Não tem como a gente falar de rena e não lembrar de Natal. Ela é um dos mais fortes símbolos do espírito natalino. É tão evidente, expressivo e fantástico que a esmagadora maioria das pessoas acha que ela serve apenas para os fins de ano.

E que ela e mais sete semelhantes cortam os céus – toda a extensão deles – em apenas uma noite. Essa popularidade toda nasceu de um poema, o “Uma visita de São Nicolau”, de Clement C. Moore, professor de Literatura Grega e Oriental, americano (1779 – 1863).

Assim, imagina-se que tudo o que se sabe sobre ela seja isso e nada mais. Entretanto, há muito mais mistérios entre a rena do que possamos sequer imaginar sobre ela.

Interessante: Você sabe quais são os nomes das renas de Papai Noel? E quantas são? A gente responde logo abaixo.

Por que o nome “rena”

O nome “rena” é de origem nórdica e quer dizer chifres.


Esse fantástico animal é mais que representação do período de férias ou do Natal ou ainda apenas companheiros de Papai Noel. Ele é cervídeo é muito carismático, além de bizarro (cervídeo é espécie também conhecida como cervo ou ainda veado que apresenta patas unguladas – ou seja, em forma de casco -, e é ruminante – ou seja, leva o alimento de volta do estômago para a boca para continuar a mastigação).

Muitas vezes, as palavras “rena” e “caribu” são usadas para designar animais diferentes. Entretanto, estudos importantes garantem que se trata do mesmíssimo animal. A questão é apenas de confusão popular.

O termo “rena” é nórdico e vem de “hreinin”, ou seja, “animal com chifres”. Já “caribu” provém de um termo francês associado a “pato-colhereiro de neve”. Claramente, esse último termo liga a rena ao hábito de escavar a neve com as patas à procura de alimentos (em tempo: em biologia, a atividade animal de busca por alimento se chama farrageio).

Já na Europa Oriental, a população chama a rena de “poaw”, palavra iraniana relacionada a “gado”. Nessa região, a rena foi usada por muito tempo como fonte de alimento (carne, leite) e meio de transporte. Então, ser considerada como uma espécie de “gado” é quase normal.

Alguns detalhes sobre a rena

Existem muitos detalhes sobre a rena além do seu nome.


São muitos os detalhes que podemos observar nas renas, como os exemplos abaixo que iremos descrever:

O nome “rena” x “caribu”

A gente mencionou acima que rena e caribu não animais distintos segundo crença de muitas pessoas. Entretanto, ambos os animais são da mesma espécie, ou seja, as palavras se referem ao mesmo animal.

Ocorre que “rena” se refere quase sempre ao animal domesticado, que já tem relacionamento com o ser humano; “caribu”, por sua vez, ao animal menos condicionado ao convívio com humano.

Dois grupos de renas

As renas são divididas em rena da tundra e rena da floresta. Nesse caso, os dois grupos se diferenciam apenas pelo tipo de ambiente em que vivem. Além disso, os grupos são também divididos em subespécies. Estas podem variar de 9 a 13 a depender do biólogo entrevistado, já que não há consenso na classificação.

Espécie extinta

Uma das subespécie, aliás, já está extinta oficialmente por órgãos de defesa e controle de animais. Trata-se da rena do Ártico.

Ela capta luz ultravioleta

Um ser humano não consegue ver, por exemplo, um pano branco sobre um território coberto de neve. Nem manchas de urina de qualquer animal. Entretanto, a rena consegue. Foi o que pesquisadores de uma universidade de Londres descobriram.

Assim, a rena consegue o que nenhum outro mamífero consegue: captar luz ultravioleta. As células oculares da rena quebram a onda de luz em frequências muito menores que o ser humano. Dessa maneira, os objetos aparecem tridimensionais a ela.

Interessante: Sabe aquela piadinha de alguém que mostre um folha de papel branca para alguém e pergunta “O que você vê nessa pintura”? Bem, a rena responderia tranquilamente “um urso branco num campo de neve”, pois é o que ela veria mesmo.

Como é a rena

A rena é um animal de nariz quadrado, olhso brilhantes, cascos duros e chifres galhados.


Ela apresenta nariz quadrado – que é, inclusive, sua marca registrada -, grandes cascos (são, então unguladas) e pescoços grossos.

A rena tem pelagem em duas fases, uma sobreposta à outra. A camada inferior é constituída de pelos maciços; já a cobertura visível é feita de pelos ocos, como pelos de ursos (já registramos essa característica do urso em nosso site).

Os pelos ocos são principalmente úteis em longas caminhadas e quando for preciso nadar, pois flutuam muito bem. Já a pelagem feita em duas camadas é particularmente apropriada para as regiões frias em que a rena habita.

Não raro, pessoas se vestem de pele de rena da cabeça aos pés quando precisam atravessar regiões extensas de neve e clima muito frio. E, pela flutuabilidade dos peles da segunda camada, muitos profissionais enchem coletes salva-vidas com eles. Assim, têm mais chances de salvamento.

Chifre também é coisa de rena fêmea

A grande maioria das espécies de cervídeos apresenta chifres. Estes são ossos muito calcificados e extrapolam a superfície da pele. No caso da espécie, eles se renovam a cada ano, pois são perdidos ao longo do tempo ou em brigas entre rivais.

Por outro lado, a rena é um caso especial, pois as fêmeas possuem chifres também. Em outros cervos da espécie, apenas os machos possuem esse “ornamento”.

Interessante: a surpresa em relação à rena não é apenas a fêmea apresentar chifres, mas também a foram de perdê-los. Ocorre que o macho perde os chifres na estação fria, no inverno, e recuperam muito tempo depois. Já as fêmeas perdem o “enfeite” bem depois do inverno. Ou seja, permanecem com o chifre por todo o inverno.

Neste caso, como os puxadores de trenó do Papai Noel apresentam chifres – pelo menos nos filmes e nos poemas -, então, deduz-se disso que esses auxiliares de Natal sejam todos fêmeas. E estimulante para todos que se preocupam com animais.

A Finlândia tem dias muito escuros no inverno. Portanto, as estradas de lá são altamente perigosas para as renas porque é difícil vê-las. Via de regra, ocorrem acidentes constantemente. Mas isso pode acabar.

Uma organização de pastores de rena do país criou uma espécie de “spray” luminoso. Estão pintando os chifres de suas renas e parte do corpo. Assim, a incidência da luz dos faróis torna os animais visíveis.

Alimentação

A rena é um animal ruminante que pasta e se alimenta de líquens.


Ela é ruminante, como já dissemos. A alimentação se dá à base de consumo de líquen, uma espécie de organismo originado na relação simbiótica entre certo fungo e certa alga. Em época de frio intenso, as renas escavam o solo congelado para extrair o organismo, já que ele se encontra a mais de meio metro abaixo. (Por isso, os cascos se endurecem nessa época, conforme dizemos abaixo).

Onde vive, a rena

Em tempos atuais de dias mais quentes e mais ameaças humanas, a rena é encontrada mais ao norte do Planeta. Anteriormente, costumavam viver mais ao sul. Ou seja, seu bioma era bem mais extenso, pois havia muito mais espaço para ela.

Assim, era fácil se ver renas no Tennessee, em meados da região hoje compreendida pela Espanha. Isso foi no período Pleistoceno.

O que há de interessante na vida da rena

Além de curioso, há muitos fatos interessantes sobre a rena, como por exemplo abaixo:

Olhos que brilham

Você viu acima que os chifres da rena brilham no escuro na Finlândia. Pelo menos superficialmente, a gente quer dizer. No caso do brilho dos olhos da rena, ele é natural. Isso acontece porque o tapetum, que é a parte do olho detrás da íris, muda de cor. Torna-se azul no inverno (é amarelado no resto do ano) para que o poder de visão do animal melhore no escuro dos dias invernais.

Sapatos adaptáveis

Outra característica interessante se refere ao casco, às patas da rena. Durante todo o ano em que o frio é bem menos rigoroso, o casco é macio, pois é melhor para andar na neve baixa. Já no alto inverno, ele se torna muito duro e resistente.

As células endurecem a tal ponto que a rena é capaz de quebrar camadas de gelo com a pata se necessário. Além disso, o casco fica mais afiado, de forma que consegue buscar alimento mesmo dentro de blocos de gelo.

Narizes também adaptáveis

Acima, falamos sobre os olhos e as patas, que se adaptam ao rigor do inverno. Os narizes também. Eles são capazes de aquecer o ar antes que ele chegue aos pulmões. Além disso, também retêm água contida no ar; assim, as mucosas nasais permanecem úmidas, o que facilita a respiração.

Falando em inverno, as duas camadas de pelos (mencionamos isso acima também) funciona como catalisador de ar frio. Ou seja, elas retém boa parte do clima congelante, o que é ideal para épocas de dias extremamente frios.

A rena viaja como poucos

Sabe-se que nem todas as espécies de rena se deslocam de um território a outro. Porém, as que têm esse hábito conseguem viajar por quase 5 mil quilômetros durante o ano inteiro entre caminhada e natação. É capaz de caminhar por 25km por dia.

Por conta da camada de pelo oco, flutua na água sem problemas. Assim, quando enfrentam rios ou lagos extensos, podem se nadar à velocidade de 9km/h.

E se deslocam em bando. Alguns grupos chegam a ter mais de 50 mil indivíduos. Há registros de grupos com quase 500 mil renas. Entretanto, como se acasalam no inverno, os grupos migratórios se tornam bem menores.

Relação com os humanos

Há povos que utilizam a rena no pastoreio.


Há povos que ainda sobrevivem graças à existência da rena. Para o Sami, por exemplo, a atividade de pastoreio é base para a economia da comunidade. Então, tanto o Sami quanto outros povos cultivam renas para consumo e comércio de carne, pele, chifres etc.

Além disso, é tradicional o fabril de produtos derivados do animal. Assim, produzem-se linguiças a partir do sangue, consomem-se leite e carne, tendões musculares para arreios de trenós etc. Os chifres são usados na confecção de ferramentas diversas e alças em geral.

Tais povos são em especial das regiões do Ártico e do subártico. Por outro lado, o convívio desses povos com a rena não tem base apenas comercial ou mesmo simplesmente de subsistência. Há um elo forte cultural que os liga há milênios.

Esse elo acabou criando forte conscientização sobre a importância da relação entre o animal e os povos da região. Atualmente, o abate de renas é feito em fazendas especializadas em morte sem sofrimento e certificadas por órgãos competentes. E elas são observadas fria e constantemente por meio até mesmo de helicópteros.

Ou seja, a industrialização é intensamente organizada.

Relação útil desde tempos idos

Os períodos Mesolítico e Neolítico foram profícuos em caça à rena. Essa atividade manteve a vida de muitas tribos na Escandinávia e Canadá em especial. Inclusive, perdura até atualmente.

Aliás, muitas comunidades escandinavas consomem carne de rena como iguaria diferente. Essa preferência se dá porque 90% dos órgãos do animal são comestíveis. E deliciosos, segundo opinião popular.

Ainda é possível encontrar armadilhas feitas na Idade da Pedra. São poços, cercados, instrumentos diversos.

Os inuítes – povos esquimós que vivem do Alasca à Groenlândia – não evoluíram muito na relação com a rena. Desde milhares de anos, eles ainda a consomem como elemento básico de sobrevivência. Assim, ela serve como comida, matéria-prima têxtil rudimentar, confecção de tendas e também ferramentas.

Sobrevivência prejudicada

A rena tem a sua sobreviência ameaçada pela falta de alimento em condições climáticas drásticas.


Há um mecanismo de situações terrível que tem causado transtorno incrível às renas em geral. E se inicia pelas mudanças climáticas do Planeta.

Elas comem líquen, conforme você viu acima. E viu também que a rena golpeia o chão com os cascos para retirar o alimento do solo congelado. É sua estratégia de forrageio.

Ocorre que a temperatura média do Planeta está em curva ascendente. Com isso, o gelo derrete e produz vapores que sobem à atmosfera. Todos conhecem o resultado desse processo: chuva abundante. Tão abundante que é capaz de cobrir todo o solo, como ocorreu em 2006 na Sibéria.

O solo congela novamente. Porém, a camada que se forma é muito mais espessa. Com isso, o líquen permanece muito abaixo do normal, o que não é conveniente para a rena. Dessa maneira, ela não consegue extrair o alimento precioso pra sua sobrevivência.

Naquele ano, esse fenômeno tirou a vida de mais de 20 mil renas. Posteriormente, em 2013, o fato se repetiu. Nessa ocasião, mais de 60 mil indivíduos perderam a vida.

A situação ficou tão alarmante que o governo da Sibéria lançou a ideia de abater 250 mil renas recentemente. Com isso, pretende evitar que tais animais morram de inanição e suas carcaças causem transtornos ainda maiores à população. Afinal, elas poderiam atrair micro-organismos nocivos.

A ideia não foi totalmente aceita.

Última curiosidade sobre a rena

Logo no início do artigo, deixamos uma pergunta. Você conhece os nomes das renas do Papai Noel? Eis a resposta:

Os nomes em inglês: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen.

Os nomes em português: Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.

Mas, há uma controvérsia aqui. Dizem que há uma nona rena que entrou para equipe porque tem o nariz avermelhado e brilhante, o que seria útil na condução das outras. É chamada Rudolph ou Rodolfo.

Então é isso. Colabore com o mundo animal. Discuta com amigos sobre proteção à sobrevivência de todas as espécies, envie mensagens a conhecidos e contatos em geral. E deixe sua opinião a respeito de rena na área de comentários abaixo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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