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Golfinho: um dos seres vivos mais inteligentes que existem

golfinho

Existe um universo inteiro de fábulas associado ao golfinho. Afinal, esse ser marinho parece ter aura diferente, especial, fantástica, exótica. Assim, seria possível escrever um oceano pleno de histórias, notícias, matérias em geral sobre ele. E não haveria espaço suficiente.

Há uma série de pontos que podem ser destacados sobre o golfinho. Porém, é quase impossível falar dele e não falar de sua inteligência. Ela já foi dita e predita em filmes, livros, pesquisas, compêndios, TCCs, monografias, documentários etc. Então, este artigo vai evidenciar os pontos mais importantes da vida desse ser fantástico.

Bem, certamente você já sabe de tudo isso. Talvez o que não saiba é que o golfinho é capaz de brincar. Já sabia disso? Mas a gente quer dizer “brincar de forma consciente e não instintiva”. Talvez você não saiba também que ele tem ciúmes e não somente de seus parceiros, mas de seus brinquedos também.

Além disso, este texto vai explicar um fator interessante nas relações animais irracionais: o nível de sociabilidade entre eles. Você sabe como os biólogos chegam a um consenso sobre isso? Seria a partir de impressões pessoais de cada pesquisador? Seria por meio de análise de horas e horas passadas junto ao animal em questão?

O golfinho nas águas da ciência

O golfinho é um mamífero tanto de água doce como água salgada.
O golfinho é um mamífero tanto de água doce como água salgada.

O termo “golfinho” provém da palavra em latim delphinu, que contém ideia de “alto-mar”, ou seja, “golfo”. O idioma grego assumiu o termo como “delphis”.

É mamífero (e não peixe); possui sangue quente como os seres humanos e é classificado como cetáceo nas famílias biológicas Delphinidae e Platanistidae. A silhueta de seu corpo é infinitamente adequada à natação, cujas linhas favorecem deslizamento na água de maneira incrível com o mínimo de atrito aquático.

Há quase 40 espécies conhecidas tanto em água doce quanto em salgada. A mais abundante delas é a Delphinus delphis.

GPS natural

O golfinho dispõe de sistema de ecolocalização perfeito, também chamado no meio científico de biossonar. Ou seja, um sonar construído a partir de neurônios especialmente desenvolvidos para esse fim. Assim, ele consegue se deslocar por qualquer área a partir de ecos produzidos pelo movimentar da água nos objetos. Isso o torna também excelente caçador, já que usa essa sua capacidade para encontrar alimentos.

Para tanto, lança estalidos ultrassônicos (150kHz) a sua frente. Estes nascem do controle do ar inspirado e expirado a partir de órgão no alto de sua cabeça chamado “saco nasal”.

O reflexo dessa onda sonora retorna ao golfinho e é capturado por tecido gorduroso localizado na área do queixo. Dali, a percepção é levada até seus ouvidos por meio de impulsos elétricos e, então, é retransmitida para seu cérebro, que traduz a informação.

Interessante: Tão logo o cérebro é impressionado pela informação, emite novo estalido em direção ao objeto, estando o golfinho em movimento, e o processo se repete várias vezes. Nesse caso, ele analisa em microssegundos o tempo necessário para o retorno da impressão sônica. e compara com o evento anterior. É a partir da análise desse lapso de tempo que o golfinho calcula a distância entre si e o objeto.

É assim que ele consegue localizar presas, objetos, obstáculos e também a si mesmo nas profundezas do mar. A ação é facilitada porque o som se desloca muito mais facilmente pela água que pelo ar e, além disso, boa parte do cérebro do golfinho está envolvida no processo inteiro.

Ele é capaz proceder dessa maneira em relação a diversos objetos ao mesmo tempo, além de também emitir seus próprios sons para se comunicar com outros. Entretanto, ele identifica não apenas distâncias, mas igualmente a textura, o tamanho e outros detalhes do alvo.

Reprodução e tempo de vida

Não há exatamente qualquer nível de fidelidade entre os parceiros, como ocorre com boa parte de outros mamíferos. Há compartilhamento tanto por parte das fêmeas quanto dos machos. Não há muitas informações precisas sobre o ato sexual em si, pois os parceiros parecem mantê-lo na privacidade, longe de observadores.

Porém, é possível imaginar que a cópula seja semelhante à da baleia: barriga contra barriga. Há registros de participação uma segunda fêmea no ato copular. Ela funciona como auxiliar para que o encaixe do macho na parceira se dê de maneira firme e producente.

A fêmea traz à luz apenas um filhote por gestação, que perdura 12 meses em média. O filhote vai mamar por mais ou menos 4 anos; entretanto, determinadas situações ambientais – poluição, por exemplo – podem fazê-lo desmamar mais cedo.

De maneira geral, o macho não participa nos períodos de gestação nem de alimentação do filhote. Esse trabalho todo é dispensado à fêmea. Entretanto, algumas espécies parece dispor de fêmea babá que auxilia a mamãe na “educação” do filhote.

Dependendo da espécie, pode viver entre 25 e 35 anos.

O golfinho é capaz de aprender mesmo que não ensinem

Em princípio, isso pareceria absurdo até mesmo para seres humanos ou primatas. Porém, um golfinho é capaz de assimilar alguma ação somente por observar outro desenvolvendo-a.

Cientistas australianos notaram que golfinhos selvagens aprenderam o “truque do andar sobre a cauda”, tão comum entre golfinhos de cativeiro. Isso nunca foi observado em vida livre. Em verdade, a observação por parte dos pesquisadores durou mais de 30 anos. O fato ocorreu na cidade de Adelaide.

Billy, um golfinho que esteve em cativeiro por alguns anos, assimilou o truque com seus treinadores. E o fez rapidamente. Depois, foi solto na natureza e cientistas passaram a observá-lo de perto a fim de registrar seu comportamento em diversos fatores.

Porém, não esperavam que, ao brincar de andar sobre a própria cauda, estimulasse aprendizado por parte de outros indivíduos. Mas foi o que aconteceu. Em pouco tempo, alguns golfinhos passaram a reproduzir a brincadeira.

Um crocodilo-golfinho?

Um pequeno museu da Europa continha em seu elenco uma personagem realmente intrigante. Trata-se de um fóssil de animal estranho cujo visual é bem parecido com mistura de um crocodilo com golfinho. O fóssil pode indicar que alguma espécie de crocodilo evoluiu para a forma de golfinho a partir de algum acidente genético jurássico.

O “crocofinho”, como é hilariamente chamando entre os pesquisadores, tinha mais de 5m de comprimento. Também apresentava dentes firmes, enormes e pontudos. Entretanto, o formato corporal e análise de DNA identificaram semelhança muito acentuada com o golfinho.

De predador a predado

O golfinho é caçado em vários locais no mundo e está em extinção.
O golfinho é caçado em vários locais no mundo e está em extinção.

Os cachalotes (ou cacharréus), maior cetáceo com dentes existente atualmente, e os tubarões de porte maior são os segundos predadores mais ativos do golfinho. Note que estes são os segundos, pois, para variar, o primeiro posto é o predador mais conhecido de todos os tempos: o homem.

O golfinho é pescado/caçado em diversas regiões, porém, é no Japão que essa ação é mais deletéria para o animal. Mesmo porque são caçados lá e vendidos para outros países, além de serem consumidos internamente em diversos fins. Os EUA e a China são os destinos mais procurados.

Ocasionalmente, a pesca à baleia para consumo alimento é proibida ou o animal se torna escasso para a indústria. Assim, a alternativa como substituto é carne do golfinho. Dessa maneira, centenas e centenas de indivíduos perdem a vida para alimentar seres humanos. E de forma desnecessária.

Além disso, golfinhos são também capturados e mantidos prisioneiros para aprender a divertir seres humanos em centenas de parques aquáticos espalhados pelo Planeta. (Orca também são.) Ocorre que a pesca para tal fim também resulta em mortandade ou em terríveis ferimentos, apesar todas as estratégias e equipamentos usados.

Predado e dispensado

Acontece que, como todo ser vivo, o golfinho tem sua individualidade e personalidade. Assim, muitos deles não se adaptam a treinamentos e, portanto, não servem como atração. Nesses casos, eles são sacrificados e vendidos a restaurantes e se transformam em pratos exóticos.

Ainda, mesmo o golfinho que se mostra acessível a treinamento não vive no seu ambiente natural. Assim, acaba adoecendo com frequência. E tem mais fatores negativos: levantamento efetuado por biólogos indicou recentemente que o ciclo de vida do golfinho mantido em cativeiro é bem menor.

Por outro lado, a reprodução nesse tipo de ambiente é quase inexistente. Dessa maneira, a caça para fins de entretenimento acaba se tornando um círculo vicioso.

O golfinho nas águas populares

O golfinho é um exímio nadador.
O golfinho é um exímio nadador.

Ele é também conhecido como boto, toninha, peixe-boto, delfin etc. É excelente nadador, como você viu acima. E ainda é capaz de saltar a mais de 5m acima da superfície da água e chegar a mais 40km/h durante longos percursos. Além disso, sua estrutura interna suporta alta pressão do fundo do mar.

A alimentação do golfinho

É constituída basicamente de peixes em geral, mas a preferência é por lula. Ele gosta de caçar em grupo. Juntos, procuram por cardumes enormes.

Comportamento

O golfinho é altamente sociável. Convive muito bem tanto com os próprios semelhantes quanto com outras espécies. Prefere viver em grupos, pois se sente mais seguro em relação a seus predadores.

Como dito acima, não é possível se falar em golfinho e esquecer o tema “inteligência”. Aliás, é quase impossível – e, se a gente não falar, vai ser cobrado. A capacidade desse cetáceo é objeto de estudos, pesquisas e experiências há muito tempo. E parece que, quanto mais se pesquisa, muito mais se tem para pesquisar.

Tarefas sugeridas

Experiências feitas em cativeiro de laboratório mostram que o golfinho é capaz de seguir instruções. Muitas tarefas solicitadas tinham instruções com grande nível de complexidade. Entretanto, todos os indivíduos envolvidos se saíram muito bem nos resultados.

O golfinho brinca com outros

O espírito bem humorado do golfinho já conhecido. E admirado. Aliás, Flipper – a personagem de série de TV – já demonstrava isso. Não há registros zoológicos de quantidade tão grande de ações com objetivos lúdicos. Normalmente, a inteligência dos animais irracionais busca facilidades apenas no momento de se alimentarem ou de se reproduzirem.

Porém, no caso do golfinho, o que é ainda mais surpreendente é que ele cria, inventa brincadeiras. E, se não houver quem participe, ele simplesmente cria brincadeiras que não necessite de outro.

Exemplo disso é fato ocorrido num parque aquático de Orlando no estado da Flórida, EUA. Os tratadores notaram que, em alguns momentos do dia, os golfinhos permaneciam submersos mais tempo do que de costume. Intrigados, passaram a prestar atenção.

Notaram que os bichinhos estavam soltando o ar pelo orifício no alto da cabeça de forma que se criassem bolhas. O efeito óptico era incrível, pois a incidência de luz solar na água torna os círculos de ar meio prateados. Isso alegrava de tal maneira os golfinhos que se divertiam intensamente.

Mas o golfinho não apenas observava o efeito óptico. Depois de alguns segundos, ele também empurrava os anéis com o focinho a fim de “dar vida” a eles. Depois de algum tempo, “furava” a bolha com bico e produzia outra.

Mas, veja: ele não somente brinca como também demonstra “possessividade” sobre a brincadeira, o que significa que “tem ciúmes”. Diversas análises do comportamento do golfinho demonstraram que ele “protege” seu brinquedo contra tentativas de seus semelhantes de brincarem também.

O golfinho é capaz de usar ferramentas

Claro, você não vai ver por aí um golfinho com máscara de solda ou usando uma furadeira, se puder nos desculpar pela ironia. Entretanto, o rapazinho é capaz de analisar as diversas funções que um objeto pode oferecer em determinado momento. Assim, identifica certa função e usa o objeto a contento.

Foi o que aconteceu em meados de 2005 no Pacífico já nas costas marítimas australianas. Cientistas flagraram diversos golfinhos lançando mão de esponjas marinhas como ferramenta de proteção (não era uma máscara de solda, mas a função é a mesma).

Ao tentar obter alimento incrustado em um orifício cujas bordas eram ásperas a ponto de causar danos na pele, o golfinho notou existência de esponjas ao lado. Então, simplesmente abocanhou uma parte delas e a envolveu no próprio bico. Dessa maneira, poderia enfiar o bico no orifício e não ser ferido.

E mais: não inseriu o bico pura e tão somente. Ele primeiro “testou” a ferramenta. Notou que daria certo e foi avante.

Relação com os humanos

O golfinho e pescadores de atum se envolvem no que a Biologia chama de protocooperação. Trata-se de relação harmônica entre duas ou mais espécies em ação de busca por alimentos ou por segurança de forma todos saiam com benefícios.

Nesse caso, os profissionais sabem que o golfinho procura cardumes de atum para se alimentar; então, seguem-no e aguardam que ele se banqueteie para somente depois lançarem suas redes. De alguma maneira, parece que o golfinho reconhece esse sentido de cooperação, pois age de forma a facilitar acompanhamento por parte dos pescadores até o local do cardume.

Entretanto, nem sempre a ação obtém êxito. Há casos em que o golfinho se enrosca nas redes e acaba perdendo a vida. Somente no Rio Grande do Sul e norte do Uruguai, a mortandade anual de golfinho alcança números expressivos: mais de 1300 indivíduos são mortos nas redes de pesca de outras espécies.

Um aparte final interessante

O golfinho é um dos animais sociáveis que existe.
O golfinho é um dos animais sociáveis que existe.

Em vários artigos de nosso site, mencionamos que determinados animais são sociáveis ou não. O nível de sociabilidade é resultado não apenas de análises de comportamento dos indivíduos, mas também a partir de cálculos matemáticos. Há um coeficiente numérico não abstrato conseguido a partir de quantidade de vezes de repetição de determinadas situações entre os indivíduos.

Assim, servem de parâmetro:

  • O tempo em que permanecem juntos, mesmo em eventual contenda
  • Quantidade e tipo de benefícios que os indivíduos obtêm nessa relação
  • Eventos de demonstração de estresse que parte da relação
  • Eventos de demonstração de tolerância que parte da relação
  • Vezes em que se tocam fisicamente, os motivos pelos quais se tocam e a reação do indivíduo tocado

Todos esses parâmetros aliados a alguns outros – além, claro, da experiência do observador – retornam o chamado “coeficiente de valor de relacionamento”. No caso do golfinho, esse valor é altíssimo, correspondente somente ao coeficiente humano.

Isso é ou não é interessante? E mais ainda: o coeficiente identificou um fator altamente intrigante. O golfinho é espécie que detém a mesma percepção sexual que os humanos. Isso significa que ele não copula somente para fins de reprodução, mas igualmente para obter prazer.

Bem, a maioria das espécies de golfinho está em fase crítica de extinção ou de situação preocupante. Converse com seus contatos sobre a importância do golfinho na natureza, sobre o estado de preservação das espécies, sobre como a ação humana está destruindo a qualidade dos mares em ele vive.

Além disso, você também pode divulgar os artigos deste site, cujo objetivo é anunciar as surpresas, os detalhes, as maravilhas do mundo animal.

Serg Smigg

Written by Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados.
A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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