Poucos animais estão tão presentes em nossa vida cotidiana e cultura como os insetos. Poucos organismos produzem efeitos econômicos – benéficos ou nefastos – tão importantes quanto eles. Geralmente pequenos, raramente ultrapassam 20 cm de comprimento. E com a lagarta de fogo não é diferente.

Eles vivem em quase todos os ambientes onde a vida é possível, com exceção das profundezas marinhas. Atualmente estão agrupados em cerca de 1 milhão de espécies, embora existam muitas ainda não catalogadas. Entre as espécies conhecidas podemos destacar as lagartas.

A lagarta de fogo ou taturanas, cujo nome original é tataurana que vem do tupi antigo que significa “que se parece com o fogo escuro”, são insetos da ordem lepidóptera, e o nome científico é lonômia.

Características da lagarta de fogo

A lagarta de fogo possui o corpo revestido de cerdas caniculadas.


Pertencentes às famílias dos Bombicídeos e dos Saturniídeos e outras, a lagarta de fogo e a lagarta em geral, caracterizam-se pelo corpo revestido de cerdas caniculadas, de pontas muito agudas, as quais em contato com a pele injetam um forte veneno, que produz dor intensa, ardor e por isso pode causar inflamações graves.

Essas lagartas que variam normalmente em sua medida de 4,5 a 5,5 cm de comprimento, e que possuem como cor de fundo o verde ou o marrom, é uma perigosa espécie, podendo portanto a inoculação de seu veneno ser fatal.

Não apenas a lagarta de fogo, mas as lagartas em geral, possuem corpo em forma de cilindro com segmentos variados, três pares de pernas localizadas no tórax e outro tanto de pares de pernas curtas e carnudas no abdômen.

Seis olhos pequenos estão localizados nas laterais da cabeça. Os olhos das lagartas podem detectar luz, mas não são capazes de formar imagem, por isso, são dotadas de antenas curtas segmentadas que lhes dão o rumo a seguir.

As lagartas possuem mandíbulas fortes para facilitar a captura e mastigação do alimento, pois não são todas que se alimentam apenas de folhas, sendo que algumas também se alimentam de insetos.

Ciclo de vida da lagarta e da lagarta de fogo

A vida da lagarta de fogo é separada por estágios.


Embora possa parecer monótono na estrutura de seu corpo, a lagarta é, ao contrário, muito criativa quanto ao ciclo biológico, a tal ponto que, para descrever os traços gerais de sua organização, é necessário mencionar explicitamente as diversas fases de sua existência.

A vida da lagarta de fogo e das lagartas é separada por estágios de desenvolvimento profundamente diferentes, caracterizados pelo fenômeno central da metamorfose. É sempre surpreendente e maravilhoso ver uma lagarta transformar-se em borboleta.

Todos os insetos que tem asas sofrem metamorfoses, as quais representam uma série de fenômenos ligados à formação do corpo adulto alado. Podemos, portanto, esquematizar o ciclo da lagarta da seguinte forma:

Inicialmente do ovo nasce uma larva (a lagarta de fogo) que começa a crescer, atravessando vários estágios larvares onde aumenta progressivamente de tamanho.

O último estágio como larva apresenta dimensões notáveis, às vezes até maiores do que as do adulto definitivo, e então sobrevém um remanejamento interno dos órgãos, fase onde são formadas as ninfas e que se produz dentro do casulo.

Ao final desse ciclo, aparece um estágio muito rápido que é a crisálida, que é um corpo ainda não adulto, em que a lagarta de fogo está em preparação para atingir o amadurecimento sexual.

A vida da lagarta se caracteriza então, por três fases distintas. O período que se mantém como larva, que é a fase que se torna um tubo digestivo ambulante, onde acumula matéria e energia, o estágio seguinte que é a crisálida e por fim a fase adulta.

Lagarta

Muitas vezes a lagarta de fogo pode parecer uma praga.


Vimos acima como é o ciclo de nascimento até a transformação da lagarta em borboleta, e quem diria que a lagarta tão bonita e colorida que vemos nas folhas e árvores pode ser um grande perigo para nós e uma verdadeira praga para a lavoura.

Existem infinitos tipos de lagarta, e podemos citar algumas, como a lagarta de fogo, lagarta gatinho, lagarta cachorrinho, lagarta do outono, lagarta do milho, lagarta da couve e muitas outras.

A lagarta de fogo mais conhecida é a Magalopyge Lanata e habita normalmente nas plantações de goiaba, manga pêra, pêssego e café.

Essa lagarta é branca, e possui pelos castanhos avermelhados que provocam muita coceira e ardume ao entrar em contato com a pele humana. Seu alimento são as folhas das árvores frutíferas e causa devastação e grandes prejuízos.

Uma das espécies da lagarta de fogo, a Podalia Orsilochus, também chamada de cachorrinho, gatinho ou ursinho, é uma lagarta urticante, cujos pelos são marrons e seu veneno causa muita dor e queimação, sendo que se os sintomas piorarem é necessário o socorro médico.

Nem toda lagarta é tóxica

Nem toda lagarta de fogo é tóxica.


Vale ressaltar que nem toda lagarta é lagarta de fogo. Existem lagartas desprovidas de pêlos ou espinhos e que não possuem toxinas. As principais famílias de lepidópteros que causam intoxicação são: Megalopygidae, Saturniidae e Arctiidae.

A lagarta da família Megalopygidae, é mais conhecida como lagarta de fogo, taturana-gatinho e chapéu-armado, e é um inseto solitário.

A lagarta da família Saturniidae – do gênero lonômia sp – também conhecida pelos nomes de mandoravá, taturana, lagarta de fogo, fire caterpillar, possui espinhos pontiagudos com ramificações semelhantes aos galhos de árvore, cujo veneno está localizado na ponta do ramo, e tem hábito gregário.

A lagarta da família Arctiidae possui porte pequeno ou médio, e chama muita atenção devido às cores variadas em suas asas, podendo variar entre preto, amarelo ou vermelho, intercaladas por partes transparentes. As antenas são simples ou em forma de pente, e as asas são largas e arredondadas. São mais de 11 mil espécies em todo o planeta, sendo 6000 espécies neotropicais.

Porém, apenas algumas espécies dessa família produzem substâncias tóxicas, e normalmente são ativas durante o dia. As que não são tóxicas se forem tocadas, enrolam-se em formato de caracol. A espécie utetheisa ornatrix ataca as crotalárias (pequeno arbusto comum no nordeste) e as mucunas (planta popular na Índia).

Predadores da lagarta de fogo e da lagarta em geral

A lagarta de fogo também possui seus predadores.


O ditado um dia é da caça outro do caçador pode ser aplicado também ao mundo animal. A lagarta de fogo que ataca plantações e causa queimaduras à pele, em algum momento ou fase de sua vida, encontra os seus predadores. É o ritmo natural na cadeia alimentar.

Macacos, vespas, lagartixas, aranhas, formigas, louva-a-deus, pássaros, ratos e sapos, são alguns dos predadores das lagartas. Porém, existe um predador que é o mais implacável do planeta. O ser humano.

Com o desmatamento fora de controle que vem ocorrendo em nossas matas, tem afetado algumas lagartas como a da espécie lonômia sp, que habitava árvores como o cedro e a aroeira, perderam seu habitat natural e migraram para as árvores frutíferas.

Junto com as árvores derrubadas foram embora os predadores que caçavam a lagarta de fogo e outras espécies nessas árvores e, portanto, ficou mais fácil a migração das lagartas para outros tipos de árvore. As taturanas ao se alimentarem de moscas, acabam desenvolvendo dentro delas um predador natural em forma de larva, que se alimentam de seus corpos levando-as à morte.

Existem um verme e um percevejo que produzem o vírus loobMNPV, que é nocivo apenas à espécie lonômia sp.

A comunicação entre as borboletas

Toda lagarta de fogo pode ser borboleta no futuro.


O reino animal é surpreendente e fascinante. Criaturas das mais variadas formas, tamanhos, cores e hábitos, povoam o Planeta Terra com a finalidade de manter o equilíbrio da natureza. Cada um tem seu papel e sua importância e devem ser respeitados e preservados. Até a lagarta de fogo.

Mas, no caso da lagarta, cuja reprodução é sexuada, como conseguem se encontrar para se perpetuar num mundo tão grande para seu tamanho?

A transformação da lagarta em borboleta é algo tão maravilhoso que motivou o entomólogo Jean Henri Fabre a observar mais de perto essa comunicação. Ele saiu para capturar uma lagarta de mariposa-pavão, que é uma mariposa noturna, e a isolou numa campânula de rede metálica.

No dia seguinte, uma linda manhã de primavera, o inseto havia se transformado em borboleta, e à noite seu laboratório foi invadido por mais ou menos quarenta machos da espécie, prontos para acasalarem com a fêmea de mariposa-pavão que estava na redoma.

Para a natureza não importa quão grande seja o mundo quando se tratar de cumprir o papel ao qual foi destinada. Seja uma lagarta de fogo ou como no caso acima, uma lagarta fêmea de mariposa-pavão.

Por Dani Jardim

Dani Jardim é redatora freelancer, contribui com contéudo digital para vários sites diferentes. Amante dos animais, divide o seu tempo escrevendo sobre todos eles neste portal, e nas horas vagas, se divertindo com seus cachorros, o Pug, Bóris e o Buldogue francês, Vasco. Dani também faz parte da nossa equipe editorial como gerente e editora de conteúdo.

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