proteção do grupo, tornam-se presa mais fácil.

Então, a natureza provê o macho dominante de várias fêmeas a fim de que tenha o maior número possível de descendentes. É a inteligência da natureza promovendo programas de preservação animal.

Um porquinho-da-Índia crescido

Essa nossa personagem tem aparência conhecida. Se você jamais viu uma capivara, basta se lembrar do visual do porquinho-da-Índia. Ambos são muito parecidos, apenas há diferenças no tamanho, claro. Então, pense num porquinho-da-Índia maior umas 6 ou 7 vezes.

Pensou? Você está pensando numa capivara. Assim como seus primos menores, também não tem rabinho. Ou rabão, no caso. Bem, pelo menos não tem cauda aparente. As patas são espalmadas, ou seja, contêm palmas. Não exatamente como mãos humanas. Se você olhar de relance, é possível que confunda com pés de galinha, mas com membranas entre os dedos.

Boa na natação

Aliás, são essas membranas que dão aparência de palma. Esse formato é bastante útil no habitat desse mamífero, que é lamacento, de forma que suas patas não afundem facilmente. Por outro lado, como gosta muito de água, isso ajuda nas braçadas no nado.

Outro fato que ajuda bastante enquanto está nadando é o formato da cabeça. É um pouco comprida. E as narinas e os olhos estão na parte mais superior. Assim, pode ver o ambiente e respirar facilmente mesmo ao nadar.

Ainda, ao se manter na água, as orelhas são estiradas para cima, de forma que ficam também acima na linha da água.

De quem a capivara foge

A capivara só come planta, mas serve de comida para animais diversos. Coitadinha! Não persegue ninguém, entretanto, sofre perseguição por todo o dia. A hárpia é a ave que mais azucrina a vida dela.

Já o réptil mais preocupante é o jacaré, seguido pela anaconda; a onça é outro animal louco por capivara.

Uber-capivara

Além de não perseguir ninguém, ainda ajuda. Algumas aves usam a capivara como meio de transporte. E, ainda, meio de transporte estratégico. Elas se posicionam no dorso do animal e, enquanto ele caminha, espanta insetos pousados na grama. Esses insetos servem de alimento para tais aves, que, dali mesmo, apanham os bichinhos em pleno voo.

Além disso, capivaras já foram vistas mostrando a barriga para jaçanãs e gaviões-carrapateiros. Essa posição facilita que as aves arranquem carrapatos dessa região corporal da capivara afim também de se alimentar.

A zoologia e a capivara

A capivara fêmea costuma ser maior que os machos.
A capivara fêmea costuma ser maior que os machos.

Ao contrário de muitos mamíferos, a capivara fêmea é um pouco maior que a capivara macho. Com mais ou menos 1,30m de comprimento do focinho à anca e meio metro de altura, chegam a por volta de 80kg.

A gente já mostrou em muitos artigos aqui do site uma série de mamíferos fortes que são herbívoros. Ou seja, que se alimentam apenas de vegetais, como elefante. Esses artigos são usados constantemente por leitores contrários ao consumo de qualquer tipo de carne animal. Com isso, tais leitores pretendem mostrar que o organismo mamífero não precisa de carne animal para sobreviver.

Nesse caso, este artigo é mais um. Capivara só come planta e nada mais, especialmente gramíneas aquáticas, que estão mais próximas de si. Aliás, isso representa quase 80% de sua alimentação diária. Apesar disso, é forte. Muito forte mesmo.

Em dia normal, ingerem uns 4kg de grama. Entretanto, não dispensam um bons grãos, abóboras, melancias etc.

Interessante: Há glândulas sudoríparas espalhadas pelo corpo da capivara, o que não é comum em mamíferos. Com elas, um indivíduo se comunica com outro a fim de emitir, em especial, mensagens sobre fase de acasalamento. Além disso, registram domínio de território também pelo cheiro.

Recém-nascidos com dentes

A capacidade reprodutiva da capivara fêmea tem início já com um ano de vida. Porém, o macho demora o dobro do tempo para ser capaz de produzir filhotes. O ato é por meio de cobertura do macho sobre a fêmea e normalmente é feito na água.

Antes do ato, a fêmea terá espalhado um cheiro que é horrível à sensibilidade humana, mas bom perfume para machos. É assim que ela diz ao macho que está em fase de cio e que pretende acasalar.

Ela fica grávida por até 120 dias, mas não é raro que esse tempo seja um pouco menor. A ninhada tem 3 filhotes em média, mas pode chegar a 7 ou 8. Estes nascem com uns 2kg de peso, mas, com 18 semanas, alcançam mais de 60kg. Note: chegam a esse peso em menos de 5 meses.

Os filhotes recebem cuidados de todas as fêmeas do grupo, não apenas da fêmea que o pariu. Isso é importante por serem altamente sujeitos a ataques de predadores, especialmente os felinos.

Os filhotes passam de menos de 2kg para mais de 60kg em 18 semanas. Provavelmente isso se dá porque mamam por até 16 semanas de vida e, além disso, ainda pastam. E, provavelmente também por isso, saem do organismo da fêmea já com dentinhos. E dentinhos fortes. E permanentes.

Mecanismo intestinal

O sistema digestivo da capivara foi se constituindo para ser bom consumidor de alimentos fibrosos. Ou seja, plantas. Seu estômago é provido de área em que a massa alimentar é jogada de um lado para outro. Enquanto isso, gases intestinais e enzimas diversas, além de bactérias em geral, fazem a fermentação e quebra da celulose.

Como a gente definiu acima, a capivara é roedora e não ruminante. Apesar disso e por conta do sistema intestinal, é capaz de regurgitar a massa alimentar a fim de continuar o processo de mastigação.

Por outro lado, à primeira vista, um observador vai imaginar que a capivara come seus próprios excrementos. Na verdade, é o que parece quando está investigando seu próprio ânus. Esse processo é chamado coprofagia, cecofagia ou ainda cecotrofia. Ceco é região no fim dos intestinos em que a massa alimentar recebe grande quantidade de nutrientes.

Isso é resultado da ação das bactérias e enzimas. Assim, tão logo a capivara libere a massa alimentar, ingere-a novamente a fim de se beneficiar de tais nutrientes.

Você tem responsabilidades com a capivara

Apesar de não estar em momento de perigo para a preservação de sua espécie, a capivara precisa de ajuda. Afinal, é animal e, como todo animal, depende de ações humanas conscientes. E também apesar de você certamente não ter um capivara em casa, pode ajudar muito. E ela também pode te ajudar muito.

E não apenas servindo de transporte para aves que comem insetos nocivos à saúde humana. Os olhos da capivara guardam boa semelhanças físicas com os olhos dos humanos. Assim, a oftalmologia tem estudado e avançado em pesquisas para melhoria da visão do homem a partir de análises da estrutura ocular da capivara.

Viu? Ela é importante. Se você tiver mais alguma dúvida sobre capivara ou ainda alguma informação interessante, deixe nos comentários abaixo. Nosso site tem dois motivos para existir: os animais e você.