O Maine Coon é uma das raças de gatos mais famosas, principalmente por causa de seu tamanho. É, de fato, considerado o maior gato do mundo, além de ser, sem dúvida, belíssimo.

Além de sua boa aparência e personalidade gentil, sua história também é bastante misteriosa! Suas origens são mais folclóricas e teóricas do que verdadeiros fatos comprovados.

Ficha Técnica do Maine Coon

Origem: Estados Unidos
Data de origem: 1861
Temperamento: Equilibrado, extremamente dócil, meigo e companheiro, afetuoso, brincalhão.
Tamanho: Grande
Peso: 10 kg
Cores: Chocolate, lilás, o colorpint, cinnsmon e faon, tabby, tnicolores, escamas de tartaruga, silver, smoke e os particolores.
Pelos: longos e macios
Expectativa de vida: 12 anos
Reconhecimento: CFA, FIFé, TICA, GCCF, AACE, ACFA, ACF, CCA.

Introdução à raça – Maine Coon

O Maine Coon é uma das raças nativas dos Estados Unidos. Reconhecida, principalmente por seu tamanho e resistência, já que se adaptou ao inverno rigoroso do estado do Maine (de onde vem seu nome).

O frio e as distâncias entre os assentamentos humanos no Maine ajudaram a raça do gato Maine Coon a permanecer pura, ou seja, sem misturas por cruzamentos, por centenas de anos.

Teorias sobre a origem do Maine Coon

Sobre sua origem, existem algumas teorias mais folclóricas do que reais. Vamos falar aqui sobre as principais teorias da origem do gato Maine Coon.

Teoria do cruzamento entre gato e animal selvagem

Uma das teorias mais comuns e mais bizarras sobre a origem dos gatos Maine Coon é que tata-se de um híbrido. Ou seja, o Maine Coon seria uma mistura genética entre um gato e um animal selvagem.

Existem duas linhas gerais para essa teoria de origem. A primeira é que um gato domesticado cruzou com um guaxinim. A outra é que um gato domesticado cruzou com um lince.

Da primeira teoria (gato + guaxinim) há pouca possibilidade, uma vez que os gatos e os guaxinins são espécies completamente diferentes e não podem se reproduzir entre si.

A segunda teoria, ou seja, de um gato com um lince pode parecer mais provável. No entanto, gatos e linces são ambos da família Felidae, mas não são da mesma espécie. Os linces são de um gênero diferente, o que significa que não podem cruzar com gatos normais.

A teoria do gato + guaxinim também tem um pouco de influência em nome do Maine Coon, já que guaxinim em inglês é “raccoon”. Entretanto, antes de ser chamado de Maine Coon, era simplesmente chamado de “Maine cat”.

A adição da segunda palavra ‘Coon’ poderia, no entanto, estar relacionada ao nome inglês do guaxinim ou, como veremos mais adiante, ao sobrenome do capitão Charles Coon.

A teoria dos gatos de navios

A teoria mais plausível sobre a origem do Maine Coon é que eles poderiam ser descendentes de gatos europeus trazidos em navios. De fato, capitães de navios geralmente mantinham gatos a bordo para manter o controle dos ratos e camundongos que poderiam causar estragos na carga e no funcionamento interno do navio.

Há 200 anos, o estado do Maine era um porto onde navios ancoravam frequentemente para realizar intervalos de viagem ou fazer manutenções aos navios. Além disso, a região era muito popular entre as empresas de construção naval. De fato, muitas famílias que viviam do mar se estabeleceram nas cidades costeiras do Maine, trazendo seus gatos.

Uma das raças mais mencionadas é o Angorá de pelo longo, e portanto o Maine Coon seria um dos descendentes dessa raça.

Capitão Charles Coon e seus gatos

Das teorias do gato navio, uma história particular parece se destacar do resto. Por volta de 1800 havia um capitão de navio com o nome de Charles Coon. Mesmo que seu nome seja uma correspondência extremamente conveniente para a história da origem do Maine Coon, não há provas de que não seja apenas mais um conto popular.

Diz a lenda que, quando o capitão Charles Coon ancorava nos portos, seus gatos o acompanhavam. Conta-se que seus gatos começaram a cruzar com gatos selvagens locais, e que posteriormente começaram a aparecer gatinhos de pelos longos por toda a costa do Maine. Eles foram chamados, então, ‘Coon’s Cats’ (gatos de Coon) porque eles se pareciam muito com os gatos do próprio Capitão.

O nome do capitão é uma coincidência ou realmente deu ao gato o seu nome? Ninguém tem certeza absoluta.

Gatos dos Vikings

Outra possibilidade que envolve navios, conta que os gatos trazidos por navios britânicos e franceses para controle de pragas na embarcação, teriam sido deixados para trás no Maine.

Algumas pessoas, de fato, acreditam que o Maine Coon seja descendente dos Gatos da Floresta Norueguesa que teriam chegado aos Estados Unidos a bordo de navios escandinavos.

Os exploradores nórdicos chegaram aos EUA muito antes de outros europeus e, portanto, se essa teoria fosse verdadeira, os gatos Maine Coon seriam uma espécie nativa muito mais antiga do que imaginamos.

Os Angorás de Maria Antonieta

Mais uma teoria interessante sobre a origem do Maine Coon envolve a realeza francesa.

Conta-se que durante o extravagante mandato de Maria Antonieta em Versalhes, os gatos de raças Angorá turco e Persa eram animais domésticos comuns, chegando até mesmo a serem considerados pragas.

O conto que liga gatos angorá a gatos Maine Coon é a história da quase fuga de Maria Antonieta para os Estados Unidos. Quando Maria Antonieta e sua família foram presas em Versalhes em 1793, seu capitão de navio Samuel Clough e alguns de seus simpatizantes planejaram uma fuga para o estado do Maine.

Nas docas, de fato, havia um navio ancorado que viajava regularmente a rota comercial entre a França e o Maine. O plano era levar a família ao navio e levá-la ao Maine, em segurança.

Todas as tentativas de fuga falharam, resultando na decapitação de Luís XVI e, em seguida, Maria Antonieta.

Então, o navio comandado por Samuel Clough deixou a França apressadamente e partiu para o destino planejado no Maine, levando os móveis e pertences reais, inclusive os gatos Angorá. Lá, a esposa do capitão aguardava com uma casa grande pronta para seus hóspedes reais.

Esta história da quase sobrevivência de Maria Antonieta e sua família é um fato comprovado, mas o que permanece um mistério é a presença dos gatos angorá no navio de Samuel Clough. Ainda assim, trata-se apenas de especulação.

Aparência do Maine Coon

O Maine Coon possui a cabeça de tamanho médio e num formato triangular. Seu nariz tem comprimento médio. Já os olhos são grandes, ligeiramente oblíquos e bem afastados. Todas as cores são permitidas.

Suas orelhas costumam ser grandes e largas na sua base, moderadamente pontiagudas, posicionadas no alto da cabeça. O interior, geralmente, é bem guarnecido de pelos finos, partindo na horizontal. Os tufos de pelos de Lince sempre são desejáveis para a raça.

Seu corpo costuma ser longo, forte e de tamanho grande.  Consequentemente, sua ossatura e sua musculatura é muito potente.

Pode chegar a até 10 kg. Suas patas possuem comprimento médio e são fortes. Os pés são grandes e redondos. Além de contar com tufos interdigitais bem guarnecidos. Sua cauda é longa, larga na base e que vai afinando até a sua extremidade. Conta com pelos longos, abundantes e flutuantes.

Pelagem do Maine Coon

Sua pelagem é densa, sedosa, costumando ser curta na cabeça, nos ombros e nas patas. É um pouco mais longa no dorso e nos flancos e abdômen.

O Maine Coon pode possuir qualquer padrão de pelagem, exceto do tipo do Siamês, e nas cores chocolate e lilás. Os olhos podem ser verdes, dourados ou cor cobre. Em geral, não há relação entre a cor dos olhos e a do pelo, embora olhos azuis sejam possíveis nos exemplares brancos.

Ambiente ideal para o Maine Coon

Devido ao seu tamanho e nível de atividade, o Maine Coon é um gato que precisa de mais espaço para poder se exercitar. Casas com quintais podem ser mais indicadas para gatos dessa raça.

Temperamento e Personalidade

O Maine Coon é um gato manso e carinhoso, sendo considerado um ótimo animal de estimação. São, de fato, muito inteligentes, sociáveis, curiosos e brincalhões.

São excelentes caçadores de ratos. Por isso, é bom oferecer brinquedos que estimulem esse instinto natural.

Cuidados e Manutenção

O Maine Coon é um gato que tem pelagem muito densa e portanto tende a perder muitos pelos. É, portanto, recomendável escová-los frequentemente para reduzir a perda de pelos pela casa e reduzir o risco de ingestão de grandes bolas de pelo que podem provocar obstruções do trato gastrointestinal.

Além dos cuidados com seus lindos pelos, é necessário cuidar também de sua higiene bucal.

Saúde

Todos os gatos podem viver uma vida saudável, assim como podem desenvolver problemas de saúde ao longo da vida. No entanto, gatos de raças específicas possuem predisposições a determinados distúrbios e patologias. Isso, porém, não significa que todos os indivíduos da raça terão as doenças que serão descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las no decorrer da vida.

Para quem compra ou adota um gato de uma raça específica, é primordial conhecer os riscos para saber como cuidar melhor do próprio gato. Além disso, é muito importante, também, comprar gatos de criadores éticos e responsáveis.

Portanto, questione o criador, peça para ver os pais do gatinho escolhido. Além disso, pergunte sobre eventuais distúrbios da linhagem.

Doenças mais comuns do Maine Coon

Doença Periodontal

A doença periodontal é, sem dúvida, o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Cardiomiopatia Dilatada Felina

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença degenerativa do miocárdio caracterizada por dilatação ventricular e diminuição da contratilidade cardíaca. Nos anos 80, foi associada à deficiência de taurina na dieta dos gatos. A partir daí, a suplementação desse aminoácido nas dietas comerciais de felinos diminuiu muito a incidência dessa doença.

Os sinais clínicos são variados, sendo que a dispneia é o sinal mais comum. O diagnóstico definitivo é definido através do exame eco doppler.

Ocorre mais frequentemente em gatos machos, de 6 a 9 anos, de raças como Ragdoll, Persas e Maine Coons.

Cardiomiopatia hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica felina é a patologia cardíaca mais frequente em felinos domésticos e também está entre as principais doenças do Maine Coon.

Trata-se de uma doença do músculo cardíaco na qual uma porção do miocárdio (músculo do coração) está hipertrofiado, ou seja, mais grosso, criando uma deficiência funcional do músculo cardíaco.

Embora possa afetar todos os gatos, é mais comum em felinos machos de idade avançada. Seus sintomas dependem do estado de saúde de cada gato e do progresso da doença, havendo também alguns casos assintomáticos. No entanto, os sintomas mais característicos da cardiomiopatia hipertrófica em gatos são os seguintes:

  • Apatia
  • Respiração dispneica
  • Vômitos
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Depressão e letargia
  • Flacidez nos membros posteriores
  • Morte súbita

Rim Policístico

A doença renal felina, comumente conhecida como a Síndrome dos Rins Policísticos, é uma doença genética que acomete frequentemente os gatos. É caracterizada pelo crescimento de múltiplos cistos nos rins, que acabam por comprometer a função renal e causam falência do órgão, ou seja, causa insuficiência renal.

A doença, no entanto, pode estar presente desde filhote, e pode não apresentar sintomas até os 7-8 anos de idade, quando o dano renal já pode ser importante.

Displasia Coxofemoral

Trata-se de uma instabilidade causada pela alteração no acetábulo, colo e cabeça do fêmur. O tamanho do gato, hereditariedade e o ambiente em que o animal vive influenciam, sem dúvida, o surgimento da enfermidade.

Por ser transmitido geneticamente, machos e fêmeas que tenha esse problema de saúde não são recomendados para reprodução. O animal pode começar a desenvolver essa complicação ainda quando jovem. De fato, normalmente os sintomas começam a surgir entre quatro meses e um ano de idade.

Atrofia Muscular Espinhal

O Maine Coon possui, enfim, predisposição a atrofia muscular espinal. Ou seja, um distúrbio degenerativo de caráter hereditário. A doença causa fraqueza muscular progressiva.

Considerações finais

Quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o Maine Coon um gato lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.