in

Malassezia em cães: O que é e como tratar a doença

malassezia em cães

O termo Malassezia é conhecido praticamente apenas no rol técnico veterinário. Porém, você já deve ter ouvido o nome pelo qual é conhecido popularmente: dermatite de levedura. Trata-se de malefício muito comum que irrita a pele dos cães.

Contudo, estando a área médica veterinária sempre em evolução, constantemente surgem novos estudos e mais informações. Se você precisar de alguma e não a encontrar aqui, deixe nos comentários ou envie mensagem para nossas equipes. Gostamos de ser úteis.

Importante: Estamos tratando aqui de problemas de saúde de seu pet. Assim, é sempre mais que conveniente assumir conselhos veterinários. Somente o profissional é capaz de identificar a profundidade do problema, avaliando as condições e, assim, determinar os melhores procedimentos.

Eu tenho, tu tens, nós temos Malassezia

A malassezia é um fungo existente na pele que em grandes quantidades vira uma doença.
A malassezia é um fungo existente na pele que em grandes quantidades vira uma doença.

Malassezia é fungo de pele. A origem da dermatite por malassezia é o conhecido fungo malassezia pachydermatis, conhecido como levedura zoofilicada, da divisão de basidiomycota. Esses “bichinhos” adoram gordura e a têm como fonte de energia.

Portanto, posto que a pele de mamíferos contém glândulas produtoras de gordura para autolibrificação, o corpo desse tipo de animal (humanos inclusive) é praticamente “habitat” perfeito para esses micro-organismos. Ao consumir parte da gordura da pele, o fungo produz dejetos que resultam em infecções mais ou menos sérias, conforme você vê nesta apresentação.

Sintomas da Malassezia

A malassezia provoca alguns sintomas como coceira, vermelhidão, entre outros.
A malassezia provoca alguns sintomas como coceira, vermelhidão, entre outros.

Toda anomalia apresenta sinais de presença. Alguns menos evidentes, outros bem claros. No caso da malassezia, é possível perceber e, assim, tomar providências imediatas.

Coceiras

Certamente, um dos primeiros sinais da presença de malassezia é coceira excessiva. Todo animal se coça, mas os portadores desse fungo passam o dia em constante sessão de coceira.

Odores

Uma das primeiras evidência é odor característico: não tão forte, lembrando mofo.

Pele grossa ou de “elefante”

É a forma como é conhecido o efeito de “pele grossa”. Você pode notar essa condição durante brincadeiras, carinhos, banho etc.

Escamações

Há casos mais ou menos adiantados em que a pele se mostra escamosa. Quando o animal se coça, é possível notar pequenas escamas escapando entre os pelos.

Vermelhidão

Outro sintoma bastante conhecido são áreas vermelhas na pele do animal.

Pigmentação

São conhecidos os casos em que a pele do pet apresenta pequenos círculos escuros.

Otite

Quando os fungos se acumulam nas orelhas, é fácil adentrar o ouvido e provocar otite.

Malassezia pode provocar infecção

A malassezia pode provocar infecção grave.
A malassezia pode provocar infecção grave.

Há milhares de tipos de bactérias e de microorganismos localizados no tecido epitelial (pele) de qualquer animal, incluindo o racional. Na maioria dos casos, os sistemas de proteção dos organismos acaba “guerreando” com tais substâncias. E ganhando a guerra.

Assim, normalmente, a quantidade de fungo malassezia é controlada pelo próprio sistema de defesa do animal. A capacidade de imunização natural do organismo do pet se incumbe de combater e manter os fungos sob controle.

Entretanto, diversas situações podem alterar essa capacidade imunológica. Nessas situações, ocorre aquilo que é conhecido como doenças oportunistas. Ou seja, anomalias que se aproveitam do processo de baixa imunidade para se instalar no organismo (isso ocorre também em seres humanos).

Uma dessas anomalias é um processo infeccioso. Se, por algum motivo, o próprio sistema do animal não consegue controlar a quantidade de fungos e esta aumenta, é grande a possibilidade de haver infecção. Tendo já o animal propensão à infecção – por problemas sanguíneos, hereditários etc. -, a tendência é ocorrência de infecções.

Determinadas substâncias químicas, como corticosteróides, podem diminuir a capacidade imunológica e, assim, permitir infecções diversas. Isso ocorre por conta de presença de certos óleos liberados pela pele – uma espécie de instrumento de defesa orgânica (veja mais abaixo).

Como e quem pega malassezia

Estudos profundos demonstram que a malassezia não é adquirida por contágio, seja por meio aéreo ou contato direto. A aquisição tem várias origens.

Uma delas é a raça do animal. Outros estudos estatísticos mostram que as elencadas abaixo tendem à malassezia mais facilmente:

  • Australian terrier
  • Cocker spaniel
  • Terrier branco de montanhas ocidentais
  • Lhasa apso
  • Dachshund
  • Maltese terrier
  • Basset hound
  • Terrier de seda
  • Chihuahua
  • Poodle
  • Cão pastor de Shetland

Como diagnosticar a Malassezia

O médico veterinário experiente conhece diversas maneiras de capturar amostras e diagnosticar o problema em seu pet. Veja algumas delas a fim de acompanhar procedimentos:

Fita adesiva

É maneira prática de que o profissional vai lançar mão: pressionar fita adesiva transparente para retirada do material fúngico.

Lâmina de análise

Ele pressiona a lâmina de vidro sobre a região da pele que mais aparentemente contenha fungos; então, movimenta-a a fim de que o maior número possível de matéria permaneça “colado” ao vidro.

Cotonete

Também é comum uso desses bastões plásticos para capturar colônia de malassezia.

Bisturi

É comum uso de bisturi ou outro tipo de lâmina cirúrgica a fim de raspar superficialmente a pele e extrair partes com fungos.

Captura de tecido

Em algumas ocasiões, os procedimentos acima não são suficientes para determinar a causa da coceira e diagnosticar eventual presença de malassezia. Assim, é preciso ação mais invasiva. O profissional retira pequeníssimo pedaço de pele para proceder às análises. Nesses casos, o resultado dos exames é muito mais assertivo.

Como tratar a Malassezia

A forma de tratamento da malassezia depende do nível do alcance do problema. Pode ser via oral, via aplicação direta na pele e ainda as duas formas combinadas.

Aplicação direta

O tratamento tópico (aplicação direta de produtos) é altamente importante. Tanto que bons veterinários indicam xampus medicinais e cremes hidratantes mesmo que você esteja dando remédios orais ao pet.

Essa ação é necessária em cães cujo histórico apresente pele oleosa em demasia. O óleo funciona como “matéria aderente” dos fungos, o que leva à infecção quando houver presença de colônias grandes de fungos. Nesses casos, é necessário retirar a gordura para que os produtos aplicados tenham efeitos mais intensos.

Desta forma, produtos que contenham peróxido de benzoila ou sulfureto de selênio são indicados para limpeza. Depois disso, aplica-se xampu contra fungos. Normalmente, este contém miconazol, clorexidina ou cetoconazol (veja as indicações nas embalagens).

Importante: se lavagem com esse tipo de xampu for indicada pelo veterinário, mantenha o produto em contato com a área da pele por pelo menos 15 minutos. Repita a operação 3 ou 4 vezes por semana durante 3 meses.

No caso de haver presença da malassezia em poucos pontos da pele ou limitada aos ouvidos, uma pomada ou creme antifúngicas normalmente resolve o problema caso não haja contraindicações ou problemas mais sérios.

Ingestão de medicamentos

Já o tratamento via oral é indicado para casos um tanto mais graves, quando há constância crônica de presença de malassezia. Via de regra, o veterinário impõe esse tipo de tratamento quando o processo infeccioso por bactérias diversas já se iniciou.

Assim, os remédios são compostos por antibióticos a fim de destruir os micro-organismos. Essas substâncias são compostas por itraconazol, cetoconazol e fluconazol (veja a bula).

Importante: esses remédios orais apresentam índice de eficácia bastante elevado. Porém, a gente sugere que o tratamento se estenda por pelo menos 03 meses, pois pequena colônia de malassezia que eventualmente tenha sobrevivido é suficiente para reincidir em infecções.

Há casos registrados de animais que tiveram problemas de fígado após uso prolongado desses medicamentos. Assim, convém que você leve seu pet para fazer exames específicos rotineiros. O veterinário vai indicar a frequência ideal.

NUNCA AUTOMEDIQUE SEU PET! Lembre-se que todo medicamento possui efeitos colaterais indesejáveis! Sempre busque orientação de um veterinário!

Quanto antes, melhor

A melhor forma de evitar a malassezia é a sua prevenção.
A melhor forma de evitar a malassezia é a sua prevenção.

Assim que você notar que seu animal esteja se coçando com certa frequência, convém investigar. Quanto mais rápido receber o diagnóstico da malassezia, mas eficaz se mostra o tratamento.

Nesses casos, o problema pode ser resolvido em poucos dias somente com aplicação de xampu ou creme antifungos. Isso ocorre na esmagadora maioria dos casos.

Via de regra, essas substâncias auxiliam o próprio sistema imunológico do animal. Torna-se uma espécie de complemento.

Porém, a invasão da pele do animal por malassezia pode ocorrer 3 ou 4 vezes por não. Assim, atenção e cuidados são os melhores meios de prevenir o problema.

Essa grande possibilidade de controle se dá porque, como comentado acima, a pele de mamíferos é universo de uma vastidão de micro-organismos. A convivência é normalmente pacífica até o momento em que a quantidade desses seres interfira nas condições cutâneas.

A malassezia já foi encontrada em caspas humanas, em pelos pubianos, em maçanetas de porta de banheiro público etc. Está, portanto, presente no dia a dia. Assim, o objetivo do tratamento é “controle” e não exatamente “extermínio”.

Problemas mais sérios em humanos

Como foi comentado acima, a malassezia está presente na pele humana (também) como se esta fosse seu habitat. O quase perfeito equilíbrio entre a quantidade desse micro-organismo e o nível de autoproteção do organismo humano é tido como responsáveis pela saúde da “flora cutânea” (pele).

Ou seja, de certa maneira, a malassezia incentiva o trabalho de autodefesa, o que é benéfico para a saúde humana.

Entretanto, estudos interessantes mostraram presença da malassezia na corrente sanguínea humana. Normalmente, ocorre em recém-nascidos prematuros porque seu sistema de autoimunização ainda não está completo.

É possível também que a malassezia penetre o organismo humano em procedimentos de cateterismo feitos em condições deploráveis de higiene clínica. O massa fúngica se desenvolve rapidamente nesses casos.

O problema maior é que não é exatamente fácil identificar alguma infecção por malassezia nesses casos. Isso resulta em diagnóstico incompleto e em consequente atraso no tratamento. O que pode ser perigoso em casos diversos.

Pois então, é isso. Conhecer as causas se simples coceiras é importante porque elas podem não ser tão simples assim. A frequência com que seu animal se coça é indicativo de problema mais ou menos preocupante.

Se você tem ainda alguma dúvida a respeito de malassezia, deixa-a nos comentários abaixo ou envie mensagem para nossas equipes. Elas gostam muito de animais; assim, suprir os leitores de conhecimento é grande satisfação para elas.

Atenção tutores! Todo o conteúdo publicado no portal Vidanimal é de caráter APENAS informativo e não pretende substituir o aconselhamento médico ou a consulta veterinária com relação à sintomas, tratamentos ou diagnósticos.

O nosso compromisso e objetivo é levar a informação até você através de conteúdos relevantes e gratuitos sem qualquer pretensão de prescrever substâncias, receitas, remédios ou tratamentos veterinários ou de substituir a opinião e orientação de profissionais especializados e qualificados em suas respectivas áreas de atuação.

O Vidanimal Não recomenda que seus leitores façam tratamentos ou utilize substâncias em seus animais por conta própria, mesmo que naturais, sem a indicação de um veterinário. Não automedique o seu animal sem antes consultar um veterinário!

Assim, por mais completo e detalhado que o artigo aqui publicado venha a ser, ele é apenas complementar e para fins informativos. Portanto, nenhum conteúdo aqui produzido substitui uma consulta veterinária.

Os conteúdos aqui fornecidos não possuem qualquer tipo de garantia, sendo a sua utilização de risco assumido pelo próprio usuário. No entanto, jamais publicaremos alguma informação ou produto que não tenha sido pesquisado, que não tenha respaldo técnico ou que não tenha sido avaliado por um especialista.

Todas as correções e revisões passam pela nossa equipe editorial, sendo avaliadas pelos profissionais capacitados de nossa equipe.

Correções e revisões feitas pelo médico(a) veterinário(a) Dr. Patrick Rafael Teixeira Batista, CRMV/SP:26050

Dr. Patrick Batista (CRMV/SP:26050)

Written by Dr. Patrick Batista (CRMV/SP:26050)

Patrick Rafael Teixeira Batista (CRMV/SP:26050 ) é médico veterinário, graduado em medicina veterinária pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e apaixonado pelos animais. Iniciou sua carreira como estagiário em diversas clínicas veterinárias e atuou também na área comercial de grandes empresas do setor pet como vendedor. Atualmente é membro do departamento de zoonoses da prefeitura de Barra do Chapéu/SP e trabalha como profissional autônomo em seu consultório, atendendo pets e outros animais exóticos!

One Comment

Leave a Reply
  1. Minha cachorrinha tem um fungo preto na pele, região anal, vaginal e espalhou pelo corpo mesmo usando shampoo e cetoconazol, já faz mais de um ano que trato, com acompanhamento veterinário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinomose

Cinomose: O que é, como tratar e prevenir a doença

bicheira em cães

Bicheira em cães: O que é e como tratar esse mal