O início de 2020 foi marcado por muitas discussões que envolvem doenças causadas por vírus em animais devido ao surto repentino do novo Coronavírus. Muitas pessoas entraram em pânico chegando até mesmo a abandonar os próprios animais de estimação por medo de uma eventual contaminação.

Por esse motivo, a equipe Vidanimal decidiu trazer um novo texto sobre doenças virais em animais e esclarecer eventuais dúvidas.

Antes de mais nada, vamos falar um pouco sobre o surto do novo coronavírus.

Novo Coronavírus – como tudo começou

coronavírus

O surto do novo Coronavírus começou na China.

O surto do novo coronavírus teve origem na cidade Wuhan, província de Huanan, na China.

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre um surto de casos de pneumonia de causa desconhecida. Percebeu-se, posteriormente, que a manifestação era ligada principalmente a vendedores ambulantes que trabalhavam no Mercado de Frutos do Mar de Huanan, no qual vendiam-se também animais vivos.

Uma semana depois, em 7 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.

O que é o coronavírus

coronavírus Covid-19

Coronavírus é o nome de uma família de vírus que causam infecções respiratórias.

Coronavírus é o nome dado a uma família de vírus que causam infecções respiratórias.

Os primeiros coronavírus humanos foram isolados em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia que lembra uma coroa.

Os coronavírus estão por toda parte. Eles são a segunda principal causa de resfriado comum e, até recentemente, raramente causavam doenças mais graves do que resfriado comum em humanos.

No entanto, o surto atual foi causado por uma nova cepa (tipo) de coronavírus que no início foi chamado de 2019-nCoV e, em 11 de fevereiro de 2020, recebeu o nome de SARS-CoV-2. Esse é, enfim, o responsável por causar a doença COVID-19.

Os animais também podem ser contaminados com coronavírus?

gato deitado na cama

Os animais também podem ser contaminados por coronavírus.

Existe uma crescente preocupação relacionada à possível transmissão do novo coronavírus entre animais e humanos, alimentada por boatos ou ‘fake news’. Vamos esclarecer algumas dúvidas.

Animais também podem ter coronavírus? A resposta é sim! No entanto, o coronavírus de cães e gatos não é o Novo Coronavírus (COVID-19) e não é transmitido para humanos.

Houve um grande alarde depois que saíram notícias de que as autoridades de saúde de Hong Kong teriam colocado em quarentena um cão depois que um resultado “positivo fraco” para o teste do novo coronavírus. Depois disso, de fato, muitas pessoas começaram a abandonar os próprios animais!

Devemos considerar que o animal que resultou como ‘positivo fraco’ convive com uma pessoa que contraiu o novo coronavírus. Assim como o vírus encontra-se em qualquer superfície que tenha sido tocada por uma pessoa contaminada, é esperado que o vírus seja encontrado também em um animal que convive num contato tão estreito com uma pessoa infectada. 

No entanto, não há relatos de animais com sintomas da doença e não está comprovado que os animais possam transmiti-la.

Todavia, permanece a recomendação de lavar bem as mãos após o contato com superfícies públicas, pessoas e animais além de evitar o contato das mãos com o rosto.

Coronavírus em cães

cachorro ocm cornavírus deitado na cama

O coronavírus que afeta unicamente os cachorros é o Aplhacoronavirus 1

Trata-se de um tipo de coronavírus que afeta unicamente os cachorros, o Aplhacoronavirus 1. Portanto, não contagia os humanos.

A infecção por coronavírus canino causa sintomas parecidos ao vírus da Parvovirose. É, uma das doenças de cachorro de origem infecciosa, contagiosa, aguda causada por um vírus que prejudica severamente as células intestinais causando diarreia de severidade variável. Ao contrário da Parvovirose, não costuma ser fatal.

O coronavírus canino pode ser transmitido a outros cães através do contato com as fezes de um animal contaminado. Portanto animais que possuem o hábito de comer fezes (coprofagia) ou que moram em locais com falta de higiene adequada, possuem rusco superior de contaminação de outros cães.

Uma vez que o coronavírus tenha entrado no organismo e se tenha cumprido com o período de incubação, ataca as microvilosidades do intestino e causa a perda da funcionalidade das mesmas, o que provoca de forma súbita diarreia e a inflamação do aparelho digestivo.

Os sintomas de cães contaminados são vômito, depressão, diarreia que pode conter muco ou sangue, falta de apetite, desidratação, dor abdominal, tremores e febre.

Tudo isso pode e deve ser evitado através de higiene e, principalmente, através da aplicação correta de vacinas polivalentes, também chamadas de V8 ou V10.

Coronavírus em gatos

gato ocm coronavírus deitado na cama

A infecção em gatos é causada pelo coronavírus felino (FCoV).

A infecção em gatos é causada pelo coronavírus felino (FCoV), que causa a Peritonite Infecciosa Felina, conhecida também como PIF. A doença é bastante comum em abrigos e gatis onde há, portanto, aglomeração de animais.

Assim como o coronavírus canino, o coronavírus felino não é transmitido a outras espécies (nem mesmo humanos).

Tem especial predileção pelas células do epitélio do intestino dos gatos, provocando gastroenterites leves e crônicas. O vírus é, portanto, expulso através das fezes.

Os gatos doentes podem apresentar diferentes sinais clínicos, sendo que o sinal mais característico é o acúmulo de líquido no peritônio (membrana que envolve os órgãos abdominais). Outros sintomas são: febre, perda de peso, falta de apetite, sinais neurológicos e outros também podem surgir.

É importante ressaltar que alguns gatos portadores do coronavírus podem não desenvolver a Peritonite Infecciosa Felina, por isso é indicado que esses animais evitem situações traumáticas e de estresse, que poderiam comprometer a imunidade e, consequentemente, fazer com que manifestem a doença.

Infelizmente, ao contrário do que acontece com o coronavírus canino, não existem vacinas para prevenir o FCoV. A principal recomendação é, portanto, manter os gatos dentro de casa, sem contato com animais desconhecidos.

Além disso, deve-se ter um cuidado a mais ao adquirir pets em abrigos e criadouros. Por isso, recomenda-se que seja realizado um teste para verificar se o animal possui ou não a doença, antes de levá-lo para casa.

Outras doenças virais em animais de estimação

outros vírus

Há várias outras doenças em animais causadas por vírus.

Doenças infecciosas de cães e gatos são, certamente, muito comuns e altamente transmissíveis. São patologias que podem ser causadas por agentes biológicos como, por exemplo, os vírus e bactérias. Estas doenças podem e devem ser prevenidas com vacinação.

Em geral, as doenças infecciosas costumam ser graves. Entretanto, algumas destas doenças, se descobertas e tratadas a tempo, podem ser curadas com sucesso.

Neste texto mencionaremos apenas doenças causadas por vírus. Para informações mais completas sobre outras doenças infecciosas em cães, veja o artigo sobre Doenças de Cachorros.

Cinomose

Doença viral multissistêmica causada pelo vírus da cinomose canina. É, certamente, uma das doenças de cachorro que mais causa morte nestes animais, além de ser altamente contagiosa. Pode ser transmitida por contato com secreções do nariz e da boca (forma direta) ou pelo ar (de forma indireta). Não é zoonose, ou seja, não contamina humanos. Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Parvovirose

Causada pelo parvovírus da família Parvoviridae e acomete principalmente filhotes. Possui uma taxa de mortalidade alta e pode ser transmitida por forma direta e indireta, através do contato com fezes de outros animais contaminados. 

O vírus é resistente e consegue sobreviver no ambiente por muitos meses, portanto é altamente contagiosa. Não é zoonose (ou seja, não contamina humanos). Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Tosse dos Canis

Também conhecida como Gripe Canina, é um complexo de doenças infecciosas altamente contagiosas. Os agentes mais comuns que causam esta condição são: o vírus da parainfluenza, a Bordetella bronchiseptica e o Adenovírus. Não é zoonose, ou seja, não contamina humanos. Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Hepatite infecciosa canina

Causada pelo adenovírus canino tipo 1. Este entra no organismo do cachorro, ele se espalha por todos os tecidos se instalando com mais intensidade nas células do fígado e nas células da pele, se desenvolvendo de forma extremamente rápida.

Assim como as doenças mencionadas acima, não é zoonose. Ou seja, não contamina humanos. Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Doenças Infectocontagiosas Felinas

O gato também pode ser acometido por doenças infectocontagiosas causadas por vírus. A maioria delas, no entanto, pode ser prevenida com vacinação. Além da PIF, sobre a qual falamos no inicio, temos também:

Calicevirose

Doença infecciosa do trato respiratório superior dos gatos, causada pelo vírus Calicevirus felino. O contágio depende da linhagem e da resistência do animal. 

A transmissão acontece por contato direto entre os animais, principalmente recém-nascidos, ou através de objetos, como gaiolas, comedouros, bebedouros, cobertores e brinquedos contaminados. 

Não é zoonose (ou seja, não contamina humanos). Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Leucemia Felina 

Doença provocada por vírus (FeLV) e é uma enfermidade cada vez mais frequente e transmite-se pelo contato com a saliva de outro animal infectado. Ou seja, é comum que ocorra através de mordidas e/ou lambidas, além do contato com objetos contaminados. 

O vírus é facilmente eliminado do ambiente através da limpeza e da desinfecção com produtos de uso doméstico. A vacinação é um dos meios possíveis de prevenção, mas apresenta alguns riscos já que pode provocar o aparecimento de fibrossarcomas e pode, além disso, não ser totalmente eficaz. Assim, o melhor método de prevenção é impedir o contato do animal com outros gatos. Não é zoonose (ou seja, não contamina humanos).

Rinotraqueíte Viral Felina 

Doença grave que ataca o aparelho respiratório de gatos, causada pelo herpes vírus do tipo 1. Subnutrição, higiene precária do local e tamanho da população são fatores oportunistas, que aumentam as chances do vírus. Não é zoonose (ou seja, não contamina humanos). Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas e isolamento de animais doentes.

Panleucopenia felina

Doença felina chamada também de tifo felino, ataca os animais mais jovens. É causada por um parvovírus muito resistente ao ambiente. A transmissão acontece por contato direto com outro animal doente, pelas partículas de secreções infectadas suspensas no ar e por ingestão oral. Não é zoonose (ou seja, não contamina humanos). Pode ser evitada através a aplicação correta de vacinas e higienização do ambiente com solução de água com hipoclorito de sódio.

Raiva – doença viral que pode contagiar homens e animais

cachorro olhando para cima

A raiva é uma doença canina mais perigosa que o coronavírus canino.

Todos já ouviram falar de raiva. Trata-se de uma doença provocada por vírus e esta sim é uma zoonose. Ou seja, ela pode sim ser transmitida de animais a humanos. É, sem dúvida, a mais conhecida entre as zoonoses, e segue como um problema a ser controlado em quase todo o mundo.

No Brasil, a maioria das prefeituras fornece esta vacina gratuitamente justamente como forma de controle da doença que já é considerada erradicada em nosso País. Mesmo assim, a prevenção através da vacinação permanece obrigatória. 

Inclusive, para transportes de animais para países da União Europeia, um dos itens exigidos, além da carteirinha atualizada, é a sorologia de raiva como forma de certificação.

A raiva atinge principalmente os tecidos do sistema nervoso causando uma rigidez muscular impossibilitando a deglutição, causando sialorréia (aumento da produção de saliva) e outros sintomas neurológicos.

A doença é transmitida pelo contato com a saliva de animal portador (principalmente por meio da mordida). A doença pode demorar até dez dias para se manifestar no animal infectado e é fatal.

Os principais sintomas são confusão mental, agressividade, desorientação, dificuldade para engolir, momentos de alucinação, paralisia motora, salivação excessiva e espasmos.

A raiva é uma zoonose (ou seja, contamina humanos). Pode e DEVE ser evitada através a aplicação correta de vacinas.

Considerações finais

pessoa lavando as mãos no combate ao coronavírus

O melhor combate no momento ao coronavírus é a prevenção com o aumento da higiene.

Uma das formas mais eficientes de evitar contaminações desnecessárias é, como vimos, a precaução através da higiene e a aplicação correta de vacinas. 

Em relação aos animais:

  • Evite que os animais tenham livre acesso à rua. Além do risco de contaminações, há também risco de acidentes, brigas e roubos. 
  • Promova higiene constante e rigorosa do ambiente no qual o animal vive e do próprio animal. 
  • Ofereça alimentação completa e balanceada deixando à disposição água limpa e fresca. Uma alimentação correta permite, sem dúvida, que o animal seja mais saudável.
  • Caso perceba alguma alteração comportamental ou na saúde de seu animal, entre em contato com seu médico veterinário de confiança.

Em relação aos cuidados pessoais:

  • Após o contato com animais, lave bem as mãos.
  • Muitos proprietários gostam de beijar os animais na boca. Evite esse tipo de hábito. 
  • Assim como é importante promover a higiene do ambiente no qual o animal vive, é muito importante promover a higiene do local no qual ficamos. 
  • E, enfim, não abandone seu animal por medo de contaminações. A saúde e bem estar dele dependem apenas dos seus cuidados.

Referências:

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(Correções e revisões feitas pelo médico(a) veterinário(a) Dra. Valentina Vecchi, CRMV/SP:21838)

Por Dra. Valentina Vecchi (CRMV/SP:21838)

Valentina Vecchi (CRMV/SP: 21838), Médica Veterinária de São Paulo especializada em Acupuntura Veterinária, apaixonada pelos seus pacientes atuais e potenciais. Além de escrever para o Vidanimal, atualmente divide seu tempo atendendo seus pacientes e escrevendo para seus blogs 4Patas Acunputura Veterinária e blog4patas.com.br além de escrever artigos sobre pets para a revista digital “Senhora Atual“.

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