A maioria dos filmes a que você assiste, ou mesmo documentários, dão impressão de que a onça pintada é animal genuinamente brasileiro. Isso acontece porque o ambiente em que ela aparece nas cenas é sempre muito familiar. Em especial, a quem mora ou conhece a selva amazônica.

Entretanto, não é bem assim. Ela está presente no imaginário americano em geral, incluindo população da área rural dos EUA e da América do Sul, além de em civilizações antigas, como os astecas. É certo que se vê a onça pintada mais em território brasileiro, porém, a população desse animal está espalhada por todo o continente.

Aliás, a caça à onça pintada sempre teve carga psicológica bastante intensa. Afinal, o oponente do caçador é um dos animais mais interessantes, fortes e poderosos de que se tem notícia. Quando alguém sai por aí dizendo que enfrentou, se deparou ou simplesmente viu uma onça, esse alguém se torna centro das atenções.

Especialmente, se puder provar a empreitada.

Se, por um lado, a onça pintada tem fama de animal feroz, por outro lado, a realidade é outra. Aliás, você vai saber mais sobre o comportamento desse belo animal neste artigo e muito mais.

O começo da onça pintada

A onça pintada é parente do leão e do leopardo.

A onça pintada é parente do leão e do leopardo.


Ela é descendente direto de felinos do Velho Mundo. Como é vista mais na américas, isso pode parecer contraditório, porém, é o que consta em pesquisas biológicas. Ou seja, ela compartilhou a genética de um animal ancestral.

Isso ocorreu há pelo menos 2,9 milhões de anos. Essa evolução nos genes aconteceu também com o leão e o leopardo, ou seja, esses felinos são “parentes”.

Portanto, ainda no período Pleistoceno, os ancestrais da onça pintada (e dos outros felinos mencionados) migraram para a região hoje conhecida como Continente Americano. Para isso, passaram pela Beríngia, nome dado ao estreito de Bering, que liga a Sibéria ao Alasca. Portanto, ter chegado à América do Sul não é surpreendente.

A onça pintada em si surgiu volta de 2 milhões de anos atrás. Todavia, há intensa discussão entre paleontólogos sobre a verdadeira origem da onça pintada. Alega-se que a Panthera gombaszoegensis pode ter sido uma subespécie da atual onça-pintada (P. gombaszoegensis viveu há cerca de 1,5 milhão de anos, ainda no Plioceno em transição para o Pleistoceno. Trata-se da espécie mais antiga do gênero Panthera que se conhece. É também conhecida como Pantera-europa).

Onça pintada pela ótica popular

A onça pintada é muito comum no Pantanal e Floresta Amazônica.

A onça pintada é muito comum no Pantanal e Floresta Amazônica.


Ela é animal íntimo dos habitantes em especial do pantanal e floresta amazônica. Pesquisas oficiais científicas procuram normalmente informações iniciais sobre uma infinidade de outros animais em comunidades das regiões.

Onça pintada: seus nomes, seus jeitos

Por estar espalhada por toda a região continental, cada povo que a viu pela primeira vez acabou dando um nome. Via de regra, tal nome segue determinado padrão local. Então, a onça pintada é conhecida por simplesmente onça ou apenas pintada, canguçu, jaguaretê, onça-verdadeira, jaguar, acanguçu, jaguarapinima.

A palavra onça tem origem no termo grego lynx, que chegou ao português por meio do termo latino luncea e do termo italiano lonza.

No Brasil, o nome onça-pintada nasceu de adaptação feita a partir da observação popular sobre as manchas no corpo do animal. Foi contraposição verbal a outro animal também muito conhecido, a onça parda.

Um jeitão diferente do imaginado

A fama da onça pintada faz que seja temida. A imaginação popular tem criado estórias em que o animal surge como centro de preocupação de comunidades inteiras. Essa imagem de ferocidade, com toda certeza, se originou no medo ancestral que o ser humano adquiriu ao longo dos milênios em relação a animais diversos.

A história do desenvolvimento comportamental humano é cheia de encontros com animais realmente ferozes. Então, qualquer animal a partir de certo tamanho já incentiva medos e, por conseguinte, estórias e, daí por diante, “meias verdades”.

Porém, a onça pintada normalmente foge da presença humana. Claro, se for atacada, se pressentir perigo rondando seus filhotes, vai tentar se proteger de todas as maneiras, inclusive se impondo contra o “inimigo”. Entretanto, a primeira reação é de fuga.

Sempre. Inclusive de estiver faminta. Se humanos se aproximarem enquanto ela se alimenta, ela vai procurar carregar o alimento consigo. Porém, isso não sendo possível, vai defender sua caça com unhas e dentes. Literalmente, aliás.

Melhor dizendo, a onça pintada tem a cautela como base. Está sempre em observação, espreitando o ambiente a fim de ver caça ou perigo.

Interessante: Desenvolveu a capacidade tentar se deslocar sempre contra o vento. De alguma maneira e segundo pesquisas, seus instintos reconhecem o vento favorece transporte de odores de presas e de perigos.

Onde encontrar a onça pintada

Desde o sul dos EUA até meados das regiões argentinas, você vai encontrar uma onça pintada em algum momento. Em especial se você estiver caminhando por matas e florestas.

Entretanto, há mais indivíduos no Brasil, razão pela qual se imagina que exista apenas em nosso território. Por aqui, ela vive em 5 biomas (ecossistemas) diferentes (há 6 no país). Ou seja, está em florestas, caatingas, pantanais, cerrados e matas. Parece não gostar apenas da caatinga.

Ela fixa moradia temporária em buracos de troncos de árvores – via de regra, caídos – ou em pequenas grutas naturais que eventualmente encontre. Pode também instalar moradia em galhos de árvores. Ou melhor, é neles que ela se sente mais segura.

Onça pintada pela ótica da Biologia

A onça pintada é um mamífero carnívoro.

A onça pintada é um mamífero carnívoro.


Ela se classifica como mamífero carnívoro da família Felidae. Biólogos afirmam que a onça pintada é o maior felino do Brasil, sendo o leão o maior do mundo.

Seu habitat preferido são florestas tropicais. Pesquisadores alegam que é difícil encontrar onças pintadas em regiões com altitude superior a 1.200m. Eles também registram que a onça pintada procura viver em locais em que exista água em abundância, pois gosta muito de nada.

As manchas em seu pelo são mistura de amarelo, branco e preto. A distribuição delas está para a onça pintada o mesmo que as impressões digitais estão para o ser humano: elemento identificador, pois é único. Isto é, não existem duas onças pintadas com distribuições de manchas idênticas.

Mas ela é sempre pintada? Eu já vi onça preta.

Desculpe, o que você viu é uma onça pintada, ainda que preta. Ocorre que houve algum acidente genético em determinada geração que deu origem a indivíduos com pelos negros. Esse acidente é chamado melanismo.

Porém, as manchas estão lá, escondidas sob tais pelos pretos. Para vê-las, é preciso alguma proximidade razoável – o que não é aconselhável por questões óbvias – e boa incidência de luz. Essa variação animal é também conhecida como jaguar negro.

A onça pintada é assim fisicamente

A onça pintada é robusta, ágil e musculosa.

A onça pintada é robusta, ágil e musculosa.


A estrutura física da onça pintada é robusta. Os músculos estão distribuídos de tal forma que ela consegue nadar muito bem, correr velozmente, se rastejar como soldado em guerra, deslizar silenciosamente. Como complemento, ainda escala árvores com tal facilidade que surpreende presas desinformadas dessa capacidade.

Aliás, o poder de escalar árvores se dá porque suas unhas têm forma de ganho e são recolhíveis. (Como as de seus primos mais conhecidos, os gatos.) Assim, além de tudo, as unhas são extremamente duras, verdadeiros ganchos de aço; por isso, suportam o peso do corpo do felino facilmente.

Ela se parece com o leopardo (Panthera pardus); a diferença está no formato das manchas no pelo. E no tamanho igualmente, sendo menor. Assim, as pernas são bem mais curtas que as dos outros felinos de grande porte, porém, mais grossas e mais fortes.

Esse belíssimo animal é realmente grande dentro dos padrões felinos. No mundo inteiro, fica atrás somente do leão, o maior, e do tigre. Já no continente americano, não há felino maior, como a gente já mencionou neste artigo.

Muito embora se assemelhe ao leopardo, a onça pintada está mais próxima do leão (Panthera leo) em termos de evolução biológica.

Menção especial à mordida da onça pintada

A cabeça da onça pintada é grande em proporção ao corpo. Isso produz mandíbula realmente forte. É capaz de abrir a boca em até 15cm de diâmetro e num ângulo de 70 graus. Portanto, trata-se da mordida mais potente em relação a todos os felinos.

Chega a quase 1 tonelada de força. Para você ter ideia, isso é o dobro da força da mordida do leão. Em termos de poder, somente a hiena pode suplantar a mordia da onça pintada. Com isso, ela desestrutura e rompe cascos de tartarugas. Não à toa, ela tem costume de atacar primeiro a cabeça da presa, como você vai saber mais abaixo.

Alguns números da onça pintada

O tempo de vida da onça pintada é semelhante aos gatos domésticos: 12 anos mais ou menos quando está solta na natureza. Contudo, é possível que chegue a mais de 20 anos quando recebe tratamento adequado em cativeiro. Um dos motivos para essa diferença de expectativa de vida tem a ver com os perigos enfrentados em seus habitats.

O macho alcança quase 2m de comprimento; a fêmea, por volta de 1,50m. Esse tamanho não inclui a cauda, que é curta para os padrões felinos: mais ou menos 60cm.

Quanto ao peso, fica em torno de 100kg em ambos os sexos. Entretanto, há registros de uma onça com quase 160kg, mas é muito raro; e de uma fêmea com menos de 40kg, o que também é muito raro.

Do chão à cernelha (próximo ao ombro), ela tem pouco mais de 70cm.

Como se alimenta

Como já comentado, é carnívora por natureza. Consegue ficar sem comida por até uma semana sem para seu organismo. Porém, quando encontra caça adequada, ingere mais de 20kg. Então, guarda o resto para o dia seguinte, mas não ingere material nem em início de putrefação.

É caçadora noturna, quando seus instintos estão mais apurados e suas estratégias (veja abaixo) têm maior eficácia.

Para manter sua estrutura em bom estado e com energia suficiente para enfrentar o dia a dia, precisa de muita carne animal. Assim, quando faminta, procura tanto animais de pequeno porte quanto de grande.

Nesse caso, coelhos, tartarugas, lebres, aves e outros são, digamos, aperitivos. Ela procura mesmo é capivaras, antas, veados. Até mesmo peixes, pois, como a gente destacou acima, é excelente nadadora. Portanto, ter peixes de água doce em sua dieta é plenamente natural.

Sua habilidade de caça é impressionante. Você já viu acima que seu andar é silencioso; então, a estratégia mais usada é a emboscada. A onça pintada praticamente prepara a caçada. Ao observar a direção do movimento de sua presa, ela se antecipa e se põe à frente. Assim, calcula o melhor momento para o bote.

Aliás, o bote é certeiro. E fatal por conta do poder de sua mordida, como você viu acima. E fatal também porque a onça pintada tem hábito de abocanhar diretamente a cabeça da presa entre os ouvidos, esmagando-a facilmente. Em segundos, o cérebro é pressionado e a vítima se mostra inerte.

De certa maneira e pela visão humana, esse comportamento se mostra terrível. Entretanto, ele faz parte de mecanismos naturais de controle populacional animal. Nesse caso, a onça desempenha papel importante, pois ingere qualquer animal que se puser em seu caminho quando ela está faminta.

Assim, participa do processo de controle de habitantes dos ecossistemas que habita.

Onça pintada pela ótica do comportamento

A onça pintada é um animal crepuscular e solitário.

A onça pintada é um animal crepuscular e solitário.


É um animal crepuscular, apesar de gostar de caçar à noite, e solitário. Seu rugido forte não objetiva apenas alertar animais sobre sua presença. Trata-se de maneira de marcar território. Por outro lado, também marca território a partir de mensagens visuais, como ranhuras em troncos de árvores e em solo.

Além disso, também usa a urina como mensagem olfativa a fim de informar que certa região lhe pertence. Esse território demarcado pode compreender até 100km quadrados.

É possível que o macho dono de um território permita presença de duas ou três fêmeas. Porém, fêmeas também demarcam territórios, mas estes são bem menores.

Autopreservação da onça pintada

O casal de onças pintadas acasalam sem período específico. O cio da fêmea ocorre, portanto, em qualquer época do ano. Ainda não existem estudos apropriados que indiquem motivos para isso. Sabe-se, porém, que o macho está pronto para acasalamento aos 3 anos de vida enquanto a fêmea começa a se preparar já aos 2.

Uma vez prenhe, a gestação perdura por volta de 100 dias, podendo chegar a 110. A fêmea traz à luz até 4 filhotes, mas média é 2. Eles têm mais ou menos 1kg ao nascer. Os olhinhos permanecem fechados até 12 ou 13 dias. Com pouco menos de 3 meses, começam se acostumar com carne animal. Contudo, continuam mamando por muitas semanas depois disso.

Vamos ver se está em fase de extinção

A onça pintada está quase em extinção.

A onça pintada está quase em extinção.


A União Internacional para Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature) – entidade voltada à proteção das regiões naturais do Planeta, dispõe de lista de condições de sobrevivência de animais. É chamada “Lista Vermelha de Animais em Extinção” e atualizada de tempos e tempos.

A classificação da onça pintada naquela lista é “quase ameaçada”. O motivo é a quantidade de indivíduos registrados em comparação à distribuição geográfica da espécie. Porém, apesar de não alarmante, há registros de declínio na população desse animal. Essa situação é produto de diminuição das áreas de seus habitats por conta de queimadas.

Por outro lado, existem riscos sérios de desaparecimento da espécie em locais específicos, ou seja, pontuais. Exemplo disso pode ser sentido na América Central e do Norte, além de na Mata Atlântica no Brasil. Nos EUA, há diversas regiões em que já não existe mais nenhum indivíduo, exceto talvez no Arizona. E justamente onde a presença desse animal era razoavelmente abundante.

Ações humanas – para variar – colaboram muito nessa condição da onça pintada. Comércio de pele e de outras partes do animal é proibido internacionalmente. Porém, agricultores, fazendeiros e caçadores esportivos ocasionais não têm muito receio das Leis, como se sabe.

A onça pintada também precisa de ajuda

É certo que a sobrevivência da onça pintada não está tão ameaçada quanto a muitos milhares de outros animais. Entretanto, nunca é demais dizer que todos os animai precisam de apoio e proteção. Eles têm importância crucial na manutenção da vida humana no Planeta.

Portanto, lance mão do que você tiver à disposição para ajudar. Envie mensagens, participe de movimentos, conscientize seus contatos. E deixe seus comentários na área abaixo deste artigo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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