A obesidade pet está se tornando, sem dúvida, cada vez mais frequente e, se não tratada, pode causar muitos problemas de saúde que podem gerar muito sofrimento aos animais de estimação.

Segundo dados do Ministério da Saúde, houve um aumento da obesidade na população humana em 60% nos últimos 10 anos. Uma em cada cinco pessoas no país está acima do peso e especialistas atribuem fatores como mudanças no estilo de vida, sedentarismo, dieta irregular e stress como principais responsáveis. No entanto, a mudança no estilo de vida afeta não só os tutores como também seus pets.

Como reconhecer a obesidade pet?

A obesidade pet deve ser levada em conta com responsabilidade.

A obesidade pet deve ser levada em conta com responsabilidade.

Segundo um artigo do Estado de São Paulo, no mundo, aproximadamente 59% dos cães e 52% dos gatos estão acima do peso. Sem dúvida, um dos grandes problemas da obesidade canina e felina, é quando os tutores não percebem, não reconhecem ou não aceitam a obesidade pet. Todavia, a conscientização dos tutores é fundamental para o sucesso tanto da prevenção como do tratamento da obesidade.

Além disso, segundo um estudo realizado na Europa, 70% dos tutores de animais com obesidade pet são portadores de sobrepeso e/ou obesidade. Fatores, como o sedentarismo dos tutores e a verticalização das grandes cidades, com consequente diminuição do espaço doméstico, contribuem, certamente, para criar um ambiente favorável ao ganho de peso nos homens e seus animais.

Diagnóstico da Obesidade Pet

Há muitas formas de diagnosticar a obesidade pet. No entanto, nenhuma substitui a avaliação clínica do animal de estimação. O peso corporal, escore de condição corporal e análises morfométricas são ferramentas que podem, e devem ser utilizadas para fundamentar o diagnóstico.

Ficha de anamnese dietética

Esse nome complicado nada mais é que uma ficha, ou um diário de alimentação do animal. A ficha de anamnese dietética completa deve incluir tudo o que é consumido. Ou seja, informações desde a dieta habitual até todos os outros alimentos a que o animal possa ter acesso, como petiscos, guloseimas, frutas, pedacinhos de comidas caseiras, entre outros.

Todos os alimentos devem ser identificados por tipos e quantidades. Estas informações são importantes para determinar a situação alimentar atual e para um planejamento de uma recomendação dietética.

É primordial não omitir informações nessa etapa!

O escore de condição corporal

O escore de condição corporal (ECC) é uma avaliação semiquantitativa da composição corporal, ou seja, representa a porcentagem de gordura e a massa magra para um determinado peso.

O exame físico, a observação visual e a palpação do paciente são dados utilizados para definir um escore de condição corporal (ECC). O sistema de escala de nove pontos validados para cães e gatos é o mais amplamente aceito.

Classifica o paciente em categorias, de caquético (ECC=1) a severamente obeso (ECC=9), sendo a pontuação 5 considerada ideal.

Com este sistema, cada aumento de unidade no ECC é equivalente aproximadamente a um aumento de 10% a 15% do peso corporal ideal. Portanto, um cão ou um gato com ECC=7 é igual a cerca de 20% a 30% excedente do peso corporal ideal.

Um sistema ECC ilustrado é, sem dúvida, uma ferramenta útil para a educação do proprietário com relação a prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade.

Quais são as principais causas da obesidade nos animais?

As principais causas da obesidade pet é a má alimentação e a falta de atividades.

As principais causas da obesidade pet é a má alimentação e a falta de atividades.

A principal causa é, certamente, o desequilíbrio entre o consumo e gasto energético. Ou seja, consomem-se mais calorias do que se gastam. Consequentemente, este excesso de calorias é acumulado em forma de gordura produzindo, enfim, o aumento de peso.

Outros fatores que desencadeiam a obesidade pet são:

  • Predisposição racial – Algumas raças de cães tem mais tendencia do que outras a se tornarem obesas como Labrador, Cocker Spaniel, Beagle. Em gatos, sabe-se que algumas raças são mais letárgicas que outras. Um exemplo dessas raças é o gato Persa. No entanto, para essa espécie não há muitas informações sobre predisposições raciais.
  • Predisposição genética;
  • Sexo – A obesidade é mais comum em fêmeas do que em machos;
  • Idade- Cães mais velhos são mais predispostos ao aumento de peso;
  • Castração;
  • Problemas endócrinos: hipotireoidismo ou hiperadrenocorticismo (ou síndrome de Cushing)

Consequências da Obesidade Pet:

Pode-se chamar sobrepeso quando se tem até 15% acima do peso ideal e de obesidade pet quando esse excesso ultrapassa este valor. É justamente nesta fase (entre os 15 aos 20%), que os problemas de saúde relacionados ao peso iniciam-se tanto em humanos quanto em cães e gatos. Portanto, animais neste quadro tem maior risco de apresentar problemas crônicos de saúde como:

  • Diabetes Mellitus;
  • Problemas Articulares;
  • Doenças cardiovasculares e pulmonares;
  • Intolerância a execícios;
  • Intolerância ao calor (podem ocorrer os chamados “golpes de calor” podendo levar o animal à morte);
  • Doenças de pele;
  • Maior risco em casos de cirurgias e anestesias;
  • Diminuição da longevidade.

Como evitar a obesidade pet?

É preciso manter as atividades físicas em dia para se evitar a obesidade pet.

É preciso manter as atividades físicas em dia para se evitar a obesidade pet.

O combate à obesidade pet é, na verdade, um conjunto de ações que visam a mudança de hábitos. O cachorro, portanto, não emagrecerá sem o apoio, disciplina e controle de seu tutor.

Veja quais são as principais alterações no dia a dia para combater a obesidade pet:

Mudança de comportamento alimentar:

Hábitos como dar alimentos muito saborosos ao seu pet, restos de comida, dietas energéticas, fornecer frequentemente petiscos para cães (biscoitos e bifinhos) são, sem dúvida, prejudiciais e devem ser evitados.

Exercícios:

Primeiramente, o aumento da quantidade de exercícios, além de ajudar a regular a ingestão alimentar, contribui diretamente com a perda de peso por intensificar o gasto de calorias.

Exemplos de exercícios para cães:

  • Caminhadas diárias;
  • Agility;
  • Natação;
  • Brincar com bolinha;

Leia mais: Descubra as melhores atividades para cada raça de cachorro

Exemplos de exercícios para felinos:

Gatos saudáveis que passam muito tempo ao ar livre, sem dúvida, exercitam-se bastante através de caçadas, brincadeiras e exploração territorial.

Gatos confinados a ambientes internos, por outro lado, geralmente sofrem de falta de exercício e são mais propensos à obesidade. Por isso, seguem algumas ideias para exercitar seu bichano mesmo em locais confinados:

  • Brinquedos para cachorro e gatos ajudam, certamente, a estimular seu gato a se mexer. Além disso, podem ser caseiros ou adquiridos em pet shops.
  • Feixes de luz são, sem dúvida, um sucesso entre os gatos. Acenda uma lanterna e deixe seu gato brincar com o feixe de luz sobre o chão e as paredes.
  • Deixe seu gato brincar em uma caixa de papelão. Existem muitos vídeos na internet que ensinam a fazer brinquedos para os felinos sem gastar muito!
  • Espalhe alguns petiscos não calóricos ou brinquedos preferidos em um lugares diferentes a cada dia (incluindo o topo de móveis altos).

Conclusão:

Como vimos, a obesidade pet é causada, na maioria das vezes, por um desequilíbrio energético. No entanto, antes de mais nada, é muito importante passar por consulta com um médico veterinário para um check-up. De fato, é primordial realizar uma avaliação laboratorial para identificação de possíveis alterações hormonais, por exemplo.

Uma vez estabelecido um diagnóstico preciso, será possível, enfim, traçar o melhor tratamento. Além disso, sugere-se o acompanhamento do médico veterinário em todas as etapas da dieta, ou seja, desde a escolha do alimento à indicação de exercícios ideais para cada animal.

Enfim, eis os principais passos para conseguir um emagrecimento saudável e eficiente:

  • Evitar o fornecimento de restos de comida, guloseimas;
  • Mudar hábitos alimentares que contribuam à obesidade pet;
  • Após conseguir a perda desejada, controlar a ingestão para manter o peso corporal ideal. Para isso, sugere-se o acompanhamento do médico veterinário.
  • Evitar aumento de peso através do exercício regular contínuo e controle da ingestão calórica.

O resultado do tratamento dependerá, sem dúvida, da força e disciplina do tutor. Por isso, é muito importante que o dono do pet resista aos olhares pedintes pelo bem do próprio pet.

 

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

TUCHLINSKI, C.- Obesidade pet pode diminuir expectativa de vida dos animais. O Estado de São Paulo, 2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA VETERINÁRIA