Displasia canina, um problema ortopédico extremamente comum, limitante e permanece um grande desafio para os criadores, já que animais com esse tipo de problema não podem mais ser usados para fins reprodutivos. Isso acontece porque esse tipo de problema, é transmitido geneticamente.

Há dois tipos mais frequentes de displasia canina:

  • Displasia coxofemoral, que é certamente a mais comum.
  • Displasia de cotovelo

Displasia canina – coxofemoral

A displasia coxofemoral, ou displasia canina de quadril, é uma doença de má-formação genética, que com o tempo pode causar degeneração da articulação do quadril dos cães. Envolve principalmente estruturas como a cabeça do fêmur, a cápsula articular e o acetábulo (local onde se encaixa a cabeça femoral).

O principal fator no desenvolvimento da doença é o hereditário, contudo, fatores ambientais (piso), nutricionais (excesso de alimento e ou suplemento de cálcio com ganho rápido de massa muscular), também devem ser levados em consideração no desenvolvimento da displasia. Os dois lados do quadril são comumente afetados, sem predisposição de sexo.

As raças mais acometidas pela displasia de quadril em cães, são principalmente de portes considerados de tamanho médio, grande e ou gigante. Vale ressaltar que cães de raças pequenas como Yorkshires, Pugs e outras, têm comparecido com certa freqüência em nossa clínica nos últimos anos.

Por ser transmitido geneticamente, machos e fêmeas que apresentam esse problema de saúde não são recomendados, portanto, para reprodução.

Cães displásicos costumam nascer sem sintomatologia aparente. Normalmente, de fato, os primeiros sinais aparecem entre quatro meses e um ano de idade. À medida que a condição progride, a deformação da estrutura do acetábulo e da cabeça do fêmur é, simultaneamente, acompanhada pelo desenvolvimento de uma artropatia degenerativa, causando dor, podendo ser até mesmo incapacitante.

Algumas raças são mais predispostas a esta condição. Entre elas estão: Pastor Alemão, Rottweiler, Labrador, Golden, Pointer, Fila Brasileiro, Mastim Napolitano. Todavia, raças de pequeno porte também podem apresentar displasia coxofemoral, porém é menos frequente.

A displasia canina coxofemoral pode ter duas origens distintas: congênita e adquirida.

Na displasia coxofemoral congênita, o animal já nasce com a doença ou com uma predisposição genética com múltiplos genes envolvidos e desenvolve os sintomas precocemente. Entretanto, na displasia coxofemoral adquirida, o animal desenvolve a doença nos últimos anos de suas vidas com o aparecimento de artrites, excesso de exercícios físicos ou de peso, possíveis fatores ambientais, desgaste natural da articulação com o avanço da idade e muitos outros fatores.

Sintomas da displasia canina coxofemoral

Os sintomas mais comuns são:

  • claudicação;
  • andar rebolando;
  • saltar como um coelho (principalmente ao subir escadas);
  • dificuldade para se levantar,
  • subir escadas ou pular;
  • dor ao andar, correr e se exercitar;
  • rigidez das articulações posteriores;
  • dor ao toque.

A grande maioria dos cães com displasia pode levar uma vida plena e ativa, principalmente se a doença for diagnosticada cedo e o tratamento adequado for administrado e mantido para o resto de sua vida.

Os tratamentos podem ser medicamentosos ou cirúrgicos dependendo da gravidade da doença e da idade do cão. O controle do peso também é importante no tratamento, pois a sua manutenção irá ajudar na recuperação, uma vez que diminui a pressão aplicada na região e reduz a inflamação.

Inicialmente, os sinais clínicos da displasia coxofemoral são pouco evidentes, principalmente quando o cachorro é ainda muito novo.

Cães mais novos, geralmente, manifestam sinais agudos com afecção unilateral. Eventualmente, pode ser bilateral. Entretanto, a maioria dos cães displásicos entre 12 a 14 meses, costuma correr e andar normalmente.

Quando começam a aparecer os sinais observa-se, em primeiro lugar, claudicação. Ou seja, o animal começa a mancar, principalmente após exercícios físicos.

Posteriormente, podem começar a aparecer sinais como arqueamento da coluna, redução das atividades locomotoras e enfim, acentuada dor nos membros pélvicos. Além disso, nota-se que o animal joga o próprio peso para as patas dianteiras.

Em estágio mais avançado, então, o animal pode sentir muita dor a ponto de se recusar a andar.

Displasia canina de Cotovelo

A displasia do cotovelo é uma doença degenerativa muito frequente em cães jovens. É transmitida geneticamente, todavia pode estar relacionada também à alimentação, manutenção do peso, ambiente, qualidade dos ligamentos,  excesso de exercício físico ou traumatismos.

Trata-se de uma doença do desenvolvimento. Acontece, principalmente, pelo fato de não haver um crescimento harmônico da ulna e do rádio, ou seja, dois dos três ossos que formam a articulação do cotovelo.

Os primeiros sintomas podem começar a aparecer aos 4-5 meses. O cachorro pode, então, mostrar intolerância ao exercício e claudicação ao iniciar um movimento ou depois de um exercício prolongado. Entretanto, alguns cachorros podem não apresentar sinais até a idade avançada. Nestes casos, é comum que a condição seja acompanhada de osteoartrite.

A displasia de cotovelo em cães se dá, em geral, em animais de grande porte ou gigantes, e que têm um rápido crescimento. No entanto, nenhum cão está isento de vir a sofrer dela.

De qualquer forma, as raças que são as mais propensas a sofrer dessa doença são:

  • Mastim napolitano
  • Rotweiller
  • São Bernardo
  • Labrador
  • Terranova
  • Golden retriever
  • Pastor alemão

No entanto, assim como ocorre na displasia canina coxofemoral, há a influência de fatores como o meio ambiente (frio, umidade), o peso ou a alimentação. Por isso, recomenda-se evitar os suplementos alimentares desnecessários, além de diminuir os riscos de traumatismo durante a atividade física que o bicho estiver fazendo em sua fase de crescimento.

Sintomas da displasia canina de cotovelo

Os sinais da displasia de cotovelo em cães costumam ser:

  • Claudicação ao se mexer ou depois de fazer um exercício físico por tempo prolongado
  • Intolerância à atividade física
  • Manifestações de dor

Cuidados com o paciente portador de displasia canina

Independentemente do tipo de displasia, há certos cuidados que devem ser tomados em relação ao paciente para melhorar sua qualidade de vida e evitar piora de seu quadro.

Quando diagnosticado através de exame clínico e realização de rx, o proprietário, dependendo da condição e da gravidade da displasia, poderá optar por fazer um tratamento cirúrgico, e/ou uma série de tratamentos paliativos.

A decisão, entretanto, dependerá da gravidade, idade do animal e recomendação do médico veterinário de confiança.

Tratamentos para a displasia canina

Os tratamentos para a displasia coxofemoral e do cotovelo visam minimizar a dor, combater os sintomas e, enfim, proporcionar melhor condição de vida para o animal. Em geral recomenda-se a diminuição do peso do animal a fim de reduzir o estresse mecânico sobre a articulação para prevenir ou aliviar o processo inflamatório presente.

Nos casos mais graves podem ser usados anti-inflamatórios para o controle da dor. Como opções terapêuticas, são frequentemente recomendadas a fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, uso de  condroprotetores e, enfim, cirurgia.

Os cuidados em geral devem ser:

  • Restrição de atividades, a fim de não causar inflamação e dor;
  • Diminuição do peso do animal;
  • Evitar pisos lisos.

Referências bibliográficas:

Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais. Bichard, s. Sherding, R. São Paulo, Roca, 2003.

Radiologia e Ultra-Sonografia do Cão e do Gato. Kealy, K.; McAllister, H. Barueri, Manole, 2005.

Vecchi, V. Displasia coxofemoral – como a acupuntura pode ajudar.