É bastante comum frases em que haja a palavra carrapato ter sempre uma conotação negativa. Não tem jeito. Esse bichinho insuportável irrita tanto a seres humanos quanto a animais, em especial os pets. Como você tem amor incondicional por seu animalzinho, qualquer mal-estar que ele sinta é sentido por você igualmente.

Aliás, até mesmo falar sobre carrapatos já dá certa neura em muita gente. Há pessoas que têm tanta aversão por carrapatos quanto outras têm aversão por baratas e cobras. Afinal, são feios, grosseiros e inconvenientes. E baratas também.

E causa doenças – dependendo do tipo, até mesmo fatais. Neste contexto, não conversar ou não falar sobre carrapato pode ser água divisora entre sua saúde e algumas doenças.

O tema deste artigo se refere à saúde de seu pet e, por extensão, a sua saúde também. Neste caso, como a gente sempre diz quando posta textos semelhantes, convém consultar um veterinário competente para orientar adequadamente qualquer ação discutida aqui. Ele é o profissional ideal para dizer o que deve ou não ser feito. Sempre.

O que é o bendito carrapato?

Se alguém pergunta isso a você, é quase certo que vai responder “é um insetozinho sanguessuga que agarra na carne dos animais”. Bem, a coisa não é tão simples assim. Começa pelo fato de que nem mesmo é um inseto.

Não se assuste, mas, se você for aracnófobo (isto é, se tiver fobia por animais peçonhentos), vai ter ranço por carrapato. Em verdade, ele é um ectoparasita parente das aranhas. Ou seja: ele é aracnídeo. Venhamos e convenhamos, só poderia ser mesmo!

Nesse caso, o carrapato é um artrópode, que são seres que apresentam patas instaladas diretamente no tronco. A classe a que pertence é a Arachnida – olhe as aranhas aqui novamente – do tipo hematófago, ou seja, alimentam-se de sangue animal (“hemato” = “sangue”; “fago” = “sistema de alimentação”). Suas vítimas podem ser aves, mamíferos, répteis etc. Basta ter sangue.

O bom da coisa é que o safado tem tanta gana por sangue que pode ingerir quantidade suficiente para estourar. Estourar mesmo, não é metáfora ou maneira de dizer.

Se você parar para observar bem de perto – se não for aracnófobo, claro –, vai notar que é mesmo muito parecido. Não voa, não salta, tem 4 pares de patas, anda pelas paredes e é aterrador.

Existem mais ou menos 800 espécies. Isto é, existe carrapato de todos os tipos para todos os gostos. (Bem, não dizem que há gosto pra tudo?)

Sempre que possível – e seria o ideal quando não for possível também -, verifique a região atrás das orelhas, entre os dedos, no peito e debaixo dos braços. É onde o carrapato mais gosta de se instalar.

Tão pequeno, o carrapato! Deve ser inofensivo

Você vai confirmar abaixo no capítulo sobre doenças que a ironia no título desse capítulo é quase uma afronta. Afinal, ele não atinge apenas os animais – e são muitos os que ele atinge. Os efeitos de eventual infestação por parte dessas pragas chegam até o sistema econômico de uma região.

  • A ação do carrapato altera valor de peles de animais no comércio
  • Pode surtir efeito na qualidade da carne animal, fazendo resultar inclusive epidemia de doenças na população
  • Em regiões de produção efetiva de leite – bovino ou não -, o carrapato pode interferir na produção diária
  • O valor do animal vivo cai assustadoramente
  • Arranha a imagem de áreas produtivas de animais de consumo ou de entretenimento

O dito popular tamanho não é documento é plenamente aplicável nesse contexto. O moleque pode ser pequeno, mas o estrago que faz é enorme.

Como é o carrapato?

Das 800 espécies mencionadas, a mais comum em cães e gatos é o popularmente conhecido como carrapato marrom, pois tem essa cor. Já a ciência o chama de Rhipicephalus sanguineus.

A esmagadora maioria dos tipos dessa coisa asquerosa apresenta corpo ovalado. O guloso come tanto, como a gente mencionou acima, que de corpo ovalado passa a ter corpo arredondado.

Alguns tipos, como os da família Ixodidae, apresentam o corpo envolvido por carapaça de quitina. Esse material o torna muito resistente mesmo sob esmagamento. Dessa maneira, é alvo constante de pesquisas por parte de biólogos e veterinários. Afinal, representa perigos muito mais fortemente.

Já os da família Argasidae são reconhecidos pela maleabilidade do corpo, pois não dispõem daquela estrutura como defesa. Assim, seu apelido no meio popular é carrapato molenga.

Como ele chega ao pet?

Ou ao ser humano. Sim, ele também pode se instalar em humanos. Ele está no Planeta há 90 milhões de anos. Aliás, recentemente, pesquisadores encontraram fortes indícios genéticos de carrapato em fósseis de dinossauros.

Ou seja, o carrapato não inferniza apenas a vida do animais atuais. Ele também estava nas duras carnes dos animais jurássicos. Isso significa que esse bichinho tem experiência no ato de atazanar a vida da gente.

Além de feio, o benditinho é também sorrateiro. Quando atinge tempo de vida suficiente para consumir sangue animal, ele se instala – ou melhor, se esconde – em folhas de arbustos. Assim que um animal ou humano passa próximo o bastante, ele rapidamente se agarra a pelos e, depois, começa a grudar na pele.

Além de tudo, esse monstrinho é estratégico. Como ele não pula como as pulgas, estica as patas traseiras até o animal e ali se transporta para o novo hospedeiro. Dependendo do tipo de carrapato, ele ou vai começar sua refeição ali mesmo ou vai procurar uma área melhor. Por área melhor, quer-se dizer pele mais fina com algum vaso sanguíneo aparente.

Tudo o que precisa fazer então é abrir espaço e se refestelar no sangue da vítima.

Alguns tipos de carrapato permanecem a vida inteira no mesmo animal; outras ficam por algum tempo durante as fases de desenvolvimento.

Por outro lado, há espécies extremamente resistentes. São capazes de passar muitas semanas sem se alimentar (algumas passam até um ano), aguardando situação favorável. Depois, rasteja em direção ao hospedeiro.

A maioria dos tipos não se importa também com material químico de limpeza. Nesses casos, não julgue que presença de carrapato signifique que você não higieniza sua casa a contento. É que o moleque é mesmo bastante forte.

Reprodução dessa praga e seus estágios de vida

O processo é sexuado, ou seja, há contato de macho e fêmea, e também por partenogênese telítoca. Os machos nascem pelo primeiro processo; as fêmeas, pelo segundo.

Adendo: partenogênese é quando há nascimento por meio de ovos não fecundados. Isto é, a fêmea não é fertilizada e, ainda assim, o embrião cresce e se desenvolve naturalmente.

O carrapato nasce de ovo. Depois, se transforma em larva e é nessa fase que sai à procura de sua primeira vítima. Tão logo se alimenta do sangue do animal, ele o abandona e volta para um refúgio qualquer a fim de esperar a próxima fase, que é chamada de ninfa. O processo se repete: ele retorna para o refúgio assim que se alimenta. Finalmente, chega à fase adulta, quando então busca o hospedeiro definitivamente.

Ele só não depende de algum animal como residência na primeira fase. Nas três seguintes, precisa de sangue para se desenvolver. Como larvas e ninfas, passam entre 4 e 10 dias no hospedeiro em processo alimentar antes de voltar ao refúgio.

A fêmea fecundada procura um local mais ou menos seguro, mal iluminado, normalmente a certa altura (para evitar ataque de aranhas e lagartixas) e não úmido para depor os ovos. Para isso, abandona o hospedeiro por alguns dias e permanece esse tempo sem se alimentar. Cada um deles gera uma larva.

Pasme: são mais ou menos 5 mil ovos – 5 mil novas possibilidades de ele passar a vida sugando sangue alheio.

Onde essa praga está?

Só não estão na Antártida. Quanto ao resto do mundo, esse cara se encontra praticamente onde houver possibilidade de localizar sangue. Inicialmente, ele habita qualquer ambiente enquanto espera por suas vítimas. Madeiras, matagais, terra, lama etc. são alguns dos locais. Está em região rural, urbana, praiana, florestas etc.

Importante: quando você vê um animal infestado por carrapato, convém saber que está se deparando com apenas a mínima parte de toda a população do local. É bem possível que mais de 90% dela estejam escondidos em frestas, tapetes, paredes, chão etc.

Assim, não vai adiantar cuidar apenas do animal. É preciso se preocupar com o ambiente em que ele está.

Doenças transmitidas por carrapato

São diversas as possibilidades. Os sintomas podem ser de simples calafrio à febre altíssima e problemas neurológicos. O carrapato está em segundo lugar na lista dos vetores que transmitem doenças, perdendo apenas para o mosquito.

Adendo: vetores são elementos naturais que difundem micro-organismos causadores de doenças.

Dependendo da estrutura física da vítima e do número de indivíduos parasitas, o carrapato pode causar fraqueza orgânica por conta da quantidade de sangue extraída. Por outro lado, a saliva contém substâncias que originam alergia, irritação ou mesmo inflamação.

Em casos mais graves, provoca alteração na temperatura corporal da vítima; agravando-se, é capaz de paralisar os membros e até levar a óbito.

Lyme

A bactéria Borrelia burgdorferi gera essa doença que pode ser mortal. O micro-organismo entra na corrente sanguínea humana diretamente pela picada do carrapato, sem necessidade de contato com pets infectados.

Essa doença recebeu esse nome porque os primeiros casos – e sua maioria – foram registrados na cidade homônima em Connecticut, EUA.

Febre Hemorrágica

Trata-se de doença viral.

Tularemia

Doença infecciosa da pele, pulmões e olhos muito contagiosa. É rara, sendo mais ou menos identificados 500 casos anuais. A origem da doença é a bactéria Francisella tularensis. Ela se desenvolve em coelhos, roedores etc., mas também pássaros e até peixes.

Quanto ao humano, a bactéria se transmite diretamente pelo carrapato ou mesmo por contato com animais domésticos infectados.

Ehrlichiose

Doença provocada pela bactéria Ehrlichia canis. Produz efeitos em toda a família canina, incluindo chacais. É transmitido, via de regra, pelo conhecido carrapato vermelho.

Febre maculosa

É praticamente restrita a território brasileiro. Seu transmissor é o carrapato estrela, que leva a bactéria Rickettsia rickettsi até o hospedeiro. Tratada tão logo os primeiros sintomas surjam, é possível evitar males maiores, como inflamação cerebral, insuficiência respiratória, paralisia e problemas renais.

Como se livrar ou exterminar o carrapato?

Existem ações preventivas e ações corretivas. Algumas parecem até mesmo óbvias, mas é sempre bom ser lembrado.

Preventivas

  • Havendo possibilidade de existir carrapato em determinado local, proteja-se no caso de não poder evitar passar por ele, especialmente se estiver acompanhado de seu pet
  • Aplique carrapaticida de caráter preventivo eficiente nos pets com determinada frequência
  • Não se sente em solos com histórico de infestação por carrapatos
  • Quando transitar por áreas com histórico de infestação, use calças e camisas manga longa
  • Além disso, não esqueça de aplicar repelentes competentes

Corretivas

  • Mesmo o pet estando infectado, mantenha a higiene dele e do local onde ele dorme durante o tratamento
  • Não se dispuser de substâncias adequadas, aplique glicerina no corpo do animal; isso provoca desconforto no parasita e ele vai se desprender do corpo do pet
  • Dê banhos de imersão no animal. Mantenha-o sob água durante alguns minutos
  • Assim que isso ocorrer, varra a região e reúna os carrapatos, de maneira que possa exterminar a todos de uma vez
  • Repita a operação até ter certeza total de que não haja mais carrapato no seu pet
  • Lembre-se de que não é conveniente aplicar substâncias protetivas ou corretivas apenas no chão e proximidades em que o animal dorme. Carrapatos escalam parede, caminham para buracos em árvores, abrigam-se em brinquedos

Tanto ações corretivas como preventivas precisam ser repetidas algumas vezes. Nesse contexto, paciência e insistência, além de pró-atividade, são elementos adequados na postura do proprietário do pet.

Afinal, não se trata aqui de simples preocupação com a saúde do animal. A saúde da família está também envolvida.

Seu pet vive melhor sem carrapato, claro

Você é proprietário consciente, é apreciador de animais que conhece a fundo a importância de manter o bem-estar deles a todo custo. Assim, mesmo que seu animalmente esteja livre de carrapato, considera transmitir as informações que viu neste artigo para seus conhecidos e parentes.

Assim, você também será um vetor, mas, claro, um vetor do bem. E, se tiver mais dúvidas sobre carrapato ou dispuser de mais informações sobre ele, deixe no campo de comentários logo abaixo.