As personagens principais de nossos artigos, verdadeiros protagonistas, são, claro, os animais. Portanto, eles são o motivo de nosso site existir. São motivo central de tudo que fazemos por aqui. Ou seja, todos têm grande peso de honra e carinho de nossa parte. Todos. Mas, venhamos e convenhamos, quando se fala em personagem de peso, o elefante é o primeiro a ser destacado.

É o maior animal terrestre existente atualmente. Sua ascendência jurássica é o mamute, segundo estudos complexos desenvolvidos há várias décadas. É pertencente à ordem Proboscídeo, cujo primeiro representando teria vivido há mais de 45 milhões de anos.

Por outro lado, outra característica de destaque é a inteligência. Cinema, literatura, artes plásticas já tiveram a inteligência e memória do elefante como tema. O que talvez você não saiba ainda é que eles têm uma forma diferente e inusitada de se comunicar a distância. E isso você vai ver mais abaixo.

Além disso, é esperto o bastante para usar a tromba para diversas funções. Uma delas é graciosa: ele suga água com o membro e a espirra sobre o próprio corpo a fim de se refrescar em dias muito quentes.

Ainda, outro fator interessantíssimo é a tendência de usar mais um lado que outro do corpo, como destro ou canhoto, semelhante a humanos. O lado mais ativo é identificado pelas presas: a que estiver mais gasta vai identificar se o indivíduo é canhoto ou destro. Assim, vai usar mais pata dianteira mais dominante também.

Na Ásia, em especial na Índia, a existência dos elefantes têm função mais que simplesmente ambiental. Há questões sociais e religiosas que envolvem o relacionamento humano-elefante a ponto de um dos muitos deuses se assemelhar ao animal.

Elefante: um gigante frágil

Apesar de enorme e pesado, o elefante é uma nimal frágil.

Entretanto, apesar do tamanho monstruosamente exagerado e do peso imensamente considerável, o elefante é, em verdade, um animal frágil do ponto de vista dos perigos sobre a manutenção da espécie. Dentre as ameaças existentes, a diminuição de seu ambiente territorial próprio é uma das maiores.

E as projeções para as próximas décadas não são nada aliviantes, nada alentadoras. É possível que mais da metade do já diminuto espaço desses gigantes venha a sofrer alterações climáticas desastrosas.

Segundo aquelas projeções, as temperaturas elevadas e os períodos de seca constantes vão minimizar a oferta de alimento para os elefantes. Com certeza, os momentos de forrageio (ação de busca por alimentos) estarão altamente comprometidos.

Além de tudo isso, incidentes de conflitos entre elefantes e humanos vão acabar se intensificando – em verdade, já estão. Isso ocorre porque, uma vez tendo seu habitat tomado por ação humana, o elefante vai buscar meios de sobrevivência em regiões urbanas ou quase urbanas.

Até algumas décadas atrás, especialistas calculavam uma população de milhões de elefantes na África e de 100 mil na Ásia. Com todos os problemas que esse mastodonte de fragilidade tem enfrentado, esses cálculos indicam que se tenha menos da metade disso em ambos os continentes atualmente.

A IUCN – a instituição internacional responsável por acompanhar a evolução e involução das populações da fauna – estima que o elefante asiático (veja abaixo sobre as espécies) esteja em declínio populacional. Não se tem nem mesmo um número aproximado da quantidade de indivíduos, mas a percepção é de diminuição.

Quanto ao africano, ainda que a percepção seja alentadora, pois a quantidade está em alta, permanece na lista vermelha de perigo como “vulnerável”. Há mais ou menos 470 mil indivíduos africanos rondando as florestas da região, segundo senso prévio de poucos anos atrás.

Elefante de ouro

Esse grande animal – em todos os sentidos – tem algo que o humano persegue há milênios desde que vinculou poder a dinheiro. Ele tem marfim. Esse ouro branco maciço é um dos mais fortes perigos para a existência desses grandes animais. Caçadores inescrupulosos fazem de tudo para burlar regras a fim de conseguir seu objetivo.

Afinal, um marfim comum pode valer até 6 mil reais no mercado oficial e 8 mil reais no mercado negro. Não à toa, defensores dos animais em geral lutam constantemente para que leis protetivas permaneçam ativas e sejam cada vez mais intensificadas. E lutam em especial por leis fiscalizadas e reguladoras de extração de marfim.

Elefante e suas espécies

Há duas espécies de elefantes e algumas subespécies.

Há duas espécies de elefantes: Africano e Asiático. A primeira é também subespécie em outras duas, a Floresta e a Savana. Já a espécie asiática se divide em mais 4 subespécies: Índico, Bornéu, Sumatra e Sri Lanka. Logo abaixo, você vai interpretar facilmente a importância do elefante asiático para a vida daquela região. Eles estão em desde eventos religiosos até no dia a dia comum dos habitantes nativos.

Das duas espécies, o africano é mais robusto. Das patas ao ombro, crescem até 3m a 4m e podem ter até mais de 6 toneladas. Seus parentes asiáticos podem ter até pouco mais de 4,5 toneladas e crescer entre 4,5m e 5m.

Assim, conhece-se a espécie africana de elefante pelas orelhas. O formato delas lembra clara e justamente o mapa da África: algo como um triângulo invertido na vertical. Já as orelhas da espécie asiática são mais redondas e menores. Em ambas as espécies, as orelhas funcionam como sistema de refrigeração, pois o calor é irradiado por elas.

O intruso

Há uma subespécie conhecida como Elephas maximus borneensis (elefante pigmeu de Bornéu). Análises genéticas comprovam que não se trata nem da espécie africana nem da asiática. Entretanto, está mais próximo desta última geneticamente.

Vive mais na Ilha de Bornéu, uma enorme porção de terra asiática. Ainda que as evidências de ser subespécie estejam em discussão, estudos de 2003 demonstraram que se apartou das outras há mais ou menos 300 mil anos.

Dessa maneira, como o próprio nome denuncia, é bem menor que as outras duas espécies. Não chega a 2,5m. Sua cauda é muito mais longa e suas orelhas muito mais enormes.

Onde se encontram os elefantes

As duas espécies são nativas dos respectivos continentes, como já dito acima. Os da savana africana estão em mais ou menos 40 países ao sul do Saara; os da floresta, na área central e ocidental da África tropical. Já o elefante da espécie asiática pode ser visto na China, Índia e região adjacente.

O cotidiano do elefante

O elefante é um animal pacato e vegetariano.

O grandioso elefante tem comportamento pacato. Quanto à alimentação, é vegetariano. Dessa maneira, sua base alimentar é feita de cascas de árvores, raízes, folhas, grama, bambu e elementos semelhantes. Ele gosta muito de banana e cana-de-açúcar. Um indivíduo adulto consome até 150kg de alimento por dia.

E não é pra menos. É preciso isso e talvez mais para manter o corpinho de 4 a 6 toneladas de peso.

Sistema matriarcado social

O comportamento social dos elefantes é objeto de estudo de muitos sociólogos e antropólogos. Sabe-se que essas ciências humanas têm relação com comportamento humano, mas os exemplos vindos da sociedade dos elefantes são motes para grandes discussões e temas de grandes dissertações.

Assim, vivem em bandos que podem ser pequenos (8 a 10 indivíduos) ou enormes (até 100 elementos). O bando – na verdade, chamado rebanho – é liderado por sempre por uma fêmea. Esta é eleita democraticamente como líder, via de regra é sempre a mais antiga do rebanho.

Todos os elementos do rebanho desenvolvem laços extremamente fortes em entre si, mas em especial entre familiares. Não são raros os vídeos virtuais que destacam tal característica.

Dessa forma, é possível ver demonstração de verdadeiras amizades, com um elemento auxiliando outro na luta contra predadores – leões, tigres e outros carnívoros agressivos.

Ainda, o coleguismo é evidente entre elefantes. O bando protege os filhotes como se estes fossem deuses e filhotes respeitam decisões e prioridades de adultos como se estes fossem todos seus pais. Todo o rebanho se incumbe do bem-estar dos filhotes.

Quanto aos machos, nem sempre estão no rebanho. Permanecem próximos dele, mas um tanto mais distante. Especialistas em zoocomportamento dizem que isso é demonstração de respeito para com a o matriarcalismo dominante.

A inteligência do animal

A inteligência do elefante é divulgada no mundo inteiro. É característica clara que o diferencia de outros animais, de qualquer mamífero. Ela é apontada como razão para o grande poder de memória desses animais. Um elefante é capaz de lembrar de rostos humanos familiares depois de anos e anos de distanciamento.

Essa capacidade mnemônica é especialmente útil em tempos de escassez de água e alimento. As fêmeas líderes conduzem seus rebanhos diretamente a fontes de água cuja localização está contida em sua memória. Há registros de que centenas de elefantes foram literalmente salvos da fome por conta dessa capacidade.

O poder da inteligência do elefante é também observado na manifestação de sentimentos. Pesquisas sérias predizem que um elefante pode sentir tristeza, ansiedade, alegria, raiva. Ainda, pode inventar brincadeiras com seus filhotes em momentos de estresse social.

Interessantíssimo: a inteligência do elefante permitiu que desenvolvesse esquema de comunicação bem eficiente e diferente para longas distâncias: eles se comunicam pelas patas. Um grupo de pesquisadores descobriu que um elefante é capaz de criar mensagens a partir de ondas sub-sônicas e transmiti-las pelo solo. Esse sistema é mais rápido que a viagem do som pelo ar. Desta maneira, parceiros distantes decodificam a mensagem a partir da pata e pele da tromba.

Além de tudo, sua esperteza o faz se refrescar com esguicho de água, como a gente viu no início deste artigo. E, posto que sua pele é sensível ao sol – apesar de ter espessura de quase 2cm -, ele se cobre de lama e poeira como forma de se proteger dos raios.

Regras do rebanho

Além de seu sistema de comunicação, o elefante desenvolveu também um sistema social em que há regras claras de convivência. Eles até mesmo se cumprimentam.

É sério isso?! Sim.

Quando se encontram, o que está chegando aguarda que o “anfitrião” alongue a tromba e o tronco. Somente depois disso o visitante se aproxima.

Como complemento, auxílio mútuo é outra regra seguida fielmente. Qualquer indivíduo que esteja com dificuldades é amparado tanto física quanto emocionalmente por outros do mesmo bando. Além disso, essas regras são passadas por fêmeas mais velhas aos mais jovens.

A reprodução

O elefante é um mamífero placentário.

São placentários, ou seja, são concebidos a partir de placenta e coito. O casal acasala durante as estações chuvosas preferencialmente. A fêmea gesta por 22 meses para dar à luz um filhote, que pesa entre 80 e 100 quilos. O filhote nasce com mais ou menos 1m de altura.

Durante os doze primeiros meses, o bebê elefante engorda em 1,5kg por dia apenas mamando na mamãe elefante. Ao atingir 2 ou 3 anos, desmama e começa a participar do convívio social mais contundentemente. Entretanto, como a gente viu acima, vai viver mais ou menos à parte do bando, apesar de não se apartar dele.

O filhote é realmente sensível. Seu tronco ainda não dispõe de força. Portanto, vai necessitar de todos os cuidados da fêmea. Por “sorte”, a natureza proveu o grupo todo de grande poder de empatia e todos auxiliam nos primeiros meses de vida do filhote. Você viu isso acima, no capítulo sobre matriarcado.

A maturidade sexual é alcançada entre 15 e 20 anos de idade. Depois disso, tanto macho quanto fêmea estarão em busca de construir a própria família. Um elefante idoso em vida livre na natureza pode chegar a 50 anos de idade.

Mitos e lendas curiosos

A força, o poder, a tromba, a inteligência e o peso de um elefante acabaram originando uma série infinita de lendas e mitos. Porém, nem sempre tais contos têm função religiosa; muitas vezes, as questões são culturais e sociais.

Os primeiros elefantes

Há quem jure de pés juntos que, há milhares de anos, um homem foi enganado pela esposa e acabou assumindo a forma de um elefante. Assim, teria dado início à existência desse animal. Outros pés juntos juram que a existência desse grandalhão gracioso se deu quando um humano tomou a pele toda de um animal desconhecido. Depois, forçou uma mulher a usá-la, dando o formato de elefante a ela para viver consigo.

Quanto à tromba, teria começado a existir depois de uma briga horrenda com um crocodilo enorme. Este teria abocanhado o nariz do elefante, que era normal, e o puxou. Como consequência, essa forma passou a fazer parte das gerações futuras do animal.

O origem da inteligência

A inteligência do elefante é explicada por uma lenda da tribo queniana Kamba. Um homem pobre teria vagado por anos em caminhada em busca dos segredos da deusa Inovya-Ngia, que significa “alimentadora de pobres”. Assim, vagando e vagando, conseguiu encontrar o rico esconderijo dela.

Como prêmio, ela ofereceu 100 cabras e 100 ovelhas, mas ele queria mais. Exigiu que ela contasse o segredo do sucesso material. A deusa teria então dado uma pomada ao homem que, se passada nos dentes da esposa, o tornaria riquíssimo.

Voltando para casa, o homem tomou a esposa e esfregou a pomada em seus dentes. Dessa maneira, estes cresceram ao tamanho de um braço humano. Depois, o homem arrancou os dois caninos da mulher, que teve dores lancinantes, e foi vender no mercado. Assim, conseguiu excelente valor. Ganancioso, voltou para casa fim de conseguir mais dentes.

Entretanto, a esposa tinha já fugido para a floresta, pois os dentes voltaram a crescer e ela se horrorizara com o sofrimento imposto pelo marido. Lá, engordou e adquiriu a forma de elefante, dando início à espécie depois de ser fecundada por um urso.

O alcaguete

Na Namíbia, África, pessoas creem que um elefante irritado que ataque alguém é, na verdade, um homem transformado nesse animal. E isso não é simples metáfora; tais pessoas realmente creem nisso.

Há tribos que asseguram que os marfins dos elefantes sejam apontamentos da data de morte – do elefante, não das pessoas. Quando um caçador vê um elefante esguichando água sobre si mesmo, é porque sua esposa está no banho. Ela não deveria fazer isso durante a ausência do marido. Então, ele volta para casa imediatamente.

O anti-rancor

Em outras regiões africanas, diz-se que um caçador jamais deve sair à caça se estiver com algum rancor no coração. O elefante é capaz de detectar esse sentimento ruim e, furioso, acaba atacando o grupo. É por isso que, nessas regiões, nenhum caçador se alia a outros se entre eles houver alguém com mágoa no coração.

Ganesha

Trata-se de um dos deuses mais venerados do hinduísmo, religião indiana. É também conhecido como Vinayakudu. É considerado por lá como uma espécie de Santo Expedito aqui no Brasil e em Portugal, ou seja, deus das causas impossíveis. É também visto como desbravador de empecilhos, ofertador de fartura e de fortuna.

Sua aparência pode ser estranha para os ocidentais, mas a imagem de enorme barriga de um ser com quatro braços e cabeça de elefante é muito agradável naquela região.

A importância do elefante para a sociedade indiana é tamanha que ele vive livremente por todo o país. É social e legalmente proibido inferir qualquer ação violenta, humilhação ou ainda descuidado contra o elefante. Ele deve ser muito bem tratado.

Um elefante agrada muita gente

E desagrada a criminosos. Durante a leitura que você fez deste texto, morreu um elefante no mundo. A morte se deu ou por arma de fogo de caçadores desumanos ou por conflito com algum humano em área urbana ou ainda por deslocamento do animal de seu habitat por motivos diversas. Seu marfim foi arrancado friamente de seu corpo quente e vendido no comércio internacional negro.

Elefantes: Vídeo LIVE

Agora, veja um vídeo com uma câmera LIVE no seu próprio habitat na África abaixo:

Não à toa, mas também não apenas por isso, é que estamos sempre sugerindo para que você participe de movimentos em favor da segurança e bem-estar de qualquer animal. E, tendo mais dúvidas ou sugestões sobre a vida do elefante, deixe nos comentários abaixo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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