Entre tantos animais na natureza, algumas pessoas escolhem a cobra de estimação para lhes fazer companhia. É mesmo muito curiosa essa escolha. Mas, como será essa convivência e quais são as necessidades desse réptil tão temido?

Saiba tudo sobre ele aqui neste artigo e quem sabe depois de ler, você não leva uma para casa também…

As cobras no mundo animal

Algumas espécies são domesticadas e se tornam cobras de estimação.


Por todo o planeta estão distribuídos mais de um milhão de espécies animais, em ambientes com todo o tipo de solo, vegetação e clima, e podem ser desde microscópicos até gigantes.

Algumas diferenças entre os mais de um milhão de seres do reino animal são a forma como nascem, se o corpo é coberto por pêlos, escamas, espinhos, a alimentação, de que modo respiram e como se deslocam.

Então esses animais dividem-se em dois grupos: vertebrados e invertebrados, e a cobra de estimação é um animal vertebrado do grupo dos répteis. As cobras possuem mais ou menos 300 ossos contando as costelas, os ossos do crânio e as vértebras. As costelas são móveis e os ossos flexíveis.

Elas pertencem ao gênero Squamata, são parentes dos lagartos, podem ser venenosas ou constritoras, mas, todas são carnívoras.

E poucos são os animais que se dispõem a caçá-las, por isso estão no topo da cadeia alimentar. Mas, como sempre existem os corajosos, o gavião é um deles, sendo que também as corujas, águias, galinha d’angola, seriema, guaxinim e texugos.

Os invertebrados não possuem esqueleto e nascem de ovos. Os vertebrados possuem um esqueleto interno e são divididos em cinco categorias: os mamíferos, as aves, os répteis – que é a categoria da cobra de estimação – os peixes e os anfíbios.

Na verdade, o nome mais adequado para designar esse réptil que é parente dos lagartos, seria serpente, já que o termo “cobra” é usado em alguns países para especificar apenas espécies como a Naja, encontradas na Ásia e África.

No Brasil existem 370 espécies de serpentes das mais variadas cores, formas e tamanhos.

Como nasce a cobra de estimação?

Existe cobra de estimação vivíparas, ovovíparas e ovíparas.


Isso é bem curioso! Nós conhecemos geralmente apenas a forma clássica de nascimento, que é aquela onde o filhote nasce diretamente de dentro da mãe. No caso da cobra de estimação e das cobras em geral, existem três maneiras de darem à luz aos seus filhotes.

São elas:

Ovíparas: são as que colocam os ovos e não chocam, sendo que podem abandonar os ovos logo que põem, ou ficar alguns dias por perto e depois abandonar. Os ovos levam em média 90 dias para eclodirem, e nem todos os filhotes nascerão por causa dos predadores. Ex: cobra do milho, falsa coral.

Ovovivíparas: são as que carregam o ovo dentro delas até o nascimento do filhote. Ex: jibóia constritora, anaconda.

Vivíparas: são as que dão à luz a filhotes que são gerados no útero e nascem sem o auxílio de um ovo. Ex: jararaca, cascavel, sucuri.

Portanto, a gestação das cobras pode durar até oito meses e o número de filhotes vai depender da espécie.

Como se alimentam as cobras de estimação e as cobras em geral?

As cobras são animais carnívoros e se alimentam de diferentes espécies de outros animais, e algumas se alimentam também da própria espécie, como é o caso da muçurana que se alimenta de jararacas.

E entre os animais consumidos pelas cobras estão:

  • Pequenos mamíferos, como o quati, gambá, guaxinim e os roedores;
  • Algumas aves como a garça, gavião carcará e gavião-pombo pequeno.
  • Anfíbios, peixes, caramujos, lesmas e ovos.

Também algumas serpentes e a cobra de estimação, dependendo claro, do que seu dono lhe dá como alimento, consegue se alimentar de animais bem maiores do que seu próprio corpo, graças ao conjunto de ossos que foram desenvolvidos ao longo de sua evolução, que lhes permite deslocar alguns ossos do crânio e da mandíbula para poderem engolir a presa.

Normalmente a cobra de estimação, por ser “domesticada”, é alimentada com animais menores como ratos.

Como é a digestão das cobras?

A cobra de estimação digere os alimentos da mesma forma que o nosso organismo.


O suco gástrico que as cobras utilizam para fazer a digestão é o mesmo que o nosso, ou seja, ácido clorídrico e pepsina, e algumas utilizam o próprio veneno como auxiliar da digestão.

Desta forma, uma cobra que engole um animal de grande porte, leva em média de seis a sete dias para fazer a digestão, como é o caso da cobra píton quando engole um jacaré ou um boi. Uma que com certeza não se encaixaria como uma cobra de estimação. As enzimas do intestino delgado se encarregam de desmanchar a pele dos animais, para só depois então começar a fase da digestão.

A demora da digestão no caso do jacaré é por causa de suas escamas, sendo que em animais desprovidos de escamas e pele dura, a digestão ocorre de maneira mais rápida. Depois da digestão, a píton pode ficar semanas e até meses sem se alimentar.

Se as cobras são cegas, como conseguem detectar a presa?

Coitadas! São míopes! Principalmente as que possuem pupila vertical ou elíptica. Então, como fazem para enxergar a presa? Calma, quem tem uma cobra de estimação não irá precisar contratar um cão guia para ela.

No focinho, elas possuem células sensitivas que conseguem detectar luz infravermelha, que capta o calor emanado do corpo de sua presa.

Então ela identifica  a presença, o tamanho, a que distância se encontra e até em qual velocidade se desloca. E pasmem! São capazes de identificar diferenças mínimas de temperatura (0,0003ºC) num raio de 5 metros.

Parece que muito antes do ser humano inventar os óculos de visão noturna ele já existia na natureza.

Essa visão funciona através de dois orifícios que ficam entre os olhos e as narinas, e através de vários orifícios labiais, principalmente no lábio superior. Esses orifícios possuem membranas com terminações nervosas que levam as informações captadas ao cérebro, resultando na formação de imagem.

Além desse recurso, as cobras também utilizam o olfato para detectar suas presas. A língua bifurcada serve para localizar de qual direção vem o cheiro.

Sendo assim,  elas precisam ter algum recurso para sobreviver, já que além de cegas também são surdas. Por isso pense bem antes de ter uma cobra de estimação e tentar chama-la pelo nome ou apelido que deu a ela. Elas possuem apenas um ouvido interno muito rudimentar com o qual detectam alguns sons no solo, mas que pouco ajuda na captura das presas.

Portanto, por serem muito rápidas, depois que hipnotizam a vítima, dão o bote certeiro e fatal, sendo que a extensão do bote de uma cobra corresponde a um terço do tamanho dela. O bote pode ser para dar a mordida e inocular o veneno, ou matar por constrição.

Como adquirir cobra de estimação?

Antes de adquirir uma cobra de estimação é precio saber quais são as espécies corretas.


Antes de sair em busca da sua cobra de estimação, você deve verificar os mesmos itens que faria para adquirir qualquer outra espécie.
  • Quais espécies são permitidas pelo IBAMA para criação em cativeiro.
  • Certificar-se de que o lugar onde está adquirindo sua cobra de estimação é autorizado pelo IBAMA, para não acabar sem querer colaborando com o mercado negro. Tráfico de animais é crime.
  • Se a espécie estiver em extinção não será possível adquirir.
  • Qual espaço existe no local para abrigar a cobra de estimação.
  • Quais serão as necessidades dela. Isso inclui estudar a espécie antes de adquirir.
  • Quais os riscos que as pessoas estarão correndo no convívio com a cobra de estimação.
  • Se o lugar para onde ela vai permite a presença de animais, principalmente de cobras, e se atende às necessidades dela. Animais em ambientes inapropriados podem se tornar agressivos.
  • Algumas cobras se alimentam de roedores e pequenos mamíferos. Você vai ter coragem para isso? Se não, opte por espécies que se alimentam de insetos, peixes, crustáceos e caracóis.
  • Algumas espécies são sociáveis e até aprendem truques para distrair seus tutores. Talvez uma boa opção para quem quer ter uma cobra de estimação.
  • Se houver crianças em casa, as cobras pequenas são a melhor opção.

Algumas cobras de estimação

Cobra do milho – possui entre 1,20 e 1,80 metros; a cor em geral é de listras vermelhas num fundo laranja, mas varia bastante de uma para outra; a alimentação é composta por camundongos, lagartixas, grilos e vermes; é calma, fácil de manusear e raramente pica; fácil de manter em cativeiro e de reproduzir; precisa de ambientes quentes (entre 23º e 30º) e umidade em torno de 60%; o calor é importante para a digestão da cobra do milho; consome muita água; expectativa de vida é de 15 a 20 anos.

Píton Real – atinge o tamanho de 1,50 metros; alimenta-se de grandes roedores; média de vida entre 30 e 40 anos; é uma espécie bem popular como cobra de estimação e pode ser encontrada em pet shop.

Considerações Finais sobre a cobra de estimação

Cuidar de uma cobra de estimação não é nem de longe a mesma coisa que cuidar de um gato, cachorro ou passarinho, mas para quem gosta de aventura pode ser uma boa pedida, se observadas algumas regras básicas e necessárias para o bom desenvolvimento do animal.

Por isso, o que primeiro deve-se ter em mente é que é necessário usar de bom senso, e avaliar todos os prós e contras da aquisição. Uma das coisas mais importantes é saber que é um animal que vai viver por muitos anos, e que sempre as necessidades dele precisarão estar garantidas.

Tendo sido feita toda a pesquisa sobre a espécie, avaliação do ambiente e das possibilidades de manter o animal, é só sair em busca da espécie escolhida e curtir muito a convivência com esse animal tão peculiar, e muito importante para o equilíbrio ecológico, pois são responsáveis por fazerem a faxina na natureza, eliminando o excesso de ratos e insetos nocivos ao ser humano.

Por Dani Jardim

Dani Jardim é redatora freelancer, contribui com contéudo digital para vários sites diferentes. Amante dos animais, divide o seu tempo escrevendo sobre todos eles neste portal, e nas horas vagas, se divertindo com seus cachorros, o Pug, Bóris e o Buldogue francês, Vasco. Dani também faz parte da nossa equipe editorial como gerente e editora de conteúdo.

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