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Como entender o seu cachorro

Em geral, os cães “falam” através de uma linguagem corporal criada para ser entendida apenas entre seus semelhantes; decodificar essa linguagem exige prática humana.

Aprender a “ler” o cachorro é quase que como aprender uma língua estrangeira. Exige concentração e entendimento de que formas de se comunicar podem ter diferentes significados em diferentes culturas e dependem do contexto no qual são inseridas. Cães latem, gemem e rosnam, mas principalmente eles “falam” através de uma linguagem corporal criada para ser entendida por outros cachorros.

O significado pode não ser intuitivamente óbvio para humanos; por isso exige tempo e uma certa prática. Para entender um cão completamente, devemos nos colocar no lugar deles e tentar imaginar como é que seria se pensássemos como cachorros. Você pode já imaginar as recompensas de todo esse esforço?

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homem com seu cachorro no parque (Crédito/Copyright: “Jaromir Chalabala/Shutterstock”)

De fato, entender a linguagem de cães desconhecidos pode nos livrar de muita confusão e até prevenir uma mordida repentina. Mas muito mais importante que isso, ao aprendermos a entender o que os cães nos querem dizer, temos a chance de interagir de forma mais profunda com aqueles que fazem parte das nossas vidas.

Podemos alcançar um entendimento “intra-espécies” e aprofundar nossos laços através das nossas habilidades de comunicação. Nada mais justo. Por séculos a fio, os cães tornaram-se muito habilidosos em interpretar a linguagem corporal humana e até aprenderam palavras e sinais. Agora é a nossa vez!

A cauda do cachorro, orelhas, olhos e boca “falam” emitindo volumes sem fazer um som sequer. O cachorro não apenas late para se comunicar, mas possui toda uma linguagem corporal aliada a pistas verbais e expressões faciais que nos ajuda a entender a mensagem que precisa ser transmitida.

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Beagle no parque (Crédito/Copyright: “Halfpoint/Shutterstock”)

A melhor maneira de entender essa forma de comunicação é lembrar que os cães descedem dos lobos, e estes animais, vivem em bando e se comunicam entre si de forma muito simples para organizar a sua hierarquia. Nossos cães, os domésticos, não são muito diferentes, pois fazem o mesmo com outros animais da casa e com humanos. Em toda hierarquia, seja na vida selvagem ou doméstica, deve haver um líder do bando e esse líder deve ser você. E para ser um líder canino eficiente, precisamos entender o que o cão está tentando nos dizer.

Nós humanos nos comunicamos com eles usando comandos e frases. Os cães são capazes de aprender centenas de sons humanos, mas não conseguem combiná-los. Por isso, são necessários comandos curtos como “Senta”, “Não”, “Fora” e “Vem” aliados a entonação de voz, expressões faciais e corporais. Mas muito desse poder de comunicação é perdido e não pode ser passado de maneira completa, por isso é tão importante aprender a voltar ao básico e nos colocar no lugar deles para falar “cachorrês”.

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Mulher lendo no banco do parque com seus dois Pastores alemães (Crédito/Copyright: “Francesco83/Shutterstock”)

Todo mundo reconhece uma cauda abanando como sinal de excitação canina, mas a cauda é também um dos principais condutores de posição social e estado emocional. Não cometa o erro de interpretar abano de cauda como sempre um sinal de amigabilidade.

Geralmente, uma cauda para cima e longe do corpo ou encolhida sobre as costas significa dominância e, especialmente com o pêlo oriçado, significa ameaça de agressão. No entanto, alguns cães, como o Husky Siberiano, possuem caudas que enrolam para cima naturalmente, e portanto se fôssemos nos basear apenas por essa leitura de cauda, o Husky pareceria eternamente dominante.

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Casal andando na praia com seu Labrador Retriever (Crédito/Copyright: “Radoslaw Korga/Shutterstock”)

Um cão relaxado, confortável no seu ambiente, geralmente mantém a sua cauda baixa e longe do corpo. Por outro lado, um cão com medo ou submisso mantém a cauda perto do corpo, enfiada entre as patas. Mas saiba que algumas raças — Greyhounds e Whippets, por exemplo — também carregam naturalmente suas caudas entre as patas, quer estejam submissos ou não.

Já dissemos que as raças domésticas imitam a postura agressiva de seu ancestral, o lobo. Quer seja apresentada por um pequeno cão doméstico ou um lobo na floresta, a linguagem corporal é a mesma e significa que o animal está “pronto para agir”.

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Labrador Retriever sendo afagado pelo seu dono (Crédito/Copyright: “Jaromir Chalabala/Shutterstock”)

Observe a semelhança na aparência: em cada um deles, sejam cães domésticos ou selvagens, os pêlos ficam oriçados; os lábios são puxados para trás com os dentes caninos à mostra; e o olhar é fixado no objeto a ser agredido. Você quase pode ouvir o rosnado. Poucos cães, ou até humanos, iriam interpretar mal estes sinais de: “Estou pronto para te morder!”

Um cão dominante caminha na ponta dos pés, muitas vezes inclinado para frente, com uma postura firme. Orelhas e cauda para cima, cabeça alta e olhar confiante. Se ele sente uma ameaça, seus pêlos se arrepiam e o seu olhar fica mais intenso. O seu olharmos fixamente em seus olhos, mesmo que de maneira sincera e amigável, isso pode parecer uma ameaça para o cão e pode desencadear um ataque seguido até de mordida.

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Buldogue francês no colo de sua dona (Crédito/Copyright: “Irina Kozorog/Shutterstock”)

Ao encontrar um cão mais submisso em seu caminho, o cão dominante pode tentar colocar o seu focinho ou patas sobre os ombros daquele que enxergar como oponente. Se o cão for altamente dominante, pode responder ao seu toque na cabeça com um rosnado ou mordida, entendendo a posição da sua mão como uma intenção de expressar a sua dominância sobre ele.

Quando eles estão com vontade de brincar, eles assumem a postura de cauda pra cima, patas da frente no chão e um olhar alerta e expectativo. O cão pode até latir, mas o contexto mostra um latido excitante e não ameaçador. Um cão interessado também exibe este olhar alerta, parado com a boca parcialmente aberta, muitas vezes com a cabeça inclinada para o lado.

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Cachorro lambendo o rosto do seus donos (Crédito/Copyright: “Irina Bg/Shutterstock”)

O cão medroso recua, suas orelhas são abaixadas e o rabo encolhido, mas também pode mostrar sinais de agressão eriçando os pêlos e mostrando os dentes. Ao se confrontar com sinais misturados como esses, sempre preste atenção nos sinais “de pontas afiadas”, ou seja, melhor dar atenção aos dentes à mostra, pois ele pode sim te morder, embora de medo e não para mostrar dominância. O cão submisso se agacha com suas orelhas para trás, olhos desviados, cauda baixa ou entre as patas.

Em um contexto extremamente ainda mais submisso, o cão gradualmente rola de costas no chão, expondo a barriga. O cão pode até urinar um pouco, uma resposta inconsciente talvez à primeira figura autoritária da sua vida, sua mães, que estimulavam seus filhotes a urinar para que ela pudesse limpá-los.

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Cachorro rolando na grama com seu dono no parque (Crédito/Copyright: “Deborah Kolb/Shutterstock”)

Micção submissa é fácil de ser mal interpretada, especialmente se feita em resposta à reação de raiva do dono sobre alguma infração cometida pelo cachorro. Da perspectiva humana, o cão pode parecer desafiante, até rancoroso. Mas, longe de desafiar alguém, este cão está tentando amenizar a raiva do seu dono mostrando uma submissão extrema.

Enquanto a principal comunicação canina é através da postura e posição do corpo, eles também costumam vocalizar. Muitos cães parecem gostar de latir — especialmente combinado à uivos — para a frustração de seus donos. Um latido pode expressar muitas coisas diferentes, desde alegria e excitação com relação a uma brincadeira à celebração com relação a sua chegada, ou um aviso de algum invasor ou barulho estranho.

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Beagle interagindo com sua família (Crédito/Copyright: “bbernard/Shutterstock”)

Quando um latido gentil acompanha uma passada de focinho na coleira o uma tentativa de colocar a pata no seu colo, pode ser uma pergunta ou uma sugestão. Cães podem também rosnar quando ameaçados, gemer e choramingar para pedir atenção, e ganir de medo ou dor. Em cada uma dessas situações, uma combinação entre a linguagem corporal do seu cão com o seu entendimento de contexto é vital para entender a mensagem dele.

Tanto os lobos como os cães domésticos, podem ter as suas linguagens corporais facilmente mal interpretadas.

Em uma demonstração de dominância, um cão pode ficar de pé sobre o outro, com rabo e orelhas eretas e olhar fixo. Outro cão, agacha em posição submissa, diverge o olhar e abaixa as orelhas e a cauda. Embora a postura seja similar aos cães selvagens, esta linguagem corporal ocorre em brincadeiras entre cães domésticos, e na maioria dos casos acaba com os dois brincando juntos.

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Mulher na praia brincando com seu cachorro (Crédito/Copyright: “Osadchaya Olga/Shutterstock”)

A combinação de cruzamentos seletivos e cirurgia cosmética molda cães para se adequarem as preferências humanas, mas todas estas modificações podem ter consequências inesperadas: falta de comunicação entre os caninos. Quando cães são criados para terem pelagem longa e pesada, por exemplo, outros cães possuem dificuldade em enxergar os olhos deles, orelhas, boca e pêlos eriçados, e com isso a mensagem que eles normalmente teriam que passar.

Alterar surgicalmente as orelhas do cão para permanecerem eretas e para frente significa que elas ficarão alertas e dominantes, não importando a sua verdadeira personalidade. E amputando a cauda do cão você elimina uma maneira de transmitir seus sentimentos ao seus companheiros caninos.

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Buldogue francês ao lado de sua dona (Crédito/Copyright: “DuxX/Shutterstock”)

A maioria dos donos de cachorros podem facilmente diferenciar entre “Eu quero sair”, e “Tem alguém ali fora”, assim como outros latidos que demonstram felicidade, irritação ou até medo. Cães pequenos, como o Toy Fox Terrier, geralmente são os mais vocais dos cães domésticos, parecendo querer compensar com volume a falta de tamanho. O lobo emite um assobio de uivo para se comunicar com seus irmãos enquanto eles cercam a presa na vegetação rasteira, permitindo que o grupo arme o ataque.

O importante é dar toda a atenção que se preze ao convívio entre o cão e o dono, assim como os laços que se estreitam com esse convívio, só assim, juntando o instinto humano com o canino aliado ao convívio harmonioso entre vocês dois é que uma boa comunicação pode vir a germinar e a crescer cada vez mais. Assim então, você finalmente saberá se comunicar com o seu cachorro e fazer uma leitura precisa de todos os seus movimentos e sentimentos para antecipar qualquer que seja a sua vontade ou ação.

Para saber mais sobre o assunto, acesse outros links externos abaixo:

Tudo Sobre Cachorros – A linguagem corporal, facial e sonora dos cães.
Clube para Cachorros – A linguagem corporal dos cães e suas expressões.
Tudo de Cão – A linguagem canina e o que eles realmente querem dizer.

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