O gato Angorá, também conhecido como Angorá turco, é uma raça de gato conhecida, primeiramente, por sua elegância e beleza. Ao longo da história, de fato, tem sido inspiração para muitos pintores graças à delicadeza das características do gato.

É um gato considerado de porte pequeno/médio. Possui lindos pelos longos e macios que, no entanto, não são volumosos. De fato, seus pelos são finos e sua pelagem não possui sub-pelo. Por isso, é mais fácil de pentear.

A raça Angorá é considerada a mais antiga e rara das raças naturais. Acredita-se também que seja a mais antiga raça de gato de pelo longo no mundo. Histórica e tradicionalmente, eram tipicamente de coloração branco puro, com olhos azuis, olhos impares e olhos cor de âmbar ou amarelados.

Por suas características majestosas, sua genética está por trás do desenvolvimento de muitas outras raças como o Maine Coon e o Persa, por exemplo.

Ficha Técnica do gato Angorá

Origem: Turquia
Data de origem: Séc XVII
Temperamento: Inteligente, brincalhão, dócil, carinhoso.
Tamanho: Pequeno/Médio
Peso: 4,5 kg
Cores: Branco, preto, azul, chocolate, lilás e vermelho.
Pelos: longos, finos e macios
Expectativa de vida: 10 anos.
Reconhecimento: CFA, ACFA , TICA

Introdução à raça – gato Angorá

O gato Angorá é originário da Turquia, mais especificamente de Ancara.

Há mais de mil anos, no Oriente, essa raça era muito popular graças aos comerciantes ricos que exibiam seus gatos como símbolo de riqueza.

O gato Angorá tornou-se rapidamente o gato preferido da aristocracia francesa no século XV, sendo admirado e criado pelo Cardeal Richelieu, Maria Antonieta e Luis XV.

Trata-se de uma raça documentada desde o século XV e estima-se que tenha sido a primeira raça de pelos longos a chegar à Europa. Isso ocorreu no final do século XVI, através das mãos de Pietro Della Valle, aristocrata italiano que ficou maravilhado com a beleza destes felinos.

Um contemporâneo de Della Valle e discípulo de Galileo, o francês Nicholas-Claude Fabri, Senhor de Peiresc, também impressionado com a raça, foi o primeiro criador europeu de Angorás Turcos, já no início do século XVII.

Fabri, então, ofereceu um lindo gato branco como presente ao Cardeal Richelieu . Isso fez com que o gato Angorá se tornasse um gato muito popular entre a nobreza e a corte francesa durante os séculos XVII e XVIII.

Viveu uma fase de declínio e praticamente extinguiu-se como raça no século XVII. A raça foi recuperada apenas no século XX, a partir de exemplares de toda a Turquia.

Gato Angorá e o desenvolvimento de novas raças.

A raça foi trazida, enfim, para o continente americano depois que Maria Antonieta se preparou para fugir da França revolucionária. Conta-se que quando Maria Antonieta e sua família foram presas em Versalhes em 1793, seu capitão de navio Samuel Clough e alguns de seus simpatizantes planejaram uma fuga para o estado do Maine.

Nas docas, de fato, havia um navio ancorado que viajava regularmente a rota comercial entre a França e o Maine. O plano era levar a família ao navio e levá-la ao Maine, em segurança.

Gato Angorá e o Maine Coon

Todas as tentativas de fuga falharam, resultando na decapitação de Luís XVI e, em seguida, Maria Antonieta.

Então, o navio comandado por Samuel Clough deixou a França apressadamente e partiu para o destino planejado no Maine, levando os móveis e pertences reais, inclusive os gatos Angorá. Lá, a esposa do capitão aguardava com uma casa grande pronta para seus hóspedes reais.

Esta história da quase sobrevivência de Maria Antonieta e sua família é um fato comprovado, mas o que permanece um mistério é a presença dos gatos angorá no navio de Samuel Clough.

Essa é uma das teorias do desenvolvimento da raça Maine Coon.

Gato Angorá e o Persa

No século XVIII, o naturalista Karl Linné distinguiu o gato Angora Turco do gato doméstico e do Chartreux, dando-lhe o nome de Cattus angorensis.

A partir do século 19, o angora turco foi associado à Grã-Bretanha, onde foi criado com outros gatos. Isso resultou no nascimento de outra raça de pelo comprido – o persa. Essa nova raça rapidamente se tornou ainda mais popular que o angorá turco e, conseqüentemente, após a Segunda Guerra Mundial, o angorá turco estava se encaminhando para a extinção.

O Governo turco, preocupado com o declínio da raça Angora criou, portanto, um programa de reprodução no Zoológico de Ancara com o objetivo de preservar o gato Angora branco, considerado como um tesouro e o gato nacional da Turquia.

O Zoológico mantém um plantel com a finalidade de preservar a diversidade genética e a saúde dos exemplares. Além de manterem registros sobre tudo o que acontece com os felinos, eles são extremamente relutantes em deixar qualquer um de seus gatos sair do país.

Harrison Weir, uma autoridade famosa em assuntos relacionados à gatos e organizador da primeira exposição de gatos no Reino Unido, no Palácio de Cristal, em 1871, descreveu o Angorá Turco em seu livro “Os Gatos e tudo sobre eles”, que foi o primeiro livro sobre gatos de raça e com pedigree.

Aparência do gato Angorá

O gato Angorá Turco é um felino pequeno e de ossatura delicada, embora seu pelo longo possa fazer com que pareça de tamanho maior.

Seu corpo é particularmente longo e esbelto, o que confere uma aparência elegante pela qual o gato é conhecido.

Suas patas, como o resto do corpo, são longas e delicadas e terminam em dedos redondos ou ovais. As pernas traseiras são um pouco mais longas que as dianteiras.

A cauda do gato Angora é longa e fofa e lembra uma pena sedosa, o que é, sem dúvida, um outro atributo elegante.

Exite um leve diferença entre gatos Angorá fêmeas e machos. O gato macho, de fato, tem as mesmas características básicas, mas é um pouco maior e mais imponente.

A pelagem do Angorá Turco pode ser semi-longa ou longa, e eles não têm sub-pelo. O pelo é macio, fino e flutuante. Com cerca de um ano de idade, esses gatos desenvolvem pelos mais longos no pescoço e na barriga. Essa pelagem específica é um pouco mais ondulada do que em outras partes do corpo.

Pelagem do gato Angorá

O gato Angora Turco originalmente tinha pelagem branca. Essa cor sempre foi um símbolo da raça e até é considerada sua cor oficial. No entanto, os criadores de gatos começaram a notar que a criação de gatos brancos geralmente produzia gatinhos surdos. Como tal, as associações de gatos decidiram aceitar felinos com pelagens de outras cores. Por isso, hoje em dia, todas as cores são reconhecidas, com exceção dos lilás, canela, chocolate, castanho.

Entre as cores vistas no angorá turco, destacam-se: branco com olhos laranja ou azuis, Tabby prateado com olhos laranja ou verdes. Além dessas cores são comuns as tonalidades preta, azul, fumaça preto, fumaça azul, Tabby vermelho, Tabby marrom, Tabby Azul. Calico e Bicolor. Todas essas variedades com olhos de cor laranja.

Curiosamente, alguns dos gatos nascem com uma pequena mancha cinza no topo da cabeça. Isso desaparece à medida que o pelo engrossa ao redor do pescoço e da barriga, a partir dos 1 ano de idade.

Ambiente ideal para o Angorá

O angorá é a raça de gato ideal para quem mora em casa, mas ele também se adapta a apartamentos. Esta raça é muito inteligente, são carinhosas com o dono, e aprendem as coisas com muita facilidade.

Temperamento e Personalidade

Os gatos Angorá gostam muito de pessoas e, sem dúvida, têm várias qualidades que os tornam ótimos animais de estimação. Eles são brincalhões, carinhosos, curiosos e inteligentes. Gostam de brincar e se esconder nos cantos menores da casa. Costumam se divertir correndo, brincando com bolinhas ou mesmo subindo nas árvores. Além disso, é um gato apreciador de água e um excelente caçador.

Costuma ser bastante sociável com as crianças e outros animais, até mesmo cães quando estão familiarizados.

O gato da raça angorá é bastante brincalhão, dócil e amistoso. É um gato bastante ativo durante a sua vida toda. Gostam bastante de escalar pontos altos a partir de onde podem observar seus donos.

Cuidados e Manutenção

Apesar de sua aparência delicada, a pelagem do angora turco não precisa de muita manutenção. Como não tem sub-pelo, o gato não desenvolve nós. Portanto, escovar o gato duas vezes por semana é suficiente para mantê-lo limpo.

Saúde

Todos os gatos podem viver uma vida saudável, assim como podem desenvolver problemas de saúde ao longo da vida. No entanto, gatos de raças específicas possuem predisposições a determinados distúrbios e patologias. Isso, porém, não significa que todos os indivíduos da raça terão as doenças que serão descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las no decorrer da vida.

Para quem compra ou adota um gato de uma raça específica, é primordial conhecer os riscos para saber como cuidar melhor do próprio gato. Além disso, é muito importante, também, comprar gatos de criadores éticos e responsáveis.

Portanto, questione o criador, peça para ver os pais do gatinho escolhido. Além disso, pergunte sobre eventuais distúrbios da linhagem.

Doenças mais comuns do gato Angorá

Doença Periodontal

A doença periodontal é, sem dúvida, o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Cardiomiopatia hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica felina é a patologia cardíaca mais frequente em felinos domésticos e também está entre as principais doenças do gato Angorá.

Trata-se de uma doença do músculo cardíaco na qual uma porção do miocárdio (músculo do coração) está hipertrofiado, ou seja, mais grosso, criando uma deficiência funcional do músculo cardíaco.

Embora possa afetar todos os gatos, é mais comum em felinos machos de idade avançada. Seus sintomas dependem do estado de saúde de cada gato e do progresso da doença, havendo também alguns casos assintomáticos. No entanto, os sintomas mais característicos da cardiomiopatia hipertrófica em gatos são os seguintes:

  • Apatia
  • Respiração dispneica
  • Vômitos
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Depressão e letargia
  • Flacidez nos membros posteriores
  • Morte súbita

Ataxia Hereditária

Trata-se de um distúrbio hereditário da marcha. Ataxia significa a perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários. É um termo que, no entanto, cobre uma grande variedade de desordens neurológicas.

Os filhotes de Angorás afetados pela ataxia têm movimentos involuntários e geralmente não sobrevivem à idade adulta.

Surdez Hereditária

Primeiramente, gatos de pelagem branca e olhos azuis possuem um gene (conhecido como gene ‘W’) que está intimamente ligado à capacidade de audição do gato, nesta e em outras raças. Quando há presença de um olho azul, o gato pode apresentar surdez no ouvido do lado do olho dessa cor. Outros, com ambos os olhos azuis, podem apresentar surdez completa.

No entanto, um grande número de gatos brancos de olhos azuis em cores ímpares têm uma audição normal. Mesmo que o gato apresente surdez, pode ter uma vida normal e feliz. Todavia, será necessário mante-lo em casa para evitar acidentes.

Considerações finais

Quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o Angorá um gato lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.