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Peixe-boi: Habitat e curiosidades

peixe boi

Ele é grande, enorme e aparentemente gordo e desajeitado. Além disso, tem uma carinha que causa uma dó sem fim. Por isso mesmo, é um dos animais marinhos mais procurados por admiradores em parques aquáticos. E também nos mares. O Peixe-boi é um gordinho amável, desses que a gente quer apertar a bochecha até que fique vermelha.

No caso dele, haja bochecha! Em verdade, guardadas as proporções, é o que ele mais tem. O focinho protuberante apresenta quantidade de carne suficiente para que toda sua cabeça se pareça com bochecha.

É mamífero apesar de não saírem da água. Bem, a baleia também é mamífero.

Interessante: o Peixe-boi, quando nada próximo à superfície, apresenta silhueta diferente. Por conta disso, pode se confundido com nada mais nada menos que uma mulher. Dependendo do jogo de curvatura que a água produz nas imagens, isso acontece muito facilmente. Entretanto, a nadadeira traseira, claro, não se parece nada nada com as pernas femininas.

Talvez por isso, Cristóvão Colombo, explorador italiano de Gênova, tenha se surpreendido quando avistou figuras robustas, com belas curvas, nadando graciosamente nas águas das novas terras, mas sem pernas. Acontece que ele e seus homens estavam se deparando mesmo com vários Peixes-boi. Há, inclusive, registro desse episódio no diário de bordo do genovês.

Vamos conhecer o comportamento do Peixe-boi

No norte do Brasil, é também conhecido como manati, baiacu-de-chifre, goarabá, entre outros e até mesmo vaca-marinha.

Ele é lento, muito lento. Imagina-se que isso se dê para movimentar uma corpo tão pleno, tão cheinho. Prefere nadar só, ou seja, despreza presença de outros elementos. Há ocasiões em que parece estar em muitas companhias, mas é somente quando está em busca de águas quentes, quando então se encontram por coincidência. E se houver abundância de comida, claro.

Porém, não interage. Pode nadar junto com outros por algum tempo – em grupo com no máximo 5 ou 6 elementos -, mas se dispersa logo, logo.

Não pode se manter em águas frias por longos períodos. Especialistas dizem que o Peixe-boi morre em águas cuja temperatura estejam abaixo de 15 graus. Assim, nos meses de inverno, busca área com águas mais quentes.

Normalmente, encontra essas áreas próximo a afluentes de grandes rios. Já nos EUA desde 1990, o Peixe-boi encontrou água com boa temperatura nos períodos de inverno. São águas aquecidas por usinas nucleares. Aliás, isso tem preocupado bastante os preservacionistas porque houve muitas mortes por acidentes.

A espécie da Bacia Amazônica (veja mais abaixo) é bem mais discreta. Aliás, esse comportamento torna muito difícil se conhecer a quantidade aproximada de indivíduos. Tem hábito de se esconder em águas não transparentes, pois gosta de isolamento.

Ciclo de vida do Peixe-boi

Em período de cio, diversos machos perseguem a fêmea disposta a copular. A ação do macho até o nascimento do filhote se limita a isso: acasalar. Depois disso, ele simplesmente desaparece. Portanto, durante toda a gestação, que é de 12 meses, é a fêmea que se vira sozinha.

A fêmea parturiente não tem ninhadas, como outros mamíferos. Desta maneira, é semelhante a humanos, pois tem apenas um filhote por parto.

E, ainda assim, num espaço de tempo que pode chegar a 5 anos. Aliás, esse período também é um dos motivos de preocupação para os preservacionistas da espécie.

Ela possui tetas, que ficam praticamente embaixo das nadadeiras laterais – se fosse mulher, os seios seriam nas axilas, veja só! O filhote mama à semelhança dos bebês baleias, ou seja, enquanto nadam ao lado da mãe.

Durante toda a primeira hora de vida, o filhote é empurrado pela mãe para a superfície. Com isso, aprende que precisa subir de vez em quando para respirar. Depois disso, já consegue nadar sem ajuda.

Por outro lado, como complemento da dieta ou gulodice mesmo, pode começar a experimentar algumas plantas já nas primeiras semanas de vida. Faz isso observando a mãe quando esta se alimenta.

Aos 5 anos de vida, o filhote – macho ou fêmea – está pronto sexualmente. Assim, enfrenta o primeiro período de cio nessa época. O Peixe-boi tem ciclo de vida de mais ou menos 40 anos.

O sem-pescoço

A esmagadora maioria dos mamíferos dispõe de 7 ossos vertebrais na região do pescoço. Porém, os Peixes-boi, juntamente com as preguiças que vivem em árvores, tem 6 desses importantes ossos. Para pesquisadores e biólogos, esse “fenômeno” é decorrente do tipo de metabolismo do organismo dele.

Assim, ele não consegue voltar a cabeça para trás nem mesmo em situação de eventual perigo. Para isso, precisa contornar o espaço com o corpo inteiro.

Onde estão

Marca presença nas costas praianas e também em grandes rios. Bem, quando se diz “grande rios”, quer-se dizer realmente grandes.

Vive no norte do Brasil, mas se desloca por toda a costa brasileira. Há também população na Geórgia e toda área norte dos EUA, além de ser encontrado igualmente nas costas africanas.

Mamíferos precisam de ar

O Peixe-boi é mamífero, portanto, necessitam de oxigênio para sobreviver. Consegue permanecer por até 20 minutos submerso. Contudo, somente em caso de necessidade, já que sobe à superfície a cada 4 ou 5 minutos para absorver ar. A capacidade pulmonar é impressionante: aproveita mais de 90% do oxigênio inspirado.

Para você ter ideia,muito mais dessa quantidade é desperdiçada pelo pulmão humano, que retém apenas entre 6% e 10%. Isso torna o Peixe-boi excelente esportista apneico, ou seja, desses que precisam passar algum tempo embaixo da água.

Peixe-boi, como todo “boi”, gosta de grama

Nas áreas onde nada, sempre há grama aquática e algas. É sua base alimentar. Como se vê, é herbívoro, ou seja, extrai energia de vegetais para se manter. Passa boa parte do dia moendo a massa vegetal. Por seu tamanho, precisa ingerir pelo menos 10% a 15% de seu peso em alimento.

Considerando que pode chegar a mais de 600kg, é planta que não acaba mais naquele estômago enorme. Não é?

Vamos conhecer a estrutura física Peixe-boi

Ele é o maior herbívoro do Planeta. A gente comentou acima que o Peixe-boi é aparentemente gordo. Em verdade, o que o Peixe-boi mais tem é estômago. Seus intestinos são também bastante volumosos.

Seu corpanzil, em especial o focinho, contém milhares de pequenos fios. São chamados “vibrissas” e funcionam como elos de nervos sensíveis entre o Peixe-boi e o ambiente. Assim, ele se orienta a partir das vibrações nesses pelos.

É bom no tamanho

Alguns espécimes podem ser maiores que algumas espécies de tubarão. Chegam entre 2m e 4m e pesam entre 250kg e 500kg. Com esse tamanho todo, não se pode dizer que seja um velocista. Nada a 8km/h. Porém, se necessário por alguma condição de momento, atinge mais de 20km/h, sempre em pequenos “tiros”, ou seja, curta distância.

Cabeça de ovo

Uma característica visual marcante do Peixe-boi é sua cabeça. Tem formato oval, o que confere boas condições para seu nado, que é lento, como já foi dito. Já a nadadeira traseira é uma espécie de prancha, chata, o que ajuda ainda mais o ato de nadar.

Olhos pequenos e sem orelhas

Apesar de seus olhos serem muito pequenos, tem excelente visão. Aliás, o formato e tamanho dos olhos impõem a sua aparência um ar de pena. Quem o fixa, sente um dó enorme por conta de sua aparente tristeza.

Ele é míope, segundo experimentos desenvolvidos há algumas décadas. Entretanto, pode ver algumas cores, exceto o vermelho.

Não possui orelhas, mas também tem boa audição. Um grande osso interior no região do ouvido faz as vezes de captor de sons e vibrações.

Dentição especial

Nesse quesito, o Peixe-boi é privilegiado. Troca a dentição constantemente por todo o ciclo de vida. Ou seja, pode perder, quebrar, ter problemas com bactéria etc. Sem crise. Basta esperar um tempinho e pronto. Eis um dente novo.

Na verdade, nem precisa ter problemas. Os dentes da frente vão caindo e sendo substituídos. Depois, os de trás.

O cérebro desse estranho ser

É liso, ou seja, não dispõe das reentrâncias encontradas nos cérebro de outros mamíferos, como no dos humanos. E a proporção de sua massa cerebral é bem menor também.

Portanto, não se pode dizer que o Peixe-boi seja lá tão inteligente como golfinhos e algumas espécies de baleias. Porém, tem boas condições de aprender ações simples. Além disso – e prova disso – consegue identificar algumas cores.

As espécies de peixe-boi

São 03, as conhecidas. A bem da verdade, pesquisadores em turismo na Bacia Amazônica no início dos anos 2000 anunciaram avistamento de quarta espécie. Descreveram como sendo bem pequena e de cor diferenciada das outras espécies. Porém, nada foi comprovado.

Por mais estranho que pareça, os elefantes estão no tronco mais próximo dos Peixes-boi na árvore genética. Eles se desenvolveram a partir dos mesmos animais terrestres há mais ou menos 50 milhões de anos, segundo registros fósseis.

Peixe-boi da Amazônia

Cientistas o chamam de Trichechus inunguis. Certamente, seu habitat é exclusivamente de água doce. Vive nos rios, em especial no Amazonas, do Peru, Colômbia e Equador.

Diferente dos parentes abaixo, não possui pequenas garras na nadadeira traseira. Especialistas garantem que elas são vestígio de seus ancestrais terrestres. Aliás, o nome “inunguis” vem do latim, que significa “sem pregos”, ou seja, “sem garras”.

Peixe-boi das Índias

O nome científico é Trichechus manatus. Sobrevive muito bem entre água doce e água salgada e, assim, alterna seu habitat sempre que pode. Seus rins possuem capacidade de se orientar sobre a salinidade da água e, assim, regular a saúde do animal.

Alguns pesquisadores brincam dizendo que ele é o carro flex aquático. E mais: ele precisa de água com temperatura acima de fria. Seu metabolismo não trabalha muito bem nas condições de água fria constantes.

Peixe-boi da África

Você pode chamar de Trichechus senegalensis. E também pode considerar as características dessa espécie muito parecidas com a espécie indiana. Está mais presente nas encostas das regiões da África Ocidental.

Lamentavelmente, todas estão em processo de extinção segundo a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas. A organização dessa lista é responsabilidade da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês). Veja abaixo o capítulo sobre preservação.

Vamos saber como está a preservação do Peixe-boi

São incontáveis os motivos pelos quais o Peixe-boi está em fase de extinção de forma preocupante por parte de conservacionistas da natureza. Vão desde situações ocasionais, como colisão com barcos ou ingestão de objetos poluidores, até circunstâncias induzidas, como caça sem regras.

Bem, ele não tem predador natural, ou seja, nenhum outro animal se alimenta dele. E, por sua imagem fofa, carinhosa e dócil, seria de se pensar que poderia estar a salvo de caçadores criminosos. Ledo engano! O peixe-boi é caçado há muito e muito tempo.

Conforme indicam muitos estudos, metade das mortes dos Peixes-boi na região da Índia Ocidental é produzida por seres humanos. Dessa metade, alguma quantidade é devida a choques entre eles e embarcações diversas, como acontece também com as baleias.

Como precisam subir constantemente para respirar, conforme já foi dito neste artigo, permanecem no caminho de barcos em geral. Some isso à lentidão de seus movimentos e você vai ter um alvo fácil.

No Brasil, a situação não é melhor. Pescadores usam a chamada rede de arrasto como instrumento de pesca. Esse objeto é quase mortal para o Peixe-boi justamente por conta de sua lentidão. Já na África, o animal é consumido como alimento.

Estimativas sombrias

Desta maneira, autoridades, pesquisadores, biólogos e outros profissionais da área são unânimes quanto às expectativas negativas. Segundo estudos, é possível que mais 30% de todos os Peixes-boi sejam dizimados. A menos que algo de muito positivo ocorra, essa é a visão de futuro que eles impõem a esses animais.

O lado bom da situação

E algo de positivo realmente está acontecendo. A incidência de caça maldosa tem diminuído consideravelmente nos últimos anos. Esse fato é consequência de uma série de ações de proteção desenvolvida por muitas organizações de defesa da fauna e flora.

Com isso, tenta-se evitar que ocorra com o Peixe-boi o fim trágico que aconteceu com um de seus parentes mais próximos. Estudiosos têm registro de extinção total da Vaca Marinha de Steller já no sex. XVIII. Esse animal é parente do Peixe-boi, conforme análises feitas em fósseis.

Muito bem! O Peixe-boi, assim como outros tanto animais em fase de extinção, precisa de sua ajuda. Colabore. Divulgue notícias em suas redes sociais; envie mensagem de apoio a organizações preservacionistas; participe de processo de coação, se puder.

E, se tiver dúvidas sobre a vida desse animalzinho fofinho, deixe na área de comentários abaixo.

Serg Smigg

Written by Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados.
A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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