Fisicamente, o gato Himalaio é extremamente parecido com o gato Persa. No entanto, tem as cores de um gato Siamês. Seu nome vem do coelho himalaio que possui uma marcação da pelagem muito parecida.

O mais famoso, entre os gatos Himalaios, é certamente o Mr.Jinx, o gato do filme ‘Entrando numa fria’ (Meet the parents). O filme é uma comédia do ano 2000 e foi estrelado por grandes atores como Robert de Niro e Ben Stiller.

Ficha Técnica do gato Himalaio

Origem: Estados Unidos.
Data de origem: 1935
Temperamento: Companheiro, inteligente, sociável, carinhoso e brincalhão.
Tamanho: Médio
Peso: Machos podem pesar 5,5 kg ou mais. As fêmeas costumam pesar entre 3,5 a 5,5 kg.
Cores: Azul, marrom, lilás, chocolate, vermelho, nata.
Pelos: longos
Expectativa de vida: 8 a 11 anos.
Reconhecimento: ACFA , FIFe, TICA

Introdução à raça – história do gato Himalaio

A origem do gato Himalaio tem inicio entre as décadas de 1920 e 1930, quando criadores de vários países tentaram produzir um gato que tivesse características físicas de um gato Persa, mas com marcas típicas de gatos Siameses.

Por isso, os gatos Himalaios foram desenvolvidos através do cruzamento de gatos siameses e gatos persas. As tentativas começaram na década de 1920 cruzando um siamês com um persa branco. Esses gatos foram nomeados “persas malaios”, no entanto desapareceram rapidamente.

Nos Estados Unidos, três pessoas tiveram envolvimento na criação dessa nova raça: Marguerita Gorforth, Virginia Cobb e Dr. Clyde Keeler. O objetivo do trabalho era obter um gatinho Persa com extremidades coloridas de um siamês.

O desenvolvimento desta raça teve início em 1931 nos Estados Unidos, quando a criadora Virgina Cobb (Gatil Newton) e o Dr. Clyde Keeler (faculdade de Medicina de Harvard) iniciaram um programa experimental de criação, com o propósito de conseguirem gatos de pelo longo com o padrão colorpoint.

Após 5 anos de tentativas produziram o primeiro filhote de gato himalaio que foi chamado de “Newton’s Debutante”. Na mesma época foi publicado um artigo a respeito da nova variedade no American Journal of Heredity (Jornal Americano de Hereditariedade) com uma fórmula detalhada de como haviam conseguido produzir um filhote colorpoint de pelo longo. Após a publicação do trabalho o programa de criação foi abandonado.

Criação definitiva e reconhecimento da raça

Somente em 1950 ouviu-se falar novamente em colorpoints (himalaios) de pelo longo, com o aparecimento da gata “Bubastis Georgina ” no gatil Briarry .

Animados com a aparência da gata Georgina, dois gatis se uniram (gatil Briarry e gatil Mingchiu) para dar início a um novo programa de criação voltado para o desenvolvimento da nova variedade.
No mesmo ano um criador canadense (Ben Borrett-Chestermere) também iniciou um programa de criação com a mesma finalidade, importando vários colorpoints do gatil Briarry.

Também em 1950 na Califórnia, Marguerita Goforth (gatil Goforth) conseguiu com uma amiga que estava de mudança um gato colorpoint de pelo longo que havia sido adotado por sua amiga na instituição San Diego Humane Society. O gato era uma fêmea seal point que foi batizada de “Princess Himalayan Hope”.

Marguerita conseguiu com a amiga permissão para usar “Hope” em seu próprio programa de criação.

O gato Himalaio foi, enfim, oficialmente reconhecido como uma nova raça pela Cat Fanciers Association’ (CFA) e pela ‘American Cat Fanciers’ Association em 1957.

O CFA reconheceu o Himalaia em 1957, mas em 1984 decidiu reclassificar o Himalaia como um subtipo persa. Na Grã-Bretanha, a raça recebeu reconhecimento oficial do GCCF em 1955.

Aparência do gato Himalaio

O gato Himalaio mantém as características morfológicas dos gatos persas. O seu corpo é de tamanho médio, robusto e compacto, com patas relativamente curtas e fortes. As características mais marcantes do Himalaia, no entanto, são a cabeça larga e os olhos grandes, redondos e azuis vívidos.

A pelagem longa, densa e sedosa do gato himalaio também é observada no gato persa, mas ele exibe o padrão de cores típico dos gatos siameses, dos quais ele herdou, além disso, os belos olhos azuis e o olhar especial.

Pelagem do gato Himalaio

A pelagem do Himalaio é muito parecida com a do Persa. Ou seja, seus pelos são longos em todo o corpo, macios, densos, com sub-pelo denso, o que confere um volume excepcional . Por causa dessas características, necessita de escovação frequente pois tende a perder muitos pelos, principalmente durante a época natural de troca.

As cores aceitas para o seu pelo podem variar ligeiramente, mas sempre se adaptam ao estilo point. Os tons mais observados são azul, chocolate, vermelho, marrom, lilac point ou tortie.

Ambiente ideal para o gato Himalaio

O Gato do Himalaia gosta de ambientes tranquilos, sem muitas mudanças e agitações. Não é daquele tipo de gato que gosta de subir em lugares altos, preferindo ficar no chão mesmo.

Temperamento e Personalidade

O Himalaia é um companheiro ideal. Vocaliza mais e é mais ativo que o Persa, mas é mais silencioso que o siamês. Embora gentil e amante da paz, o Himalaia adora brincar de buscar e se meter em travessuras. Além disso, pode passar muito tempo brincando com os brinquedos mais simples como um pedaço de papel.

O gato Himalaio pode tornar-se extremamente apegado ao seu dono, exigindo atenção constante.

Cuidados e Manutenção

Gatos Himalaios, assim como Persas, requerem cuidados diários. Por trocarem constantemente a pelagem, precisam de escovações diárias. Esse hábito pode prevenir três problemas: embolamento dos pelos, ocorrência de bolas de pelo no estomago, excesso de pelos no ambiente.

Além disso, o gato Himalaio precisa de atenção para não ficar obeso. A alimentação adequada e execícios diários são essenciais.

Saúde do gato Himalaio

Para que cresçam fortes e saudáveis, é importante investir em alimentos completos, ou em rações desenvolvidas especialmente para essa raça. Em alguns casos, pode ser necessário a suplementação alimentar, mas para tomar essa decisão converse sempre com um profissional de confiança.

Algumas empresas criaram alimentos industrializados específicos para a raça. Esse tipo de produto pode ser interessante pois possuem nutrientes de primeira qualidade que melhoram a condição da pelagem, evitam o acumulo de bolas de pelo no estomago, possuem quantidade correta de nutrientes e calorias. Além disso, a alimentação adequada pode evitar o aparecimento de algumas doenças típicas da raça.

Doenças mais comuns do gato Himalaio

Primeiramente, o gato Himalaio, por ser um descendente dos gatos Persas, possui uma característica física que o torna mais suscetível a doenças respiratórias. De fato, trata-se de um gato braquicefálico (ou seja, possui focinho achatado). Portanto, o gato Himalaio torna-se predisposto ao desenvolvimento da síndrome braquicefálica, consequência de múltiplas anormalidades anatômicas.

Essas irregularidades impedem o fluxo de ar através das vias aéreas superiores, causando uma sintomatologia clínica característica, ou seja, respiração ruidosa, cianose e, em casos mais graves, síncope.

O fato do nariz da raça ter sido reduzido ao longo dos anos, prejudicou gravemente o seu funcionamento. Além disso, o formato do focinho faz com que os olhos fiquem mais proeminentes e expostos a distúrbios.

Distúrbios Oculares

Os distúrbios oculares mais comuns em gatos Himalaios são:

  • Anquilobléfaro congênito – anomalia hereditária que costuma ocorrer no gato persa azul. Trata-se da união entre a pálpebra superior e inferior.
  • Epífora – Ocorre quando os canais nasolacrimais estão obstruídos. A lágrima escorre pela face, causando manchas escuras debaixo dos olhos. Em algumas raças, a obstrução pode ser hereditária.
  • Entrópio – Malformação que causa o reviramento da pálpebra para dentro causando sérias irritações que podem levar à graves doenças no olho do animal. O Entrópio pode acometer a pálpebra superior ou a inferior de um olho ou de ambos os olhos. Pode ser de origem congênita ou adquirida.
  • Glaucoma primário. Consiste em uma pressão sanguínea excessivo no olho, cujo efeito se traduz na opacidade e perda de visão.
  • Atrofia Progressiva da Retina – Trata-se de uma doença de origem hereditária que leva progressivamente à cegueira, normalmente de ambos os olhos. Infelizmente não tem cura nem formas de prevenção.

Doença Periodontal

A doença periodontal é, sem dúvida, o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é, sem dúvida, a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Cardiomiopatia Dilatada Felina

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença degenerativa do miocárdio caracterizada por dilatação ventricular e diminuição da contratilidade cardíaca. Nos anos 80, foi associada à deficiência de taurina na dieta dos gatos. A partir daí, a suplementação desse aminoácido nas dietas comerciais de felinos diminuiu muito a incidência dessa doença.

Os sinais clínicos são variados, sendo que a dispneia é o sinal mais comum. O diagnóstico definitivo é definido através do exame eco doppler.

Ocorre mais frequentemente em gatos machos, de 6 a 9 anos, de raças como Ragdoll, Persas e Maine Coons.

Rim Policístico

A doença renal felina, comumente conhecida como a Síndrome dos Rins Policísticos, é uma doença genética que acomete frequentemente os gatos. É caracterizada pelo crescimento de múltiplos cistos nos rins, que acabam por comprometer a função renal e causam falência do órgão, ou seja, causa insuficiência renal.

A doença, no entanto, pode estar presente desde filhote, e pode não apresentar sintomas até os 7-8 anos de idade, quando o dano renal já pode ser importante.

Intertrigo

Intertrigo é o nome dado ao distúrbio causado pelo atrito de dobras cutâneas.

Acomete as regiões de pregas e dobras cutâneas, tais como as pregas da face dos gatos braquicefálicos, como o gato Himalaio. 

O atrito entre as dobras, a umidade acumulada entre elas, a pouca exposição ao ar e sol destas, podem acabar causando uma infecção de pele. Isso, gera um habitat ideal para proliferação bacteriana, pois torna-se úmido, quente e protegido da luz.

Tricobezoar

Tricobezoar é o nome complicado para bola de pelo. De fato, os gatos Himalaios, por terem um pelo tão denso e uma troca tão frequente, estão propensos a formarem bolas de pelos maiores do que o aceitável que podem se tornar obstruções do sistema gastrointestinal.

Normalmente os gatos regurgitam as bolas de pelo. No entanto, por vezes elas acumulam-se no estômago. Quando isto acontece, o veterinário deve intervir o quanto antes para resolver o problema.

Para prevenir as bolas de pelo deve-se, portanto, escovar o gato persa diariamente, eliminando assim o pelo morto.

Considerações finais

Antes de mais nada, quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há, sem dúvida, grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o gato Himalaio um animal lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.