Ela é meio desengonçada e deselegante quando está parada. O perfil físico da ema lembra uma bola sobre dois tacos de beisebol. Seu pescoço longo, desproporcional, também não ajuda muito para melhorar a plástica visual.

Porém, a ema tem andar gracioso. E justamente por conta das pernas longas. E corre muito, como você vai ver neste artigo. Aliás, você vai conhecer muito mais detalhes do dia a dia dessa ave interessante.

Por exemplo, vai saber que a ema está classificada na ordem dos Rheiformes, família Rheidae, espécie Rhea. Aliás, a ema é a única ave que compõe essa espécie. Já a ordem Rheidae identifica aves que não têm músculos apropriados para voo.

A ema tem ascendência direta dos os dinossauros, segundo estudos filogenéticos mais recentes. Quer dizer, filogenia é o braço da biologia que pesquisa os elos genéticos entre as espécies, quer sejam antigas ou atuais.

Nome contraditório

No Brasil, além de ema, é também conhecida como guaripe, nhandu ou nandu. Em outros países da América do Sul (veja mais abaixo), xuri é o outro nome mais comum. Aliás, não há ave maior nem mais pesada no Brasil e registros indicam que também não haja em toda a nossa américa.

O origem do nome científico, Rhea, nada tem a ver com a postura dessa ave. Aliás, até mesmo o contradiz. Significa grande mãe em grego (alguns dizem que significa grande pássaro). Porém, você vai perceber que isso deve ter sido brincadeira. Algum técnico de taxonomia, que é a área da biologia que identifica e classifica seres vivos em geral, resolveu colocar esse nome.

Bem, o tamanho da ema também é quase impeditivo claro para voos. Com certeza, assustaria os menos avisados, que imaginariam estar vendo um pterodáctilo, réptil voador da era jurássica. Apesar disso, a ema tem grandes asas que cuja função é diferente. Elas servem para manter equilíbrio do corpanzil do pássaro durante altas velocidades.

Interessante: as asas funcionam também como leme de embarcações ou aviões. Quando em fuga rápida, seria muito difícil mudar de direção por conta do peso. Assim, a ema usa as asas como apoio contra a camada de ar para alterar a direção da corrida. Assim, durante a corrida, abre e fecha – dá até a impressão de que gostaria de voar – para controlar a passagem de ar aerodinâmica.

É um avestruz? É uma siriema? É um casuar?

A ema se assemelha muito ao avestruz e a outras aves semelhantes.


Não, é uma ema. Essas aves se parecem muito, inclusive no comportamento, mas ema é ema. Ema é um pouco menor que avestruz e possui cauda (o avestruz, sim) nem glândula que produz gordura, muito útil em tempos de chuva; a siriema é bem menor e o casuar é a ave mais violenta que você pode conhecer. A ema tem características próprias de mansidão e calmaria.

Por nascer de ovos e botá-los, é classificada como ovípara.

Aonde anda a ema

No Brasil, de norte a sul, você pode se deparar com uma ema. Ela está também na Argentina, Paraguai e Uruguai. Porém, em terras tupiniquins, há maior concentração nas regiões centrais, mais precisamente nos serrados e campos.

Pode-se dizer que a ema é habitante específico da América do Sul, pois não é encontrada na natureza de outros continentes – apenas em cativeiro e nos pratos de milhares de restaurantes espalhados pelo mundo. Então, fornecer carne para alimentação humana é uma das funções dessa ave.

Corpo impressionante da ema

Como se viu acima, é a maior ave e a de maior peso do Brasil. Com mais de 1,70m de comprimento, chega a quase 40k. Com as asas abertas, cobre espaço de 1,50m. A cor marrom acinzentada do alto do corpo e mais clara na parte de baixo é quase característica.

Porém, pode-se identificar os indivíduos machos por meio de plumagem negra no pescoço e parte do peito. E machos têm pênis. Em princípio, isso até parece óbvio, mas não quando se leva em conta que a esmagadora maioria das aves machos não tem. Portanto, o macho penetra a fêmea, diferente de outras aves, cuja cópula se dá por fricção dos órgãos genitais.

Falando em chuva, outra característica distintiva da ema é que suas penas são altamente permeáveis. E a ave detesta isso. Em tempos chuvosos, ela procura abrigo desesperadamente porque a umidade em suas penas acarreta sérios problemas.

Para filhotes de ema, esse fator pode ser risco de morte, pois a umidade enfraquece a pele e possibilita acúmulo de micro-organismos nocivos.

Fora esse fator, o organismo da ema é extremamente potente. É capaz de encarar mais difíceis adversidades e sobreviver facilmente. Resiste às alterações climáticas sem problemas, apesar de não gostar de chuva, como a gente viu.

Além disso, o sistema excretor é diferente de outras aves. Há canais próprios para fezes e urina a partir do órgão chamado cloaca. Isso facilita muito sua vida.

A ema e seu comportamento

Gosta de viver em bandos, normalmente com mais ou menos 30 elementos. Quando em grupo, buscam alimentos no chão, qualquer alimento. A ema é, portanto, onívora, pois come tanto vegetais quanto animais.

Prefere mais o período diurno. Por ser ave nativa e rural, está bastante habituada à presença humana. Isso permite que seja mansa e amiga, inclusive com outros animais.

É corredora fantástica, como a gente já viu. Consegue velocidades impressionantes com suas longas pernas e fortes coxas, chegando facilmente a 60km/h. Se necessário, vai a até 80km/h para fugir de lobos-guará, onças e outros predadores naturais. Os ovos da ema são alvos principalmente de lagartos teiús, gaviões e corujas.

“Estômago de avestruz. Ou de ema”

Ela se alimenta de legumes, grama e folhas vegetais em geral; entretanto, como é onívora, pequenos animais estão em sua lista de alimento: cobras, lagartos, baratas, moscas etc. que estiverem ao alcance. O que vier é lucro, segundo seus conceitos.

Sendo ave, possui bico; tendo bico, não tem dentes. De certa forma, a ema deveria ser mais cuidadosa com o que come. No entanto, come de tudo, como visto acima. Então, a natureza dotou a ema de um instinto parecido com o avestruz: ingere pequenas pedras que auxiliam no processo de trituração dos alimentos já dentro do estômago.

O problema é que esse instinto não vê diferenças entre pequenas pedras e outros materiais, até mesmo objetos cortantes. Assim, acaba ingerindo plásticos, latas, madeira etc. Com o avanço por parte dos humanos sobre os territórios das emas, esse hábito tem se tornado devastador para a sobrevivência da ave.

Além disso, com o desmatamento desmedido, a ema acaba invadindo áreas agriculturais e comendo sementes e brotos. Isso é verdadeiro crime aos olhos dos agricultores que, em defesa, preparam armadilhas ou matam os invasores. Por outro lado, estando os brotos repletos de agrotóxicos, essas substâncias resultam em sérios danos orgânicos à ema.

A ema e sua devassidão

Você já viu muitos artigos em nosso site que destacam o senso maternal animal. Com a ema, talvez você se decepcione. Vá vendo. Sandra Fayad, economista, fotógrafa e poetisa brasileira, descreve muito bem o comportamento copular das emas em vários de seus poemas e textos.

No período de acasalamento, a postura social do macho se altera profundamente. Ele se aparta do bando e seu organismo passa por pequenas transformações. Então, ele funda seu harém, que é composto por até 10 fêmeas. Para isso, ele canta, dança, pula, bate as asas, estica o pescoço.

Além disso, luta ferozmente com outros macho que eventualmente invadam seu harém. Quanto mais agitado se mostra, mais atrai e agrada às fêmeas. Assim que os encantos do macho convencem, as emas fêmeas agacham até o chão e o macho as cobre. O ato é semelhante à cópula do galo e galinha.

Macho que é macho, cuida dos filhos

Assim que as fêmeas são fecundadas, o macho praticamente passa a ignorá-las, mostrando até mesmo agressividade. Ele mesmo prepara o ninho e a si mesmo para chocar os ovos, mais ou menos de 20 a 25 unidades. Nesse período, o macho quase não se alimenta e usa nutrientes armazenados nos dias anteriores ao cio.

Assim, protege o ninho de tal forma que perde muitas penas para construí-lo. Por volta de 40 dias, ele aguarda a eclosão, que ocorre interessantemente no mesmo dia.

Interessante: os ovos que não eclodem exalam forte odor que atrai insetos e pequenos vertebrados. Estes vão servir de primeiros alimentos para os filhotes de ema, que come as larvas produzidas por aqueles.

O instinto maternal é quase nulo, pois as fêmeas são afastadas pelo macho, que cuida dos filhotes até os seis meses. Além disso, os filhotes já nascem já com olhos já abertos e com força e agilidade para se manter, o que torna desnecessária a atuação da mãe.

Com duas semanas, chegam a meio metro de altura apenas do pescoço para baixo. Aos 2 anos de idade, já são considerados adultos.

E a tal devassidão? Bem, tão logo as fêmeas põem os ovos, já se colocam à disposição para outros machos e o macho que as fecundou sai à procura de outras fêmeas assim que os ovos eclodem. Elas são fecundadas por pelo menos 4 machos durante o período de cio e põem mais ou menos 5 a 6 ovos em cada ninho.

Haja disposição, hein?!

O canto da ema

A gente mencionou acima que o macho canta para atrair a fêmea para a cópula. Bem, isso é mais uma questão de ponto de vista. Afinal, não é bem um canto, mas um grasnar, um rasgar de garganta, um berro, um gemido. E horrível, na opinião de muitos.

Sandra Fayad até menciona o compositor João do Vale. Ele compôs versos para descrever o tal canto. “Você sabe bem/ que a ema quando canta/ vem trazendo em seu canto/ um bocado de azar” é, na verdade, metáfora para dizer que o canto é muito ruim, um exagero de doer nos ouvidos.

Relação preocupante Ema X Humanos

A ema está em extinção. E, claro, a ação humana é um dos mais fortes motivos para essa situação. A devastação do meio ambiente para instalação de agricultura, caça desordenada e aplicação de substâncias agrotóxicas estão dizimando a população dessas aves.

A carne de ema é comercializada como iguaria incomum que, aliás, é exportada para muitos países. Uma ave adulta fornece até 15kg de carne macia e muito rica em nutrientes. As penas são usadas na indústria de espanadores e de objetos decorativos. Além disso, são muito procuradas em época de carnaval para criação de adornos e adereços.

Somado a tudo isso, ainda há a questão do êxodo por parte da ave. A ema tem buscado alimento em locais cada vez mais distantes de seu habitat. Com isso, incidentes diversos, como quedas e atropelamento, têm aumentado o índice de queda da população.

Por fatores semelhantes, autoridades brasileira criaram leis específicas de proteção à ave. Porém, tais são ignoradas em boa parte das ações. Por outro lado, a ideia de pecuária defensiva tem sido aplicada de forma consciente e eficiente. As aves permanecem em local fechado e protegido, com alimentos suficientes e ambiente tranquilo.

Além disso, a ema é forte desde filhote, como visto acima. E também é ave calma, sociável, mansa e, para completar, ainda fornece ovos e pele de grande valor econômico. Esse conjunto de fatores incentiva criadouros sustentáveis e ambientalmente corretos.

Dessa forma, os produtos advindos da ema são comercializados sob fiscalização do Ibama, que autoriza a venda somente de aves registradas e legalizadas.

Portanto, eis a ema

Como você viu, a ema é ave altamente produtiva e importante para o país, em especial para a região central. É ali que ela mostra sua efetividade ao movimentar recursos e divisas. A paralelo de tudo isso, sua importância ainda é destacada por ser ave nativa do Brasil e auxiliar no controle biológico em determinadas situações.

E, se isso não bastasse, ainda há a questão do respeito que todo animal precisa ter por parte dos humanos. Assim, faça sua parte. Indique os artigos de nosso site para amigos, conhecidos, parentes. Manifeste sua indignação para com maus-tratos contra animais. Participe de redes sociais, envie mensagens, de forma a colaborar na manutenção da vida animal.

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Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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