O ouriço terrestre é um bichinho encantador que contradiz uma série de conceitos sobre a sua aparência “encantadora”. Sua silhueta é comum, apesar de eriçada; o focinho muito parecido com o porco não é bem um quesito de beleza; e seus pelos podem conter substâncias não muito agradáveis.

Nada disso estaria associado ao adjetivo encantador”, mas o ouriço ainda sim se contradiz. Por incrível que pareça, ele é dócil.

Já o ouriço-do-mar é bem antissocial. E seus “espinhos” causam sérios problemas aos seres humanos, até mesmo paralisia muscular temporária.

Como a ciência classifica os ouriços terrestres

O Ouriço terrestre é um animalzinho muito fofo e espinhento.

Ernaceus europaeus é o nome oficial dessa coisinha fofa. Está na família Erinaceidae na ordem dos Erinaceomorpha. Isso significa que é tipo específico de mamífero que apresenta corpo coberto por pelos grossos semelhantes a espinhos.

Quanto à ordem científica, não foi possível definir ainda. A indefinição, segundo especialistas, se dá porque há características ainda em estudo. Os erinaceomorfos são uma ordem de mamíferos placentários que inclui uma única família, os erinaceidos, prévia e provisoriamente incluídos na ordem Insetívoros.

Entretanto, o ouriço terrestre não é roedor, como muitos pensam. O nome hedgehogs (em inglês) é corruptela do idioma arcaico: hedge (sebes) e hogge (porco, já que os focinhos de ambos são semelhantes).

Por falar em arcaico, ouriços já foram prato principal em diversas culturas no passado, em especial na Idade Média, e usados também em sessões de bruxaria. Aliás, ainda hoje seu nome é lembrado por alguns adeptos de magia.

Ouriços do mar

Muitas pessoas associam o ouriço (terrestre) ao ouriço-do-mar. Também nada a ver um com outro. O primeiro é vertebrado mamífero; o segundo é invertebrado. Os dois únicos itens em comum são o nome e os “espinhos”.

Já os ouriços-do-mar são, claro, marinhos. Vivem sempre no solo, seja em águas rasas ou profundas – via de regra, se afundam no solo arenoso para fugir de predadores. São invertebrados, ao contrário do ouriço terrestre. Têm forma esférica que podem chegar a 10 cm de diâmetro.

Onde estão o ouriços terrestres pelo mundo

Há espécies de ouriço por todos os continentes.

Há espécies nativas na Europa, África e Ásia; entretanto, não existem menção ou registro de espécies da Oceania ou nas américas. Vivem em áreas abertas com vegetação em abundância e, de preferência, com umidade razoável. Sentem-se melhor nesse clima.

Porém, são excelente nadadores e escaladores de árvores. E também são encontrados em desertos.

Eles foram parar na América do Norte por de adaptação genética conseguida a partir de espécies selvagens africanas. Então, foram domesticados e levados como elemento de estimação.

Os ouriços da América são menores, daí seu nome “ouriço pigmeu”.

Espécies desses animaizinhos encantadores

Atualmente, biólogos encontraram 16 espécies distintas de ouriços (há registros de terem encontrado mais 02, mas isso ainda não está claro). Estão divididas em 05 gêneros.

Principais Características dos ouriços

As costas eriçada cheia de espinhos é a característica mais marcante do ouriço terrestre.

Quando se fala em ouriços terrestres, pensa-se imediatamente em costas cheias de espinhos. É comparado com humor à almofada de agulhas. Esta é a característica principal desses bichinhos bonitinhos. Vamos ver aqui mais algumas.

Têm dentição maior que a dos humanos: 36 unidades. Para seu tamanho, é dente que não acaba mais! Seus focinhos são pontiagudos e vivem cheirando o ambiente.

Isso é interessante: ouriços são imunes a diversos tipos de veneno de cobra e escorpião. Eles conseguem essa imunidade a partir de substância encontrada em seus músculos, a erinacina (mas, claro, veneno em quantidade razoável pode ser fatal). Quando atacam escorpiões, por exemplo, sua primeira preocupação é agarrar o ferrão, que representa perigo imediato.

Tamanho e peso

São relativamente pequenos para a classe de mamíferos. Não passam de 12cm de comprimento e pesam entre 400g e 550g. Proporcionalmente, seus membros são bem menores em relação ao tronco que de outros animais (apesar de ágeis), mas seus pés são grandes.

Os espinhos

Claro, não são exatamente espinhos, mas de pelagem bem mais rígida (contém grande quantidade de queratina) que de outros animais que têm corpo coberto por pelos. Tem mais ou menos 2cm de comprimento a partir da pele.

Estão distribuídos de maneira estratégica (veja mais abaixo) no dorso, no alto da cabeça e na barriga. Não há pelos grossos no focinho e na cauda, que apresentam pelos mais macios, brancos e inofensivos.

Cada elemento possui cerca de 5000 pelos. Estes são substituídos a cada ano.

Como se comportam

São relativamente mansos. Algumas espécies são companheiras e funcionam como animaizinhos de estimação. Entretanto, quando se sentem em perigo, lançam mão da única defesa de que dispõem: excitam músculos (chamados orbiculares) para arquear o corpo e se transformar em uma bola.

Aqueles músculos são muito potentes. É muito difícil desenrolar um ouriço com mão. Mesmo porque seus pelos são barreira considerável.

Assim, protegem as partes sensíveis e deixam à mostra os então perigosos espinhos, cuja ação está descrita mais abaixo. É assim que se livram da maioria dos predadores naturais, como texugos, cobras, furões, corujas, lobos etc.

Hábitos

O ouriço terrestre é um animal noturno.

Preferem a noite, isto é, têm hábitos noturnos, pois é nesse período que sua fonte de alimentos é mais abundante. São solitários; buscam contato com semelhantes somente em época de cio.

Os que vivem em florestas conseguem escavar buracos com meio metro de profundidade ou então construir ninhos com restos de plantação. Já os que vivem em deserto preferem tocas ou se enterrar na areia.

Isso é interessante: um hábito natural e inteligente desses bichinhos é a estratégia de autoinserir veneno de certas plantas. Sendo imunes a elas, os ouriços as devoram. Depois, regurgitam massa com o veneno ingerido e espalham pelos “espinhos” do corpo.

Isso é interessante também: contrariando a ideia popular, ouriços não lançam seus pelos quando atacados. Uma vez na boca do predador, passam a se movimentar rapidamente. Assim, aquele veneno na ponta dos espinhos e até mesmo seus espinhos acabam irritando a cavidade bucal do opressor.

Imediatamente, o ouriço é “cuspido”. Por falta de sorte, porém, corujas e lobos não se importam com a irritação. Devoram ouriços assim mesmo.

Não são silenciosos, como muitos pensam. Gostam de grunhir e bufar constantemente. Quando tranquilos, gostam de ronronar como gatos. Não se espante.

Os ouriços africanos selvagens hibernam no inverno a fim de reduzir o consumo de energia. Entretanto, o verão extremo também induz à diminuição de atividades porque eles precisam evitar aquecimento corporal.

Já quanto aos domesticados, podem perder esse hábito com o tempo.

Perigo para humanos

Como ouriços têm habitado lares como animais de estimação, convém conhecer alguns detalhes. Tais podem, inclusive, fazer você desistir de ter um em casa.

As fezes dos ouriços podem contar bactérias que resultam em problemas gastrointestinais, como a Salmonella. Seus pelos são providos de fungos que, via de regra, causam algum nível de irritação na pele humana.

Assim, caso tenha um, não se esqueça de higienizar bem as mãos e rosto depois brincar com ele.

Reprodução e ciclo de vida

O ouriço terrestre se reproduz na primavera e no verão.

A primavera e o alto verão são estações apropriadas para acasalamento, pois as fêmeas entram em cio nesses períodos do ano. Uma vez fecundadas, dão bebês à luz entre 35 e 40 dias depois.

Os machos conseguem se deslocar por quilômetros no início das noites a fim de encontrar uma fêmea no cio. Bem, é possível que você esteja imaginando como é a cópula entre animais cujos pelos sejam tão duros. A fêmea tem o cuidado de arrefecer totalmente os espinhos; assim, ao longo do ato, estes permanecem estirados sobre seu próprio corpo. Caso contrário, o macho não conseguiria agir de maneira alguma.

Na maioria dos casos, nascem entre 4 e 6 filhotes. Apresentam cor arroxeada, sem pelos. Mamam por 30 dias antes de começar a vida social e suas aventuras.

Vivem entre 5 e 8 anos quando em ambiente selvagem e por volta de 10 anos quando em cativeiro. Certamente isso se dá porque, em cativeiro, enfrentam menos perigos naturais.

Como se alimentam

O ouriço se alimenta de folhas e flores.

Não são muito, digamos, exigentes. Insetos de todo tipo, minhocas, ovos, ratos, frutos e alguns outros produtos fazem parte do cardápio. Gostam de folhas verdes em geral.

Mas seu prato predileto são lesmas. São capazes de ingerir dezenas e dezenas delas por noite.

Perigo! Perigo! Perigo!

O ouriço terrestre está em extinção

Os ouriços não estão propriamente em extinção, mas correm algum perigo disso. Seu habitat tem sido invadido por evolução de áreas habitadas por humanos. Além disso, a constante produção de pesticidas cada vez mais fortes tem contaminado plantas e insetos que fazem parte do rol de alimentos do ouriço.

Como complemento do perigo, alguns produtos químicos usados nas lavouras alteram a capacidade reprodutiva dos ouriços. Assim, nascem cada vez menos filhotes por cio.

Isso, ao longo dos anos, tem abalado sobremaneira o equilíbrio de existência dos amiguinhos eriçados. Convém que seres humanos atentem para tal problema porque eles auxiliam na manutenção do poder agricultural ao se alimentar de aranhas, caracóis e outros insetos que atacam plantações.

Ouriços X Porco-espinho

Ouriços são frequentemente confundidos com porco-espinho, mas não têm nada a ver. Seus pelos não se lançam quando em defesa nem contêm veneno, como os de “seus primos”. Além disso, os pelos (espinhos) do ouriço são bem mais curtos.

O tamanho também é diferencial: ouriços são bem menores; a classificação, igualmente: porcos-espinhos são roedores.

Então, é isso. Ouriços podem ser bastante amáveis quando treinados. Certamente você vai precisar de alguns cuidados se resolver manter um consigo. E também se habituar com a condição notívaga de seu amiguinho.

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Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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