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Mamute: saiba tudo sobre ele

mamute

Você já ouviu uma musiquinha sobre o mamute que se alastrou pela internet há alguns anos? Sabe-se lá por que e para que foi composta. O ritmo é infantil, mas os temas abordados são bem adultos. E todos eles falam de terrível, destruidor e fatal fim do mamutezinho.

A musiquinha é chatinha, diga-se de passagem. Entretanto, guardadas as devidas proporções, acaba revelando o triste fim desse verdadeiro peso-pesado de eras passadas: extinção. Aliás, alguns tipos de morte já foram desvendados pela ciência, conforme você vai ser (e lamentar muito) na penúltima parte deste artigo.

Conhecer os motivos pelos quais animais foram extintos no passado é importante para a ciência. Esse conhecimento pode revelar soluções para problemas do presente e do futuro. É o que acontece, aliás, com o mamute. Há muito ainda para descobrir, mas o que se sabe já deu bons frutos científicos.

Nos 55 milhões de anos passados, mais de 500 tipos de proboscídeos (veja o que é isso mais abaixo) viveram no Planeta. Nem sempre foram contemporâneos. Os que viveram mais tempo estavam bem mais adaptados a climas frios, que é o caso do mamute.

Os dois remanescentes são justamente os dois tipos atuais de elefantes, o Asiático e o Africano, sobre os quais já falamos em nosso site. Assim, estes são os maiores mamíferos terrestres existentes hoje.

Por que sabemos mais sobre mamute

Via de regra, paleontólogos se deparam com partes de material fossilizado. Nesse caso, precisam trabalhar por partes, tentando montar uma espécie de quebra-cabeças. Porém, em relação ao mamute, o trabalho em si se torna menos estafante e menos complicado, pois esses animais desapareceram no gelo.

E boa maioria deles morreu em território em que ainda há muito gelo. Então, os fósseis estão bastante bem conservados. Certamente, isso facilita sobremaneira os procedimentos de pesquisas e análises.

O que significa “mamute”?

O termo "mamute"tem origem controversa, mas resigna-se a denominar esse gigante extinto.
O termo “mamute”tem origem controversa, mas resigna-se a denominar esse gigante extinto.

A palavra em si tem origem controversa. Diversas fontes não têm consenso. Boa quantidade delas diz que vem do russo
“mammot” e que se refere a restos mortais de grandes animais. Entretanto, outros etimologistas alegam que a palavra nasceu de mammuthus, termo francês, que migrou posteriormente para o espanhol como “mamut”.

Assim, chegou ao português como “mamute”. Por outro lado, é grande o número de referências a um termo ostíaco, um povo da Sibéria Ocidental. Ainda: há referência a duas palavras da Estônia (“maa”, que é “terra”, e “mutt”, que é “vira-lata”), base para a palavra em português. Agricultores desse país encontraram diversos e grandes ossos de mamute enterrados.

Nota importante: Na verdade, o termo acima “vira-lata” se refere mais ao ato em si de “revolver, remexer” e não no sentido usado em português.

Mamute era proboscídeo

O nome é estranho, mas o significado é simples: animais com tromba, ou melhor, nariz proeminente. A estrutura do DNA do mamute está intimamente ligada à do elefante que conhecemos hoje.

Geralmente, animais pré-históricos proboscídeos são classificados como Gomphotheres. Trata-se de espécie extinta, a Gomphotheriidae que, apesar das semelhanças, nada tem a ver com a família Elephantidae. Viviam onde hoje se conhece como América do Norte entre 12 milhões e 1,6 milhão de anos atrás.

Como o mamute era

A aparência do mamute era muito semelhante à do elefante, como você já sabe. Assim, pode-se dizer que era um tipo de elefante. Entretanto, era maior e mais pesado. E suas presas eram bem mais curvas e muito maiores. Maiores mesmo. Podia chegar ao tamanho do próprio corpo do animal.

De forma mais direta, o mamute é associado mais ao elefante asiático que propriamente ao africano. Porém, a diferença entre mamute e elefante mais marcante está nos pelos. O mamute tinha pelos longos, aliás é a razão de também ser chamado de mamute lanoso, ou seja, coberto de lã.

Os pêlos, castanhos, serviam de proteção durante o frio rigoroso do Ártico, que é de onde eles se originaram. Tinham pelos cobrindo até mesmo toda a orelha.

Tinha expectativa de vida por volta de 70/80 anos.

Questões físicas

O mamute-lanoso tinha mais ou menos 4m de altura e podia chegar a mais ou 6 toneladas. Entretanto, há estudos que informam peso muito maior: 10 toneladas. Quanto aos pelos, pesquisadores dizem que atingiam até 1m de comprimento e tinham característica de lã. Daí, novamente, o nome “lanoso”.

Ainda sobre os pêlos, parece que se apresentavam em duas camadas. A inferior era bem curta e ainda mais macia. Dessa maneira, estavam plenamente protegidos do frio intenso.

As presas eram enormes. Na fêmeas, tinham mais ou 2m; nos machos, o dobro disso.

Interessante: as presas dos mamutes são importantes para a ciência atual. À semelhança das árvores – que apresentam camadas que informam sua idade e outros dados -, as presas do mamute também dispõem desse dispositivo. Cortes transversais revelam camadas ósseas que vão se compondo com o passar da vida do animal.

Elas – as presas – talvez tenham sido apropriadas durante lutas com rivais. Entretanto, a função mais aceita é que tenham sido ferramentas de escavação em neves e terra ou mesmo em arbustos. O objetivo era conseguir alimento.

O que comia, o mamute

Assim como os elefantes, o mamute era herbívoro. Sua alimentação era baseada em gramíneas, salgueiro e folhas diversas. Era capaz de ingerir mais de 500kg de grama num só dia.

Primeiros indícios sobre o mamute

Foi Johann F. Blumenback, cientista alemão, que descreveu o mamute inicialmente. Em verdade, chamou o animal de Elephas primigenius porque partiu de ossos muito parecidos com os de elefantes.

A paralelo e de forma independente, o Barão Georges Cuvier, zoólogo e estadista Francês precursor da anatomia comparada e paleontologia, também estudou outros ossos. Ambos chegaram à conclusão de que o material era de um animal extinto.

Então, posteriormente, mais estudos classificaram o animal como de espécie diferente. Dessa forma, foi renomeado como Mammuthus primigenius.

Onde estavam os mamutes

Fósseis de mamute foram encontrados em 3 continentes diferentes.
Fósseis de mamute foram encontrados em 3 continentes diferentes.

Pesquisadores encontraram indícios fósseis de presença de mamute em três continentes: América (ao norte, no caso), Ásia e Europa. Havia três espécies de mamute nos territórios que hoje compreendem os EUA: Mammuthus columbi, o Mammuthus jeffersonii e o Mammuthus primigenius (mamute-lanoso).

O mamute-lanoso viveu mais em planícies frias do Ártico; porém, acabaram por se locomover para regiões menos frias. Então, segundo pesquisa feita por equipes em Winnipeg (Canadá) na Universidade de Manitoba, o mamute também ocupou regiões da África e Ásia posteriormente.

Assim, os mamutes africanos e asiáticos deram origem aos dois tipos de elefantes atuais. Surgiram na África por volta de 7 milhões de anos atrás antes de migrarem para o sul da Europa. De lá, seguiram para Ásia 1 milhão de anos depois.

Depois da Idade do Gelo, o mamute passou por alteração genética a fim de se adaptar aos novos climas daquela era. Entretanto, não houve tempo para tal adaptação e eles desapareceram.

Aliás, o motivo real da extinção do mamute está longe de consenso. Alguns estudiosos dizem que as diferenças climáticas impostas pela Era Glacial durante séculos exterminaram todos. Outros ainda alegam ter fortes indícios de que a ação humana (caça, alimentação, uso de ossos e pele etc.) foi a causadora. Já outros afirmam que houve epidemia desconhecida.

Como o mamute se desenvolveu

Em verdade, fósseis indicam que a espécie foi se alterando com o passar dos milhares de anos. O mamute que se conhece veio da espécie Mammuthus africanavus. Esta foi a segunda espécie mais antiga já descoberta. Parece ter vivido há cerca de 3 milhões de anos no período Plioceno.

Seus descendentes migraram para a Eurásia, provavelmente em busca de melhores condições. Trata-se da espécie Mammuthus meridionalis ou mamutes do sul.

Havendo grandes períodos de mar baixo, o mamute (meridionalis) se lançou na aventura e chegou até a América do Norte através do Estreito de Bering. Então, teve origem o gênero Mammuthus imperator.

Ainda na Eurásia, outra espécie acabou se desenvolvendo. É chamado mamute da estepe ou Mammuthus trogontherii. Existiu entre 200 mil e 135 mil anos atrás.

Já o mamute-lanoso, do qual temos falado tanto aqui, teve origem no Pleistoceno. Aliás, diga-se, é o menor já existente. Houve também uma espécie anã de mamute, o Mammuthus exilis. Viveu nas Ilhas do Canal da Califórnia. Segundo estudos, a altura não passava de 1,80m.

Assim, durante a última era glacial, tiveram oportunidade para percorrer toda a Eurásia e África entre os 110 mil e 12 mil atrás.

Diferenças com o mastodonte

Identificar a diferença entre mamute e mastodonte não é realmente fácil nem mesmo para estudiosos. A maior diferença física está nos dentes e a diferença mais evidente está no período em que existiu.

Os ossos de um e de outro são muito parecidos. Porém, os molares do mamute apresentavam sulcos na superfície, o que era ideal para alimentar-se de gramíneas. Já os do mastodonte tinham cúspide bem visível, ou seja, eram pontiagudos.

O tamanho é igualmente um bom diferencial. O mastodonte era bem menor que o mamute.

A chocante morte de dois bebês mamutes

Populares encontraram dois bebês mamutes mumificados em 2007 na Sibéria. Por conta do gelo, o material se preservou em detalhes jamais observados. Estavam em tão bom estado que foi possível analisar até mesmo a partir de tomografia computadorizada. Foram amorosamente batizados de Lyuba e Khroma.

Um pastor de renas encontrou Lyuba em Yamal, peninsula da Sibéria, perto de um lago congelado. Seu corpo foi preservado por uma infinidade de colônias de bactérias que, por outro lado, impediram que predadores o devorassem. Assim, pelo formato do corpo, ela foi bastante gorda. E saudável.

Já Khroma foi encontrado por um caçador de marfim em um rio também congelado em Yakutia, também na Sibéria. Parece que igualmente era bastante saudável, já que seu estômago continha grande quantidade de leite materno. Certamente, tinha acabado de mamar pouco antes de morrer.

Portanto, ambos foram altamente produtivos para pesquisas e análises. Isto é, estão sendo úteis mesmo 40 mil anos após sua morte. Dessa maneira, análises preliminares indicaram que ambos viveram apenas entre 1 e 2 meses.

Em algum dos últimos momentos de vida, ambos caíram em uma vala durante tempestade (não ao mesmo tempo). Ao que parece, forte tempestade. Inexperientes e pequenos, certamente passaram a se debater. Isso criou espessa camada de lama.

Assim, eles pereceram. Sufocados com grande quantidade de lama na traqueia e garganta como um todo. A quantidade parece ser mesmo muito grande, pois as vias respiratórios se encontravam completamente tomadas.

Triste fim para dois pequenos heróis paleontológicos.

Ressurreição, a esperança

Bem, não se trata, claro, de ressurreição. Por outro lado, como a gente comentou acima, fósseis de mamute estão normalmente bem conservados por conta do gelo. Ou seja, por terem desaparecido da face da Terra na Era Glacial, seus corpos têm boas condições de preservação.

Neste contexto, os cientistas estão conseguindo não apenas analisar o DNA dos animais, mas também mapeá-lo. O processo foi feito num exemplar fóssil que aparentemente viveu por 50 anos, mamute-lanoso fêmea, e morreu há pelo menos 40 mil anos atrás. É chamada carinhosamente de Buttercup.

Tecnicamente, o estudo pode reproduzir o DNA em laboratório. Existe já um programa específico para isso chamado The Woolly Mammoth. Ou seja, é o caminho inverso da extinção.

Entretanto, há quem seja contrário a essa iniciativa. Diversos cientistas alertam para as diferenças entre o habitat anterior e o encontrado por eventuais novos mamutes. O contra-argumento para essa visão é que se pode criar o ambiente adequado no caso de haver sucesso na empreitada.

Há ainda outros entraves apontados por cientistas antagônicos. Um deles trata da questão das bactérias digestivas. É bem possível que o tipo de bactéria apropriada para o estômago do mamute já não existam mais. Nesse caso, certamente os indivíduos teriam problemas digestivos seriíssimos.

Grandes, enormes animais que não faziam mal a ninguém, pois bastante pacato. Nem mesmo mal fazia a outros animais, já que era herbívoro. Ainda assim, teve um triste fim. Em especial Lyuba e Khroma.

Serg Smigg

Written by Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados.
A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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