O Gato Abissínio é diferente de qualquer outro gato. Inteligente, brincalhão e impressionantemente atlético. De fato, é um gato que está em constante movimento, pulando, escalando e explorando. Em outras palavras, não é um gato que ficará quietinho no colo tão facilmente.

Além disso, tem uma pelagem linda que confere a ele a aparência de um felino selvagem.

Ficha Técnica do Gato Abissínio

Origem: Etiópia
Data de origem: 1860
Temperamento: tímido e discreto
Tamanho: Médio
Peso: 4 a 7,5 kg
Cores: A cor é castanho-clara, manchada por duas ou três faixas de marrom mais escuro. A base do pelo é de cor abricó.
Pelos: curtos, fino e muito cerrado.
Expectativa de vida: 9 a 15 anos.
Reconhecimento: CFA, FIFé, TICA, ACFA, CCA.

História da raça

Embora o abissínio seja uma das mais antigas raças conhecidas, sua origem continua incerta e rodeada de mistérios.

Na aparência, os gatos abissínios assemelham-se às pinturas e esculturas de antigos gatos egípcios que retratam um felino elegante com um corpo musculoso, um belo pescoço arqueado, orelhas grandes e olhos amendoados. O gato Abissínio de hoje ainda mantém a aparência do gato da selva africano (felis lybica), o ancestral africano de gatos domésticos.

A origem do nome não é porque a Etiópia, antiga Abissínia, é considerada a casa original desses gatos, mas porque os primeiros “Abissínios” exibidos em shows na Inglaterra foram importados daquele país. A primeira menção desse gato apareceu no Harper’s Weekly (edição de 27 de janeiro de 1872), onde o 3º prêmio do show do Crystal Palace em dezembro de 1871 foi conferido ao Gato Abissínio “capturado na Guerra Abissínia”.

Os primeiros livros sobre gatos não esclarecem muito a história desta raça porque havia poucos ou nenhum registro mantido. Acredita-se que o primeiro gato foi trazido para a Inglaterra por um soldado britânico, em 1868, após o exército inglês ter lutado na Abissínia (atual Etiópia). Acredita-se que este gato, chamado “Zula” seja o precursor da raça.

Outra explicação para a origem da raça Abissínio foi deduzida de estudos genéticos mostrando que esses gatos provavelmente vieram da costa do Oceano Índico e partes do sudeste da Ásia.

Os primeiros registros de abissínios ocorreram em 1896. O livro genealógico do ‘National Cat Club’ da Grã-Bretanha revela que os gatos Sedgemere Bottle, nascido em 1892, e Sedgemere Peaty, nascido em 1894, foram registrados pelo Sr. Sam Woodiwiss. Embora tenham aparecido regularmente em exposições de gatos no Reino Unido durante o final do século 19, as duas guerras mundiais e um surto catastrófico de leucemia felina quase acabaram com a raça.

Os primeiros abissínios a serem importados da Inglaterra para a América do Norte chegaram no início de 1900, mas só no final da década de 1930 foram exportados da Grã-Bretanha vários gatos abissínios para formar a base dos atuais programas de reprodução americanos.

Aparência do Gato Abissínio

O gato Abissínio possui cabeça grande, ligeiramente em forma de cunha. Tem as orelhas relativamente grandes e pontudas. Os olhos tem formato amendoado, com coloração que incluem o ouro, o verde, avelã ou cobre.

A cauda da raça é bastante longa, grossa na base e mais afilada na ponta.

Além disso, o gato Abissínio é uma raça de tamanho médio, de corpo forte e ágil, com pernas longas. É um gato tímido, porém muito ativo, brincalhão e inteligente. Aprende com facilidade, é muito curioso e sociável com pessoas e também com outros animais.

A pelagem do gato Abissínio tem um comprimento curto, é densa e sedosa ao toque. A marcação da pelagem, denominada ticking, apresenta faixas mais escuras ao longo dos pelos, dando a impressão de uma pelagem “rajada”. As cores mais comuns para a pelagem do gato Abissínio são avermelhada, chocolate, canela, azul, castanho e lilás.

Ambiente ideal para o Gato Abissínio

O gato Abissínio não é um gato muito indicado para apartamentos pequenos. De fato, ele precisa se exercitar muito e fica deprimido quando confinado. Deve-se, portanto, providenciar um ambiente interativo, cheio de escadas, brinquedos, prateleiras que ele possa escalar. Além disso, o gato Abissínio gosta da companhia de sua família humana.

Temperamento e Personalidade

O gato Abissínio, além de ser lindo, é dotado de personalidade extremamente simpática. De fato, gatos dessa raça são muito inteligentes e aprendem com facilidade. Gostam muito de liberdade e ficam inquietos quando confinados em pequenos ambientes. No entanto, não é recomendável deixa-los passear livremente na rua.

Cuidados e Manutenção

A manutenção deste gato é muito simples, tal como a maioria dos exemplares de pelo curto, pois basta escová-lo ou penteá-lo de vez em quando. Contudo, é necessário remover regularmente os pelos mortos durante a época de muda do pelo. Para tornar o seu pelo mais brilhante, é possível utilizar um pano.

Como é recomendado para qualquer outro animal de estimação, recomenda-se a higiene oral regularmente, além dos cuidados básicos como vermifugação e vacinação. Além disso, recomenda-se uma alimentação completa e balanceada que possa suprir todas as necessidades nutricionais.

Consulte um médico veterinário regulamente para um check up.

Saúde

Para que cresçam fortes e saudáveis, é importante investir em alimentos completos e balanceados. Em alguns casos, pode ser necessário a suplementação alimentar, mas para tomar essa decisão converse sempre com um profissional de confiança.

Todos os gatos podem viver uma vida saudável, assim como podem desenvolver problemas de saúde ao longo da vida. No entanto, gatos de raças específicas possuem predisposições a determinados distúrbios e patologias. Isso não significa que todos os indivíduos da raça terão as doenças que serão descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las no decorrer da vida.

Para quem compra ou adota um gato de uma raça específica, é primordial conhecer os riscos para saber como cuidar melhor do próprio gato. Por isso, conheça as doenças mais comuns do gato abissínio:

Doença Periodontal

A raça de gatos abissínio tende a apresentar problemas dentários com mais frequência do que outras raças.

A doença periodontal é, sem dúvida, o distúrbio mais comum da cavidade oral de gatos. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é, sem dúvida, a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Amiloidose Renal

A amiloidose é uma doença em que proteínas dobradas de forma anormal formam fibrilas de amiloide que se acumulam em vários tecidos e órgãos, às vezes levando à disfunção ou insuficiência do órgão e morte.

De acordo com a natureza bioquímica da proteína precursora amiloide, as fibrilhas amiloides depositam-se localmente ou em todo o organismo. Esse depósito pode não representar nenhum perigo clínico aparente ou pode estar relacionado a alterações fisiopatológicas graves.

Os sintomas e a gravidade da amiloidose dependem, portanto, de quais órgãos vitais foram afetados.

O diagnóstico é realizado pela obtenção de uma amostra de tecido (amostra de biópsia) e exames ao microscópio.

Considerações finais

Antes de mais nada, quem opta por adotar ou comprar um gato, deve assumir a responsabilidade de cuidar do animal providenciando alimentação de qualidade, higiene, entretenimento, amor e cuidados veterinários sempre que necessário.

Outro fator importante que muitas vezes é esquecido ou até mesmo subestimado pelos tutores de gatos é providenciar o devido confinamento. Ou seja, recomenda-se que os tutores de gatos utilizem telas na residência, providenciem um gatil, mas não permitam que seus gatos passeiem livremente na rua.

Isso é recomendado porque na rua há, sem dúvida, grande chance de brigas, acidentes, contaminações que podem causar a morte de seu felino. Além disso, sendo o Gato Abissínio um gato lindo e amigável, pode ser facilmente roubado.

Além disso, recomenda-se o uso de plaquinha de identificação animal.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. GATOS. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.