O que a lhama tem a ver com gripe? Por que esse animal é extremamente importante para os povos andinos? A lhama é carnívora? De que maneira ela auxilia nas atividades humanas? Qual é a relação da fezes da lhama com alimento e com a água? Haveria alguma?

Neste artigo, há muito mais curiosidades sobre esse animal excêntrico. Continue a ler e veja.

Por exemplo: a lhama tem sido encarada como animal de estimação. Há centenas de famílias de áreas rurais que são proprietárias de pelo menos um exemplar. Por outro lado, há muitas raças de lhama criadas para apresentação em shows, ou seja, para concurso de estética.

Elas garantem que o comportamento da lhama é semelhante ao dos cães ou gatos. Dóceis, amigáveis, sociáveis. Bem… pelo menos até que sejam irritadas, como a gente mostra mais abaixo.

Segundo esses mesmos proprietários, a lhama funciona até como animal de guarda de rebanho. Sua sociabilidade é capaz de tomar a proteção de diversos grupos de animais rurais como se fossem seus.

De qualquer maneira, essa “onda” de fama da lhama teve início há alguns anos nos EUA e se alastrou pelo mundo depois disso. No Brasil, já desbancou até mesmo o unicórnio, segundo pesquisas elaboradas por agências de publicidade.

Aliás, está invadindo as pranchetas de marketing e chegando às mídias como garota propaganda de muitos produtos para jovens.

Como é a lhama?

A lhama é um animal mamífero ruminante muito comum em países africanos.


Lhama é mamífero ruminante, ou seja, é capaz de levar o bolo alimentar do estômago de volta à boca para continuar a mastigação. Pertence à família dos camelos e das alpacas (estas, sim, mais biologicamente próximas ao camelo) e das vicunhas, o menor dos camelídeos. A ordem biológica é a Artiodactyla.

Os pelos da lhama são longos e podem ser brancos ou marrons com tonalidade bastante diferenciada. Assim, a pelagem funciona como meio de proteção nos climas frios. Além disso, serve como anteparo para o corpo durante brigas entre rivais ou durante caminhadas em que podem ocorrer arranhões e outros ferimentos.

Incluindo a cauda (com mais ou menos 30cm), tem entre 1,80m e 2,50m de comprimento. Com mais ou menos 150kg de peso e grande capacidade de sobreviver em regiões inóspitas, é animal rústico.

Seu andar tranquilo e lento é conhecido no mundo inteiro. Esse comportamento confere à lhama uma aura de calma. Assim, sua presença tem sido requisitada em ambientes em que você jamais imaginaria que ela estivesse: clínicas médicas. Há mais detalhes sobre isso logo abaixo.

Entretanto, foi considerado um dos animais mais irascíveis, mais irritáveis. E sem anúncio. De repente, está a lhama cuspindo, dando coices e emitindo sons característicos.

Tranquila! Tranquila?

A lhama é um animal nada tranquilo, cospe quando irritada.


Ou seja, irrita-se sem motivo aparente. Dessa maneira, para expor sua irritação, lança mão de algumas estratégias. Primeiro, assobia alto a ponto de incomodar quem estiver por perto e pode também escoicear até de forma perigosa. Se nada funcionar, tem hábito de cuspir seja em quem ou o que for.

Na verdade, esse espirro é mistura de muco nasal com saliva. Extremamente fétido, não chega a ser tóxico, mas causa grande sensação de aversão. E, ainda, a cusparada pode chegar a 5m de distância. Além disso, para complemento do ato em si, a lhama dispõe de excelente pontaria.

Porém, não há um padrão para essa atitude. Num momento, a lhama pode estar tranquila, passível; no momento seguinte, simplesmente ignora o ambiente e se isola.

Além disso, a lhama é bastante temperamental. Seus donos sabem que não podem contrariá-la em momento algum.

Se não recebe alimento adequado, simplesmente entra em greve. Se colocarem mais peso em seu dorso do que ela pretende carregar, simplesmente se deita ou empaca. E esse peso recusado pode variar de um dia para outro.

Interessante: Observações mais contundentes mostraram que a lhama desenvolve três pares de dentes cuja função principal é estranha. Em disputa por uma fêmea no cio, um macho ataca outros. Em qualquer descuido do oponente, arranca os testículos a dentadas.

Assobio multifunção

A lhama possui um assobio peculiar e característico.


Mas o tal assobio da lhama não serve apenas para demonstrar irritabilidade. Há diversos outros sentimentos comunicados pelo zumbido que produz. Ansiedade, cansaço, estresse, curiosidade, ansiedade. Segundo especialistas, cada um tem um significado.

Há até mesmo uma espécie de gargarejo que os machos fazem soar quando querem atenção de uma fêmea. Assim, diferente de muitos outros mamíferos que preferem dancinhas de acasalamento, a lhama gosta de “cantar”.

Por outro lado, as lhamas recém-parturientes emitem um rápido e forte som, parecido com cliques. Assim, tanto se identificam para seus filhotes quanto ensinam a eles questões ambientais, como perigo iminente.

Interessante é que, apesar de representar muitos sentimentos, a lhama não tem estratégia para expressar dor. Assim, seus proprietários precisam estar bastante atentos o tempo todo a fim de localizar ferimentos ou problemas de saúde.

A lhama e a humanidade

A lhama é um animal colaborativo e altamente doméstico.


A lhama convive e auxilia seres humanos há mais de 4500 anos, quando começou a ser domesticada. Foram os povos pré-colombianos que tiveram a proeza de fazê-lo. Para que você se situe: alguns dos pré-colombianos são os olmecas, os toltecas, os teotihuacanos, os zapotecas, os mixtecas, os astecas, os maias.

A esmagadora maioria dos pesquisadores prefere indicar que os maias foram os responsáveis por aproximar a lhama dos humanos. Perceberam que o animal é realmente forte e poderia servir muito na agricultura e transporte de materiais.

Comportamento natural

A lhama é um animal herbívoro.


É iminentemente um animal herbívoro. Reproduz-se a partir de cópulas e as fêmeas gestam por volta de 11 meses. Nasce somente um filhote por parte, com mais ou menos 12kg. Ele vai permanecer ao lado da mãe por volta de meio ano e vai viver até uns 25 anos.

Falando em reprodução, a lhama vive, via de regra, em grupo de 15 elementos em média. Isso inclui filhotes, jovens. e machos em geral (no máximo, 3 deles). Dentre eles, há o macho dominante que se encarrega de prenhar e proteger as fêmeas.

A lhama está onde?

A lhama é muito comum em território andino.


Se você for viajar para os territórios andinos, certamente vai encontrar um exemplar de lhama. Ela vive em regiões com altitude superior a mil metros. Assim, pode ser vista no Chile, Argentina, Peru, Bolívia – aliás, é na Bolívia que há maior concentração de lhamas.

Isso significa que a lhama vive em regiões com altíssimos níveis de dificuldades naturais. Planaltos irregulares, costas de montanhas etc., com enfrentamento de geada, calor, indisponibilidade de água e outros problemas ambientais. Nada disso amedronta a lhama.

Por sua aparente tranquilidade comportamental, a lhama tem sido exportada para os EUA, Nova Zelândia, Canadá e ainda para a Europa. São considerados bons animais de estimação em regiões rurais. Parece que, por lá, a associam a ovelhas. São, inclusive, levadas a pastagens.

Por outro lado, como dito acima, é na Bolívia que você vai ter mais chances de se deparar com uma lhama. Há bem mais de 2 milhões de indivíduos por lá que servem a todo tipo de atividade (veja mais abaixo).

Parentesco lhama-camelo

A lhama é um animal que se assemelha ao camelo.


Popularmente, é chamado de “camelo do Novo Mundo”, ou seja, as américas. Há estudos cuja forte tendência é encontrar evidências mais claras de parentesco entre a lhama e o camelo.

Apesar de haver muitas, é preciso fortalecê-las. Assim como a vicunha, a alpaca e outros, a lhama provém do mesmo galho genético, mas as diferenças físicas se dão por conta do clima.

Enquanto os camelos vivem em ambiente com altíssimas temperaturas, as lhamas sobrevivem em territórios altos. Assim, enfrentam ares realmente frios.

Importância da lhama para a América do Sul

As atividades nas quais a lhama é envolvida são das mais variadas, em especial na Bolívia, onde há a maioria desses animais, conforme foi comentado acima.

Em verdade, a lhama funciona como principal fonte e apoio para milhares de famílias produtoras de algum material derivado do animal.

Assim, locais com escassez de recursos têm a lhama como elemento primordial de sobrevivência. Segundo estudos, mais 50 mil famílias bolivianas se beneficiam dos produtos do animal. Ainda assim, está longe de significar fonte abundante de recursos financeiros por conta da falta de gestão e estratégias.

Transporte

Ela transporta todo tipo de material através de regiões de difícil acesso. É capaz de suportar até 50kg de carga por até 30k diários.

Alimento

Sua carne serve como alimento para muitas comunidades.

Apesar de haver mais mercado para lã de alpaca, a lã da lhama também é bem aceita nos rústicos teares, especialmente os artesanais. Proprietários tosquiam as fêmeas anualmente, mas os pelos dos machos são mantidos. Funcionam como sela ou suporte para material a ser transportado.

Pele

O couro é matéria-prima para indústria têxtil – artesanal ou não. O uso têxtil das fibras retiradas desses animais é cultural e acredita-se que se iniciou há 2.500 anos. As espécies selvagens de lhamas estão presentes ainda minimamente na produção de fibras, mas, mesmo assim, a relação com famílias carentes é potencialmente importante.

Fezes

Até mesmo estrume da lhama tem serventia. Muitos povoados o usam como fertilizante, como combustível e… pasme!… como despoluidor de água. Como combustível, é misturado à palha e outros materiais para uso no cozimento de alimentos. Quem já provou garante que a comida adquire saber diferenciado bem gostoso.

Como fertilizante, mistura-se à terra e mais outros resíduos orgânicos. Depois de algumas semanas, espalhada-se o produto e cobre-se com mais terra. Então, basta apenas semear a cultura desejada.

Como despoluidor, o esterco de lhama é capaz de reduzir muito o PH da água. Quando misturado ao minério calcário, produz reação adequada para absorção de moléculas de ferro. Além disso, micro-organismos encontrados no esterco ativam a alcalização do líquido.

Normalmente, a técnica se destina a minas abandonadas, mas já tem sido aplicada em diversos outros momentos.

A lhama farmacêutica

Em meados de 2018, foi divulgada uma pesquisa importantíssima para a humanidade. Como se sabe, a gripe é uma das doenças que mais interferem na vida cotidiana do homem. Isso quando não o leva à morte.

No mínimo:

  • Atrapalha a economia de toda uma região ao manter milhares de trabalhadores em casa
  • Causa problemas de relacionamento ao produzir contágio fácil
  • A possibilidade de se alastrar pelo mundo inteiro, transformando-se em pandemia, é enorme
  • Dificulta as atividades turísticas de uma região e até mesmo de um país, como aconteceu com o México há alguns anos

Entretanto, a lhama, por incrível que pareça, pode ajudar muito no combate ao vírus da gripe. E de qualquer tipo de gripe. Segundo pesquisas desenvolvidas por cientistas americanos e divulgadas em meados de 2018, essa ajuda está nos anticorpos do animal.

Após estudos, descobriu-se que o sangue da lhama tem enorme poder de combate e destruição de qualquer tipo de vírus da gripe. De alguma maneira, seus anticorpos reconhecem até mesmo a mutação do vírus. Essa mutação é responsável por “enganar” tanto o sistema imunológico humano quanto as vacinas produzidas.

A mecânica é teoricamente simples. O tamanho dos anticorpos do animal é extremamente menor que o dos seres humanos. Dessa maneira, é capaz de envolver as micro proteínas encontradas tanto na superfície do vírus quanto na base deles e destruí-las.

Sem proteínas, o vírus não sobrevive. Técnica simples, mas que precisou de muito, muito tempo para ser criada.

A lhama terapeuta

Além disso, o ato de afagar, acariciar ou apenas deslizar as mãos pela maciez dos pelos da lhama parece ser reconfortante. Muitas casas de repouso e de terapia, asilos, bem como escolas etc. usam o animal como elemento de companhia para internos.

A tranquilidade do animal cria clima de complacência e harmonia em qualquer ambiente. Assim, é mantido em clínicas para tratar ansiedade, depressão e outros males psicológicos.

A lhama precisa de você

Participe de movimentos de proteção animal. Não precisa ser presencial ou financeiramente – claro, seria o ideal. Porém, há outras maneiras de participação. Envie mensagens para conhecidos; assine, acompanhe ou mesmo crie abaixo-assinados com objetivo de conscientização geral sobre os problemas animais. E sejam eles pets ou animais ainda selvagens.

Além disso, você pode ainda divulgar os artigos de nosso site. Todos eles têm o objetivo primordial de defender animais, divulgar os perigos pelos quais passam e ainda divulgar os benefícios que eles promovem à humanidade e ao meio ambiente.

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Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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