Você tem ideia do tamanho de um polvo? Sabia que um polvo pode chegar a mais de 100m de comprimento da ponta de um tentáculo à ponta do tentáculo oposto? E que um outro pode ser ainda maior, do tamanho de uma ilha?

Sabia também que ele ataca somente os navegantes que jogam sujeiras ao mar? Sim, acredite. Isso é possível. Bem, pelo menos no imaginário do Japão e nas lendas dos países nórdicos.

Ao fim deste artigo, você vai conhecer um pouco sobre o Akkorokamui e o Kraken, dois polvos monstruosamente grandes que aterrorizaram muita gente. Ou melhor, aterrorizaram os pesadelos de muita gente. Entretanto, o foco deste artigo é o polvo real e suas características.

Dados gerais sobre o polvo

O polvo é um animal marinho, molusco, que possúi vários tentáculos com ventosas.

O polvo é um animal marinho, molusco, que possúi vários tentáculos com ventosas.

É animal que vive no mar, como você já sabe. Os olhos saltados da cabeça, corpo arredondado e, claro, os tentáculos tornam o animal muito conhecido, especialmente entre leitores e curiosos infantis. Essa fama levou o polvo às telas de cinema, à literatura infantil e à fantástica, ao imaginário popular, como já foi visto acima.

De maneira geral, o polvo está presente em todas as águas oceânicas do planeta. Entretanto, as águas tropicais quentes têm preferência no instinto desse animal. Ainda falando de imaginário popular, pensa-se em polvo como “monstros da profundezas dos mares”, porém, não é raro que seja encontrado em águas mais rasas.

Assim, existem espécies – que, aliás, são centenas delas – preferem viver perto dos leitos dos mares, ou seja, o chão destes. Porém, há algumas delas que são chamadas “pelágicas”, pois vivem mais próximas às superfícies. Por outro lado, as que gostam do fundo do mar precisam subir pelas manhãs e tardes a fim de conseguir alimentos.

Interessante: o polvo se locomove por movimentos que os biólogos chamam de “natação invertida pelo sifão”. Ele usa uma espécie de tubo muscular interno (sifão) para soprar a água para fora. Dessa maneira, o ambiente líquido não oferece muita resistência a seu corpo redondo e o polvo chega ao destino facilmente.

Entretanto, quando estão em momento de caça, pode se arrastar pelo chão dos mares. Assim, vai enfiando os tentáculos em orifícios para provocar as presas.

Um solitário inteligente

O polvo não vive em grupo. É solitário por natureza. Assim, aproveita fendas nas rochas submersas para ocupar como toca. Não é raro que ele empilhe pedras na entrada da toca para se sentir mais seguro, o que demonstra bom nível de inteligência.

Aliás, estudos interessantes demonstraram que a inteligência desse molusco é surpreendente em algumas situações. Muitos indivíduos já foram flagrados usando “ferramentas” em algumas situações. Apanham galhos ao leu para cutucar fendas rochosas e buracos no leito dos mares para obrigar as presas a saírem.

Além disso, lança mão (ou melhor, tentáculos) do fato de não possuir ossos para se espremer entre pedras. Dessa maneira, consegue se ocultar facilmente de predadores. É muito conhecida entre biólogos e curiosos a história de um polvo da Nova Zelândia.

Ele escapou por um tubo de água muito estreito e bastante longo e foi dar no mar. O funcionários, ainda que experientes, achavam impossível que ele passasse pelo tubo.

Os ascendentes

Os indivíduos atuais apresentam corpo extremamente macios, como você vai ver mais abaixo. Porém, os ancestrais do polvo eram providos de estrutura esquelética bastante resistente. A revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences publicou em 2017 um estudo sobre isso.

Segundo as pesquisas, as espécies de polvo foram adquirindo maleabilidade corporal nos períodos Jurássico e Cretáceo por conta de necessidades e sobrevivência. Precisam de agilidade para escapar de predadores importantes daquelas eras e o esqueleto certamente atrapalhava bastante. Assim, a estratégia da natureza foi retirar a condensação óssea do DNA dos descendentes.

O fóssil de polvo mais antigo já descoberto tem quase 300 milhões de anos. Isso significa que eles são muito mais antigos que os próprios dinossauros.

Os descendentes

O polvo macho morre poucos meses depois do acasalamento, que é sexuado. Aliás, o ritual de aproximação chega a várias horas, havendo alguns que podem durar um dia inteiro. O macho sabe que a fêmea está disponível a partir de descarga de feronômio que ela libera. Essa substância tem outra função: proteger a fêmea de ataque do macho, pois o canibalismo é comum em muitas espécies.

Ele fecunda a fêmea introduzindo um de seus tentáculos que é constituído especialmente para isso. Uma vez fecundada, ela vai expor entre 200 mil e 400 mil ovos a depender da espécie. Ela é chocadora persistente, deixando até mesmo de se alimentar para focar na ação de chocar os ovos. Permanece o tempo todo evitando ataques de algas sobre os óvulos e criando corrente de água para oxigená-los.

Também a fêmea sucumbe depois de pôr os óvulos. Há uma espécie de destruição celular que rasga os tecidos da pele e dos órgãos. Com isso, sua vida se vai. Não são raros os casos em que a fêmea come os próprios tentáculos para recuperar a energia perdida no período em que não se alimentou.

Os ovos se formam em larvas e passam a viver próximos a plâncton (seres que vivem agarrados a rochas e plantas no fundo do mar). As larvas do polvo se alimentam de larvas de outros animais até que tenham corpo suficiente para buscar outros locais. Ocorre que, por permanecerem próximos a plânctons, as larvinhas do polvo estão sujeitas a ser ingeridas por animais que se alimentam desses seres.

O tempo de vida do polvo é relativamente baixo. Há espécies cuja vida se extingue aos seis meses; outras conseguem chegar a 5 anos. Observações de estudiosos notaram que o tempo de vida é positivamente proporcional ao tamanho do polvo.

O polvo na ciências

O polvo é um molusco de corpo extremamente maleável.

O polvo é um molusco de corpo extremamente maleável e pegajoso.

Polvo é animal marinho da família dos moluscos. Por sua vez, “moluscos” são seres com estrutura corporal extremamente maleável, mole, sem os segmentos físicos dos vertebrados. Isto é, o corpo todo se limita à cabeça e pés. A esmagadora maioria dos moluscos é aquática; entretanto, animais como os caracóis são moluscos terrestres.

O polvo está classificado como Cefalópodes (Cephalopoda), em que os pés nascem diretamente na cabeça. Já a ordem biológica é a Octopoda, ou seja, possui 4 pares de pernas/pés. Ele não possui esqueleto interno nem externo (alguns moluscos possuem).

Estrutura orgânica

O polvo é tricardíaco, isto é, dispõe de 3 corações. Um deles leva o sangue para todos os órgãos. Porém, os outros dois se incumbem de manter as guelras bem oxigenadas para que o organismo como um todo seja beneficiado.

Entretanto, o coração responsável por bombear sangue para os órgãos interrompe ação durante os momentos de natação. Assim, o animal de cansa facilmente. Segundo observadores, é por isso que ele se sente melhor rastejando pelo leito do que nadando.

O sangue tem cor levemente azulada porque é constituído de uma proteína feita por meio de cobre, a hemocianina.

Tamanho e peso

Por existirem muitas espécies, os tamanhos e pesos são variados. Entretanto, é possível dizer que a média do tamanho do polvo comum fica entre 30 e 90 centímetros de comprimento de um tentáculo a outro. Quanto ao peso, é mais ou menos 10kg.

A espécie Wolfi é a menor conhecida até o momento, não passa de 3cm de comprimento e o peso é por volta de 1gr (sim… um grama). Já as maiores espécies têm indivíduos com mais de 3m de envergadura e mais de 40kg de peso.

Tentáculos que pensam

Estudos diversos e importantes confirmaram impressões que observações populares já davam como certas. Os tentáculos do polvo são providos de “vontade própria”. Ele é capaz de fazer um deles alcançar uma presa enquanto outros fazem operações diversas quaisquer, como se proteger de pequenos rivais.

Os estudos identificaram que mais de ⅔ dos neurônios do polvo não estão no cérebro, mas nos tentáculos. Por isso, ele pode se concentrar em diversas ações ao mesmo tempo usando seus braços em cada uma, com iniciativa individual.

Outro item interessante é a capacidade tátil do polvo. Aliás, isso é objeto de estudo constante por parte de biólogos em geral. O polvo é capaz de identificar objetos apenas a partir de leve toque. Assim, consegue mensurar tamanho, sentir a consistência e até mesmo perceber se é agradável ou não a seu paladar.

Suas mordida é forte, pois detém mandíbulas bastante poderosas. Além disso, foram detectadas toxinas perigosas na saliva do bicho.

Sistema de defesa do polvo

Quando em situação de risco, o polvo libera uma substância colorida escura. Assim, o oponente perde visão ambiental e ele escapa, via de regra, com sucesso sempre. Além disso, experiências mostram que essa substância também confunde o olfato e o paladar do oponente.

O polvo pode alterar a própria cor (azul, verde, rosa, marrom e cinza) a fim de se misturar à paisagem. Juntamente com a mudança de cor, algumas espécies conseguem “moldar” o corpo para se parecer com animais estranhos, como enguias.

Por outro lado, a capacidade de trocar a própria cor pode também se meio de comunicação, segundo estudos desenvolvidos por biólogos. Além disso, seus tentáculos são providos de força enorme e suas ventosas são imantadores poderosos. Essa força unida à força da mordida se formam excelente meio de defesa e ataque.

Outra maneira interessante de se proteger é deixar-se cortar. Para o polvo, isso não é problema. Se perder um dos tentáculos, ele regenera o órgão a partir de sistema de multiplicação de células.

Sistema alimentar

O polvo é predador por natureza. Suas presas são peixes diversos, crustáceos e pequenos invertebrados, mas a preferência alimentar é das mais requintadas: camarão e lagosta. Isso significa que sua base alimentar é carnívora. Ele caça a partir de seus tentáculos usando, além da força, as ventosas que se distribuem ao longo destes. Assim, há espécies que atacam até mesmo pequenos tubarões.

A estratégia não poderia ser diferente da que usa para abater suas presas. O polvo simplesmente abre o leque de tentáculos e avança sobre elas. Como esses membros são fortíssimos, ele puxa o alimento diretamente para dentro da boca.

A seleção natural deu visão binocular ao polvo com o passar das muitas gerações do animal. Isto é, seus olhos trabalham em conjunto a fim de focar o objeto alvo. Eles possuem estrutura celular muito semelhante à visão humana, inclusive percepção de nuances de cores. Com certeza, essas características são importantíssimas para avaliar seus alimentos.

Algumas espécies de polvo

Alguns estudos alegam que há por volta de 100 espécies de polvo; já outros também sérios dizem que é possível encontrar quase 300. No meio disso tudo, eis algumas delas.

Polvo da Califórnia

O nome já indica a localidade de maior concentração. Porém, há muitos indivíduos também no México, África e Japão. As manchas azuis em torno dos olhos são características, bem como o corpo de cor cinza geralmente. Assim, elas ajudam a identificar a espécie facilmente.

Tem mais ou menos 40cm de comprimento, a maioria dos quais é de tentáculos. Biólogos em geral dizem que se trata de espécie dócil tanto para com humanos quanto para com outros animais que eventualmente entrem em seu espaço. Porém, é arredio quanto disputa comida.

Polvo gigante do Pacífico

Os indivíduos dessa espécie encontrados no Oceano Pacífico e na região entre o sul da Califórnia até o Alasca tinham mais de 3m de envergadura. Portanto, é a maior espécie conhecida. E também parece viver mais que outras espécies.

Sua inteligência é também ampla, sendo conhecida por todos que convivem com esse animal. É capaz de abrir potes e sair de labirintos razoavelmente complicados.

Polvo de anéis azuis

Essa espécie também apresenta manchas azuis no corpo que mais se parecem com anéis. Esses anéis não mudam exatamente de cor, mas alteram a tonalidade dependendo da situação que enfrenta.

Tem por volta de 20cm de comprimento e nada bem rápido em momento de predação. Apesar disso, é ferrenho defensor de seu espaço e extremamente agressivo ao proteger sua comida. Sua picada é altamente tóxica e pode matar um ser humano.

Polvo comum

Trata-se de uma das maiores espécies de polvo. A cabeça e olhos enormes são bastante desproporcionais em relação ao restante de sua estrutura. Está presente em todas as águas do planeta, mas se concentra mais na região das Ilhas Canárias, Cabo Verde e Mar Mediterrâneo.

Sua inteligência é incomum até mesmo para um polvo. Além de distinguir objetos dos mais diferentes formatos, tem capacidade para se livrar de armadilhas, quando não as evita. Também possui excelente memória.

O Polvo Vermelho do Sol Nascente

O Japão lendário tem um dos mais terríveis monstros jamais conhecidos. Mais ainda que Godzilla. Mais ainda que os monstros produzidos pelos Incas Venusianos, Seres Abissais e Seres Subterrâneos (somente quem conheceu Nacional Kid sabe quem são esses).

A gente está falando do Akkorokamui, o Polvo Vermelho. Ele tinha mais de 100 metros de comprimento e morava na Baía de Funka. Ué… mas por que a gente está falando com os verbos no passado? Para muitos japoneses, o Polvo Vermelho ainda existe. Então, vamos lá.

O bicho tem hábito de se aproximar sorrateiramente dos barcos para afundá-los todos, mas sua cor avermelhada sempre o denuncia. Apesar disso, não há tempo para escapar, mesmo porque ele exala um odor tão fétido que paralisa os tripulantes.

Não há relatos sobre qualquer meio de vencer o danado. Ninguém nunca sobreviveu a um encontro com ele para dar uma dica. Afinal, ele quer é sangue, muito sangue.

O Polvo-ilha dos Nórdicos

Os vikings e outros povos nórdicos tinham também sua versão de polvo monstruoso e gigante. É o Kraken. Era ainda maior (imagine uma ilha com 100 tentáculos). Gostava de horrorizar a viagem de navegantes entre o Mar do Norte e o Atlântico Norte.

Entretanto, o polvo gigante tinha um objetivo até mesmo nobre: atacava somente barcos de piratas e outros que sujavam as águas de seus mares. Por outro lado, houve quem assegurasse que, na verdade, o Kraken queria mesmo era evitar que os navegantes despencassem no Abismo Celestial. Afinal, naqueles tempos, a Terra era plana e o mundo acabava no fim do mar, cujas águas caíam rumo a lugar algum.

Já os gregos – sim, a lenda chegou à Grécia – viam o Kraken com polvo que possuía cem braços humanos e se protegia dentro de uma armadura esquelética impossível de ser penetrada. E Poseidon, o Deus dos Mares, era seu comandante, seu dono.

Então, é isso sobre polvo! Participe de campanhas de proteção aos animais, divulgando nossos textos. E, tendo qualquer dúvida sobre polvos, deixe na área de comentários abaixo.