“Raposa” – a palavra, o termo – significa gente esperta, inteligente, sagaz, eficiente. Ou seja, ela adjetiva pessoas com grande capacidade de se sair bem de determinados problemas. Ou se encontrar soluções para adversidades das mais difíceis.

Talvez não haja palavra melhor para identificar a personagem deste artigo: raposa. Ela é um dos animais mais inteligentes e perspicazes do Planeta. Essa sua característica ilustra uma infinidade de crônicas e fábulas nas quais é apresentada como o lado forte das histórias.

Por outro lado, às vezes, é também usada para representar traição e rapinagem. Não se pode dizer que isso seja irreal. Afinal, a inteligência da raposa quando em busca de alimento ou mesmo quando em situações diversas é tal que pode parecer rapinagem, deslealdade. Entretanto, tudo não passa de mal entendido.

A gente falou acima em fábulas e crônicas. Uma das mais conhecidas fábulas associadas a nossa personagem trata da estória de uma raposa e um bode. Conta-se que a raposa aproveitou-se de certa situação para obter vantagem sobre o bode. Essa fábula foi recontada por um grande gênio textual do Brasil, que está no último capítulo deste artigo.

A Raposa e a paleontologia

Sabe-se pouco da raposa, mas é um animal muito bonito.


Há identificações fósseis de milhões de anos. Escavações feitas em Joanesburgo, África, revelaram que houve espécie de raposa desconhecida até então. Segundo informações de paleontólogos, a história da paleontologia dispõe de pouquíssimos dados sobre ancestrais desse animal. Daí a importância da descoberta, pois, além de tudo, ainda pode auxiliar muito a desvendar alguns outros mistérios na evolução dos próprios cães.

A nova espécie foi chamada de Vulpes skinneri para engrandecer o nome do ecologista sul-africano John Skinner. Essa espécie viveu cerca de dois milhões de anos atrás.

A raposa na Biologia

A raposa é um animal mamífero vertebrado.


É mamífero vertebrado, como certamente você já sabe. É possível dizer que há 02 grandes grupos de raposas: o das vermelhas e o das cinza, que são os mais conhecidos – há outros mais que estão abaixo. Ela compõe a família taxonômica dos cães, a Canidea.

E é encontrada em quase 40 tipos. Porém, apenas 12 deles são considerados por criadores e especialistas como raposas de verdade. Todas as espécies se adaptam facilmente a ambientes, como você vai ver abaixo. Também por conta disso, sobrevive a diversas intempéries sem muitos problemas.

A natureza dotou a raposa da capacidade de retrair as garras como fazem os gatos. Aliás, é o único representante dos Canideos que tem essa estratégia. Apesar disso, a raposa cinzenta, que habita terras dos EUA, é o único tipo que consegue escalar árvores em busca de abrigo e de algum animal.

Além da retração das unhas, suas pupilas também são mais parecidas com as dos gatos que com as dos cães, pois se apresentam na vertical.

Como a raposa é

Tem ciclo de vida normal para o tipo de mamífero: vive entre 9 e 10. Entretanto, indivíduos com 12 ou 13 anos foram identificados.

Pode ter pelos vermelhos, castanhos ou cinza, mas sempre haverá regiões brancas em algum lugar do corpo. Não cresce muito; em média, tem 40 ou 50 de altura e 80cm de comprimento – algumas raças podem ser um pouco maiores. Seu focinho é proeminente, alongando-se de forma bem visível. E as orelhas também são longas, além de pontiagudas.

O que também é surpreendente na raposa é sua capacidade olfativa e auditiva. Trata-se de dois fatores de extrema importância no quesito autoproteção e autoprovisão. Assim, são capazes de identificar à grande distância tanto animais rivais quanto fonte de comida. Ela é capaz de perceber pela audição até mesmo movimentos de animais enterrados no solo. Experiências identificaram que ela capta o som de relógios a mais 40m de distância.

Além de tudo, a raposa é muito rápida e forte para seu tamanho. Sai vitoriosa de contendas com rivais maiores por conta da rapidez de movimentos, que são certeiros.

Quanto às espécies

São muitas as raças de raposa no mundo.


São muitas as raças/tipos de raposa. Todas detém diferenças suficientes para agrupá-las.
  • Raposa cinzenta

Juntamente com a raposa vermelha, é a mais vista em seu habitat. O cinza escuro é boa camuflagem.

  • Raposa Vermelha

É também considerada a mais conhecida e a maior das raças. Rápida e esperta.

  • Feneco

É a menor raça conhecida. Assemelha-se mais a um cãozinho que propriamente à raposa. Suas orelhas e olhos são desproporcionalmente grandes para seu tamanho.

  • Raposa-do-Ártico

Esse tipo de raposa é realmente surpreendente simplesmente por viver em região tão inóspita. Sua pelagem branca é grossa o suficiente para manter a temperatura do corpo. Além disso, ajuda bastante tanto durante perseguição às presas como quando é perseguida por predadores

  • Kit fox

O visual desse tipo de raposa é mesmo inigualável. O pelo escuro acastanhado é ideal para as regiões mexicanas, que é onde há mais presença de indivíduos. O que a diferencia é justamente a maciez do pelo, que em nada se parece com o de raposas.

Os primeiros passos

A raposa tem início a sua fase reprodutiva com 10 a 12 meses.


A fêmea chega à vida reprodutiva com 10 meses ou 12 de idade. A reprodução acontece alguns meses antes da primavera das regiões onde vive. O “casal” se identifica como compatíveis mutuamente a partir de emissão de cheiros específicos.

A gestação dura por volta de 02 meses e ela dá à luz uma ninhada de 3 a 5 kits (filhotes), que nascem sem pelo algum. A mãe não abandona a covil antes de 02 semanas e, durante esse tempo, alimenta os filhotes e é alimentada pelo macho.

Assim como os cães domésticos, o filhote nasce completamente desprotegido. Não ouve, não vê, não caminha. Depende exclusivamente dos cuidados da mãe durante algumas semanas, incluindo, claro, oferta de mamadas.
Quando já caminham – por volta de 4 semanas -, são alimentados pelo pai, que sai em busca de comida para a prole e para a fêmea.

Isso é interessante: raposas, tanto macho quanto fêmea, demonstram enorme carinho por sua prole. São altamente responsáveis e amáveis. Há alguns anos, um repórter do jornal Daily Mail dos EUA flagrou uma cena interessante. Um filhote de raposa ficou preso em armadilha (claro, ação humana) e foi resgatado alguns dias depois por uma organização protetora. Agora, emocione-se: o pequeno não morreu de inanição única e tão somente porque sua mamãe permaneceu o tempo todo por perto, aquecendo-o e encorajando-o. Aliás, saía somente para buscar comida e água para o filhote.

Raposa e seu estômago invejável

A raposa é glutona por natureza. Seu estômago é adaptado para consumir uma quantidade enorme de tipos de alimentos. Nem mesmo vermes escapam de sua fome. Além disso, caça pequenos pássaros, aranhas, quatis, ratos etc. Aliás, por isso, a raposa é confundida normalmente com animal carnívoro. Entretanto, é onívoro, ou seja, se alimenta de todo e qualquer tipo de material, desde que satisfaça seu paladar. Ingere, inclusive, peixes e vegetais.

Quando em área urbana, aproveita restos de alimentos deixados por humanos. Não se tem notícia se temperos e ingredientes diversos façam algum mal aos indivíduos. Tanto que, havendo excesso de alimento, a própria raposa se incumbe de levar para suas tocas para consumo posterior.

Por onde anda, a raposa

Ela anda pelo mundo todo e nos mais diferentes climas, de deserto a gelo. Estão em florestas, montanhas, áreas rurais e urbanas etc. Isso se dá porque há grande diversidade de tipos e raças.

A raposa no cotidiano

Por algum motivo baseado razoavelmente na percepção humana sobre raposas, as fêmeas são chamadas de “vixen” – “megera” ou “escandalosa” em inglês; os machos, de “cão raposa” ou “tod”. Já os filhotes podem ser chamados de “kits” e um grupo de raposas, de raposada (sim, o termo existe). Nos EUA e Europa, o nome de um grupo de raposas é “skulk”.

Ela vive em recanto, que é o nome dado às covas que ela própria constrói para se abrigar e proteger filhotes. Fazem isso em florestas, jardins, montanhas e até mesmo em porões e sótãos. Ou seja, em qualquer lugar em que tenha necessidade de proteção.

Os cães ladram, raposas não

São muitas as semelhanças entre a raposa e o cão. Entretanto, as diferenças são muito mais expressivas e notáveis. Raposas são tidas como a menor das espécies caninas.

Além disso, não latem. Preferem uivar e rosnar para expressar satisfação ou desconforto – aliás, há diversos tipos de sons que emitem. E são insociáveis, mesmo entre si. Gostam de viver a própria vida sem interferência nem mesmo de semelhantes “abelhudos, diria uma raposa se lhe perguntassem”.

Seus hábitos são noturnos. Aliás, especialistas são unânimes ao dizer que uma raposa que vague durante o dia está enfrentando algum problema. Ou imaginando alguma maneira de resolvê-lo. Certamente pode estar faminta e, assim, saiu em dia claro para encontrar comida; ou pode estar doente; ou, ainda, se distanciando de algum perigo que identificou.

Mais de gatos na raposa

Além das pupilas e garras (veja acima), há outras semelhanças com gatos, mas no comportamento. A raposa é capaz de “brincar de perseguir” suas presas antes comê-las. Especialistas dizem que isso serve para “cansar a comida”, além de fazê-la gerar substâncias orgânicas que facilitam a degustação.

Além disso, se mantém à espreita em silênico total; podem se aproximar da presa sem ser vista até pouquíssimos metros de distância.

Alvo de caçada, infelizmente

Raposa é excelente caçadora. Seus instintos quanto a isso auxiliam na preservação da espécie. Entretanto, se, por um lado, ela caça por necessidade de sobrevivência, por outro, é caçada por um terrível predador incentivado por instintos dos mais fúteis e cruéis: o homem e sua necessidade de poder.

Ele – o homem – ainda considera esse ato como “esporte”. E isso mesmo já termos entrado há tempos no século 21 e dispormos de tantas informações sobre comportamento humano.

Tentativas de simpatizantes de animais

Há pouco mais de uma década, a tradicional caça à raposa na Inglaterra e Reino Unido foi proibida por Lei. Praticada por mais de 300 anos, agora tem limitação. Contudo – e lamentavelmente -, a Lei é falha e não vai coibir a matança desnecessária na opinião da maioria dos biólogos e apreciadores de animais.

Afinal, ela não define o que seja matar fora da Lei. Ou seja, caçar e matar raposas ainda são permitidos por lá, desde que a morte não seja causada por cães. O grupo de caçador pode manter até dois cães, mas estes podem apenas farejar e indicar presença da raposa. Não podem atacá-la.

A falha da Lei está na consideração da diferença entre crime e acidente. Veja:

  • O grupo sai para caçar raposas
  • O grupo tem direito (por Lei) a levar dois cães
  • Cães são treinados – aliás, muito bem adestrados por treinadores especializados em caça à raposa
  • Os cães estão “programados” para matar, mas têm ordem de apenas farejar e localizar
  • De repente, os cães saem em disparada, encontram um indivíduo, atacam e matam

Facilmente, o dono do cão alega que foi acidente, que não conseguiu deter os cães, que foi num momento de distração. Pronto! Está constituída uma desculpa.

Consequentemente, praticantes desse “terrível esporte” se organizaram e criaram abaixo-assinados, encontros, passeatas. A intenção foi ridicularizar a Lei, pois eles próprias viam brechas, taxando-a de oportunismo político.

Simpatizantes em outros países

A Escócia, que compõe o bloco desses países, já tinha proibido a caça anos antes. Não sem antes enfrentar todo tipo de manifestação contrária por parte de simpatizantes desse estranho “esporte”. Porém, houve também manifestação de simpatizantes dos animais e a lei foi mantida.

Já em Portugal, Austrália, Estados Unidos e outros países a caça é legalizada. Ocasionalmente, autoridades desses países enfrentam investidas das sociedades protetoras de animais do mundo inteiro.

Alvo de ignorância social, infelizmente

Dentro do universo animal, diversas ações humanas são criticáveis. Duas delas são profundamente entristecedoras em pleno andamento do século 21:

  • A primeira é justamente a caça à raposa, mencionada acima
  • A segunda é preferência por roupas feitas de pele animal

Importante: Existem fazendas criadoras de raposa cujo objetivo único é oferta de peles para a indústria da moda. Aliás, mais de 85% das peles saem de fazendas desse tipo. O que realmente atinge os sentimentos dos apreciadores de animais é a maneira como a raposa é mantida e abatida.

Ela é confinada em minúsculas gaiolas que, claramente, limitam seus movimentos a um ou dois passos – às vezes, nem mesmo isso. Essa maldita estratégia evita que, solto, o animal estrague a pele em eventual acidente. Outra maldita ideia é alimentá-la com ração provida de substâncias que visam exclusivamente a manutenção do brilho e qualidade da pele, sem qualquer preocupação com a saúde animal.

A maneira que tais criadores criminosos encontraram para abater a raposa e, ao mesmo tempo, manter a beleza e qualidade da pele e pelos é choques anais. Não se importam com o sofrimento infernal pelo qual o animal passa. O objetivo é o lucro.

União do útil ao que consideram agradável

Mas essa ação humana não se dá apenas para mortandade gratuita contra a raposa. Apesar de a ignorância ser a base da maioria das ações, há também determinadas estratégias que acabam sendo benéficas para esses animais.

Acontece que os indivíduos proliferam rapidamente. A taxa de natalidade da espécie é alta, pois o ciclo de reprodução é rápido e o tempo de gestação também. Caso essa taxa não seja controlada, a quantidade de raposas acaba se tornando problema sério tanto para si mesmas quanto para a região em que vive.

Nesses casos, os humanos conscientes e amigos de animais lançam mão da estratégia chamada caça corretiva. Autoridades permitem caça à raposa em determinadas épocas do ano ou quando a população cresce desordenadamente. Assim, tanto satisfazem a sanha de caçadores quanto protegem a raposa.

Se assim não fosse, a população de animal teria problemas para encontrar alimentação suficiente. Então, ou morreria de fome e suas carcaças criariam problemas sanitários ou os indivíduos invadiriam residências em busca de comida. Enfrentariam, assim, cães bravios. E humanos igualmente.

Millôr Fernandes e seu gênio “raposônico”

A raposa já foi personagem de várias lendas.


Millôr foi brasileiro humorista, desenhista, teatrólogo, poeta, escritor, além de ter tido outras atividades, que morreu em 2012. Entretanto, a marca maior de seu trabalho é a sagacidade no humor. Extraía graça das situações mais estranhas, em especial as políticas do país e do mundo.

Sua criatividade foi tanta que construiu o seguinte spooneirismo (escrita com incorreções intencionais) escrevendo tudo errado, mas conseguiu fazer com que qualquer leitor compreendesse. E envolve nossa personagem, a raposa.

A Baposa e O Rode

Por um azino do destar, uma rapiu caosa, certo dia, num pundo profoço, do quir não consegual saiu. Ub mode, passi por alando, algois tum depempo e vosa a rapendo foi mordade pela curiosidido. “Comosa rapadre” — perguntou — “que ê que vocé esti faza aendo?”. “Voção entê são nabe?” respondosa a mapreira rateu. “Vem aí a mais terrêca sível de tôda a histeste do nordória. Salti aquei no foço dêste pundo e guardarar a ei que brotágua sim pra mó. Mas, se vocér quisê, como e mau compedre, per me fazia companhode”. Sem pensezes duas var, o bem saltode tambou no pundo do foço. A rapaente imediatamosa trepostas nas coulhes, apoifre num dos chides do bou-se e salfoço tora do fou, gritando: “Adrade, compeus”.

MORAL: Jamie confais em quá estade em dificuldém

Então é isso. O mundo da raposa é fascinante e seu comportamento ainda leva curiosidade da quantos apreciam animais. Você, como humano consciente da importância dos animais para o meio ambiente, tem certos deveres perante a sociedade. Proteja animais, converse com amigos e conhecidos, participe de páginas em redes sociais de incentivo ao relacionamento humuno-animais.

E, se tiver alguma dúvida ou curiosidade sobre a vida da raposa, deixe na área de comentários abaixo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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