O termo “Rinha” se refere ao ato de colocar em confronto animais uns com os outros em uma espécie de luta livre animal em área delimitada, tais como “rinhas de galo” e “rinhas de cães”. A rinha de cães é uma luta realizada entre cães especialmente criados e treinados para tal façanha.

É um esporte sangrento de grande entretenimento que existe há séculos e que já chegou a gerar muitos lucros para criadores e donos de cães. Em muitos países, assim como no Brasil, o “esporte” é proibido por lei, mas ainda é praticado de forma clandestina.

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Cães selvagens lutando entre si (Crédito/Copyright: “schankz/Shutterstock”)

Desde que a criação de cães se tornou sistemática, os cruzamentos entre raças caninas para transformá-las em animais especialistas em determinadas tarefas passou a ser uma meta importante a ser atingida. A seleção de cães até meados do século passado sempre teve como propósito o emprego do cão nas mais diversas funções, tais como cães pastores, cães de guarda, cães de caça dos mais diversos tipos, cães farejadores e também os cães de combate.

A luta entre cães existe há muitos séculos e foi originalmente popular em países asiáticos. O Chow Chow e o Bully Kutta, são ótimos exemplos de raças asiáticas antigas que foram muito utilizadas nessa prática quando foram criadas.

As rinhas de cães iniciaram no século XIX com a prática de um esporte sádico e sangrento chamado Bull Baiting, que na tradução livre pode ser entendida como “isca de boi”, um termo usado para descrever a ação de amarrar um animal (geralmente urso ou touro) a um mastro para depois ser atacado por um certo tipo de cão.

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Buldogues lutando (Crédito/Copyright: “Bill Anastasiou/Shutterstock”)

Uma prática esportiva que consistia em colocar um Buldogue para atacar touros amarrados a um mastro em uma arena enquanto milhares de espectadores assistiam ao massacre do animal das arquibancadas.

O Buldogue, que havia sido criado especialmente para o esporte, atacava o touro pelo focinho, agarrando-o de tal forma que o touro não conseguia se livrar dele até desfalecer. Na época, acreditava-se que esta prática, além de entretenimento, servia para “amaciar” a carne do animal antes de abatê-lo para consumo.

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Buldogue inglês e seu olhar assustador, só que nem tanto (Crédito/Copyright: “dekonne/Shutterstock”)

No entanto, em 1835, grupos de proteção aos animais se uniram e conseguiram aprovar, após muitos anos de controvérsias, a proibição deste esporte no parlamento inglês, e a prática foi banida na Inglaterra, até que fosse considerada totalmente ilegal por muitos outros países pela Lei da Crueldade Animal, lei que protege animais de maus tratos incluindo bois, touros, cães, ursos e ovelhas, para que o esporte, assim como as brigas de galo e rinhas de cães fossem proibidas.

Durante a “Rinha”, dois cães são colocados juntos para brigarem entre si. A “luta” só termina quando o dono do cão desiste retirando-o do ringue ou arena. Em combates profissionais, há um tipo chamado “Till Death do Us Part” (até que a morte nos separe), em que a “luta” termina com a morte de um dos cães.

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Outras raças de cachorros lutando (Crédito/Copyright: “Gabriele Niepenberg/Shutterstock”)

Com a proibição, criadores de cães utilizados no Bull-baiting percebendo a dificuldade de realizar secretamente um evento com touros, decidiram por criar o combate entre cães. Esta “nova” prática se popularizou por toda a Europa e contribuiu para a criação de novas raças de cães especialmente para esta função. Assim, criadores de Buldogues se dividiram. Aqueles que admiravam o vigôr, a força e persistência do Buldogue decidiram então preservar a sua aparência e reproduzi-los com um temperamento mais doce e gentil ao invés de agressivo.

E assim, o Buldogue foi reformulado até chegar nas espécies que encontramos hoje. Outros criadores que apreciavam a rudeza, tenacidade e força destes cães começaram a cruzar as espécies mais agressivas e corajosas com outras raças a fim de criá-los para brigar entre si. Misturaram ao Buldogue raças do tipo terrier, como o Staffordshire Terrier e criaram uma raça com características específicas como bravura, resistência, tolerância alta para dor, persistência e grande lealdade aos seus donos.

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Buldogue inglês já reformulado, dócil e amigável (Crédito/Copyright: “Lunja/Shutterstock”)

Já no século XX, algumas destas espécies foram levadas aos EUA e ali foram batizadas de Pit Bull Terrier Americano. Logo tornaram-se símbolo da família padrão americana. Um exemplar ficou notavelmente famoso pela sua atuação nas tropas americanas, um Pit Bull Terrier mix chamado Stubbys, que acompanhou a 102ª Infantaria na Iª Guerra Mundial. Stubby era um cão tão esperto que participou ativamente à frente de batalhas e acabou virando celebridade por sua coragem e dedicação.

Até que algumas décadas mais tarde, criadores nos EUA começaram a criar estes cães para rinhas. A preparação diferenciada era composta de treinamentos cruéis e dolorosos, como eletrochoques, explosões de pólvora perto da cabeça dos animais, pimenta e alimentação com altas doses protéicas. O objetivo do treinamento era exclusivamente para lutar e ganhar dinheiro com as apostas nas rinhas.

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Stafforshire Terriers brigano no gramado (Crédito/Copyright: “Christian Mueller/Shutterstock”)

A prática se popularizou rapidamente e cruzou fronteiras chegando a ser apreciada também aqui no Brasil. Aqui no país a atividade é considerada crime, mas a fiscalização é ineficiente e não se consegue colocar um fim definitivo à prática.

É uma crueldade sem tamanho, e os animais ficam traumatizados com o treinamento — os animais sofrem todo tipo de maus-tratos, como queimaduras e espancamento. Raças de cães como o Pit Bull, Mastife e Rottweiler não foram criados para lutar e não são predispostos a atacar, mas se muitas vezes de tornam ferozes devido ao treinamento que é submetido.

A prática acabou sendo tão disseminada e mal vista por alguns países que algumas raças acabaram sofrendo um enorme preconceito, levando a fama de cães perigosos e ferozes. Um exemplo disso é a raça Pit Bull que atualmente é proibida em 27 países, inclusive na Inglaterra, onde foi criada.

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Chow Chows lutando entre si (Crédito/Copyright: “Christian Mueller/Shutterstock”)

Outras raças são obrigadas a serem esterilizadas já quando filhotes e não podem sair nas ruas sem focinheiras. Tais medidas não resolvem, pois o que deve ser mudado é a mentalidade da sociedade, evitando estes cruzamentos indiscriminados que visam apenas satisfazer a necessidade humana pela violência.

É preciso lembrar que o cão de rinha, não é uma raça específica, que nasceu para isso, é um cão como outro qualquer, que foi “treinado e estimulado”, desde pequeno, para combater outro cão. Ele apenas APRENDEU o que o SEU DONO ENSINOU.

Culpar o cão pelos atos do homem é o mesmo que condenar à prisão, a ferramenta que foi usada para cometer um crime. Além disso, muitos animais animais gravemente feridos em rinhas são abandonados pelo seu dono, que geralmente não quer arcar com os gastos da sua recuperação.

Quem ama o seu animal não o submete a tamanha crueldade. A prática de rinhas é um crime – não faça parte, denuncie!