O gato Siberiano é um felino encantador nativo das florestas Russia. Assim como o Maine Coon e o Norueguês da Floresta, o Siberiano faz parte dos chamados “gatos da floresta”. A principal característica dessas as raças é a pelagem grossa e abundante que, além disso, é impermeável. Esta condição permite, de fato, a sobrevivência nos frios climas implacáveis de onde são originários.

Trata-se de um gato de porte médio a grande, forte e com uma camada de subpelo tripla e peso surpreendente por seu tamanho. A aparência geral é forte, imponente, porém com uma expressão facial doce. A raça é extremamente lenta para atingir a maturidade, levando até 5 anos.

Ficha Técnica do gato Siberiano

Origem: Russia.
Data de origem: não há informação disponível pois trata-se de uma raça muito antiga.
Temperamento: Gentil, brincalhão, ágil e carinhoso.
Tamanho: Médio a Grande
Peso: Machos podem pesar 6 a 10 kg. As fêmeas costumam pesar entre 3,5 a 7 kg.
Cores: Todas as cores são permitidas para esta raça, sendo o castanho o mais comum.
Pelos: longos
Expectativa de vida: 11 a 15 anos.
Reconhecimento: CFA, FIFé, TICA, WCF, FFE, AACE, ACF, ACFA/CCA

Introdução à raça – história do gato Siberiano

Os gatos siberianos são originários da Rússia, onde são considerados e apreciados como um tesouro nacional. É difícil dizer há quanto tempo os gatos siberianos existem naquele país, mas com base nos contos de fadas russos e nos livros infantis, eles provavelmente existem há centenas de anos.

Os gatos siberianos foram descritos em um livro chamado “Our Cats and All About Them” (traduzindo para o português ‘Nossos Gatos e Tudo sobre Eles’), de Harrison Weir, publicado originalmente em 1889.

Eles não foram exportados até depois da Guerra Fria e foram importados para os EUA em 1990. Em 1996, a International Cat Association (TICA) reconheceu a raça, seguida de sua aceitação na American Cat Fanciers Association (ACFA) em 1999 e a Associação de criadores de gatos (CFA) em 2006.

Aparência do gato Siberiano

Como pode-se imaginar de um gato adaptado aos climas mais agressivos do mundo, possui corpo forte, com musculatura poderosa, e pelagem densa. Seu amadurecimento é mais lento que em outros gatos. De fato, leva aproximadamente cinco anos para atingir a maturidade total.

Sua cabeça tem forma de cunha com contornos arredondados e suaves. Os olhos são grandes e redondos, com expressão doce. As cores dos olhos aceitas são verde, ouro, verde-ouro ou cobre. No entanto, os gatos brancos ou com manchas brancas podem ter olhos azuis ou um de cada cor.

As orelhas são de tamanho médio com tufos de pelo. As patas traseiras são, normalmente, mais longas que as patas dianteiras. Tem a parte posterior bem desenvolvida, o que permite que saltem com maestria.

Pelagem do gato Siberiano

O pelo da raça é de semi-longo para longo, impermeável e, portanto, oleoso, abundante, com sub-pelo espesso.

O gato Siberiano possui pelos mais longos na região do pescoço e do abdômen. Por ser um felino de uma região com temperaturas implacáveis, sua pelagem é densa, proporcionando características impermeáveis e isolantes.

Todas as cores são permitidas para esta raça, sendo o castanho o mais comum. Apesar de no geral seu pelo ser considerado semi-longo, a pelagem do gato Siberiano varia bastante com a época do ano.

As patas posteriores são um pouco maiores do que as anteriores, dando assim sua característica de bom saltador. Os pés são grandes, redondos e com tufos entre os dedos. A cauda é bastante comprida, peluda e grossa, principalmente na base.

Ambiente ideal para o gato Siberiano

O gato Siberiano, apesar de sua aparência imponente e selvagem, adora estar com sua família humana. Portanto, qualquer lugar onde ele possa ter contato com a família, fará dele um gato feliz.

No entanto, por causa de seu tamanho não indiferente, é bom que tenha espaço ou pelo menos móveis projetados para que ele possa se exercitar pela casa ou apartamento.

Geralmente, possui bom humor e espírito brincalhão, adora brincar e correr para os braços de seus donos para ganhar afagos.

Temperamento e Personalidade

O gato siberiano tem uma personalidade encantadora, extrovertida, afetuosa, amigável e enérgica tornando-o um companheiro felino excepcional.

É um daqueles gatos que irá receber sua família humana na porta de casa e seguir seu tutor por toda a casa. Embora os gatos siberianos sejam gatos relativamente calmos, eles gostam de vocalizar através de miados.

Eles gostam da companhia de outros gatos e até cães. Além disso, são bons com crianças desde que sejam gentis e respeitosas.

Cuidados e Manutenção

A pelagem com tripla camada exige, sem dúvida, alguns cuidados para se manter bonita e brilhante. O ideal é que seu pelo seja escovado três vezes por semana para evitar emaranhados e sujeira, e até mais durante o outono e inverno.

Banhos em gatos dessa raça são um problema já que a pelagem densa é à prova d’água. No entanto, são gatos que adoram brincadeiras e atividades aquáticas.

Gatos dessa raça são inteligentes e gostam de aprender novos truques de uma maneira divertida. Além disso gostam de brincar um pouco como cachorros, ou seja, gostam de buscar os brinquedos e traze-los de volta.

É um gato atlético, que frequentemente subirá nas estantes e se moverá pelos pontos altos da sala.

Saúde do gato Siberiano

Todos os gatos podem viver uma vida saudável, assim como podem desenvolver problemas de saúde ao longo da vida. No entanto, gatos de raças específicas possuem predisposições a determinados distúrbios e patologias. Isso, porém, não significa que todos os indivíduos da raça terão as doenças que serão descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las no decorrer da vida.

Doenças mais comuns do gato Siberiano

Para quem compra ou adota um gato de uma raça específica, é primordial conhecer os riscos para saber como cuidar melhor do próprio gato. Além disso, é muito importante, também, comprar gatos de criadores éticos e responsáveis.

Portanto, questione o criador, peça para ver os pais do gatinho escolhido. Além disso, pergunte sobre eventuais distúrbios da linhagem.

Doença Periodontal

A doença periodontal é, sem dúvida, o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Cardiomiopatia Dilatada Felina

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença degenerativa do miocárdio caracterizada por dilatação ventricular e diminuição da contratilidade cardíaca. Nos anos 80, foi associada à deficiência de taurina na dieta dos gatos. A partir daí, a suplementação desse aminoácido nas dietas comerciais de felinos diminuiu muito a incidência dessa doença.

Os sinais clínicos são variados, sendo que a dispneia é o sinal mais comum. O diagnóstico definitivo é definido através do exame eco doppler.

Ocorre mais frequentemente em gatos machos, de 6 a 9 anos, de raças como Ragdoll, Persas e Maine Coons.

Cardiomiopatia hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica felina é a patologia cardíaca mais frequente em felinos domésticos e também está entre as principais doenças do gato Siberiano.

Trata-se de uma doença do músculo cardíaco na qual uma porção do miocárdio (músculo do coração) está hipertrofiado, ou seja, mais grosso, criando uma deficiência funcional do músculo cardíaco.

Embora possa afetar todos os gatos, é mais comum em felinos machos de idade avançada. Seus sintomas dependem do estado de saúde de cada gato e do progresso da doença, havendo também alguns casos assintomáticos. No entanto, os sintomas mais característicos da cardiomiopatia hipertrófica em gatos são os seguintes:

  • Apatia
  • Respiração dispneica
  • Vômitos
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Depressão e letargia
  • Flacidez nos membros posteriores
  • Morte súbita

Rim Policístico

A doença renal felina, comumente conhecida como a Síndrome dos Rins Policísticos, é uma doença genética que acomete frequentemente os gatos. É caracterizada pelo crescimento de múltiplos cistos nos rins, que acabam por comprometer a função renal e causam falência do órgão, ou seja, causa insuficiência renal.

A doença, no entanto, pode estar presente desde filhote, e pode não apresentar sintomas até os 7-8 anos de idade, quando o dano renal já pode ser importante.

Displasia Coxofemoral

Trata-se de uma instabilidade causada pela alteração no acetábulo, colo e cabeça do fêmur. O tamanho do gato, hereditariedade e o ambiente em que o animal vive influenciam, sem dúvida, o surgimento da enfermidade.

Por ser transmitido geneticamente, machos e fêmeas que tenha esse problema de saúde não são recomendados para reprodução. O animal pode começar a desenvolver essa complicação ainda quando jovem. De fato, normalmente os sintomas começam a surgir entre quatro meses e um ano de idade.

Luxação de Patela

Um dos distúrbios ortopédicos mais comum no gato Siberiano, é certamente a luxação de patela. Trata-se de deslocamento da patela (ou rótula) de sua posição anatômica normal, que fica no sulco troclear do fêmur.

A causa pode ser congênita ou traumática. Em caso de luxação da rótula, o gato poderá apresentar claudicação, ou seja, irá mancar tirando a patinha afetada do chão.

Considerações finais

Quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o gato Siberiano um gato lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.