Pode parecer estranho para muitas pessoas falarmos sobre teste de DNA de cachorro, entretanto no artigo será possível verificar que este teste traz muitas informações valiosas aos proprietários de cachorro e principalmente aos criadores.

O teste de DNA é também conhecido como mapeamento genético. Trata-se da leitura dos genes de um indivíduo. É utilizado há muitos anos na medicina humana para detecção de paternidade, identificação de doenças e até mesmo solução de crimes. Entretanto, de alguns anos pra cá, o teste de DNA de cachorro também se tornou extremamente comum!

Para que serve o DNA de cachorro?

O teste de DNA de cachorro é fundamental para o estudo das raças.

O teste de DNA de cachorro, de fato, revela uma abundância de informações valiosas sobre o seu animal. Entre elas estão: identidade individual, paternidade, similaridade genética a outros animais e uniformidade de linhagem de sangue.

Hoje em dia, criadores de raças específicas utilizam este teste para obter as seguintes informações:

  • Estabelecer identidade genética permanente à prova de falsificações
  • Assegurar a integridade do registro genealógico
  • Verificar paternidade em inseminação artificial
  • Classificar e separar crias de coberturas com vários padreadores
  • Assegurar a reputação dos bons criadores
  • Promover avanços futuros na área de criação animal.

Além disso, o teste de DNA de cachorro pode dar informações preciosas aos proprietários de animais sem raça definida. Isso porque através do teste, é possível avaliar quais cruzamentos de raças geraram o cachorro. Através dessa informação é possível, inclusive, avaliar antecipadamente possíveis doenças genéticas além de entender melhor a índole do animal.

Curiosidade sobre os testes de DNA de cachorro

O mesmo tipo de tecnologia é usado, nos Estados Unidos, para identificar responsáveis por sujeiras fora do lugar! Por incrível que pareça…

De acordo com o jornal “Seattle Times”, a empresa BioPet Vet Lab, da cidade de Knoxville (Tennessee), tem providenciado kits para condomínios e casas.

Com esses kits, os proprietários podem registrar o cachorro de cada residente em um banco de dados. Se as fezes de um animal forem encontradas no lugar errado, uma amostra de células extraídas das fezes pode ser comparada a um indivíduo em um banco de dados de perfis genéticos de cães locais.

Ao identificar o proprietário do animal, é imposta uma multa. Entretanto, no Brasil, esse tipo de análise é inviável já que ainda existem muitos animais vivendo nas ruas.

O que é DNA?

DNA de cachorro é fundamental para descobrir detalhes sobre o cachorro.

Primeiramente, é importante relembrar o que é DNA.

A estrutura da molécula do DNA foi descoberta pelo norte-americano James Watson e pelo britânico Francis Crick, em Março de 1953. Desde então, muitos estudos foram feitos.

O DNA, ou ácido desoxirribonucleico, é uma molécula complexa que contém todas as informações necessárias para construir e manter um organismo, além de conter o material hereditário.

O DNA, portanto, faz mais do que especificar a estrutura e função dos seres vivos. De fato, também serve como unidade primária de hereditariedade em organismos de todos os tipos. Em outras palavras, sempre que os organismos se reproduzem, uma parte de seu DNA é passada para seus descendentes.

Essa transmissão de todo, ou parte, do DNA de um organismo ajuda a garantir um certo nível de continuidade de uma geração para a próxima, enquanto ainda permite pequenas mudanças que contribuem para a diversidade da vida.

Estrutura do DNA

A maior parte do DNA está localizada no núcleo da célula (onde é chamado DNA nuclear), mas uma pequena quantidade de DNA também pode ser encontrada nas mitocôndrias (onde é chamado DNA mitocondrial). As mitocôndrias, por sua vez, são estruturas dentro das células que convertem a energia dos alimentos em uma forma que as células podem usar.

A informação no DNA é armazenada como um código composto de quatro bases químicas: adenina (A), guanina (G), citosina (C) e timina (T).

Bases de DNA se combinam, A com T e C com G, para formar unidades chamadas de pares de bases. Cada base também está ligada a uma molécula de açúcar e uma molécula de fosfato. Juntos, uma base, açúcar e fosfato são, enfim, chamados de nucleotídeos.

Os nucleotídeos, por sua vez, são dispostos em duas longas cadeias que formam uma espiral chamada hélice dupla. A estrutura da dupla hélice é semelhante a uma escada, com os pares de bases formando os degraus da escada e as moléculas de açúcar e fosfato formando as laterais verticais da escada.

Uma propriedade importante do DNA é que ele pode se replicar ou fazer cópias de si mesmo. Cada cadeia de DNA na dupla hélice pode servir como um padrão para duplicar a seqüência de bases. Isso é crítico quando as células se dividem porque cada nova célula precisa ter uma cópia exata do DNA presente na célula antiga.

Como é realizado o teste de DNA de cachorro?

Muitos laboratórios fazem testes de DNA de cachorro.

Hoje em dia, muitos laboratórios fazem testes de DNA de cachorro e de outros animais de estimação e de produção (bovinos, suínos, caprinos) para obter informações sobre ancestrais e alcançar o melhoramento genético. Além disso, muitas doenças podem ser detectadas e consequentemente evitadas.

Testes genéticos são previamente requisitados através da coleta de sangue. No caso de cães e gatos, é necessário somente esfregar a superfície interna da boca do animal por aproximadamente 20 segundos com um ‘swab’, ou seja, uma espécie de cotonete grande específico para avaliações laboratoriais. Existem kits para coleta doméstica de amostras para exames de DNA. Basta solicitar o kit em laboratório que forneça o serviço, coletar o material e envia-lo via correio ao laboratório. O resultado é disponibilizado pela internet.

O perfil, chamado de genótipo, é analisado digitalmente através da utilização de um sistema de computação. Um analista profissional examinará cuidadosamente e interpretará os resultados dos testes. O resultado dos exames do animal deverá ser documentado sob a forma de um “CERTIFICADO DE ANÁLISE POR DNA”.

No Brasil, esses exames são feitos por vários laboratórios, e devem seguir algumas normas impostas pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Homem e cachorro: história e surgimento das raças

Primeiramente, a relação entre o homem e os animais domésticos data de milhares de anos. A domesticação do cão teve suas origens há 10 ou 35 mil anos no Oriente Médio provavelmente pelo hábito destes animais procurarem comida perto das habitações humanas.

Os Homo sapiens, ao caçar os cães para alimentar suas famílias, criaram alguns filhotes dando origem a uma relação muito forte e benéfica entre homem e cão, que dura até os dias de hoje. À medida que nossos ancestrais humanos foram distinguindo as diferentes habilidades dos cachorros, as raças foram se diferenciando, cada uma delas com sua própria característica única.

As primeiras cruzas selecionadas e outras interferências humanas foram realizadas para melhorar o desempenho físico das raças de cachorros em suas funções originais, como caça, pastoreio e assim por diante. Os criadores de cachorros começaram, então, a explorar e inclusive a comercializar essa especialização. No entanto, ao longo de séculos, essas mudanças acabaram atribuindo a esses cães uma aparência completamente diferente da original.

Consequências da interferência humana

Assim, ao longo dos anos, foram surgindo cada vez mais raças de cachorro. É interessante, e ao mesmo tempo assustador, ver como o homem conseguiu modificar o aspecto de cachorros através dos cruzamentos. De fato, no livro ‘Dogs of All Nations’ de 1915 há fotos que mostram como era a aparência de algumas raças originais em comparação com as que conhecemos hoje em dia.

Entre as raças que sofreram mais alterações estão o Pastor de Shetland, o Airedale Terrier, Pastor Alemão, Buldogue Inglês, Bull Terrier, Basset, Boxer, Dachshund, Pug e São Bernardo.

Ao atuar como um mediador na reprodução de cães e gatos, o homem passou, portanto, a selecionar as características que queriam que fossem passadas para as novas raças. Assim, os seres humanos foram moldando e criando as raças de acordo com seus critérios estéticos ou utilitários para comercialização.

Por causa de sua intervenção, enfim, o homem foi responsável por causar diversos problemas de saúde devido às mudanças morfológicas provocadas. Um exemplo disso, é a deformidade do crânio causada em raças como Buldogues e Pugs, predispostos à síndrome braquicefálica.

Como o teste de DNA de cachorro pode influenciar a criação de raças

O DNA de cachorro pode ser mapeado para escolher atributos de raças.

Como vimos, o homem mexe há séculos com a genética dos animais, cruzando exemplares que mais agradam para obter o animal ‘perfeito’. Por isso, o teste de DNA de cachorro está se tornando cada vez mais um instrumento indispensável para criadores.

De fato, com o cruzamento certo, é possível transformar as raças, alterando padrões que são mais procurados comercialmente. Além disso, é usado para comprovar a filiação de um determinado exemplar e evitar a transmissão de doenças genéticas.

Hoje, o teste de DNA é usado para os seguintes objetivos:

Confirmação de parentesco e identificação permanente contra falsificações

Os perfis desempenham, sem dúvida, várias funções, incluindo identificação positiva de um cão, rastreamento de pedigree preciso e confirmação de parentesco.

A análise de DNA de cachorro oferece às organizações de técnicos especialistas, uma nova ferramenta para proteger e permitir a distinção de animais premiados. Organizadores de exposições podem periodicamente verificar a identidade, assim que animais ganharem pontos que os levem a obter títulos de campeões.

A análise de DNA de cachorro dá mais status aos animais

A análise de DNA introduziu um novo nível de proteção para o criador e comprador, proporcionando assim, um “STATUS” aos seus animais e, consequentemente, à reputação do criador.

De fato, ao declarar num contrato de venda que a identidade e o pedigree do animal possuem validade cientificamente comprovada pela análise de DNA, os animais terão automaticamente maior valor perante o comprador.

Determinando o mapeamento genético de cães de mestiços e vira-latas

Testes de DNA estão disponíveis para revelar quais raças foram usadas para criar um mestiço. O conhecimento da raça permitirá que os proprietários façam escolhas inteligentes, baseadas em raça, saúde e treinamento. Também pode dar aos donos de filhotes uma idéia de quão grande o cão adulto provavelmente será.

Além disso, os testes estão sendo usados ​​por abrigos de animais nos Estados Unidos. Afinal, fornecem informações sobre os animais e ajuda a avaliar se um cão é adequado para um certo tipo de trabalho, baseado em seu material hereditário. De fato, muitos são utilizados para trabalhos de busca e resgate.

Detectando doenças hereditárias

Os criadores têm a responsabilidade de escolher os cães que têm mais chance de produzir filhotes sadios. O teste genético tem um grande papel nisso. De fato, da aos criadores um alerta de que pode haver uma tendência para uma doença oculta. Hoje, existem centenas desses testes, identificando o gene para doenças de cães.

Revelando traços ocultos

Testes de DNA de cachorro também estão disponíveis para detectar genes para cor e tipo de pelagem. De fato, um cachorro pode apresentar uma cor, e todavia carregar os genes para outro padrão ou textura que pode aparecer nos descendentes.

Referências Bibliográficas:

 

Por Dra. Valentina Vecchi (CRMV/SP:21838)

Valentina Vecchi (CRMV/SP: 21838), Médica Veterinária de São Paulo especializada em Acupuntura Veterinária, apaixonada pelos seus pacientes atuais e potenciais. Além de escrever para o Vidanimal, atualmente divide seu tempo atendendo seus pacientes e escrevendo para seus blogs 4Patas Acunputura Veterinária e blog4patas.com.br além de escrever artigos sobre pets para a revista digital “Senhora Atual“.

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