Você saberia dizer de onde vem a devoção canina? Levante a pata quem não resiste a um olhar de filhote de cachorro! Sim, eles são muito fofinhos ⁠— mas você sabia que há razões científicas que explicam porque a maioria das pessoas acham isso?

Apesar das grandes quantidades de evidências anedóticas, há uma quantidade crescente de pesquisas baseadas em dados sobre as razões pelas quais pessoas apreciam e se beneficiam da conexão com o olhar de um animal de estimação.

Essa via de mão dupla de devoção especial é baseada em um vínculo evolutivo, fisiológico, psicológico e social entre espécies.

Saiba abaixo por que os cachorros costumam nos encarar tanto e aprenda a identificar se ele te ama.

Confira!

Entenda a devoção canina pelo tutor

A devoção canina é um comportamento natural do cão

A Associação Americana de Medicina Veterinária define a ligação humana-animal como um “relacionamento benéfico mútuo e dinâmico entre pessoas e animais influenciado por comportamentos essenciais à saúde e bem estar de ambos”, sendo que uma grande quantidade de estudos recentes exploram essa ligação em detalhes.

Existem poucas coisas mais reconfortantes que sentir o animal de estimação pedindo colo ou se aninhando junto ao seu corpo. O amor incondicional que recebemos do cachorro pode ser a principal razão pela qual os escolhemos para fazer parte da família.

Apesar de todo esse amor, os cachorros também possuem comportamentos e hábitos aparentemente bastante incomuns, como comer grama, cheira um o rabo do outro — e depender do seu humano sem razão aparente. Essa dependência pode ser um dos comportamentos mais notáveis. Então, por que esses animais contam conosco?

Mais cedo ou tarde, todo tutor vai perceber que o seu animal demonstra uma curiosidade inerente pelas ações mais mundanas. Como por exemplo, assistir à televisão, ou dobrar roupas. Ele vai te observar de perto e encará-lo. Mas por que eles fazem isso?

A intenção ficar atento aos sinais

Na verdade, não tem muito a ver com o que estamos fazendo, mas com o que podemos vir a fazer. Os cães são excelentes em perceber pistas visuais. Eles sabem que os passeios são precedidos por você pegando a guia; a hora do jantar está conectado a entrada na dispensa; uma volta de carro por pegar as chaves.

Se eles estão acostumados a ganhar um petisco por obedecerem a um comando, então eles sabem que provavelmente você vai começar a apontar a eles o que fazer. Portanto, ficando de olho em você, é uma forma dele procurando por sinais de que você fará algo que ele queira.

Os cachorro também podem encará-lo como método de treinamento. A maioria das pessoas tem o hábito de dar pedaços de comida ao cachorro se ele tende a ficar no pé da mesa encarando-as. Se no caso esse comportamento for recompensado, então o cachorro entende que se ele lançar seu “olhar de pedinte”, ele vai ser recompensado com comida.

Encarar é uma forma de contato

Mas nem todos os cães nos encaram por ganância. Para os cachorros, o contato visual libera oxitocina, o “hormônio do amor.” É uma experiência conexão entre os seres humanos e seus animais de estimação.

Obviamente, encarar pode ter outras conotações, principalmente se não for um cachorro que você conheça bem. Um olhar focado, sem piscar, junto a uma postura corporal rígida pode significar que o animal está sentindo-se territorial ou pode estar considerando mordê-lo. Neste caso, é melhor se afastar.

Também não é recomendável segurar o cão e encará-lo, pois isso é considerado uma ato de agressividade.

Mas da próxima vez que você perceber que o seu cachorro o está encarando, provavelmente ele está esperando por um passeio, um petisco ou apenas se conectar à você.

Na ausência de outros métodos de comunicação, encarar é uma forma eficaz de conseguir que os humanos se comportem.

A ligação entre humanos e os animais

A ligação entre o homem e o cachorro é antiga e baseada na devoção canina.

Especialistas no campo de ligação humano-animal, afirmam que desde meados de 1600s, o filósofo John Locke já escrevia sobre os benefícios das interações entre os humanos e os animais. O “pai da psicanálise” Sigmund Freud foi um dos primeiros terapeutas de animais e, costumava incorporar seu cachorro nas sessões com pacientes nos anos 1930s.

O campo de ligação humano-animal atualmente está em ascensão porque, historicamente, a maioria das evidências sobre os benefícios terapêuticos desse vínculo humano-animal tem sido anedótico.

Ao passo de que mais pesquisas vão sendo conduzidas para os benefícios terapêuticos da ligação humano-animal, para humanos e outras espécies, podemos observar provas quantitativas e qualitativas concretas de que esse campo é uma modalidade de tratamento poderosa e que podemos realmente nos beneficiar psicologicamente, fisiologicamente e socialmente das interações com os animais.

É semelhante à ligação de mãe-filho

De acordo com especialistas em comportamento animal, nossa conexão com cachorros, gatos e outros animais de estimação é semelhante à ligação de mãe e filho. Mas essa ligação, em parte, é formada através da oxitocina, o hormônio associado ao amor, apego e confiança.

Oxitocina é chamada de hormônio do amor por se apresentar em níveis elevador quando as pessoas se apaixonam ou quando há interação entre mãe e filhos. Estudos mostram o aumento de oxitocina em humanos e outros animais quando interagem.

E como na ligação familiar entre humanos, a oxitocina no organismo tende a elevar quando as pessoas interagem com seus próprios animais de estimação em comparação a outros animais.

Nós costumamos a estreitar esses laços ao alimentar e cuidar deles; pois são vulneráveis e dependem de nós para conseguir alimento e cuidados. A relação entre seres humanos na condição de pais e filhos pode ser condicional e às vezes até, volátil, mas o animal de estimação é uma fonte constante de suporte e amor.

Além disso, os animais de estimação podem oferecer oportunidades de se conectar a outras pessoas, pessoalmente ou através de mídia social, como acontece com crianças.

Além dos aspectos fisiológicos, os animais de estimação nos ajudam a conectar com outras pessoas na comunidade. Como por exemplo, conhecer o vizinho enquanto passeia com o animal, ou criar perfil no Instagram para o animal. Tanto que essa é uma das principais diferenças entre cães de suporte emocional e cães de assistência ou serviços.

Seres humanos e animais preferem os “rostos fofinhos”

Outra razão em potencial de que as pessoas se beneficiam ao olhar nos olhos de seus cachorros e gatos é o fato de nossas preferências por “fofurices” em bebês e crianças se estendem aos animais.

Um estudo realizado em 2016, publicado na revista científica americana “Frontiers in Psychology” se baseia na hipótese de que características físicas e comportamentais infantis atraem a atenção dos humanos para animais de estimação.

Os pesquisadores afirmam que cachorros e gatos possuem um papel de destaque na vida das pessoas, preenchendo necessidades de atenção e intimidade emocional como nas relações humanas de amizade.

Seus rostos “fofinhos” não só estimulam cuidados parentais, mas também são socialmente envolventes, criando assim, um “ciclo de feedback” mutuamente benéfico que está associado positivamente à saúde e bem estar.

Interações positivas entre humanos-animais diminuem hormônio do estresse

As interações entre tutor e o animal podem aumentar a devoção canina.

As interações positivas entre seres humanos e os cachorros estão sendo observadas para diminuir os níveis de cortisol e aumentar os níveis de oxitocina não só nos humanos, mas também nos cachorros.

O próximo passo seria explorar melhor quais as características da ligação humano-animal impactam mais no bem estar animal, e o papel do sistema de oxitocina e outros processos fisiológicos.

Há alguma evidência de que os cachorros se destacam em ler sinais e dicas sociais em seres humanos, incluindo feições, que eles discriminam entre regiões faciais, focando principalmente no olhos.

Os especialistas acreditam que interagir com animais tem diminuído os níveis de cortisol no organismo humano, refletindo em menos estresse ao fazer carinho no animal, por exemplo.

Há uma grande quantidade de estudos que relacionam oxitocina e olhar nos olhos, mas um estudo recente publicado na revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências descobriu que os cachorros desenvolveram músculos na sobrancelha específicos que permitem uma melhor comunicação com os humanos.

Essa característica começou a se desenvolver aproximadamente 33.000 anos atrás, quando os cães foram domesticados. Os cães que conseguiam dar essa pista através da sobrancelha costumavam a ser adotados com mais frequência.

Cachorros adoram sorrisos humanos

Da mesma forma que adoramos um sorriso do cachorro, outro estudo publicado na Frontiers in Psychology descobriu que os cachorros também apreciam o sorriso humano. O estudo descreve 43 cães que foram submetidos a imagens de seres humanos sorrindo ou bravos, testados duas vezes cada.

Na primeira vez, eles foram submetidos a oxitocina, e na segunda vez não tiveram nenhuma oxitocina adicional. Em seguida, as pupilas dos cães foram medidas com um aparelho específico.

A resposta emocional e foco são fatores chave que influenciam o olhar do cão e regulam o tamanho da pupila, portanto o rastreamento ocular nos permite analisar a mente canina.

Embora os cachorros tendem a focar em sinais de ameaça ou perigo, os pesquisadores descobriram que a oxitocina influenciava os animais a ignorar ou substituir o instinto de sobrevivência para reagir às imagens de humanos sorrindo.

Ao colocarem a felicidade humana em primeiro lugar ao invés da própria sobrevivência pode indicar o quanto a devoção canina é grande em relação aos seres humanos.

A relação com animais é similar às relações humanas

Os animais de estimação podem ajudar a reduzir sentimentos de isolamento social em seres humanos.

As relações com animais possuem características semelhantes às relações entre humanos — intimidade emocional, companheirismo, confiança, lealdade, comprometimento, afeição, aceitação, simpatia, preocupação com o bem estar alheio, assim como o tempo passado junto e manutenção da ligação após períodos de separação.

Muito tutores mantém uma ligação próxima com seus animais de estimação, compartilhando o espaço doméstico e recursos financeiros, como se fossem parentes e membros da família de igual importância.

O tempo que investimos nas relações significativas com outras pessoas oferece funções biológicas importantes: a qualidade e quantidade de interações sociais influenciam o funcionamento imunológico, a rapidez na recuperação de doença e por quanto tempo vivemos.

Segundo especialistas, o ambiente social humano é um dos fatores mais importantes de risco e/ou proteção relacionado à mortalidade, excedendo outros fatores de risco importantes, como obesidade e sedentarismo.

Cachorros podem aumentar anos de vida

A devoção canina pode trazer lengevidade ao tutor.

Outros animais, como cavalos, gatos e outros animais peludos são mais suscetíveis a produzir benefícios imunológicos adicionais, promover a saúde em geral e bem estar nas pessoas.

Além disso, algumas pessoas quando decidem ter um animal de estimação dependente, consideram a ação uma chance de desistir de fumar ou se manter saudável. Pesquisadores ainda afirma que pessoas que possuem animais de estimação são menos inclinadas a cometer suicidio.

Um estudo conduzido em 2019, publicado no periódico “Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes”, descobriu uma conexão entre donos de animais de estimação, principalmente cachorros, com a sobrevivência a eventos cardiovasculares como ataque cardíaco ou derrame.

Isso porque, segundo os pesquisadores, os donos de animais de estimação tiveram níveis maiores de atividades físicas e suporte emocional comparados aos que não possuíam animais, o que pode melhorar as condições de saúde após esses eventos cardiovasculares.

Enquanto estudos anteriores já sugeriram que a companhia do cachorro melhora a atividade física, ajuda a diminuir a pressão sanguínea e aumenta as interações sociais com outras pessoas, este estudo focou especificamente na saúde cardíaca.

A hipótese mais provável seriam os efeitos das atividades físicas regulares ou a relação com os fatores psicológicos.

Em comparação com aqueles que não possuem animal de estimação, as pessoas que vivem sozinhas tiveram 33% menos risco de morte após hospitalização por ataque cardíaco, enquanto aqueles que moram com alguém ou criança, 15% menos risco de de ataque cardíaco depois de uma hospitalização anterior.

Sabe-se que solidão é um forte fator de risco para morte prematura, e talvez uma nima de estimação pode aliviar esse isolamento social. Os animais de estimação dão excelentes companhias e adicionam significado na vida das pessoas, especialmente as que vivem sozinhas.

Outros animais podem formar um padrão especial de conexão

Embora os cachorros sejam os animais de estimação mais estudados, outros animais ― como os gatos e os cavalos ― também evoluíram junto aos humanos, e são também capazes de formar um vínculo especial de apego às pessoas.

Eles se adaptam especificamente aos seus novos habitats, ou seja, às sociedades humanas. No caso dos cachorros, o processo de domesticação influenciou o comportamento canino, tornando-os habilidosos em entender os humanos e sinais, podendo usar gestos comunicativos, como apontar.

Apesar de milhões de pássaros, répteis e pequenos mamíferos e peixes também se tornarem animais de estimação, eles não passaram pelo mesmo processo evolutivo (domesticação) que pudesse adaptá-los à mesma coabitação e relacionamento com humanos.

Isso significa que os humanos não são automaticamente capazes de suprir as necessidades de muitos outros tipos de animais, com os que não foram domesticados. As necessidades de um animal selvagem e seu comportamento natural não pode ser facilmente suprido em casa.

É bom lembrar também que nem todo animal doméstico vive dentro de casa. Os cavalos, por exemplo, podem não ser típicos animais de estimação, mas isso não significa que não possam se relacionar com seres humanos.

Como os cachorros, os cavalos podem traduzir sinais emocionais e físicos de humanos, incluindo vozes, expressões, postura, etc. No campo da terapia equina, por exemplo, trabalhar com cavalos e montá-los pode ajudar crianças e adultos a construir habilidades sociais, como confiança, comunicação, segurança e habilidades em resolver problemas.

Só a presença do cavalo já demanda respeito, e o estado emocional e cognitivo da pessoa responde ao tentar ganhar a confiança e respeito do animal.

A conexão com os cavalos pode encorajar a auto-estima e uma vez conectados, a relações começa a crescer e promover um sentimento de orgulho, empoderamento e accomplishment.

Para concluir

A devoção canina já vem de milhares de anos pela domesticação.

Embora os cachorro possuam uma relação simbiótica com as pessoas, o animal mais próximo a ter a mesma ligação, provavelmente é o cavalo.

Apesar de terem sido domesticados há cerca de 5.000 anos (enquanto os cachorros há cerca de 33.000 anos), os cavalos podem sintonizar muito bem com os sentimentos humanos.

Por isso, tanto os cachorros como os cavalos pode ser excelentes animais de terapia e companhia por conta dessa habilidade natural de se conectarem aos outros, de observarem, avaliar e responder imediatamente a atitudes e comportamentos não verbais.

Tanto é verdade que muitos afirmam que quando tocamos em uma cachorro ou cavalo, nos conectamos a nossa própria “animalidade” em empatia enredada. Da mesma forma que, quando olhamos nos olhos do cachorro, estamos vendo e experienciando milhares de anos de comportamento co-adaptativo, emoções e amizade.

Por Equipe Editorial

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