A literatura está repleta deles, em especial as fábulas. O sistema comercial usa os coelhos na Páscoa como garotos-propaganda. Centenas de logomarcas lembram sua silhueta. No imaginário infantil, os coelhos reinam quase absolutos. Eles estão em sessões de autoajuda no mundo inteiro. A relação da capacidade de fertilidade desse bichinho com a Páscoa, a primavera e o cristianismo é bastante conhecida.

Portanto, os coelhos não ficariam de fora de nossos artigos de maneira alguma.

Importante: se você tenciona adquirir um indivíduo em compra ou adoção, atente-se. Em caso de necessidade, o veterinário precisa ter conhecimentos específicos sobre a espécie. Ou seja, nem todos os veterinários possuem técnicas para cuidar de coelhos. Desta forma, consultas e intervenções podem custar um pouco mais que as destinadas a cães e gatos.

Eles são sujeitos a acidentes quando fora de seu território. No caso de sua casa possuir quintal, certifique-se de que ele não vá escapar para a rua. São vítimas constantes de ataques de cães e acidentes de trânsito.

Mais uma coisinha: em época de Páscoa, infelizmente, muitos pais se deixam levar pelo encantamento que os coelhos produzem nas crianças. Assim, acabam adquirindo um indivíduo. Porém, depois que a onda da Páscoa passa, abandonam o bichinho em abrigos ou mesmo em matas.

Sabemos que você não faria isso, mas é importante que seja um divulgador contra esse tipo de postura.

Como é o jeitão dos coelhos

Os coelhos são animais dóceis e ariscos.


Coelhos precisam de espaço. Muito espaço. Seu jeitão serelepe, agitado, astuto e faceiro não cabe em meio metro quadro. Se você tem coelhos, sabe do que a gente está falando; se não tem, quando tiver – pois ainda ter um -, vai confirmar.

Donos do espaço

Por isso, por conta dessa necessidade de espaço, coelhos cuidam muito bem de seu território. Aliás, tomam posse. E são decididos: resolvem onde vão dormir, onde vão comer, onde vão permanecer mais tempo.

Dessa maneira, são muito objetivos. Se você tentar organizar seu espaço num momento em que ele quer solidão, é capaz de rejeitar você para sempre.

Nem das noites nem dos dias

Os coelhos são animais muito ativos e precisam de espaço.


Coelhos são muito mais ativos no período vespertino e ainda mais quando o crepúsculo se aproxima. Parece que gostam dos pores e despertares do sol. Seu organismo ganha mais vivacidade nessa parte do dia.

A paixão pelas horas crepusculares também se manifesta pelas manhãs, quando o sol está nascendo. Portanto, parece que seu gosto tende mais à luz do sol.

Oh, vida! Oh, céus!

Criadores experientes e biólogos especialistas em coelhos são unânimes ao dizer que esses agitadíssimos animais sentem enfado, chateação. Assim, eles se entediam por qualquer coisa.

Não, não são fresquinhos, como alguns brincam. Eles têm personalidade. É isso. Por isso, é sempre aconselhável você deixar algum brinquedo à disposição. Você pode adquirir um objeto de entretenimento ou simular um, como rolos de papel toalha cheios de ração.

Personalidade própria

Os coelhos são seres de características e simbologias peculiares.


Via de regra, indivíduos das mesmas espécies têm comportamento semelhante. Porém, isso parece não acontecer com os coelhos. Pesquisadores dizem que cada indivíduo é mesmo um indivíduo, ou seja, com seus trejeitos e maneiras.

Por isso, é sempre interessante que você avalie bem aquela ideia de levar mais um indivíduo para casa. Pode ser que ambos não se deem muito bem.

Coelhos são interativos

Por isso, muitos criadores dizem que alguns indivíduos são ainda mais, digamos, “carentes” que cães e gatos. Se eles gostarem mesmo de você, vão ficar no seu pé o tempo todo, buscando brincadeiras.

Nesses momentos, eles emitem um som diferenciado. Parece ronronado felino, mas é, na verdade, seus dentinhos batendo um no outro. É assim que coelhos chamam atenção quando estão alegres, contentes.

Quando estão muito, mas muito contentes, eles fazem algo que vai deixar você preocupado se não souber o porquê disso. Coelhos saltam alto, reviram a cabeça de um lado para o outro, se curvam no ar. Na Europa e EUA, esse comportamento se chamada “binky”.

Criancinhas desastradas

Como você viu, coelhos são irrequietos e estão em movimento constante. Por isso, têm grande tendência a se machucar. O problema é que eles não param mesmo quando estão machucados.

Então, é preciso que você ou alguém da família prestem muita atenção à normalidade ou não dos movimentos. Pequenas puxadas de perna enquanto caminham – correm, na verdade -, uma das patinhas menos ativa, lambidas frequentes em determinado local do corpo. Essas e outras posturas podem indicar alguma machucadura.

Coelhos são cecotrófagos

A palavra acima é estranha, a gente sabe. Dá impressão de “algo errado, asqueroso”. Mas é só impressão.

Então, não se assuste se vir algo como seu coelhinho ingerindo as próprias fezes. Pode ser aparentemente nojento, mas não é nada disso. Trata-se de cecotrofia ou cropofagia. Isso ocorre porque o processo digestivo de alguns animais, incluindo coelhos, é diferente.

O bolo alimentar ingerido permanece em fermentação no ceco, parte dos intestinos. Ali, recebe uma série de bons nutrientes que o organismo retirou dos alimentos, mas de forma concentrada. Assim, é rico em microminerais, cálcio, aminoácidos e especialmente vitamina B.

Então, quando os coelhos expelem essa massa, eles reingerem assim que ela sai do ânus. Ela é expelida primeiro; depois, saem as fezes propriamente ditas, que eles ignoram.

Esse procedimento natural é normalmente feito à noite, que é quando o organismo dos coelhos providencia fezes – na verdade, cecotrofos – com mais muco nutricional. Por outro lado, coelhos ao ar livre, ou seja, soltos na natureza, são mais propensos à cecotrofia por uma série de condições de que coelhos domesticados não dispõem.

A vida orgânica dos coelhos

Os coelhos são frágeis, mas muito sabidos.


O próprio visual dos coelhos já informa que eles são fisicamente frágeis. Apesar disso, são ambientados em diversas condições pelo mundo inteiro. Há espécies que preferem matas e arbustos; outras, regiões montanhosas e até pântanos. Já foram encontrados indivíduos até mesmo em regiões muito geladas.

Veja agora mais alguns detalhes sobre seu organismo.

Diferentes das lebres

As duas espécies já confundiram muitos leigos, muitos apreciadores iniciantes. E são mesmo muito parecidas. Entretanto, há diferenças sutis.

Ambas as espécies são chamadas cientificamente de lagomorfas da família dos leporídeos. Porém, você sabe que o animalzinho é um coelho quando vê orelhas curtas; as das lebres chegam a ser maiores que suas cabeças. As patas dos coelhos são menores.

A diferença é vista já no nascimento. Coelhinhos nascem totalmente sem pelos e com olhos fechados; lebrinhas, ao contrário.

Unhas e dentes

Eles são roedores e, por isso, só não estão mastigando quando estão dormindo. Ou doentes. Isso ocorre porque seus dentes crescem durante a vida inteira.

Isso é importante: nesse caso, roer ou comer é altamente necessário para que as pontas dos dentes crescidos não machuquem a boca. Se isso acontecer, seu coelhinho vai associar o ato de comer com dores e recusar alimentos. E isso é fatal. Se ficarem longo período sem roer – mais de 15 horas, por exemplo -, os dentinhos já começam a incomodar.

O mesmo acontece com suas unhas. Assim, procure manter pequeno espaço de chão rústico ou algum objeto que seus coelhos possam arranhar. É como eles lixam as unhas e evitam arranhões.

Fertilidade e vida longa, isso é com coelhos

Bem, se há uma características dos coelhos que todo mundo conhece, essa é a capacidade de procriação. Quase ao mesmo tempo em que você dá uma piscada, nascem coelhos. Bem, guardado o sentido de exagero dessa comparação, é quase isso.

As fêmeas têm diversas ninhadas por ano. Quando se fala ninhada, quer dizer por volta de 10 a 15 novos coelhinhos para alegrar os ambientes. Elas forram algum espaço com o que tiverem à mão; na vida selvagem, usam gravetos e o próprio pelo.

Isso é interessante: na vida em floresta, as fêmeas dão à luz e procuram permanecer o menor tempo possível próximas aos filhotes. À primeira vista, pode parecer algo “desumano”, porém, é estratégia de defesa. Como se movimentam rápidas, chamam atenção de predadores, em especial os que voam. Então, ficando longe da ninhada, elas dificultam que animais percebam a presença dos filhotes.

Por outro lado, os filhotes crescem muito rápido. É uma das maiores taxas de crescimento corporal do mundo animal. Talvez também por isso é que coelhos são a terceira espécie mais presentes em abrigos animais, à disposição para adoção.

Reprodução e vida

Entre a fecundação e nascimento, passam-se normalmente 1 mês. A média de filhotes é 5, mas é possível chegar a 10 ou até mais. Nascem com olhos e ouvidos tapados e isso dura até por volta do décimo dia. O ninho foi preparado dias antes do nascimento, uma espécie de cova que a fêmea prepara. Tão logo nasçam, ela os acoberta com folhagens.  Na vida selvagem, elas podem arrancar os próprios pelos para ajudar a esconder e aquecer as crias.

Com uns 15 dias, começam a explorar o ambiente ao redor. Já têm capacidade para cavar as próprias tocas.

Com um ano de vida, a fêmea já está pronta para procriar. O tempo de vida é entre 5 e 7 anos em média. Porém, quando saudáveis e bem cuidados em ambiente doméstico, podem atingir os 10 anos de vida.

Organismo frágil

Veja algumas condições que podem significar anomalias em coelhos. Assim, tão logo você perceba alguma, vai tomar a decisão correta.

  • Cabeça inclinada
  • Diarreia
  • Espirros constantes (eles espirram algumas vezes, mas a frequência pode ser indicativo de problemas)
  • Isolamento
  • Nariz constantemente molhado

Além disso, é preciso saber que coelhos soltam pelos facilmente. Assim, é necessário escová-los com certa frequência. Caso contrário, eles vão comer seus pelos e isso, infelizmente, é fatal em boa parte das vezes por causa da cecotrofia de que falamos acima. Excesso de pelo interfere no processo. Quando em vida selvagem, esses pelos se perdem na região, normalmente levados pelo vento.

E quanto às espécies

Há muitas espécies de coelhos de todos os tipos.


Há 28 espécies de coelhos conhecidas. Estão divididas entre 47 raças reconhecidas por associações e clubes de criadores. A divisão obedece, via de regra, ao parâmetro peso, ou seja, as raças são classificadas de acordo com a quantidade de quilos do animal.

Vamos ver algumas raças agora.

Fuzzy Lop

Nos anos 80, criadores cruzaram duas raças, a Angorá e a Holland Lop. O resultado foi coelhos graciosos, amorosos e peludos. Entretanto, por questões genéticas, as orelhas ficam a maior parte do tempo abaixadas. Isso dá aparência de eterno lamento, mas engraçadinha. Não deve ultrapassar 1,8kg.

Castor Rex

Há dois tipos de coelhos dessa raça: standart e mini. O primeiro chega a 5kg e o segundo, não pode passar de 2kg. Apesar do nome, tem variedade enorme de cores, incluindo vermelho. O que o torna destacável é a maciez dos pelos. É bastante agitado. Precisa estar em movimento por todo o recinto durante muitos minutos em algum momento.

Hotot

O famoso criador de coelhos francês, Eugenie Bernhard, desenvolveu essa raça no início dos anos 1900. Ela acabou ganhando status popular muito facilmente por conta de sua doçura e amigabilidade. É considerada por clubes de criadores como uma das raças mais atraentes e bonitas. Os exemplares são comilões ao extremo.

É realmente pequeno. Apesar disso, lembre-se de que todo coelho precisa de espaço.

Coelho Leão

Ele tem esse nome por conta de acúmulo de pelos no alto e nas laterais da cabeça. Por isso, precisa de escovação a fim de que os pelos não se engrunhem. Muitos clubes de criadores a têm como raça com características próprias. Seu peso fica entre 1,5kg e 2kg. A raça se apresenta em diversas cores.

Um dos atrativos dessa raça é o fato de gostar muito de colo. Assim, proprietários podem passar horas em carícias que o coelhinho vai ficar muito satisfeito.

Belier

O charme da raça são suas orelhas: compridas e normalmente caídas, como se fosse uma moldura para o rosto. O resultado disso é um ar de melancolia eterna. É raça realmente dócil, amigável. Diz-se que é uma das raças menos agitadas.

Flandres

Apesar do tamanho, é muito simpático e amigo. Dócil e sociável, é conhecido no mundo todo. Há indivíduos com mais de 13kg, mas a média é entre 9kg e 10kg. Sua silhueta longa e larga o diferencia das outras raças, além do tamanho, claro.

É amigo de outras espécies. Não raramente, veem-se pequenos animais interagindo com eles e até descansando sobre seu corpo.

Anões

Tem origem holandesa. A maioria dos indivíduos não passa de 1kg, mas alguns chegam a 1,5kg. A silhueta é arredondada, o que torna os coelhinhos ainda mais meigos.

Coelhos Chinchilas

Seu tamanho é médio, ficando entre 2,5kg 2 3kg. É meio atarracado e quase não tem pescoço. As orelhas estão sempre esticadas para cima. São extremamente gentis e inteligentes. Brincam o tempo todo. Por isso, é indicado para companhia de crianças.

Angorá inglês

É raça turca e não inglesa, como o nome pode indicar. E “angorá” é por conta da quantidade de pelos que envolvem os coelhos de forma tal que parecem uma bola de fios. Tanto que alguns criadores comercializam seu pelo, como no caso das ovelhas, pois eles são bem macios. Chegam a pouco mais de 3kg.

Toy (ou anão)

Sim, é bastante pequeno. Não chegam a 1,5kg. Por isso, são bastante conhecidos. Sua aparência é dócil e amiga e seu pelo é muito suave, quase como lã.

Desumanidade contra coelhos

Coelhos são muito judiados em alguns lugares do mundo.


Em certos locais do mundo, coelhos são a espécie que mais sofre abusos. São regiões em que violência contra animais é até cultural, o que, por si, já é absurdo.

Há fazendas espalhadas pelo mundo em que os coelhos permanecem trancafiados em gaiolas pelos primeiros meses de vida. Quando suas peles atingem certa espessura e qualidade, são simplesmente arrancadas. E eles ainda estão vivos.

Criadores inconscientes e mercenários alegam que coelhos já são abatidos para servir de alimentos em restaurantes de renome. Assim, estariam apoiados eticamente em seu comércio. O problema não é uso da pele de coelhos em si, mas como o processo é feito.

Na França, quase 80 milhões de coelhos são sacrificados por ano para comércio de pele. Para você ter uma ideia, é preciso matar mais de 30 coelhos para se produzir um casaco de tamanho médio (no caso de arminhos e chinchilas, são mais de 100).

Os animais permanecem em gaiolas muito pequenas. Assim, “acomodam” muito mais indivíduos. Dessa maneira, não podem escavar ou roer, como é seu hábito natural. E necessário, como vimos acima, para manterem a saúde dos dentes e unhas. São mal alimentados, não brincam, não se movimentam.

Quando suas peles não são simplesmente retiradas estando eles vivos, recebem forte golpe no dorso. Assim, a coluna vertebral é esmagada e eles morrem.

Há campanhas de organizações protetoras de animais que lutam contra essa situação. No Brasil, existem leis que proíbem maus tratos, mas infelizmente não há vontade política para aumentar o sistema de fiscalização. Dessa forma, os animais permanecem à mercê de comerciantes assassinos.

É por isso que sua interferência é necessária. Participe de campanhas, de abaixo-assinados, busque informações, divulgue informações.

É isso então. Deixe na área de comentários suas impressões sobre esses animaizinhos fantásticos que tanta alegria levam para os lares do mundo inteiro. E, por fim, coelhos precisam de sua ajuda. Colabore em campanhas.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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