Infelizmente, a depressão atinge também os pets. A depressão canina está cada vez mais frequente.

A doença pode aparecer por diversos motivos. No caso dos cães, pode ser provocada por uma mudança de casa, país, família, perda de um ente querido ou até mesmo chegada de um novo membro na família. Além disso, a depressão pode ser um sintoma secundário a alguma outra doença no animal.

Entenda o que é depressão, como reconhece-la e como ajudar seu cachorro da melhor forma possível.

Depressão Canina

A depressão em pessoas é considerada, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como o “Mal do Século”. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa auto-estima, que aparecem com freqüência e podem combinar-se entre si. A doença provoca ainda ausência de prazer em coisas que antes faziam bem e grande oscilação de humor e pensamentos, que podem culminar em comportamentos e atos suicidas.

Ninguém sabe ao certo se o mecanismo da depressão canina é igual ao mecanismo da depressão em pessoas.

As pessoas possuem capacidade de explicar o que estão vivenciando e, através do auxilio de um profissional, podem informar e explorar os aspectos físicos da depressão. No entanto, quando se trata de nossos companheiros caninos, estamos limitados a nossas observações de comportamento para determinar o que está acontecendo, e isso pode ser bastante complicado.

É possível comparar a depressão canina e a humana?

Em humanos, a depressão clínica é dividida em uma variedade de tipos. Em um trabalho de 1995, o psiquiatra Antonio Carlos de Oliveira Corrêa explicita que as escalas psiquiátricas europeias dividem as depressões em quatro grupos: genética ou endógena; depressão situacional ou sociógena, depressão psicógena ou neurótica, depressão somatógena ou sintomática.

Pessoas que sofrem de depressão generalizada muitas vezes compartilham que seus sintomas podem ocorrer mesmo quando nada aparentemente errado está acontecendo em suas vidas.

O diagnóstico envolve, portanto, falar com o paciente e obter uma história envolvida. Porque a depressão a este respeito refere-se a um estado de espírito como percebido pelo paciente, diagnosticar depressão clínica em cães seria um verdadeiro desafio.

De um modo geral, quando falamos de um cão deprimido, nos referimos a um cão que está exibindo uma mudança no comportamento que se manifesta como uma diminuição do interesse em atividades normais ou uma mudança na interação com sua família.

As caminhadas, portanto, não são mais a atividade indutora do pulo do dia, a comida não parece tão boa, a chegada dos tutores em casa não garante mais manifestações de alegria.

Como diagnosticar a depressão canina

Antes de pensar em depressão canina, no entanto, é importante excluir outros problemas que podem estar ocorrendo com o animal. De fato, quando ocorrem determinadas mudanças comportamentais, podem estar associados a alguma condição médica.

Por exemplo, um idoso com artrite estará menos interessado em caminhadas, não porque elas não sejam divertidas, mas porque elas provocam mais dor. Da mesma forma, um cão com doença renal estará menos interessado em comida, não porque já não cheira bem, mas porque sente náusea quando come.

Por esse motivo, é primordial uma consulta ao médico veterinário assim que o cachorro começar a exibir uma mudança de comportamento que pareça depressão.

Alguns dos sintomas comuns que são freqüentemente correlacionados a uma condição médica são os seguintes:

  • Diminuição do apetite
  • O animal começa a desobedecer ou fazer o oposto do que foi treinado a fazer;
  • Dormir mais horas do que o habitual;
  • Falta de interesse no exercício;
  • Início súbito da agressão;
  • Sinais de desorientação pela casa, dando a impressão de estar perdido;
  • Aparecimento de dermatites psicogênicas, ou seja, automutilações que geralmente ocorrem nas patas. Esse tipo de dermatite é conhecida como Dermatite Acral por Lambedura.

Possíveis causas da depressão canina

Cães são, sem dúvida, muito sensíveis. De fato, quando ocorrem grandes mudanças na vida, como divórcio ou separação dos tutores, ou a morte de outro animal de estimação na casa, não é incomum que os cães tenham um período de depressão observável.

Grandes mudanças na vida de um cão podem, sem dúvida, levar a períodos de depressão. Entre essas mudanças podemos citar as mais comuns, como:

  • Mudança para uma nova casa,
  • Um novo cônjuge ou bebê na casa ou adicionar outro animal de estimação.
  • Mudança na rotina do cachorro, que pode ocorrer por exemplo com uma mudança de emprego e horários do tutor.
  • Perda de um parceiro ou do tutor.

Mesmo pequenas mudanças às quais podemos não dar tanta relevância podem ser motivos para afetar o estado de espirito do cachorro. Coisas como arrumar a mobília, introduzir um novo gato na casa ou até mesmo a mudança de horário de trabalho de um dos tutores, já que  pode mudar a rotina do animal.

As causas da depressão canina podem ser as mesmas causas que provocam a ansiedade, ou seja:

  • Traumas,
  • Medos e Fobias;
  • Solidão;
  • Transtornos de separação;
  • Tédio;
  • Falta de exercícios físicos;
  • Sensações desagradáveis como frio, fome, sede.

O distúrbio compromete o bem estar do cachorro. De fato, afeta os hormônios, neurotransmissores e outras substâncias químicas no organismo do animal, gerando problemas de saúde ainda mais sérios.

Além disso, o animal pode estar respondendo ou absorvendo reações de outras pessoas na casa. De fato, sabe-se que os cães percebem nossas emoções.

Tratando a depressão canina

Como mencionado antes, primeiramente o cachorro deverá passar por consulta com um médico veterinário de confiança.

Após avaliação adequada do estado de saúde do animal e, portanto, exclusão de doenças concomitantes, um protocolo de tratamento poderá ser escolhido.

Ao determinar que o distúrbio tem origem puramente emocional, recomenda-se tomar algumas medidas corretivas no dia a dia. É importante adicionar, portanto, na vida do cachorro:

  • Exercícios Físicos – Todos os cachorros devem se exercitar, a menos que tenha algum problema de saúde que o impeça. Animais que praticam atividade física regularmente apresentam melhora no comportamento, redução da ansiedade, se tornam mais dóceis e obedientes. Além disso, apresentam melhora na qualidade do sono e podem ter a sobrevida aumentada.
  • Enriquecimento Ambiental – Solidão e confinamento sem entretenimento são certamente causas importantes de ansiedade canina. De fato, a junção destes fatores pode provocar comportamentos indesejáveis como compulsão, ansiedade de separação e/ou comportamento destrutivo.
  • Florais de Bach – terapia que tem, como principal propósito, promover a harmonia entre o corpo físico e emocional através de essências florais.
  • Tellington Touch – Também conhecido como TTouch. É um método usado para amenizar problemas de comportamento e até mesmo pequenos distúrbios físicos dos animais através do toque.
  • Acupuntura Veterinária – através da técnica milenar chinesa é possível reequilibrar os meridianos, influindo em órgãos internos, tecidos moles, estado emocional e outros. Além disso, a liberação de endorfina e cortisol causada pela acupuntura causa relaxamento muscular, melhorando o funcionamento muscular e orgânico como um todo.
  • Companhia – Considere a possibilidade de adotar um segundo bichinho para que posam fazer companhia um ao outro.

Em casos extremos, o médico veterinário poderá prescrever medicamentos antidepressivos. No entanto, esse tipo de protocolo é considerado apenas em último caso.

Referências Bibliográficas:

Site Ministério da Saúde

Coleira Calmante Antiestresse – Como Funciona e Onde Achar?

Corrêa, A.C.O. A fenomenologia das depressões: da nosologia psiquiátrica clássica aos conceitos atuais. Psiquiatria Biológica. 1995;3(3):61-72.