Veja como o Porquinho-da-Índia (ou Porco-da-Índia) são interessantes. Ele não é nem porco nem é da Índia. Se a gente pesquisar mais, vai notar que tudo que pensávamos ser de uma maneira, é na verdade, de outra. Por exemplo: eles são peludos, mas há uma raça completamente pelada.

Ele é adorável, companheiro, espevitado e gosta de crianças. É pequenino e inteligente. Não à toa, é chamado de o astro dos pets, pois é um dos animaizinhos mais procurados quando se trata de mascote e estimação. Concorre diretamente com hamster, gatos e cães.

Para se ter ideia, os irmãos Grimm fizeram uma fábula para ele. Nela, um camponês aceita desafio de uma princesa arrogante. Para sair vitorioso e enganar a princesa, transforma-se em Porquinho-da-Índia e se esconde debaixo das tranças da mulher. Acaba se casando com a princesa soberba e se tornando rei.

Como complemento, veja que, durante a Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014, Shiva previu resultados de jogos da seleção da Suíça usando as próprias fezes. Então, a coisa seria mais uma banalidade se Shiva não fosse um Porquinho-da-Índia suíço. Não se tem muitas notícias sobre o nível de acertos, mas isso não importa, não é mesmo?

Saiba disso antes de adquirir um Porquinho-da-Índia

A posse e criação de Porquinhos-da-Índia não são fiscalizadas pelo Ibama

A posse e criação de Porquinhos-da-Índia não são fiscalizadas pelo Ibama

A posse e criação de Porquinhos-da-Índia não são fiscalizadas pelo Ibama. Ou seja, você não precisa de documentação, aprovação ou algo que o valha. Entretanto, convém conhecer os hábitos do bichinho a fim de oferecer bem-estar e tranquilidade a ele. Assim, garante saúde e vida longa a seu amiguinho.

É preciso saber que também que dá um pouco de trabalho, mas isso é comum em animais de estimação. Aliás, se não desse pelo menos um trabalhozinho de vez em quando, não teria graça, não é? Por outro lado, as poucas preocupações vão ter compensação, pois Porquinho-da-Índia é companhia sempre interessante.

Seus dentes crescem continuamente, por isso precisa mastigar com frequência a fim de manter as presas no tamanho ideal.

Há um ruminante genuinamente brasileiro que causa muita confusão com o Porquinho-da-Índia. É o preá. Eles são da mesma família, à qual também pertence a capivara. Entretanto, não são o mesmo animal. Certa linha de especialistas até considera que o tipo selvagem de Porquinho-da-Índia (veja no capítulo de raças) como sendo o preá, mas esse fato não é comprovado por estudos.

Importante: Lembre-se de que é um ser vivo. Portanto, é possível que adoeça ao longo da vida curta. Então, vai precisar de cuidados veterinários. Assim, não confie em informações não oficiais. À menor percepção de que algo não esteja normal, procure orientação de profissional.

Nem porco nem indiano. Por que Porquinho-da-Índia?

O porquinho da índia não é porco nem veio da Índia.

O porquinho da índia não é porco nem veio da Índia.

Você vai ver abaixo que ele é nativo da América do Sul. Os primeiros navegantes europeus que chegaram por aqui estavam a caminho da Índia. Assim, aportaram nas margens do Peru e Chile – segundo dados históricos, equivocadamente.

Depois, em andanças, eles se depararam com a fauna e flora locais, incluindo o Cui, um bichinho adorável com aparência de pequeno porco. Dessa maneira, levaram alguns espécimes para a Europa e, lá, passaram a identificá-los como Porquinhos-da-Índia.

Na verdade, muitos marujos acharam mesmo que tinham chegado às Índias quando aportaram no Peru. Há registros de que o próprio Colombo também se confundiu.

Como é o espaço do Porquinho-da-Índia

O porquinho-da-índia é um animalzinho muito ágil.

O porquinho-da-índia é um animalzinho muito ágil.

Como a gente comentou, ele é bastante ágil, interativo mesmo. Então, vai precisar de espaço razoável para fazer exercícios constantes. E brincar, pois gostam de atividades lúdicas.

Há criadores que mantêm o Porquinho-da-Índia solto pela casa. Nesses casos, normalmente o animalzinho já está domesticado. Sua inteligência permite que aprendam uma série de ações, inclusive não se distanciar do cômodo em que habitualmente fica.

Porém, não se incomoda de passar muito tempo em gaiolas. Mas há um entrave: via de regra, gaiolas fabricadas são inapropriadas. Para agradar clientes, fabricantes colocam tantos objetos lá dentro que acabam ocupando espaço dos bichinhos. Esquecem que não são os clientes que vão viver lá dentro.

Assim, é mais interessante que você construa a gaiola de seu animalzinho. Não é difícil. Aproveite e inclua uma casinha para ele se esconder. Gostam disso, conforme você vai saber mais abaixo.

Se a gaiola permanecer fora da casa ou próxima a janelas, certifique-se de que a incidência da luz é adequada. Em outros casos, certifique-se de que esteja em local arejado. O Porquinho-da-Índia é mais adaptado a temperaturas baixas que a altas.

Reprodução e ciclo de vida

O porquinho-da-Índia se reproduz muito fácil e rápido.

O porquinho-da-Índia se reproduz muito fácil e rápido.

Ele se reproduz facilmente. E não há período específico do ano. Assim, se sua intenção não for dispor de grande ninhada, mantenha apenas dois indivíduos do mesmo sexo. E a gente sugere dois em vez de apenas um porque eles gostam da companhia um do outro. Veja mais sobre isso no capítulo abaixo sobre comportamento.

Ao nascer, “ele é bem feinho”, dizem os criadores. Pesam mais ou menos 60g, têm por volta de 8cm e não apresentam pelos. Com o tempo, os pelos começam a aparecer.

Chegam à maturidade reprodutiva com 6 meses de vida. A fêmea tem gestação de entre 60 e 70 dias; dá à luz ninhada com 3 a 6 filhotes, que mamam por 3 semanas.

Quando adultos, a média de peso é de 1kg e o comprimento de 25cm. Como a gente disse, o Porquinho-da-Índia não tem vida tão longa como cães e gatos. Vivem entre 05 e 07 anos. Então, esse é mais ou menos o tempo que você vai ter para passar com seu amiguinho. Cuide bem dele.

Comportamento dos amiguinhos

O porquinho-da-Índia tem hábitos diurnos.

O porquinho-da-Índia tem hábitos diurnos.

Têm hábitos diurnos, mas os do tipo silvestre são mais noturnos. Eles são graciosos. Não se espante se bocejarem e se espreguiçarem em seu colo quando estiverem com sono e forem acariciados. Essa postura é adorável.

São também brincalhões. Gostam de correr, brincar de esconde-esconde, empurrar a mão do dono. E são observadores também quando você estiver entretido em alguma tarefa. Permanecem por vários minutos perscrutando tudo o que você faz.

Eles são descritos como tranquilos. E realmente são. Mas nem sempre. Afinal, são seres vivos e, portanto, têm lá seus dias maus.

Preferem omitir doenças

Sim, eles fazem isso. Criadores e especialistas descobriram que Porquinho-da-Índia tem capacidade de esconder anomalias orgânicas. Quando soltos na natureza, isso é estratégia para não chamar atenção de predadores. Os domesticados acabaram levando esse hábito para sua casa.

Assim, é de extrema importância que você monitore frequentemente a fim de perceber qualquer indício de doenças. Em especial, gripe (veja mais sobre isso no item “Alimentação” abaixo).

Sociabilidade

Certamente você já sabe que Porquinho-da-Índia é bastante sociável. Gosta de companhia de humanos e de seus semelhantes. Na natureza, procura estar em grupo de 10 a 12 indivíduos. Especialistas dizem que essa necessidade de agrupamento é estratégia natural de proteção.

Porém, quando em espaços domésticos, vez ou outra apresenta alguma postura mais agressiva entre si. Nesse caso, criadores mais experientes sugerem que se deve adquirir dois filhotes e mantê-los em contato desde pequenos. Desta maneira, vão se acostumando.

Bem, isso não garante que não haja uma ou outra briga, mas certamente vai diminuir consideravelmente a incidência. E isso é questão de personalidade mesmo. Por outro lado, esse comportamento não é comum. Pelo contrário, é bem raro. Entretanto, mesmo quando adultos, podem ser colocados juntos aos poucos. Então, acabam se entrosando um com outro paulatinamente.

Adestrabilidade

Sendo sociável, aceita adestramento com facilidade. Alguns poucos indivíduos podem ser meio arredios de início, mas mesmo com esses isso é passageiro. Em poucos dias, o amiguinho vai estar surpreendendo toda a família.

Porém, em qualquer caso, seja sempre cuidadoso e carinhoso. Evite movimentos bruscos e broncas incompreensíveis. O Porquinho-da-Índia é muito inteligente, como foi dito. Por isso, tem sua maneira própria de assimilar ensinamentos.

Importante: quando em fase de adestramento, evite contato com crianças. Eventos de mordidas e arranhões são muito raros, muito raros mesmo, mas se trata de agente com vontade própria, como todo ser vivo.

Barulhinho meio incômodo

Podem não atrapalhar o sono do vizinho em madrugadas de uivos fortes, como no caso dos cães. Podem também não ser inconvenientes, como no caso de gatos em cio. Porém, fazem barulho.

Donos experientes de Porquinho-da-Índia dizem que os tipos de sons têm significados. Alguns parecem um assobio baixo e normalmente servem para chamar a atenção do dono. Ou da fêmea, quando soltos na natureza.

Sons mais arroucados podem significar que estão com fome. Ou querendo carinho. Sim, isso é pedido de carinho.

Alimentação do Porquinho-da-Índia

Ele é herbívoro ferrenho. Aliás, saiba que adoram passar o dia comendo. Você vai precisar manter alimento o tempo todo à disposição. Frutas frescas, restos de vegetais – mesmo silvestres-, em especial, feno.

E, claro, água fresca.

O Porquinho-da-Índia tem processo digestivo bastante frágil e abalável. Assim, quando oferecer algum alimento não habitual, faça-o aos poucos e observe os efeitos. Dispense o alimento ao menor sinal de rejeição.

Importantíssimo: ele é um dos pouquíssimos mamíferos que não produzem o próprio suprimento de vitamina C. Aliás, nós, humanos, somos um dos outros poucos. Neste caso, você vai precisar oferecer a vitamina em suplementos. Ela pode ser acrescida à água do animal em forma de comprimidos.

Lembramos que, claro, a quantidade deve ser sugerida por profissional veterinário.

De onde é o Porquinho-da-Índia

O porquinho-da-Índia é nativo da América do Sul.

O porquinho-da-Índia é nativo da América do Sul.

Ele é nativo da América do Sul como um todo, mas está mais presente no Brasil, Peru e Chile. Povos andinos antigos deixaram indícios de que o Porquinho-da-Índia já consta de 2500 anos atrás.

Pesquisadores encontraram gravuras desses animaizinhos – rústicas, mas claras. Descobriu-se posteriormente que foram domesticados pelos incas peruanos para ser usados em rituais religiosos.

Raças e outras informações oficiais

O Porquinho-da-Índia é mamífero ruminante. O nome científico é Cavia porcellus. Os indivíduos podem ser separados em dois grandes grupos: silvestres e domésticos. Essa separação é apenas casual, para compreensão mais assídua, não científica.

Porquinho-da-Índia Silvestre

Não tem divisão por raças. A espécie é chamada Cavia aperea tschudii e apresenta-se na cor cinza iminentemente. Seus hábitos são mais noturnos e seu focinho é mais acentuado. A diferença também está no corpo: mais alongado.

Porquinho-da-Índia Doméstico

Entretanto, os domesticados se dividem em diversas raças por conta da mistura de clima, DNA e outros fatores. São 11 raças de pelos curtos, 9 de pelos longos e 2 sem pelo. Veja abaixo algumas raças mais conhecidas e procuradas por criadores.

Pelos curtos

  • Abissínio: Pelo curto, além de duros. Duros, mas não sempre. Quando são recém-nascidos, os pelos são extremamente suaves, macios. Tornam-se ásperos durante o crescimento. Tem aparência de peruca despenteada por conta de vários nichos de pelos em desalinho.
  • Coroado Inglês e Coroado Americano: Pelo curto. Como diz o nome, tem algo como coroa no alto da cabeça. Trata-se de tufos de pelos de cor diferente do restante do corpo, no caso do tipo americano. Já o tipo inglês apresenta tufos na mesma cor.
  • Inglês: Pelo curto. A raça inglês é a mais buscada e conhecida, portanto, a mais vendida. Há indivíduos com cores e tipos de pelo variados. São macios.
  • Ridgeback: Pelo curto. Grande parte dos criadores e apreciadores gosta muito dessa raça por conta da fileira de pelos que se destaca no dorso.
  • Somali: Apesar do nome, tem origem na Austrália. Criadores do país cruzaram as raças Rex e Abissínio e fizeram resultar nesse bichinho adorável. Não se sabe exatamente o motivo, mas boa parte das associações de criadores não oficializou a existência dessa raça.

Pelos longos

  • Peruano: Havendo uma raça de Porquinho-da-Índia com pelo longo, essa raça é a Peruano. Pode chegar a 50cm de comprimento. São apresentados muito comumente em concursos de beleza. Aliás, foi a primeira raça de pelo longo descoberta. Se não aparados, chegam a cobrir todo o corpo e fica muito difícil identificar onde é a cabeça e onde é a anca. Essa raça também se apresenta com pelo curto, porém, não é reconhecida pelas associações de criadores e apreciadores.
  • Alpaca: E seu charme é presença de pelos encaracolados. Talvez isso se deva porque é resultado de cruzamento entre diversas raças. É muito parecido com a raça Peruano.
  • Angorá: Essa é também uma das raças não reconhecidas. Talvez porque a maioria dos pelos é curta, mas há pelos longos no dorso. Muitos criadores consideram a raça como produto de cruzamento entre a Peruano e a Abissínio.
  • Coronet: Os pelos são muito bonitos e longos. É resultado da mescla entre Coroados e Shelties.
  • Merino: A coroa de pelos longos na cabeça é o atrativo dessa raça, que é cruzamento entre Texel e Coronet. Os pelos do corpo são bastante longos e possuem linda ondulação.
  • Sheltie: É raça de pelo longo parecida com a raça Peruano. De diferente, não possui pelos longos no focinho.

Sem pelo

  • Baldwin e Skinny: São duas raças especiais. E se percebe que são especiais já no visual: não possuem pelos. Bem, pelo menos a Baldwin não tem nenhum. Já a Skinny pode ter algum pelo no focinho, patas e cabeça.

Importante: por não produzir vitamina C, conforme você viu acima, e não apresentar pelo, essas duas raças são muito suscetíveis a gripe. Portanto, você precisa considerar que vai ter muito mais trabalho com a saúde delas caso pretenda possuir uma delas.

Assim, você teve aqui muitas informações sobre o meigo Porquinho-da-Índia. Certamente há muito mais a serem descobertas porque Biologia é ciência em franca e constante evolução.

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