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Cavalo-marinho, um ser de outro mundo

cavalo marinho

Você já viu um cavalo-marinho. Todavia, se jamais viu um ou ouviu falar dele, vai reconhecê-lo facilmente quando o vir. Ainda que esteja num aquário com as milhares e milhares de exemplares de espécies marinhas de todos os oceanos, vai identificá-lo. Afinal, ele tem aparência única: exatamente o que o nome indica – de cavalo.

Não é todo dia que você encontra um ser que aparentemente tenha saído de seus sonhos. O universo marinho é pleno de formas e tamanhos tanto em relação a seres animados quanto a inanimados. Muitos deles parecem ter vindo de outros planetas – alguns, dos planetas mais sombrios. Porém e com certeza, o cavalo-marinho veio do mundo de Morpheu, senhor dos sonhos.

Na mitologia, deuses associados a oceanos e mares – como Poseidon (grego) e Netuno (romano) – domavam cavalos-marinhos para que seus súditos patrulhassem seus reinos. Além disso, ambos vagavam pelas profundezas dos mares montados em cavalos-marinhos gigantescos e alados.

Em muitos locais, é chamado de Hippocampus, ou seja, “hippo” – cavalo – e kampis – monstro marinho.

Veja neste artigo o quanto ele merece o título de um dos mais belos animais marinhos.

Cavalo-marinho e seu comportamento

O cavalo marinho é um dos animais mais fiéis ao seus companheiros que existem.
O cavalo marinho é um dos animais mais fiéis ao seus companheiros que existem.

Humanos infiéis em seus relacionamentos se baseiam no mundo animal para justificar a infidelidade. Dizem eles que isso é instintivo na natureza, especialmente no reino irracional. E assim for, o cavalo-marinho jamais poderia ser usado como exemplo. Tanto macho quanto fêmea são fidelíssimos, monogâmicos.

Veja mais curiosidades sobre o comportamento do cavalo-marinho.

Cavalo-marinho macho. E prenhe

Bem, não é assim gravidez propriamente dita. Porém, o cavalo-marinho macho recebe os óvulos que foram liberados pelo cavalo-marinho fêmea. Essa postura animal é única em todo o reino dos seres vivos.

Último no campeonato de natação

Cavalos-marinhos não nadam bem. Com certeza, a aerodinâmica de seu corpo não ajuda em nada (veja mais sobre isso logo abaixo). Além disso, estão sempre na posição vertical, o que os torna ainda mais lentos – não se movimentam a mais de 1,5km/h. Aliás, são considerados os peixes mais lentos do mundo.

Mais abaixo, você vai ver que o cavalo-marinho controla quantidade de ar para subir e descer na água. Para se locomover na horizontal, se impulsiona a partir de movimentos de pequeníssimas barbatanas presentes no dorso. Apesar de oscilar entre 35 e 40 vezes por segundo, essas barbatanas movem o cavalo-marinho muito lentamente, como foi visto.

Assim, procuram águas tranquilas, sem muita movimentação por ondas submersas. Por isso, normalmente estão em situação de aparente repouso. Em verdade, estão se preparando para se deslocar na água.

O cavalo-marinho e a Biologia

O cavalo marinho é um peixe.
O cavalo marinho é um peixe.

Cavalo-marinho faz parte da família dos Syngnathidae. É considerado peixe, apesar de muitos imaginarem que se trata de mamífero.

Ele intrigou a maioria dos biólogos de séculos passados, quando começou a ser estudado, por conta da complexidade de reprodução. Algumas espécies têm até capacidade de alterar a cor conforme o ambiente em que estejam, à semelhança de camaleões. Segundo registros fósseis, o cavalo-marinho existe há pelo menos 3 milhões de anos.

Estudos indicam que evoluíram com objetivo de habitar o solo aquático porque evitam águas profundas. Isso incutiu nele a necessidade se ocultar em grama e vegetação marinha em geral. Dessa maneira, se camufla para não ser visto por predadores.

Veja mais dados biológicos sobre esse ser fascinante.

Onde vive o cavalo-marinho

O cavalo marinho mora em Algarve, em Portugal.
O cavalo marinho mora em Algarve, em Portugal.

Está espalhado pelo mundo onde haja água razoavelmente rasa e mais ou menos quente. Há pesquisas de informam que a maior população de cavalo-marinho está na Ria Formosa. É local de alagamento natural ocasional na província de Algarve, Portugal. Ali, encontram-se milhares e milhares de indivíduos de muitas espécies.

Não gosta muito do frio. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais o cavalo-marinho tem estado presente na lista de animais com existência ameaçada. Veja mais sobre isso no capítulo sobre perigo de extinção.

De certa forma, nem sempre é fácil vê-lo, mesmo em aquários, pois adora se esconder. Busca locais com boa quantidade algas, corais, mangues.

Contudo, é bom saber que não se dá muito bem em aquário. Apreciadores de animais até tentam mantê-lo em cativeiro para deleite e prazer, mas é difícil. Parece que o sentido de liberdade desse animal é forte, pois qualquer situação de prisão o estressa. Normalmente, isso é fatal para eles.

Além disso, seu organismo é realmente sensível a doenças quando em cativeiro. Ele foi feito para viver mesmo no fundo do mar.

O corpo do cavalo-marinho

O cavalo marinho tem corpo comprido e focinho alongado.
O cavalo marinho tem corpo comprido e focinho alongado.

Ele tem focinho alongado, quase uma probóscide, ou seja, quase uma tromba. Certamente é a característica visual que mais o identifica porque é o que o torna bastante semelhante a cavalos. Além disso, a maioria das espécies dispõe de pequenos fios no alto da cabeça e do pescoço que lembram crina.

Isso é interessante: ele pode mover os globos oculares de maneira independente. Assim, tem visão ampliada perante a maior parte do ambiente.

Isso também é interessante: ele não possui cavidade estomacal. Então, o alimento vai direto para o sistema digestivo, o que o obriga a comer mais frequentemente.

A cabeça, como você sabe, lembra a de um cavalo. O restante do corpo é alongado, como de peixes. Entretanto, possuem guelras e placas de pele entre o que se pode chamar de dedos nas nadadeiras, que são dorsais.

Reprodução, tamanho e ciclo de vida

O cavalo-marinho produz um dos mais complexos rituais de acasalamento. Isso acontece normalmente na primavera. Sabe-se que a fêmea tem preferência por machos grandes – atendendo ao instinto de preservação – e com aparência provida de cores fortes.

Dancinha

O cavalo-marinho macho cria uma espécie de coreografia interessante a fim de mostrar à fêmea que é o parceiro ideal. Sobe, desce, altera a coloração, se contorce. Tudo para chamar a atenção dela. Aos poucos, vai se aproximando e, não havendo rejeição, se posiciona de frente. Nesse momento, ela transfere seus óvulos para pequena bolsa – chamada incubadora e semelhante à dos cangurus – existente no início da cauda do macho. Dessa maneira, ela está livre para produzir mais óvulos imediatamente.

Ali, os óvulos recebem o espermatozoide e são finalmente fecundados. Também ali, eles evoluem até o momento de nascer, o que se dá depois de 2 meses de gestação. Nesse momento, o cavalo-marinho macho passa se mover ritmada e rapidamente a fim de expulsar os filhotes. Somente um indivíduo é capaz de produzir entre 100 e 500 cavalinhos.

Transparentes

Tão logo nasçam, são transparentes. Vão assumindo cores em poucos dias. Os filhotes recém-anscidos vão à superfície a fim de encher o que se chamada bexiga natatória. Assim, conseguem se manter em equilíbrio na vertical, subindo e descendo. A partir daí, os filhotes têm vida própria completamente indiferente à presença dos pais. Começam a ter suas próprias aventuras de sobrevivência, apesar da fragilidade tanto estrutural quanto de “experiência”.

Há espécies de cavalo-marinho que não passam de 1,5cm. Com certeza, isso dificulta ainda mais que sejam vistos, mas os torna ainda graciosos. Já as espécies maiores alcançam até 30cm. Quanto ao peso, fica entre 50gr e 100gr.

Ao contrário de muitos outros animais, seu ciclo de vida é maior quando solto na natureza marinha. Aparentemente, corre mais riscos de predação quando no mar, mas, se mantido em cativeiro, vive por volta de 2 a 3 anos; se no mar, de 5 a 7 anos.

Apesar disso, dos entre 100 e 500 filhotes que nascem, mais de 90% vão ser vítimas de ataque de peixes famintos.

O cardápio do cavalo-marinho

O cavalo marinho tem alimentação variada.
O cavalo marinho tem alimentação variada.

Ele tem alimentação variada. Praticamente todos os invertebrados marinhos e pequenos peixes compõem seu quadro alimentar – moluscos, vermes etc. – além plâncton. Como a cauda tem formato preênsil, ou seja, em forma de ganho, ele se agarra às plantas para alimentar.

As espécies de cavalo-marinho

Biólogos conseguiram registrar 40 espécies até agora; duas delas são brasileiras: o Hippocampus erectus e o Hippocampus reidi. Há pesquisas em andamento com objetivo de identificar e registrar outras que, segundo populares, já foram vistas.

Veja agora algumas delas.

Hippocampus erectus

É visto – não tão facilmente – no litoral brasileiro e também no Caribe. A cor varia bastante, pois ele consegue alterá-la de acordo com o ambiente. O que o caracteriza bem são as faixas brancas finas ao longo do pescoço.

Hipocampus reidi

É outra espécie considerada brasileira, mas é encontrada em toda a costa da América do Sul e chegando ao Caribe.

Cavalo-marinho Pigmeu

Menos de 15mm. Sim, quase microscópico, daí seu nome. O nome oficial era Hippocampus bargibanti, mas deixou de ser exclusivo dessa espécie porque foram encontrados outras com os mesmos detalhes e características. Apresenta faixas aneladas no tronco, o que a diferencia das outras espécies. É a espécie que melhor se camufla como autoproteção.

Hippocampus algiricus

É encontrado mais no Oceano Atlântico próximo à Angola e Costa do Marfim, mas está presente em toda a costa africana. Em verdade, sabe-se pouco sobre essa espécie. Foi vista inicialmente há poucos anos, em 2012.

Hippocampus breviceps

É também conhecido como cavalo-marinho-de-cabeça-curta. Está presente mais na costa sudoeste e sudeste da Austrália. O tamanho é por volta de 10cm. Apresenta o alto da cabeça bastante evidente. A maioria dos indivíduos dessa espécie tem algo como tentáculos unidos que vão da cabeça ao dorso.

Cavalo-marinho do Norte

A maioria da espécie é encontrada na faixa do Peru à Califórnia, EUA. Adultos, podem ter de 12 a 19cm, mas há registros de indivíduos com até 30cm de comprimento (altura, no caso).

Perigo de extinção

Muitas lendas e mitos que envolvem o cavalo-marinho têm levado esse animal à lista de perigo de extinção porque se tornam alvos de pescadores. A medicina milenar chinesa consome indivíduos para manutenção da saúde humana. Mais de 20 milhões de indivíduos servem anualmente às crenças.

Já na Indonésia e nas Filipinas, ele é pescado para ser usado em rituais diversos.

A procura por cavalo-marinho leva pescadores a usar métodos altamente agressivos. Redes, armadilhas e outros instrumentos obrigam o pequeno peixe a buscar locais mais seguros. Como foi visto acima, ele tem dificuldade para nadar. Assim, quando se movimenta por longos períodos, acaba morrendo por exaustão estrutural.

Por outro lado, o cavalo-marinho é elemento importante na cadeia alimentar de outros seres. Arraias, caranguejos, pinguins, peixes diversos precisam deles para sobreviver. Como a população de cavalos-marinhos está diminuindo por conta também de poluição marítima, isso aumenta certamente o perigo de extinção. Além disso, eles próprios são predadores de vermes que, em abundância, vão causar desequilíbrio terrível na vida marítima.

E, se deixarem de existir, muitas outras espécies vão ter problemas para sobreviver. Por isso, a pesca e criação é fiscalizada pela Cites, que significa em Português Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. Porém, países como Japão, Coreia do Sul, Noruega e outros optaram por não se submeter às regras.

Dessa maneira, o perigo para sobrevivência das espécies aumenta sobremaneira.

Então, a existência do cavalo-marinho é de suma importância para a natureza (Poseidon e Netuno que o digam).  Você, que é apreciador consciente de animais, é fonte inesgotável de ações de conscientização de respeito a eles. Comente sobre este artigo em suas redes sociais, converse com seus parentes, fale com amigos.

Sua participação na manutenção da vida é também suma importância.

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