“Nós condenamos o lobo não pelo que é, mas pelo que nós deliberadamente e erroneamente percebemos que ele é – a epítome mitificada de um assassino implacável e selvagem – que, na realidade, não é mais do que uma imagem refletida de nós mesmos”. Essa frase é Farley Mowat, escritor e ambientalista canadense. Ela diz que nós, humanos, registramos nossa própria imagem no lobo.

Por outro lado, diz também que tudo o que pensamos do lobo nada tem a ver com ele, pois é fruto de imaginação coletiva. Bem, a gente concorda com Mowat nas duas ideias. E, certamente, você também vai concordar depois de ler todo este artigo.

O lobo, em especial o cinzento, tem sido retratado como o lado ruim do universo animal. Está nessa condição desde os cordéis até Hollywood. E sempre mencionado como o espírito do mal, o senhor da traição, o assassino sanguinário.

Entretanto, o lobo seria mesmo assim? É um ser voltado somente para más ações? As fábulas, contos e crônicas que falam do lobo têm razão? Têm fundamento?

A gente tem certeza de que não é assim. E a gente vai mostrar que não é assim. Com toda certeza, você também acha que não é assim. Então, tudo o que você tem a fazer é ajudar nosso site a modificar a opinião das pessoas em relação a animais. Mais especificamente em relação ao lobo.

Desta forma, lance mão de seus meios de comunicação. Envie mensagens para amigos, participe de ações em defesa do animal, divulgue nossos textos. Assim, você vai estar fazendo o mínimo ao seu alcance para que os animais de todo o Planeta vivam em paz.

A saga do lobo

A ancestralidade do lobo é bastante antiga.


O lobo tem origem no Mesocyon, animal de mais de 35 milhões de anos atrás. Assemelhava-se mais ao cão que conhecemos hoje, porém, suas pernas eram mais curtas e o tronco bem mais comprido.

Alguns biólogos preferem vê-lo mais como uma doninha com cabeça de cão. Além disso, como os lobos atuais, também vivia em grupo, provavelmente em função das dificuldades de caça da época.

Já as representações de lobo mais antigas de que se tem notícia datam de 20 mil anos aC. Foram encontrados desenhos no sul da Europa em cavernas e grutas.

A Psicologia e o lobo

O lobo é um dos animais mais temidos e inteligentes que existe.


Como a gente comentou acima, o lobo sempre foi temido – e ainda é -, tanto por humanos como por boa parte dos animais em si. Houve tempos em que povoados se reuniam em praça pública para “julgar e dar veredicto” sobre um lobo capturado.

Normalmente, o resultado era que o animal fosse queimado em fogueiras a céu aberto. E sempre era queimado. Essa era a estratégia de muitos lideres sociais da época para impor ordem à comunidade.

O lobo e o sexo

De alguma maneira, a imagem do lobo esteve sempre ao lado da ideia de sexualidade violenta. Chapeuzinho Vermelho que o diga – afinal, a cor de sua capa indica “certa disponibilidade sexual” e seu encontro com o lobo é feito na “estrada da moralidade contida”, conforme analisam os Psicólogos.

Um humano macho com atividade sexual intensa é chamado de lobo. Ao chegar a certa idade, e mantendo o comportamento, passa a ser chamado de macho alfa ou lobo alfa.

Por outro lado, algo semelhante acontece com as mulheres. A ideia “Idade da Loba” proliferou há alguns anos a partir da literatura. Associa-se à noção de mulher sexualmente madura e senhora de si. Então, como complemento, diz-se que uma mulher que emita grito longo em algum momento “uiva como loba”.

A ciência estranha e o lobo

O Lúpus Eritroso Sistêmico recebeu esse estranho nome porque, até há 3 séculos, os médicos aceitavam a ideia de que a doença se originava da mordida ou lambida de um lobo. Significa “vermelhidão de lobo” literalmente.

Caio Plinio Segundo, mais conhecido como Plinio, o Velho, foi pensador da Roma Antiga. Segundo ele, você pode esfregar um dente de lobo nas gengivas de um bebê para aliviar dores da primeira dentição. Ainda, que fezes de lobo eram santo remédio contra catarata e cólicas estomacais

Veja algumas curiosidades sobre o lobo

O lobo possui muitas curiosidades e associações.

O lobo e o corvo

O lobo tem sempre companhia. E, nesse caso, a velha frase popular “diga com quem andas que eu te direi quem és” tem força. Afinal, a fama do corvo não é tão diferente da má fama do lobo. E corvos costumam estar sempre perto de lobos.

Isso se dá não somente porque esse pássaro quer aproveitar os restos das caças do lobo. Ou seja, ele se banqueteia com a carcaça que o lobo deixa para trás. Não, não é apenas isso. O corvo também gosta de brincar com lobo.

O danado sobrevoa o lobo bem de perto, quase tocando-o, e depois levanta voo rápido. Repete a brincadeira diversas vezes. Há registro até mesmo de corvos dando bicadas inofensivas no lobo só pra atazanar o animal.

“Lobo de Chumbo” é significado do nome “Adolph”. O mais conhecido detentor desse nome foi Hitler e, por coincidência, adorava lobos. Não raramente, usava apelidos como “Herr Wolf” em seus escritos. Além disso, ainda nomeou diversas unidades militares com nomes associados a lobo.

Mais superstições

  • Lupercalia foi um festival da Roma Antiga associado ao lobo. Muitas mulheres inférteis da época participavam de alguns ritos a fim de se tornar férteis
  • Jamais coma um cordeiro se ele tiver sido matado por um lobo. Certamente você vai se transformar num morcego sugador de sangue humano. Bem, pelo menos é como os gregos pensavam até alguns séculos atrás
  • Os vikings bebiam sangue de lobo antes de uma batalha. Assim, adquiriam a coragem e a perspicácia do animal em seus espíritos

Processo de extinção

O lobo esteve em extinção há muitas décadas. Em 1974, entrou para a lista vermelha nos EUA. Há pouco mais de 10 anos, saiu da lista depois de constatação de quantidade considerável do animal naquelas regiões.

A espécie etíope é o lobo mais raro. Encontra-se em grande risco. Autoridades dizem que há apenas uns 500 exemplares, protegidos em áreas especiais de preservação.

Menos presas

Há muitos motivos para o perigoso declínio na quantidade de lobo. Para variar, um dos mais fortes provém de ação humana. Venenos, emboscadas e armadilhas usadas por fazendeiros tem diminuído a oferta de alimento para lobos. Esses instrumentos acabam matando as presas naturais do canino.

O lobo e seu comportamento

Ele tem medo do homem. (Veja só! Tantas histórias sobre humanos amedrontados com lobo e o animal tem ainda mais medo de nós!) Assim, não poderia ser grande vigilante, já que se assusta e se esconde ao menor ruído estranho.

Apesar disso, tem instinto territorial. Porém, pesquisadores descobriram que o territorialismo é temporário. Ou seja, muitos elementos podem “visitar” território de outros lobos se os “avisos naturais” permitirem. Esses “avisos” são uma série de sinais deixados pela matilha no local.

Além de tudo, o território que a matilha demarca é muito maior do que efetivamente precisa. Isso ocorre como estratégia de garantia de oferta de alimento. Esse fato foi registrado porque se percebeu que a demarcação excedente se dá onde há abundância de presas.

O que o lobo come

É sabido que a base alimentar do lobo é carne. Ou seja, é carnívoro por natureza. O processo alimentar é constituído por lagartos, peixes, cobras, alces, antílopes e outros mamíferos com casco, como veados, bisontes e bois.

Entretanto, pode desfrutar do sabor de algum vegetal ocasionalmente. E é voraz quando o assunto é comida. Além de devorar rapidamente, ainda come em grande quantidade. Um único elemento ingere até 10kg de carne de uma só vez, ou seja, 20% de seu próprio peso.

Porém, até mesmo na hora do alimento há regras. O macho dominante tem prioridade; aos outros (chamados necrófagos), restam os restos.

Ele se expressa pela face

Certamente, o lobo não seria, assim, um Jerry Lewis ou um Jim Carrey, reis das expressões faciais. Porém, o lobo pode expressar seu estado de humor a partir de alterações da face. Ele modifica a posição dos lábios, do focinho e de porções de carne nessa região.

Além disso, também se comunica via sons, cheiros e olhares, não apenas pela posição das orelhas. Assim, além de manter a ordem no grupo, também pode evitar brigas desnecessárias.

Eles se comunicam não apenas entre si. Observadores notaram que podem responder a chamados dos homens reproduzindo em uivos de diferente formas. Uma organização americana de defesa do lobos aproveita essa capacidade dos animais para promover suas iniciativas. Trata-se da “Noite dos Uivos”, em que pessoas disputam atenção dos lobos uivando no deserto.

O uivo do lobo

O meio de comunicação mais usado, entretanto, é o uivo. E tem diversos significados, além de arrepiante mesmo. Quando uivam em grupo, trata-se de mensagens enviadas a outras matilhas sobre perigo ou até local de comida. Se uiva sozinho, provavelmente estão tentando localizar sua matilha.

Há registro de eventos interessantes. Quando precisam caçar, alguns lobos uivam a fim de reunir a matilha. Assim que conseguem, outro uivo significa ordem para início da empreitada.

Ainda, o uivo pode significar que um lobo está à procura de uma fêmea para acasalar. Por outro lado, o uivo pode apenas ter o efeito no bocejo humano. Assim, se um animal isolado começar a uivar, outro começa a uivar também. Basta que um comece a uivar sem motivo aparente para outro imitá-lo.

Interessante: o uivo dura apenas por alguns segundos, talvez uns 5 ou 6. Entretanto, quando emitido em grupo, dá impressão de que é muito longo.

Sociedade lupina

O lobo vive em sociedade hierárquica bastante definida.


Entre si, há laços sociais realmente fortes. Assim, afeto, amizade e cuidados são expressados a partir desses laços. Isso acontece especialmente com a própria família, mas se estende a elementos do grupo em geral.

Em certa medida, o lobo até mesmo vai sacrificar a própria vida para proteger e salvar a família.

A malha social do lobo se apresenta bastante organizada, dispondo de regras rígidas. Dessa maneira, conseguem importante ajuda entre si durante momentos de caça ou de perigo.

Essa organização se mantém a partir de posturas corporais (outro instrumento de comunicação) do macho dominante em relação aos dominados. Por exemplo: um lobo apartado do grupo por algum motivo perde todo o contato social. E isso ocorre mesmo que tenha saído do grupo por vontade própria.

Caçadas comunitárias

Quando caçam, fazem isso sempre em grupo, como comentado ao longo deste artigo. Eles vão percorrer mais de 20km se for preciso durante uma noite. Há registros de matilhas que percorreram centenas de quilômetros em perseguição a grupos de presas durante semanas.

Esperto, ele embosca animais menores quando caça sozinho eventualmente. Mas, em grupo, atacam animais até 4 vezes maior.

O lobo e sua estrutura física

O lobo é o maior componente da família biológica dos cães, a Canidae. Ela inclui dingos, coiotes, algumas raposas e chacais, além de cães domésticos, claro.

Ele possui membranas entre os dedos. Com isso, é capaz de nadar muito bem e por longa distância – bem mais de 10 mil metros. Além disso, pode correr distâncias de mais de 50km/h, porém, por apenas alguns minutos. Portanto, sua estrutura não permite esforços mais intensos. Por outro lado, se precisar “trotar” durante o dia inteiro, ele o faz a até 8km/h.

Mordida perigosa

Imagine um peso de 700kg sobre seu braço. Isso significa a força da mandíbula do lobo. Compare com a do cão doméstico, que é metade disso e já acarreta ferimentos terríveis.

Além disso, o lobo possui 42 dentes afiadíssimos e consegue abrir a bocarra bem mais que o cão comum. Ou seja, tem capacidade para cortar e esmagar ossos facilmente.

Excelente olfato

Mais de 200 milhões de células olfativas tornam o lobo um dos animais mais eficazes na identificação de cheiros. Para você ter uma ideia, o ser humano dispõe de apenas 5 milhões.

Assim, o lobo identifica odor de um companheiro a até 1500m de distância. Quanto à capacidade auditiva, dependendo das condições do ambiente, é fantástica. Pode ouvir sons distantes em 10km ou muito mais que isso se em região aberta, sem obstáculos.O lobo em números

O lobo pode ter até 2m de comprimento do focinho à ponta da cauda; a loba é um pouco menos, com até 1,80m. Em média, chegam a 0,80m de altura tanto macho quanto fêmea.

Quanto ao peso, ele pode ter uns 50kg e ela, uns 35kg. Ambos vivem por uns 12 anos em estado selvagem (a média é 8 anos); já em cativeiro, chegam a mais de 16 anos.

Os mistérios dos olhos do lobo

Dizem que o olhar do lobo é misterioso. A ciência já desvendou tal mistério. Trata-se do que ela chama de tapetum lucidum (em latim, “tapeçaria brilhante”). É camada de células especiais que capturam a menor emissão de luz e a reflete.

Isso ocorre mesmo no escuro, aliás, principalmente no escuro. Além disso, torna a visão do lobo altamente eficiente. Assim, qualquer movimento, por mínimo que seja, é percebido com extrema facilidade.

As espécies de lobo

Existem apenas duas espécies de lobo.


O Oriente Médio tem os menores lobos conhecidos. Não passam de 30kg. Há os maiores estão no Canadá, União Soviética e também no Alasca, com seus quase 80kg de peso.

Biólogos de maneira geral consideram que haja apenas duas espécies reais de lobo:

  • Canis lupus: O lobo cinzento é o mais conhecido dessa espécie. Há quase 40 subespécies, como o tundra, lobo madeira e lobo ártico.
  • Canis rufus ou lobo vermelho: Possui membros bem mais longos e pelagem mais curta.

Sistema de reprodução

Quando um macho encontra uma fêmea ou vice-versa, eles se mantém como casal por toda a vida. É grande exemplo da frase “até que a morte os separe”. Acasalam via de regra no inverno e a gestação é em média de 63 dias. A fêmea tem o parto em algum buraco feito pelo casal.

A ninhada tem média de 5 filhotes e eles são cegos e surdos, ou seja, amplamente dependentes dos pais. Não passam de 1kg ao nascer. O interessante é que os olhos dos filhotes são intensamente azuis e vão amarelando com o passar dos meses.

Até o inverno seguinte, os filhotes chegam ao tamanho adulto. Entretanto, crescem até os 2 anos de vida.

Interessante: assim como os cães domésticos, a fêmea massageia a área genital dos filhotes para ativar o sistema urinário. Para isso, passa a língua, que é bastante quente, em toda a área.

Apenas o macho dominante e sua fêmea têm autorização para procriar. Os outros machos da matilha precisam procurar fêmea de outro grupo para satisfazer suas necessidades, pois as outras fêmeas têm muito medo da fêmea principal a ponto de, muitas vezes, nem sequer entrarem no cio.

Quando os outros machos não conseguem copular, contraem o que biólogos chamam de “castração psicológica”, que ocasiona estado de depressão profunda.

Seja um lobo na proteção animal

Você pode ajudar na proteção dos animais em geral, como a gente mencionou no início deste artigo. Outra forma de fazê-lo é deixar seus comentários na área abaixo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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