Mastite – ou ainda mamite – não é distúrbio orgânico exclusivo das mulheres. Tanto quanto elas, as fêmeas de cães também apresentam problemas de saúde associados à gestação. Com certeza, algumas causas da mastite estão mais diretamente ligadas à gestação que outras, mas a causa primária está intimamente relacionada a situações gestacionais e de amamentação.

Em verdade, a mastite pode acometer fêmeas de qualquer espécie na população de mamíferos lactantes. Sendo infecção mamária que pode eclodir durante o período de amamentação, sem escolher espécie.

E ainda uma série de outras informações. Entretanto, em função de este tema abordar a saúde de seu animal, é sempre conveniente consultar o veterinário de sua confiança. Somente ele é competente o bastante para definir o tratamento adequado.

Aliás, nossas equipes sugerem que você compareça a consultas veterinárias sempre que perceber problemas relacionados à saúde de seu pet. A menos que você veja profissional de saúde animal, não é de bom tom confiar puramente em pesquisas e informações de terceiros.

O que é mastite?

O que é mastite: A mastite pode acometer as cadelas grávidas que acabaram de dar à luz.

O que é mastite: A mastite pode acometer as cadelas grávidas que acabaram de dar à luz.

Segundo os acadêmicos André L. M. Nascimento e sua equipe, em seu artigo “Mastite Canina Pós-Parto: Relato De Caso”, publicado pela Fundação Educacional de Ituverava, expõem que “mastite é um processo infeccioso agudo caracterizado pela inflamação da glândula mamária, que modifica o tecido glandular com capacidade de alterar os aspectos físicos e químicos do leite”.

Desta maneira, os estudiosos mencionados indicam que as crias sofrem com a deficiência na qualidade do leite da fêmea no processo de alimentação. O leite, alterado em sua estrutura química, chega ao organismo dos filhotes incapaz de oferecer os nutrientes adequados.

A infecção das mamas ocorre por ação de bactérias (veja mais abaixo). Em outra palavras, trata-se de acúmulo de micro-organismos nocivos na glândula mamária que produzem efeitos igualmente nocivos tanto à fêmea quanto aos filhotes.

Via de regra, o andamento da infecção acontece com o passeio das bactérias na corrente sanguínea que se instalam nas glândulas produtoras de leite. O resultado são traumas no local. Aliás, não há um tipo de bactéria específico que cause o malefício; diversos tipos podem ser agentes, bastando que se instalem e proliferem no local.

Importante: há casos estudados e já registrados de presença de mastite em fêmeas não prenhes. Ou seja, prenhez não é condição básica para alastramento da infecção. Portanto, preste atenção ao capítulo abaixo que trata de prevenção de mastite.

E em caso de gravidez psicológica?

Há registro de casos em que as fêmeas caninas contraíram mastite mesmo em período de falsas gravidezes. Entretanto, isso é muito, mas muito raro. Por outro lado, esse “fenômeno” acontece somente em estágio avançado de gravidez psicológica.

Nesse estágio, o organismo da fêmea entende que é necessário estimular as glândulas mamárias. Uma vez estimuladas, podem sofrer com presença das bactérias que resultam em mastite. Ainda, havendo produção de leite que não será extraído por filhotes, o líquido pode empedrar e causar a doença.

A mecânica em si da mastite

Como complemento de conhecimento, por outro lado, gama grande de pesquisadores e estudiosos crê em razões mais complexas para a mastite. Em período pós-parto e lactante, o organismo da fêmea se encontra mais vulnerável. Isso ocorre porque a mamãe foi preparada para dispor de toda energia em prol dos filhotes.

Desta maneira, seus sistemas estão mais propensos à ação de agentes bacterianos porque suas defesas orgânicas naturais se mostram em baixa.. Consequentemente, são vítimas de micro-organismos oportunistas encontrados no ambiente em geral: chão, panos, atmosfera etc.

Sintomas da mastite em fêmeas caninas

O que é mastite: A mastite costuma apresentar sintomas claros.

O que é mastite: A mastite costuma apresentar sintomas claros.

Toda e qualquer doença pode ser identificada a partir de observação de sintomas. Contudo, a depender da anomalia, alguns são mais aparentes; outros, menos. No caso do conjunto de sintomas da mastite em cães, são visíveis e perceptíveis na maioria dos casos.

Em paralelo, alguns efeitos podem ser observados também nos filhotes, como você vê abaixo:

  • Abscessos: Em estágio avançado ou se não tratada, a infecção pode oferecer riscos de instalação de abscessos. E, em caso de evolução, pode gangrenar a área
  • Apetite: É um dos primeiros sintomas. A ação das bactérias produz desconforto físico e diminui o apetite da fêmea
  • Febre alta: A ação bacteriana causa aumento na temperatura corporal
  • Inchaço e endurecimento nas tetas: O estado infeccioso resulta em aumento anormal na massa mamária, além de enrijecê-la a ponto de se tornarem duras
  • Letargia: Esse mesmo desconforto invoca estado de apatia na fêmea, de maneira que ela não disponha de energia para as atividades comuns diárias
  • Mau desenvolvimento dos filhotes: Por conta da qualidade do leite e da quantidade ingerida, os filhotes podem apresentar desenvolvimento físico deficitário. Assim, ocorre perda de pelo, de peso, além de irritabilidade
  • Negação da teta aos filhotes: A fêmea passa a evitar entrega da teta aos filhotes por conta de dores e sensibilidade locais
  • Sensibilidade nas tetas: A fêmea reage a toques feitos nas tetas insinuando dores locais
  • Supuração: Se comprimidas, as tetas expelem líquido purulento. Ocasionalmente, podem expelir também sangue
  • Vômito: o sistema de defesa induz a vômitos ocasionais na tentativa de se livrar dos agentes infecciosos
  • Diarreia: estado de defesa igualmente necessário, mas preocupante quando em eventos numerosos

Efeitos da mastite em cães

O que é mastite: A mastite pode provocar complicações mais sérias.

O que é mastite: A mastite pode provocar complicações mais sérias.

Há registros de fatalidade em vários casos. É possível causar choque séptico (condição com caráter de gravidade decorrente de ação de conjunto de bactérias) e oferece risco de vida.

Os filhotes podem não receber a quantidade adequada de leite. Em recebendo, a qualidade dele pode estar comprometida. Desta forma, sérios problemas de saúde acometem os pequenos.

Em casos avançados, será recomendado mastectomia, ou seja, retirada das mamas.

Como a mastite é causada

Estudos e pesquisas demonstram que há diversos motivos para criação do estado de mastite nas fêmeas de cães. Elas são tanto orgânicas quanto mecânicas. Em tese, as três causas principais são câncer de útero, qualidade do leite e ferimentos nos mamilos e tetas.

A doença pode se instalar a partir de infecção ascendente, isto é, entrada de micro-organismos no corpo da fêmea. Normalmente, isso ocorre diretamente pelos canais das tetas quando a cachorra se deita no chão.

Traumas nas tetas também são causas claras de mastite. São provocados, via de regra, por ação das unhas ou dentes dos filhotes quando mamam ou brincam com a mamãe.

Outro motivo para geração de mastite é higiene inadequada no dormitório ou local em que a fêmea permanece mais tempo no período pós-parto. Colônias de micro-organismos tendem a se proliferar nessas situações.

Ainda, a mastite pode ser induzida a partir de infecções sistêmicas. Seus agentes atuam em outras regiões do corpo da fêmea, mas se transportam para as glândulas mamárias.

Como diagnosticar a mastite

O que é mastite: Aos primeiros sinais de mastite leve a sua cadela ao veterinário.

O que é mastite: Aos primeiros sinais de mastite leve a sua cadela ao veterinário.

Como a gente destacou acima – e, assim, volta a repetir -, trata-se aqui de questões de saúde de seu animal. E questões associadas a infecções, o que pode oferecer riscos diversos à saúde também da família.

Portanto, é crucial que você leve a fêmea ao veterinário ao menor sinal de desconforto. É ele o profissional apropriado para diagnosticar, tratar e curar a mastite de sua cachorra. Mas essa iniciativa não se limita a casos de mastite; também em qualquer situação de incômodo orgânico por parte da fêmea.

Histórico

O veterinário vai solicitar informações sobre a saúde, comportamento e ambiente do animal. Desta maneira, ele identifica condições – ou falta delas – para inclusão de mastite no diagnóstico.

Perfil sanguíneo

Outra providência importante é análise da qualidade do sangue da fêmea. Isso inclui hemograma.

Urinálise

A urina também é investigada no diagnóstico.

Lactância

Havendo já produção de leite, este também entra na análise. Normalmente, ele se apresente com excesso de acidez e alcalinidade alterada.

Análise celular

Os nomes técnicos dos tipos de células observadas no diagnóstico são neutrófilos, macrófagos e outros modelos celulares que atuam na defesa do organismo. Havendo quantidade anormal, é sinal de que a infecção está se instalando ou já se instalou.

Tratamento da mastite

A gente alerta novamente por ser muito importante: todo o tratamento de qualquer anomalia – da mastite, nesse caso – deve ser promovido e acompanhado por veterinários competentes. Soluções caseiras provocam situações secundárias ainda mais agravantes.

Importante: a mastite precisa ser tratada. Atraso ou falta de providências podem resultar em sérios problemas aos filhotes. Até mesmo retirada da mama é ocasionalmente necessária. Portanto, aja rapidamente.

O profissional veterinário vai prescrever antibióticos a fim de combater a infecção. Como complemento, é possível que sugira compressas para aliviar dores nas tetas. Muitos casos exigem aplicação de anti-inflamatórios.

Normalmente através do resultado dos exames de sangue e antibiograma é que se faz a escolha do antibiótico a ser prescrito!

Havendo ranhuras e ferimentos, o médico vai receitar pomadas cicatrizantes para que a entrada de bactérias seja fechada no menor tempo possível.

Em casos de ferimentos necrosados ou de mastite causada por cânceres, o veterinário vai precisar intervir cirurgicamente. Isso é necessário a fim de se retirar a massa de pele e carne nociva.

É ideal que se evite amamentação em caso de mastite, quanto possível. O constante estímulo mamário é desconfortável para a fêmea e, além disso, o leite pode estar contaminado.

Prevenção à mastite

A prática de reprodução doméstica – atualmente inaceitável quase no mundo inteiro -, seja por questões comerciais ou simplesmente por amor a cães, possibilita indução à mastite com mais frequência. O motivo é claro: sendo a mastite doença de período de amamentação, quanto mais lactante a fêmea permanecer, mais riscos de contrair mastite ela terá.

Portanto, castração e providências que evitem prenhez são o melhor caminho, dizem especialistas e cinófilos em geral.

Outra atitude preventiva bastante importante é higienização constante das tetas da fêmea. Essa iniciativa pode ser tomada mesmo em estado de não prenhez. Gaze ou pano limpo umedecido em água também limpa, passados com certa frequência no animal, é suficiente para prevenir o problema.

A higienização constante durante amamentação evita umidade nas tetas. Como se sabe, isso é condição ideal para proliferação de agentes patogênicos, incluindo presença de carrapatos e pulgas. Também pode ser realizado a desinfecção dos tetos com iodo povidona após cada amamentação.

Massagem nas tetas fará você perceber sensibilidade excessiva ou endurecimento local, sinais de possibilidade de haver mastite. Uma boa dica é uso de garrafas pets com água morna!

Como complemento, apare as unhas dos filhotes. Desta maneira, eles não causam ranhuras nas tetas da fêmea, o que facilita entrada de bactérias na corrente sanguínea.

Com toda certeza, a leitura desta apresentação desvendou uma série de dúvidas que você tinha. Porém, a gente lembra novamente: é crucial, importantíssimo que a fêmea seja assistida por veterinário competente e de confiança. É a melhor maneira de prevenir, diagnosticar e tratar não apenas a mastite, mas qualquer anomalia prevista no organismo animal.

Se você ainda tiver dúvidas, não hesite em deixá-las na área de comentários abaixo!

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