Menu fechado

Hipopótamo, seus hábitos e curiosidades

hipopótamo

Na África, uma lenda muito antiga revela que uma nativa deixou seu filho recém-nascido aos cuidados de um hipopótamo fêmea. O bebê corria perigo de vida por conta de crenças que diziam que sangue de bebê é remédio para muitos males. Assim, o animal protegeu a criança por muito tempo como se fosse a própria cria até que tivesse mais corpo para não chamar a atenção.

Como passa o dia inteiro submerso em rios e lagos, ali ele mantinha a criança longe do alcance da população; como caminha sobre a terra durante a noite inteira, ele levava o bebê para mamar diretamente na mãe.

Certamente isso é lenda. Porém, há tantos mistérios no dia a dia do hipopótamo que alguns deles até parecem mitos. Um tinha alcance paleontológico até pouco tempo atrás: há poucos fósseis à disposição para análise e não se conhecia o nível de ancestralidade do hipopótamo. E essa descoberta se deu há apenas 3 ou 4 anos.

O hipopótamo chegou à África há 35 milhões de anos, segundo estudos divulgados em uma das mais conceituadas revistas científicas. E a nado, vindo da Ásia (hoje está praticamente extinto nessa região). Isso significa que chegou ao continente africano antes mesmo dos leões, das zebras e dos rinocerontes.

Contudo, chegou à Colômbia bem depois disso, há poucos anos. Veja mais sobre isso no capítulo “Hipopótamo na Colômbia”.

A vida do hipopótamo pela Biologia

Ele tem nome de cavalo (hippo), mas não há qualquer evidência genética de algum parentesco. É chamado cientificamente de Hippopotamus amphibius. Compõe a mesma ordem dos porcos, girafas, veados, bois e outros animais que tenham cascos com 2 ou 4 dedos.

Em verdade, segundo análise genética recente divulgada na revista que a gente mencionou acima, seu DNA está mais próximo ao das baleias e golfinhos. É tido como mamífero ungulado, ou seja, que possui cascos nas patas.

São, claro, mamíferos. As pernas curtas são seu charme, dizem apreciadores de animais em geral, e o rabo também é minúsculo. Entretanto, o que completa o visual charmoso – bem, segundo apreciadores – é a cabeça enorme e o focinho extremamente largo e arredondado.

O estômago do hipopótamo é semelhante ao dos ruminantes, não obstante não ser ruminante. Dispõe de 03 câmaras adequadas para decompor a celulose, que é a base de sua alimentação (veja mais abaixo).

Hipopótamos e a água
Ele gosta muito de rios e lagos. Pode parecer excentricidade, mas, em verdade, é questão de necessidade. O clima em que vive é normalmente de temperaturas muito altas e sua pele retém muito calor, além de ser extremamente sensível a raios solares. Então, ele simplesmente prefere passar o dia se refrescando a enfrentar o sol forte, pois este provoca rachaduras terríveis no corpo todo.

Não à toa, os gregos antigos deram o nome “cavalo do rio” a ele, pois é grande como um cavalo e só era visto na água,. A maioria dos indivíduos chega a permanecer por mais de 15 horas por dia na água. Já durante a noite, caminha em terra em busca de alimentos.

Aliás, não apenas gostam de água como também gostam de fazer gracinhas dentro dela. Nadam bem, não obstante suas toneladas de peso. Isso ocorre porque conseguem submergir totalmente por até 5 minutos. e, como seu corpo é composto por muita gordura e isso é mais leve que a água, flutua facilmente.

Entretanto, na maioria das vezes, nem precisa se esforçar muito. Com tanto peso, acaba mantendo os pés no fundo do lago ou rio e a cabeça acima da superfície. Além do mais, suas narinas ficam bem acima no focinho, suas orelhas bem acima na cabeça e os olhos bem acima na testa. Portanto, respiram bem enquanto se refrescam, perscrutam tudo a sua volta e ouvem tudo ao mesmo tempo.

Hipopótamo é herbívoro

Um dos argumentos mais usados por humanos vegetarianos é “observem a saúde e força do hipopótamo; ele não come carne”. De certa maneira, tais humanos têm razão. Hipopótamos são iminentemente herbívoros, ou seja, mantém toda sua estrutura comendo apenas plantas terrestres e muitas outras aquáticas.

Tamanho é documento

Os pares copulam normalmente em época chuvosa; de alguma maneira, a natureza prepara isso porque, assim, os filhotes vão nascer também na fase chuvosa, que é quando há abundância de vegetais. Além disso, o ato em si é feito na água, pois a fêmea não suporta o peso do macho sobre si se estiverem em terra.

A fêmea produz apenas um filhote a cada 02 anos – o início do ciclo reprodutor se dá entre 5 e 8 anos de vida quando em cativeiro. Já solto na natureza, esse ciclo se inicia entre 10 e 12 anos. Esse momento é muito perigoso para os machos. Há terríveis disputas por fêmeas e, normalmente, um deles acabo morto.

O vencedor adquire direito de copular. Entre a fecundação e o parto, transcorre mais ou menos 08 meses. O sistema de gestação é placentária, ou seja, o filhote depende de substâncias proteicas do corpo da mãe para se desenvolver.

Ao nascer já tem mais ou menos 100kg. Tão logo nasça, a fêmea procura local protegido de crocodilos, seus predadores mais ferozes na água, pois estes atacam somente filhotes. Assim, ela passar alguns meses com o filhote. O interessante é que ela retorna ao grupo e se mantém próxima a outras fêmeas, que ajudam na proteção dos recém-nascidos. Aliás, hienas e leões também são seus predadores.

O filhote já tem instinto de fechar as narizes e orelhas dentro da água. Assim, com orelhas e narizes tapados, é capaz até mesmo de mamar sob a água. Adulto, é realmente grande. Atinge quase 4m de comprimento, mas, por causa de “charme” (pernas curtas – veja mais abaixo), não passa de 1,5m de altura. Já quanto ao peso, é exagerado: há registros de chegarem a até 4 toneladas, com média entre 2500kg e 3 mil quilos.

Um dia na vida do hipopótamo

Eles vivem mais na África subsaariana. Antes, ocupavam um território ainda maior, mas a quantidade de indivíduos está diminuindo a cada ano em virtude de caça irregular e habitat invadido. Calcula-se que haja hoje poucos milhares de elementos na natureza. A caça clandestina é motivada pelo valor de seus dentes, cujo material é o mesmo das trombas (marfim).

Em termos de tamanho e peso, perdem apenas para os elefantes como maiores mamíferos terrestres e, eventualmente, para rinocerontes. Procuram conviver em grupos de pouco mais de 20 elementos cada. Esses grupos são, via de regra, comandados por um macho adulto. O restante são bebês, jovens e fêmeas.

E não são mansos. Diz-se que mortes de humanos por parte de hipopótamo são comuns, razão pela qual se procura abatê-lo em eventual encontro. Há mais registros de ataques de hipopótamo a humanos, com consequentes mortes, que de leões, tigres e rinocerontes – todos eles juntos. Daí nota-se a ferocidade desse grandalhão.

Entretanto, quando percebe qualquer perigo, a primeira ação é buscar água para se proteger. Em vida selvagem, vive até por volta de 40 anos; em cativeiro – que atualmente são excelentes instrumentos de manutenção da espécie -, podem viver por até 50 anos.

Interessante: o hipopótamo tem hábito de fazer trilhas com as próprias fezes nas margens dos rios. Assim, pode retornar a determinado local mesmo no escuro, que é o período em que caminha fora da água. Para isso, pode apenas usar o faro. Cientistas chamam esse fator instintivo de flinging. O interessante desse comportamento é que a trilha é feita com auxílio da cauda. Enquanto defeca, ele a move em círculos para jogar o material o mais longe possível, de forma que, assim, aumente o alcance de “sua presença”.

Patriarcais e protetores

O hipopótamo é sociável com seus semelhantes, pois vive em bandos. Porém, é altamente agressivo em época de acasalamento (veja mais acima).

O macho-mor do grupo defende seu “rebanho” com unhas e dentes – mais dentes que propriamente unhas. Para manter machos invasores a distância, sua arma é o tamanho da bocarra. Ao abri-la, quanto maior e quantos mais caninos fortes e longos tiver, mais o invasor trata de sair do local rapidinho. Por falar em caninos, os dentes do hipopótamo crescem durante a vida toda; entretanto, se desgasta com o hábito alimentar.

Além disso, emitem forte sons contra os invasores.

Suando sangue pela vida

Ainda há tribos africanas que acreditam que o hipopótamo é mensageiro de deuses. Quando esses animais suam sangue, é sinal de que algo muito ruim vai acontecer nas redondezas. Então, todos passam a praticar rituais para acalmar a ira dos deuses.

Na verdade, o que se imagina ser sangue é proteção de que a natureza proveu o organismo do hipopótamo. Há glândulas sob a pele que geram substância vermelha que serve para umedecer a pele. Assim, pode se manter sob o sol quando não houver água por perto. Por ser substância oleosa, também protege contra vermes e bactérias. Por escorrer pouco, acaba parecendo sangue.

As manhãs e a alimentação do hipopótamo

Assim que vê os últimos raios de sol, ele sai da água em busca de área vegetal para se alimentar. Nessa tarefa, é capaz de percorrer 10 quilômetros numa só noite; na de se alimentar, é capaz de comer até 80kg de material.

Interessante: se fosse uma mulher, a frase “puxa! Como tão pouco e não emagreço” seria uma constante em seu dia a dia. O hipopótamo ingere pouquíssimo alimento para seu tamanho e peso. A estrutura de seu estômago é muito apropriada para retirar dos vegetais todos os nutrientes de que estes são capazes de oferecer.

Um hipopótamo nos sonhos infantis

Em 2017, no segundo maior zoológico dos EUA, em Cincinnati, nasceu Fiona. De uma hora para outra, tornou-se o hipopótamo fêmea mais popular, rivalizando inclusive com Gloria, a inteligentíssima e bonita hipopótamo fêmea do filme Madagascar. Isso se deu porque Fiona nasceu prematura.

Sua luta por sobreviver fora do habitat dos hipopótamos e por causa das complicações na gestação foi grande. Tornou-se uma história linda de determinação e de preservação de existência. Bem, toda a saga de Fiona foi contada em livro infantil. O escritor Richard Cowdrey teve a ideia e o zoológico aderiu.

O livro foi idealizado não somente por conta da popularidade de Fiona nas redes sociais. Em verdade, sua história levou muita gente a pensar na própria vida, nas próprias dificuldades. Assim, inspirou as pessoas à determinação e resiliência.

Hipopótamos chegam à Colômbia

O povoado de Doradal, a pouco menos de 200km de Medellín, viveu momentos de surpresa nos anos finais da década de 80 e iniciais da de 90. Poucas dezenas de hipopótamos podiam ser vistas de longe, numa fazenda protegida pelos quatro cantos por seguranças-gorila. Ninguém ali entrava ou saía sem autorização, exceto os próprios hipopótamos, segundo moradores.

A fazenda era de Pablo Escobar e os hipopótamos são a herança que ele deixou ao povoado. Ele foi verdadeiro barão da cocaína, criminoso procurado no mundo inteiro por todas as polícias. Naquelas décadas, ele criou um minizoológico em sua fazenda em que se escondia da polícia.

Em 1993, Escobar foi morto por autoridades. O zoológico foi desmontado e todos os animais foram levados para parques oficiais. Exceto os hipopótamos. Eles foram deixados à própria sorte no local.

Assim, além do perigo de ataques a seres humanos – que estão apavorados com tal possibilidade -, os hipopótamos também desequilibram o meio ambiente porque ocupam espaço de lontras e outros mamíferos aquáticos. Estes, estressados, acabam buscando outros locais e, assim, morrem em acidentes.

Assim, este artigo buscou levar a você situações curiosas relacionadas à vida do hipopótamo. Se você tiver mais dúvidas ou mais informações, deixe registrado no campo de comentário abaixo.

Pergunte ou Responda

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

>