Números divulgados ao longo destes últimos anos pelo IBGE já apontavam que o mercado pet vem resistindo à crise e está em constante expansão com relação a anos anteriores. Assim, consolidando-se como um dos negócios que mais crescem no Brasil.

Apesar das especulações e noticiários, a economia brasileira ainda não dá sinais concretos de grande melhora. Em contrapartida, o mercado de animais de estimação vem crescendo devagar. No entanto, resistindo de forma resiliente ao desemprego e a falta de renda da população em momento delicado de inflação.

De acordo com Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o mercado pet já chegou à ser responsável por 0,38% do produto interno bruto (PIB). Com isso, ultrapassou até a linha branca de eletrodomésticos essenciais como geladeira e fogão.

Ainda pela Abinpet, seus cálculos indicam que o mercado pets brasileiro é o terceiro maior do mundo. Nesse sentido, fica atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido, em seguida na frente de países como França, Japão e até a China, o país que mais possui animais de estimação no mundo.

Mercado pet é o que mais cresce no Brasil

São mais de 130 milhões de animais de estimação em todo o Brasil. Sendo assim, somos o quarto país no ranking de população de animais de estimação no mundo. Além disso, o mercado pet ainda tem espaço para crescer e driblar a crise. O setor se divide em 4 grandes segmentos:

  • Pet Food, segmento de alimentação que inclui rações, biscoitos e petiscos em geral;
  • Pet Vet, composto por medicamentos veterinários;
  • Pet Serv, que inclui serviços de adestramento, comércios, hotéis, creches, etc;
  • Pet Care, focado em produtos de cuidados para os animais, como equipamentos, acessórios e produtos de higiene e beleza.

Mudanças de comportamento são responsáveis por avanços econômicos

Por muitos anos, o segmento de Pet Food foi um dos setores que mais faturou. Mesmo assim, ainda possui mais que a metade de seu potencial ainda para crescer. O grande responsável hoje dentro desse mercado pet pelo crescimento avançado, é o segmento de saúde animal ou Pet Vet.

O segmento, que impulsionado pelo avanço da tecnologia, especializações veterinárias e novidades no setor de serviços nesta área pode dobrar o seu crescimento com relação ao mercado pet como um todo. Um fator determinante para todo esse crescimento, mesmo em tempos de crise e corte de gastos, é a forte mudança no comportamento das pessoas que possuem animais de estimação.

Com a crise econômica, a vida atribulada e a falta de tempo para se dedicar a família nos últimos anos, as pessoas estão tendo menos filhos ou até deixando de tê-los. Com isso, optando por animais de estimação para combater a solidão. Assim, estes animais passaram a ter um destaque ainda maior na vida destas pessoas. Ou seja, ganhando mais espaço dentro dos lares, além do status de membro da família.

Prevenção como medida de cura

De acordo com Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, donos de animais de estimação passaram a ter uma atitude preventiva ao invés de curativa com relação aos animais que dividem o ambiente com o resto da família dentro de casa. Segundo ele, estes animais sobem na mobília, dormem nas imediações internas e convivem de perto com crianças. Portanto, precisam ser mais bem cuidados.

O executivo investiu na área de saúde animal e pode acompanhar o seu crescimento de perto após o lançamento do seu primeiro antipulgas oral no país. A Zoetis, fabricante global de produtos farmacêuticos animais, também apostou nos medicamentos inovadores. Assim, a empresa lançou também seu próprio antipulgas oral para entrar na concorrência.

Além disso, e empresa ainda propõe um remédio sem corticóide para romper o ciclo de coceira e inflamação associadas às alergias. Dessa forma, existem empresas que estão apostando também em suplementos vitamínicos para animais.

Já a Royal Canin, uma das maiores fabricantes de alimentos caninos do mundo, por exemplo, apostou em rações medicamentosas. Estas auxiliam no tratamento de doenças renais, cardíacas e de pele. Nesse sentido, lançou uma linha especial para combater a obesidade canina e de gatos.

Cães de pequeno porte e gatos – que crescem duas vezes mais rapidamente do que os cachorros – estão entre as principais apostas da empresa que já vislumbra dobrar o seu crescimento em cinco anos.

Mercado pet traz novas oportunidades

Com isso, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), também confirma que toda essa indústria se transformou em uma outra alternativa para os veterinários. Eles que costumam enfrentar enorme competitividade na área clínica, agora vão em busca de especialização. O intuito é se destacar dos demais e atender à demanda de investimento.

Por esta razão, oportunidades corporativas estão sendo mais que bem-vindas nos dias de hoje. Mas, além de pesquisa e desenvolvimento, áreas comerciais e de marketing também estão abrindo vagas para profissionais com outras formações.

Mercado pet: Planos de saúde

Um exemplo comercial é a área de planos de saúde para cachorros, que está se tornando bastante necessária. Pois, apesar de grandes avanços na medicina veterinária, o tratamento dos animais de estimação está ficando cada vez mais caro. Uma simples visita de check up anual já pesa no orçamento.

Além disso, algumas raças ainda necessitam de banhos, tosas e outros cuidados. No mais, quando adoecem os custos com internação e remédios aumentam absurdamente. Por isso, o plano de saúde animal nunca fez tanto sentido para os donos de animais de estimação.

Dessa forma, a Petplan e a Health for Pet, por exemplo possuem de 3 a 5 tipos de planos a preços acessíveis. Além disso, operam nas principais capitais brasileiras e pretendem ampliar a cobertura cada vez mais. A inclusão de serviços de banho e tosa, consultas veterinárias, vacinação e vermifugação anual é uma das maneiras de agregar valor e criar pacotes diferenciados de planos.

Sem falar que os tratamentos veterinários estão ficando tão sofisticados que tem gerado vagas não só para profissionais de saúde como também para as áreas de vendas e logística, por exemplo.

Mercado pet: Novos tratamentos e especializações

A MedMep, empresa especializada em terapia com células-tronco, mudou o seu foco de negócio e passou a oferecer tratamentos para animais, ao invés de humanos. Assim, a procura pelo serviço só vem aumentando. Isso porque o tratamento é feito através de uma rápida aplicação de apenas 15 minutos, não exige anestesia e resolve problemas penosos, como a displasia de quadril.

A rede de hospitais veterinários Pet Care, de São Paulo, quadruplicou de tamanho ao oferecer atendimento 24 horas, exames de imagem, tomografia. Além disso, oferece UTI e atendimento em dermatologia, odontologia, cardiologia, oncologia e neurologia. Com isso, gerou muitas vagas de emprego em todas estas áreas.

E isso é só o começo, a farmacêutica Zoetis fez um levantamento inédito mostrando que apenas 8% dos veterinários no Brasil são dermatologistas e só 1% é oncologista. Por esta razão, os veterinários que investirem em especializações levarão vantagem nesse momento do mercado.

Hoje os donos de animais de estimação estão muito bem informados, e quando vão ao veterinário já pesquisaram tudo sobre a condição de saúde na internet. Dessa forma, cobram o mesmo conhecimento do veterinário. Por esta razão, veterinários precisam estar mais preparados que nunca.

Mercado pet: Novos produtos e serviços

Para empresários não é diferente. Quem quiser se destacar em meio a tanta concorrência, vai ter que oferecer comodidade, produtos e serviços inovadores ao consumidor. Por exemplo, fisioterapia na água, acupuntura, reabilitação motora.

Por isso, não basta só trabalhar com banho e tosa. O antigo modelo já está saturado e as margens são pequenas. Então, para crescer e obter sucesso tem que inovar, criar novos serviços para multiplicar a margem de lucro. Portanto, além de rações, brinquedos e acessórios, tem que trazer novidades.

Mercado pet: Novas opções de alimentos

Para quem aposta no Pet Food, a alimentação Premium (alimentos feitos com ingredientes selecionados e de boa qualidade) e a Padaria Pet (produtos frescos) estão atraindo cada vez mais clientes.

Embora, ainda precisem de autorização do Ministério da Agricultura e da contratação de veterinários ou zootecnistas responsáveis pela tabela nutricional dos produtos que serão produzidos e comercializados, os avanços dos investimentos continuam.

A exportação também é possível, sendo que o Brasil pode muito bem se tornar modelo de exportação. Para tanto, basta pesquisar minuciosamente o mercado pet e acreditar no potencial de seus produtos. Contudo, além dos setores de Pet Food e Pet Vet, os setores Pet Care e Pet Serv também possuem muitas outras oportunidades dentro do mercado pet:

1. Mercado pet: Banho e tosa

Apesar de banho e tosa ser o básico do setor do Pet Care e já estarem bastante saturados de concorrência. Mesmo assim, ainda há como inovar no setor criando horários alternativos diferentes dos horários de pico. Assim como descontos para certos horários e dias da semana. Além de serviços de transporte (leva e trás), uma enorme facilidade para quem não tem como buscar seus bichinhos.

2. Mercado pet: Treinamento e adestramento

O adestramento de cachorros sempre foi essencial para o desenvolvimento do animal, assim como para a boa convivência em família. Especialmente, nos dias de hoje em que estes animais estão mais tempo dentro de casa e em espaços cada vez menores. A inovação é o treinamento dos próprios donos. Visto que também precisam aprender a tratar seus pets de forma adequada, levando em conta os instintos e necessidades próprias de cada raça.

3. Mercado pet: Petsitter

A profissão de petsitter ou babá de bicho de estimação engloba muito mais que simplesmente passear, alimentar e fazer companhia. Para se destacar da concorrência, o serviço de babás deve incluir ensinar truques. Além disso, acompanhar o tratamento e/ou recuperação daqueles que passaram por cirurgia ou alguma doença. Para tanto, o serviço exige que o profissional tenha capacitação em adestramento e cuidados com os animais.

4. Mercado pet: Hotel e creche

Os hotéis para animais de estimação já são negócios lucrativos bem conhecidos e muito usados quando o donos viajam ou precisam se ausentar por longos períodos. A nova aposta no mercado pet é o serviço de creche. Este oferece tratamento mais humanizado ao reunir outros animais com intuito de promover a interação deles durante as atividades no período que ficam por ali.

5. Mercado pet: Roupas, brinquedos e acessórios

Roupas, brinquedos e todo tipo de acessório para cachorro que humaniza o animal de estimação acaba conquistando o seu dono. Com isso, são muito bem aceitos pelo mercado pet. É preciso criar acessórios que combinem com o estilo dos donos, seus hábitos e atitudes. É criando roupas e acessórios para cachorros baseados nestes nichos de consumidores e não no mercado em geral que as inovações acontecem.

Conclusão

Para concluir, as opções de investimento, números positivos e margens de crescimento são tantas, que tudo isso só prova que a evolução do segmento, em todos os setores, é um caminho sem volta. Para a sorte dos nossos bichinhos e do mercado de trabalho, o mercado pet continuará sendo uma boa opção de negócio lucrativo mesmo em meio à crise.

Fontes:
ABINPET / Guia Empreendedor / Pet Brasil

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