O mundo é extremamente pleno de formato de seres vivos. E não vivos também, a contar pelos milhares de tipos de paisagens existentes. Assim, é tão fácil confundir foto de determinado lugar do mundo quanto confundir aparência de alguns animais.

Como diferir a alpaca da lhama? E dá para saber se é uma lebre ao lado de um coelho? E burro ao lado de asno? E salamandras perto de um lagarto? Aliás, é sobre salamandras que este artigo vai discorrer.

Alguns dos animais citados acima se diferenciam por simples hábitos naturais; outros, por algum detalhe físico; outros ainda quase não têm diferenças aos olhos do leigo, pois elas estão apenas no universo biológico científico. Entretanto, há diferenças entre as salamandras e os lagartos. Algumas espécies apresentam diferenças sutis; outras espécies, diferenças gritantes.

Vamos ver agora tudo sobre salamandras. Inclusive essas diferenças. Antes, duas questões:

  • Você tomaria licor salamandras como fonte de energia sexual?
  • Você teria uma salamandra como animal de estimação?

A rotina das simpáticas salamandras

Muita gente tem salamandras em casa, mas não é fácil promover bem-estar para esse animalzinho simpático e exótico. Aliás, pet exótico é a característica que mais incentiva as pessoas a terem uma salamandra como animal de estimação. Mesmo tais pessoas alertam sobre as dificuldades de manter esse anfíbio em casa. Ou melhor, bem confortável em casa.

Começa que elas têm a pele muito sensível. Por conta disso, seu habitat é especial; reproduzi-lo em residências pode ser muito dispendioso e necessitar de algum tempo. Afinal, um dos hábitos das salamandras é se enterrar em busca de temperatura adequada. Nesse caso, para que ter um animal em casa que vai ser visto muito raramente? É ou não é?

Por outro lado, as salamandras dispensam alguns cuidados que, por exemplo, as cobras exigem. Um deles é presença de aparelhos para manutenção da temperatura ideal. Além disso, grilos e outros insetos já as alimentam facilmente.

É um lagarto? É uma lagartixa?

A diferença entre salamandra e lagarto pelo lado da ciência está na classe taxonômica (taxonomia é a disciplina biológica que define os grupos de organismos com base em características comuns e dá nomes a esses grupos). A salamandra é um anfíbio; o lagarto é réptil.

Ok! Tá! Mas qual é a diferença entre réptil e anfíbio? – Você perguntaria.

Os anfíbios e répteis apresentam semelhanças (vivem em ambientes aquáticos e terrestres; a maioria é ovípara; são animais de sangue frio). Os anfíbios são vertebrados que não possuem escamas recobrindo o corpo. Ou seja: a pele é lisa, fina e úmida – no caso das salamandras, é bastante brilhante também, pois trata-se de estratégia de alerta contra predadores.

Os anfíbios precisam estar sempre em contato água; isso é imprescindível para sua sobrevivência. Já os répteis não têm dependência total do líquido. Outra característica dos anfíbios é que a temperatura do corpo varia conforme a temperatura do ambiente em que estão.

Então, é isso: as salamandras são anfíbios e necessitam dos dois ambientes para sobreviver: o seco e o úmido (aliás, o próprio termo “anfíbio” significa isso: vida em dois ambientes). Já os répteis vivem apenas em ambientes secos (até mesmo em desertos).

Como são, afinal, as salamandras?

Elas têm têm corpos esguios, pernas curtas e longas caudas. Se você parar para observar bem, vai dizer que quase se parece com cruzamento entre um sapo e um lagarto. Elas apresentam caudas bem longas.

As salamandras se alimentam assim

Elas são carnívoras, o que significa que se alimentam de seres vivos. Espertas, vão primeiro em busca de presas lentas, como caracóis, lesmas, vermes – nada mais cômodo, não é mesmo? Bem, isso é para as espécies pequenas.

As maiores conseguem almoçar/jantar até peixes de algum porte e crustáceos, além de ratos e rãs. Se a coisa estiver meio difícil, as salamandras comem até mesmo outras salamandras. Mas não parece se tratar de canibalismo constante; apenas ocasional.

Sua vida, seus hábitos

Como foi dito acima, as salamandras precisam de água. Assim, você sempre vai encontrar algum acúmulo do líquido perto delas. Morrem sem água.

Esse anfíbio tem hábitos noturnos (aliás, é uma das razões pelas quais não serviria como animal de estimação). Nesses momentos, saem para forragear, que é nome técnica para “sair à procura de comida”.

Eventualmente, em períodos frios, as salamandras podem permanecer ativas durante algumas horas do dia. Entretanto, preferem inatividade entre rochas ou frestas de árvore.

Tamanho

Os tamanhos variam demais porque as espécies também são variadas. Para se ter uma ideia, há espécies minúsculas de salamandras que não chegam a 3cm – sim, metade de um polegar – e isso inclui a cauda. A espécie Thorius arboreus, por exemplo, é até menor que isso, tendo indivíduos com apena 1,5cm.

Há outras que chegam a 65kg de peso e quase 2m de comprimento, também incluindo a cauda, como é o caso da espécie da salamandra gigante do Japão (Andrias japonicus). Porém, a boa maioria desses anfíbios fica entre 10 e 20cm de tamanho total.

Onde estão?

Salamandras estão espalhados pelo mundo, desde que haja água no local. Porém, a maior concentração de todas as espécies estão nos Estados Unido Todas as famílias reconhecidas, exceto as salamandras asiáticas, são encontradas lá.

O habitat da salamandra depende da espécie, como também já foi dito aqui. Contudo, não importa a espécie, todas precisam manter sua pele úmida. A maioria das espécies vive em florestas úmidas, embora haja algumas exceções.

As salamandras vivem dentro ou perto da água, como já foi dito. Assim, estão em riachos, rios, lagoas e outros locais com água abundante. Ou então buscam abrigo em terreno úmido, como sob rochas.

As salamandras na ciência

A ordem científica das salamandras é a Urodela. Elas possuem cauda em todas as fases da vida, inclusive quando são larvas.

Há espécies que vivem exclusivamente na água durante toda a vida, saindo dela apenas ocasionalmente e por curto tempo. Já outras se tornam terrestres quando em fase adulta, buscando a água somente para manter a pele umedecida.

A pele desprovida de escamas é também macia, além de apresentar outras características que comentamos acima. Há espécies com pele desbotada, unicolor ou mesmo colorida com listras, manchas, pontos esparsos etc. Já as espécies que preferem a escuridão das cavernas não têm pigmentos visíveis.

Importante: a gente comentou acima que as salamandras são capazes de regenerar seus membros e outras parte do corpo quando os perdem. Essa capacidade tem sido estudada há anos por cientistas a fim de acompanhar o desenvolvimento inverso desse processo. Seria uma espécie de engenharia reversa para ser aplicada em situações médicas de restauração de áreas cerebrais humanas.

Sentidos importantes para sobrevivência

O poder olfativo das salamandras é alto e desempenha importante papel no reconhecimento do território, em especial quando há predadores. Entretanto, é no período de acasalamento que esse sentido está mais apurado. Elas possuem duas regiões sensoriais que reagem à química do ambiente (água ou ar).

Já o sentido da visão parece estar mais forte em atividades noturnas, pelo menos na maioria das espécies. Porém, há espécies que vivem em cavernas, como a salamandra cega, que nem mesmo dispõem de visão, pois os olhos estão recobertos por fina camada de pele.

Não há espécie que tenha cavidade auricular, tímpano e tuba, mas têm aparelhos internos. Entretanto, são capazes de identificar vibração do ar e associar a sons diversos. Essa capacidade é alta, pois elas “escutam” vibrações de baixíssimas frequências. A vibração é captada pelas patas e nervos especiais transmitem as impressões aos ouvidos internos.

Reprodução

Durante a fase de reprodução, os machos podem adquirir cores diversas e brilho. A fêmea depõe quase 500 ovos de cada vez. Entretanto, a média de eclosão é de 30 larvas.

Instintivamente, são excelentes mamães, pois são capazes de agasalhar os ovos em folhas de árvores ou mesmo envolvê-los com o próprio corpo para protegê-los do frio intenso ou de predadores.

Esses anfíbios não emitem sons – exceto por alguns grunhidos irreconhecíveis de poucas espécies. Os gêneros não apresentam dimorfismo sexual, o que significa que machos e fêmeas são parecidos. Nesse caso, os parceiros usam o olfato e o tato para identificar o par ideal em potencial no momento.

Há fertilização é interna na esmagadora maioria das espécies. O macho expele seu conteúdo espermatóforo (no solo ou água, dependendo da espécie). A fêmea o recolhe por instinto e a fecundação acontece. Os ovos têm aparência clara e gelatinosa. Os filhotes nascem sem pernas, que vão se formando com o passar das semanas.

A estrutura geral das salamandras

As caudas são longas, como já dissemos. As patas têm sempre ângulo reto em relação ao corpo. De maneira geral, as espécies são bastante diferentes em detalhes. Algumas possuem dois pares de patas e outras, apenas um – aliás, as pernas são sempre muito curtas; algumas apresentam pulmões e outras têm guelras, pois estas respiram diretamente pela pele.

É muito raro se encontrar salamandras com mais de quatro dedos nas patas dianteiras. Por outro lado, você viu acima que salamandras são capazes de regenerar membros perdidos dentro de algumas semanas. Isso inclui caudas e muitos órgãos, permitindo-lhes sobreviver a ataques de predadores.

Como as salamandras se defendem?

Segundo biólogos, a pele fria, lisa e brilhante funciona como sinal de perigo para eventuais atacantes das salamandras. De alguma maneira, o brilho da pele se intensifica, bem como as cores, e interfere no sistema ocular e nervoso do adversário. Essa capacidade tem o nome técnico Aposematismo.

Mas nem só de brilho se protegem as salamandras. Elas possuem uma arma oculta. Quando em perigo, contraem seus músculos dorsais e extremidades afiadas das costelas rasgam sua pele, mas também furam os oponentes.

Mas elas também dispõem de outro instrumento. Glândulas localizadas em seu pescoço e cauda expelem substância líquida com sabor horrível e venenoso muitas vezes. O veneno provém da tetrodotoxina, toxina poderosa capaz de causar problemas sérios.

Preservação

Há uma série de fatores que tem diminuído drasticamente a população desses anfíbios. Eles vão desde o fungo quitrídio, que é mortal para elas, até poluição dos ambientes naturais das salamandras.

Nesse cenário, algumas espécies compõem a lista vermelha das espécies como ameaçadas de extinção e outras já em fase inicial de extinção. Entretanto, há algumas salamandras que já estão em estágio crítico.

É o caso da salamandra cega, por exemplo, normalmente encontrada em regiões do México. A população dessa espécie está visivelmente em declínio rápido. Outra espécie com população encontrada no México também está em estado crítico. É a salamandra de Anderson, que enfrenta perigo com a poluição dos lagos em que vive.

Por outro lado, os problemas nascidos com a variação climática também interferem muito na preservação das salamandras. Algumas espécies mostram diminuição no número de indivíduos a cada geração.

Esse fenômeno se dá porque, com o aumento das temperaturas, os indivíduos precisam gastar mais energia corporal para se manter e, em consequência, se tornam menos capacitados na produção de esperma e na energia sexual.

Personagens de confusão

É comum que as pessoas encontrem pequenas criaturas e as confundam com lagartos do tipo monstro-de-gila, que, inclusive, são venenosos. Tais seres são vistos em porões, garagens, batentes de janelas, sob pilhas de tijolos etc. Porém, via de regra, são apenas salamandras da espécie salamandra tigre (ou Ambystoma tigrinum, que é o nome científico).

Elas estão nesses locais porque, como já dissemos, precisam de umidade e temperatura baixa.

Vai um licorzinho de salamandras aí?

A revista Mladina, da Eslovênia, publicou em 1995 uma receita de um coquetel especial. Trata-se de um licor feito a partir de fermentação de salamandras junto com frutas cítricas em álcool. Por conta do álcool, as salamandras acabam gerando muco tóxico de sua pele como estratégia de defesa.

Segundo o artigo da revista, a bebida tem poderes alucinógenos e afrodisíacos. Dessa maneira, muita gente até hoje acaba se deixando levar por esperanças. Não é raro que admitam que tomam a beberagem em casa, longe das vistas dos amigos. E não é para menos, é ou não é?

Entretanto, o antropólogo Miha Kozorog, também daquele país, posteriormente demonstrou a partir de pesquisas sérias que a coisa não é bem assim. Suas experiências em laboratório indicaram que a bebida tem efeito contrário, causando grande mal à saúde.

E você? Que tal deixar sua dúvida, questão ou sugestão na área de comentários abaixo? Faça isso depois de provar um bom coquetel de salamandras.