É, sem dúvida, muito fácil se apaixonar profundamente pelos olhos brilhantes e azuis de um Ragdoll, mas o verdadeiro encanto desses gatos lindos é sua personalidade gentil e carinhosa. Seu nome, certamente, já denuncia muito sobre seu temperamento. De fato, quando levado ao colo, relaxa completamente, ficando mole como um boneco de pano (ragdoll em inglês).

O Ragdoll tem a reputação de ser um gato colo por excelência. Muitos adoram ser carregados e embalados como bebês.

Ficha Técnica do Ragdoll

Origem: Estados Unidos
Data de origem: 1960
Temperamento: Calmo e carinhoso
Tamanho: Grande
Peso: 6-8kg
Cores: Possui corpo claro e três varições de cores de máscara, orelhas e cauda.
Pelos: longos e macios
Expectativa de vida: 12-17 anos
Reconhecimento: ACFA, FIFé, CFA, TICA

Introdução à raça – Ragdoll

A raça Ragdoll foi criada na Califórnia em 1963 pela criadora Ann Baker queria desenvolver um gato bonito com uma personalidade amorosa e gentil. Para isso, ela começou a cruzar gatos domésticos de pelos longos.

Ela obteve os primeiros exemplares de uma cruza da gata Josephine, uma gata com aparência de Angorá, com um macho Sagrado da Birmânia. Os gatos obtidos eram dóceis e de tamanho grande.

A Associação de Criadores de Gatos começou a registrar o Ragdolls em 1993, e eles alcançaram o status de campeão em 2000. Hoje, os Ragdolls são a quinta raça mais popular registrada pela CFA.

Origem do Ragdoll

O Ragdoll nasceu em 1960 na Califórnia, Estados Unidos, embora não tenha sido reconhecido até muitos anos depois. O cruzamento foi feito entre uma gata que poderia ser de raça Angorá e um macho Sagrado da Birmânia. Hoje em dia é uma das raças mais apreciadas nos Estados Unidos.

A história da raça começou com uma gata de pelagem branca e semi-longa de grande porte. Não sabe-se ao certo se a gata, chamada Josephine, era de raça não definida ou se era uma Angorá branca. O fato é que Josephine, pertencia à vizinha de Ann, e ficava solta na rua.

A gata era um pouco arisca e tinha frequentes crias oriundas de seus constantes passeios pela cidade.

Josephine, uma vez, foi achada ao lado de uma rodovia, atropelada e gravemente ferida. O acidente fez com que Josephine perdesse um dos olhos, mas foi devidamente socorrida e tratada na universidade local. Quando ficou totalmente recuperada foi devolvida à Mrs. Pennel, a vizinha de Ann Baker.

O atropelamento, no entanto, mudara muito o comportamento de Josephine. Ela, agora, era uma gata carinhosa e caseira e confiava plenamente nos seres humanos ao ponto de, pela primeira vez, ter seus filhotes na casa de Mrs. Pennel.

Os filhotes de Josephine

Os novos filhotes de Josephine também eram dóceis, muito sociáveis e mansos, e ficavam completamente relaxados no colo das pessoas. Além disso, chamavam a atenção, inclusive, pelo tamanho exagerado.

Por todas essas qualidades, Ann Baker interessou-se por esses gatinhos. Ann, então, começou a acompanhar periodicamente as crias de Josephine. Interessou-se por um de seus filhotes mais velhos, um gato totalmente preto com pelagem longa e aparência de persa, o qual ela chamava de Blackie. Ann, então, pegava o Blackie emprestado para usa-lo como padreador de suas fêmeas.

A paixão realmente veio para ficar quando ela teve a oportunidade de conhecer um meio-irmão de Blackie, um macho de pelagem semi-longa, seal point, que tinha luvas nas quatro patas. Possuía o ‘V’ invertido branco no focinho e a ponta da cauda branca. Marcação, enfim, que estaria muito próxima do Padrão seal mitted com blaze dos Ragdolls de hoje, exceto pela ponta branca da cauda (tip) que não é aceita.

Assim, Ann também obteve permissão para usar este macho como padreador e chamou-o de Raggedy Ann Daddy Warbucks.

Ann pegou também para si duas das filhas de Josephine: Raggedy Ann Buckwheat  (fêmea preta que tinha a aparência de um Burmês e era filha de Blackie) e Raggedy Ann Fugianna (uma gata bicolor seal mal marcada, filha de Daddy Warbucks).

Após algum tempo, Josephine morreu. Dessa forma, Buckwheat, Fugianna e Daddy Warbucks tornaram-se os três gatos sobre os quais o pedigree do Ragdoll começou a ser traçado.

Aparência do Ragdoll

O Ragdoll é um gato grande e de aspecto forte. Suas formas são equilibradas e harmoniosas. De fato, a cabeça é larga, de tamanho médio e triangular, com aparência plana entre as orelhas, o focinho é arredondado de tamanho médio, apresenta bochecha e queixo bem desenvolvidos.

Os olhos são ovais, grandes e podem ter distintas tonalidades de azul intenso. As orelhas são médias, arredondadas na extremidade, levemente voltadas para frente e inseridas afastadas.

Sua pelagem é semilonga, sedosa e macia. As cores padrão são o Seal Point, Chocolate Point (chocolate com leite), Blue Point (azul acinzentado) e o Lilac Point (cinza aço rosado). Além disso, existem visivelmente 5 tipos de marcações nos Ragdolls:

  • Colorpoint,
  • Mitted,
  • Bicolor,
  • Mid-high white bicolor;
  • Vans.

No entanto, apenas as primeiras três são consideradas tradicionais. As outras duas variações são mais raras e são poucos os criadores que trabalham com esses tipos, pois estes não são o “ideal” da raça. De fato, fogem do padrão estipulado pela TICA. Todavia, os Vans são aceitos pela CFA.

O gato dessa raça, entretanto, só apresenta sua cor de maneira completa após os dois anos e sua pelagem costuma a escurecer com o passar do tempo, sendo comuns filhotes completamente brancos. A cauda é grande e grossa, afinando na ponta.

As patas do Ragdoll são grandes, de formato redondo e apresenta tufos de pelo entre os dedos. Seu crescimento é lento e costuma atingir o tamanho adulto apenas com quatro anos.

Ragdoll Colorpoint

O Colorpoint possui divisão sólida. Ou seja, orelhas, mascara, pernas, patas e cauda devem ser marcadamente mais escuras que o corpo. Um sombreamento leve no corpo é permitido.

Ragdoll Mitted

Assim como o Colorpoint, tem todas as extremidades mais escuras que o restante do corpo. O queixo, no entanto, deve ser branco e pode ter uma “flama” ou “blaze” no nariz ou entre os olhos, desde que não atinja o couro do nariz, parte interna dos olhos ou bigodes.

Suas patas dianteiras devem ter luvas brancas simétricas, enquanto as posteriores devem  brancas até mais ou menos o meio da coxa. O corpo deve ter uma faixa branca que começa no queixo, passando pelo peito totalmente branco e atravessar inteiramente a barriga.

Bicolor

O rosto deve apresentar um “V” invertido que se envolve totalmente o focinho. Possui máscara, orelhas, cauda escura e nariz rosado. O ‘V’ deve ser o mais simétrico possível. O queixo deve ser branco. No corpo a coloração pode apresentar sombreamento ou pode haver manchas brancas. As 4 patas devem ser de preferência totalmente brancas, mas pequenas manchas são permitidas.

Ambiente ideal para o Ragdoll

Por ser um gato mais tranquilo, não necessita de muito espaço e se adapta facilmente a qualquer ambiente.

Temperamento e Personalidade do Ragdoll

Esses gatos são, sem dúvida, naturalmente muito dóceis, atenciosos e amáveis. São, todavia, também bastante carentes de atenção e não são recomendados para pessoas que passam muito tempo fora de casa. De fato, gatos da raça Ragdoll adoram a companhia da família humana, sendo, até mesmo, considerado um gato’canino’.

É um animal muito sociável que se da muito bem com crianças, outros animais e até com visitas. De fato, são animais que qualquer um consegue pegar no colo, e levar com facilidade.

Cuidados e Manutenção

Seu pelame não é muito difícil de ser cuidado, uma vez que não embaraça com facilidade. Mesmo assim, é recomendável escová-lo diariamente. Esse hábito é particularmente importante pois o Ragdoll pode sofrer problemas digestivos derivados da acumulação de bolas de pelo em seu estômago e trato intestinal. De fato, devido aos seus hábitos de limpeza diários, os felinos costumam ingerir pelos ao se lamber para higienizar o próprio corpo.

Além dos cuidados com seus lindos pelos, é necessário cuidar também de sua higiene bucal.

Saúde

Todos os gatos podem viver uma vida saudável, assim como podem desenvolver problemas de saúde ao longo da vida. No entanto, gatos de raças específicas possuem predisposições a determinados distúrbios e patologias. Isso, porém, não significa que todos os indivíduos da raça terão as doenças que serão descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las no decorrer da vida.

Para quem compra ou adota um gato de uma raça específica, é primordial conhecer os riscos para saber como cuidar melhor do próprio gato. Além disso, é muito importante, também, comprar gatos de criadores éticos e responsáveis.

Questione o criador, peça para ver os pais do gatinho escolhido, pergunte sobre eventuais distúrbios da linhagem.

Doenças mais comuns do Ragdoll

Doença Periodontal

A doença periodontal é o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Cardiomiopatia Dilatada Felina

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença degenerativa do miocárdio caracterizada por dilatação ventricular e diminuição da contratilidade cardíaca. Nos anos 80, foi associada à deficiência de taurina na dieta dos gatos.  A partir daí, a suplementação desse aminoácido nas dietas comerciais de felinos diminuiu muito a incidência dessa doença.

Os sinais clínicos são variados, sendo que a dispneia é o sinal mais comum. O diagnóstico definitivo é definido através do exame eco doppler.

Ocorre mais frequentemente em gatos machos, de 6 a 9 anos, de raças como Ragdoll, Persas e Maine Coons.

Cardiomiopatia hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica felina é, sem dúvida, a patologia cardíaca mais frequente em felinos domésticos e também está entre as principais doenças do gato Ragdoll.

Trata-se de uma doença do músculo cardíaco na qual uma porção do miocárdio (músculo do coração) está hipertrofiado, ou seja, mais grosso, criando uma deficiência funcional do músculo cardíaco.

Embora possa afetar todos os gatos, é mais comum em felinos machos de idade avançada. Seus sintomas dependem do estado de saúde de cada gato e do progresso da doença, havendo também alguns casos assintomáticos. No entanto, os sintomas mais característicos da cardiomiopatia hipertrófica em gatos são os seguintes:

  • Apatia
  • Respiração dispneica
  • Vômitos
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Depressão e letargia
  • Flacidez nos membros posteriores
  • Morte súbita

Obesidade

Os gatos Ragdoll não são muito fãs de uma rotina de atividade física intensa. No entanto, o estilo de vida sedentário é muito prejudicial para a saúde desses gatos, pois eles podem ganhar peso facilmente.

É primordial, portanto, que seus tutores ofereçam uma dieta balanceada, em dosagens corretas e que, além disso, incentivem o gato a praticar exercícios, jogos e atividades estimulantes regularmente.

O enriquecimento ambiental é, sem dúvida, fundamental para proporcionar um ambiente que desperta a curiosidade do seu gato e o “convida” a brincar, se exercitar e gastar energia. Além disso, uma casa enriquecida é ideal para estimular as habilidades cognitivas, emocionais e sociais do seu gatinho, evitando assim os sintomas de estresse e tédio.

Trato Urinário

Os problemas no trato urinário destacam-se como as doenças mais comuns do gato ragdoll, que podem afetar os ureteres, a uretra, a bexiga e até mesmo espalhar para os rins. Entre os distúrbios urinários mais frequentes em gatos, encontramos as seguintes patologias:

  • Infecção urinária
  • Cistite em gatos
  • Síndrome urológica felina (SUF)
  • Rim policistico

Cada uma dessas doenças tem seus próprios sintomas, que também dependem do estado de saúde do gato e do progresso do quadro clínico. No entanto, existem alguns sinais que podem indicar uma condição no trato urinário dos gatos, tais como:

  • Vontade constante de urinar, mas com dificuldade de expulsar a urina
  • Lamber intensamente ou constantemente a área genital
  • Dor ao urinar
  • Fazer força para urinar
  • Presença de sangue na urina
  • Incontinência urinária (o gato pode começar a urinar do lado de fora da caixa de areia e até mesmo em lugares totalmente incomuns, como em sua área de descanso ou banheiro)

Considerações finais

Quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o Ragdoll um gato lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Outra observação importante para quem possui um Ragdoll é: cuidado com a endogamia, ou seja, não permita o acasalamento entre indivíduos geneticamente relacionados (irmãos, pais e filhos ou entre netos e avós).

Nos gatos da raça Ragdoll, a endogamia é um problema sério, já que cerca de 45% de seus genes vêm de um único gato, o Raggedy Ann Daddy Warbucks. Indivíduos nascidos de cruzamentos endogâmicos têm, de fato, baixa variedade genética, o que os torna mais propensos a sofrer uma série de doenças hereditárias e degenerativas, reduzindo também sua expectativa de vida.

Além disso, esses indivíduos podem ter uma taxa de sucesso reduzida quando se reproduzem. Os cruzamentos endogâmicos geram, enfim, ninhadas menores e a prole geralmente tem um sistema imunológico mais fraco, o que aumenta a taxa de mortalidade e reduz suas chances de sobrevivência para dar continuidade à sua espécie.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.