Qualquer outro roedor de mundo é menor que a capivara e isso está informado em qualquer texto sobre este animal. Por si só, isso já diz muita coisa sobre essa mamífero interessante. Além disso, a capivara está ajudando o ser humano a ver melhor. Como assim? Sim, está ajudando, como você poderá ver mais abaixo.

Entretanto, há muito mais detalhes entre o nosso conhecimento e a capivara do que imagina nossa vã filosofia. São esses detalhes que embelezam a vida selvagem dos bichos. Você quer saber muito mais sobre capivara? Vamos lá.

Capivara: etimologia

Por exemplo, Porco-aquático, porco-da-água, porquinho-da-lagoa, porco-capivara, cachapu, carpincho, trombudo, capincho, beque, cunum, cubu, entre outros, são todos nomes atribuídos ao animal.

O nome “capivara” vem do tupi “kapi’wara”, que significa “comedor de capim”. Por qualquer desses nomes que você chamar a capivara, ela vai entender.

Aliás, o nome científico é Hydrochoerus hydrochaeris. Isso, no idioma grego, significa “porco da água”, justamente. Pertence à família Caviidae e subfamília Hydrochoerinae. Por falar nisso, a capivara consegue ficar por até uns 5 minutos debaixo da água, se refrescando ou apanhando alimentos.

Note: Por mais incrível que pareça, a capivara não está ameaçada. Ou seja, ela não está na lista negra dos órgãos internacionais de proteção de vida animal, como os animais em extinção. E isso é raro, pois a grande maioria dos animais selvagens estão nessa condição de existência.

E não é só isso, a sua carne é bastante consumida em diversos lares do Brasil, pois parece ter sabor muito próximo à do porco. E ainda sua pele é alvo do comércio de couro legal e ilegal. E apesar do baixo ciclo de vida: até uns 10 anos em vida selvagem e até uns 13 em cativeiro, é ainda muito encontrada por aí, em bandos e à solta.

Capivara, um “hermano” antiquíssimo

A capivara é um animal bastante antigo.

A capivara é um animal bastante antigo.


Já no período Mioceno (de 24 milhões e 5 milhões de anos atrás), havia um animal intensamente parecido com a capivara. Os registros fósseis mais antigos datam de quase 10 milhões de anos e foram encontrados na Argentina.

Estudos de tais fósseis indicam que a família ancestral da capivara passou a existir na Patagônia. Ainda por tais estudos, sabe-se que aquele grupo de ancestrais permaneceu em transformação e atingiu o período posterior (Plioceno, 5 milhões e 2,5 milhões de anos).

Assim, o formato corporal semelhante à barril deitado estava muito mais evidente. Naquelas eras, a capivara já tinha hábitos semiaquáticos. Além disso, o comportamento de formação de grupos já estava também instalado. Entretanto, era muito maior que a capivara atual, chegando a quase 200kg de peso.

O dia a dia da capivara

Boa parte do dia da capivara é passada na água. Inclusive quando dorme, como a gente mostra abaixo. E está sempre em bando. Muito raramente você vai encontrar uma delas solitárias. Por outro lado, o bando não é numeroso sempre. Um grupo de tamanho médio contém de 10 a 15 elementos.

Porém, a quantidade de componentes do grupo depende da período do ano. Em tempos chuvosos, há bandos com uns 50 elementos; em tempos de seca, esse número pode dobrar. Essa conduta é estratégia da capivara. Em fases de abundância de água, ela não precisa de muita companhia; em fase de escassez, busca mais elementos porque é mais fácil encontrar água.

E gosta de crepúsculo. Isto é, é bastante ativa ou pela manhã ou ao fim da tarde. Entre esses períodos, está dormitando em lama, como a gente descreve abaixo.

Mas essa conduta não é regra. Em momento de pressentimento de perigo, podem trocar o dia pela noite. De alguma maneira, ela reconhece que a escuridão é mais propícia para se ocultar de adversários famintos.

Onde se vê a capivara

Onde você vir água em ambiente selvagem nas américas do Sul e Central, é quase certo que vai ver também uma capivara. Já no Brasil em especial. Até mesmo ao sul da América do Norte. Ela é perfeitamente adaptável a diversos ambientes, ainda que ambientes modificados pela ação do homem. Aliás, isso tem ajudado muito na manutenção da espécie.

Isso significa que pode inclusive viver em região urbana. Mas precisa haver água, mesmo que seja água em regiões ocasionalmente inundadas. Havendo água, a capivara vai estar por lá. Não é raro se ver indivíduos caminhando em estradas após dias de chuvas cujas águas tenha avançado.

Capivara não apenas gosta de água, mas precisa dela. Sua pele é dura e grossa, mas sensível ao calor. Então, inteligentemente, está sempre perto de lagoas, estuários, rios e até pequenos córregos.

Isso serve para manter a pele umedecida. Aliás, até mesmo dorme próximo à água. É comum se ver uma capivara dormindo em terrenos enlameados nas margens de rios e lagoas. Mas sempre em meio à vegetação aquática, na qual se esconde. É sua maneira de se ocultar de predadores.

Quem manda é o macho

Como a gente viu, a capivara é bastante sociável, já que está sempre acompanhada de outros iguais.

Sabe que, em grupo, os perigos do dia a dia são menos amedrontadores. E, nesse grupo, o macho é quem manda. A propósito, o macho de diferenciado minimamente da fêmea. Este possui uma glândula na extremidade do focinho que não contém pelos.

O bando escolhe o líder democraticamente após uma batalha sangrenta. O vencedor tem a coroa do rei. Uma vez vencida a briga, ele emana seu cheiro característico para marcar seu território.

Interessante: a capivara vive em bando, como dito acima. E, normalmente, é bando familiar, constituído, então, de macho – que é o dominante -, muitas fêmeas e eventualmente seus filhotes. Além disso, outros machos que já foram dominados, vencidos pelo macho dominante, compõem o grupo.

O macho dominante os mantém no grupo como vigilantes, dispondo-os sempre em volta do bando. Assim, podem fazer soar alertas quando qualquer intruso se aproxime ou algum predador estiver à espreita.

Outro fator interessante, é o motivo porque há várias fêmeas para um macho dominante. Este é frequentemente alvo de predação justamente porque é o líder. Além disso, machos que entram na fase adulta são apartados do grupo para se evitar lutas contra o macho dominante. Sem a proteção do grupo, tornam-se presa mais fácil.

Então, a natureza provê o macho dominante de várias fêmeas a fim de que tenha o maior número possível de descendentes. É a inteligência da natureza promovendo programas de preservação animal.

Um porquinho-da-Índia crescido

Essa nossa personagem tem aparência conhecida. Se você jamais viu uma capivara, basta se lembrar do visual do porquinho-da-Índia. Ambos são muito parecidos, apenas há diferenças no tamanho, claro. Então, pense num porquinho-da-Índia maior umas 6 ou 7 vezes.

Pensou? Você está pensando numa capivara. Assim como seus primos menores, também não tem rabinho. Ou rabão, no caso. Bem, pelo menos não tem cauda aparente. As patas são espalmadas, ou seja, contêm palmas. Não exatamente como mãos humanas. Se você olhar de relance, é possível que confunda com pés de galinha, mas com membranas entre os dedos.

Boa na natação

Aliás, são essas membranas que dão aparência de palma. Esse formato é bastante útil no habitat desse mamífero, que é lamacento, de forma que suas patas não afundem facilmente. Por outro lado, como gosta muito de água, isso ajuda nas braçadas no nado.

Outro fato que ajuda bastante enquanto está nadando é o formato da cabeça. É um pouco comprida. E as narinas e os olhos estão na parte mais superior. Assim, pode ver o ambiente e respirar facilmente mesmo ao nadar.

Ainda, ao se manter na água, as orelhas são estiradas para cima, de forma que ficam também acima na linha da água.

De quem a capivara foge

A capivara só come planta, mas serve de comida para animais diversos. Coitadinha! Não persegue ninguém, entretanto, sofre perseguição por todo o dia. A hárpia é a ave que mais azucrina a vida dela.

Já o réptil mais preocupante é o jacaré, seguido pela anaconda; a onça é outro animal louco por capivara.

Uber-capivara

Além de não perseguir ninguém, ainda ajuda. Algumas aves usam a capivara como meio de transporte. E, ainda, meio de transporte estratégico. Elas se posicionam no dorso do animal e, enquanto ele caminha, espanta insetos pousados na grama. Esses insetos servem de alimento para tais aves, que, dali mesmo, apanham os bichinhos em pleno voo.

Além disso, capivaras já foram vistas mostrando a barriga para jaçanãs e gaviões-carrapateiros. Essa posição facilita que as aves arranquem carrapatos dessa região corporal da capivara afim também de se alimentar.

A zoologia e a capivara

A capivara fêmea costuma ser maior que os machos.

A capivara fêmea costuma ser maior que os machos.


Ao contrário de muitos mamíferos, a capivara fêmea é um pouco maior que a capivara macho. Com mais ou menos 1,30m de comprimento do focinho à anca e meio metro de altura, chegam a por volta de 80kg.

A gente já mostrou em muitos artigos aqui do site uma série de mamíferos fortes que são herbívoros. Ou seja, que se alimentam apenas de vegetais, como elefante. Esses artigos são usados constantemente por leitores contrários ao consumo de qualquer tipo de carne animal. Com isso, tais leitores pretendem mostrar que o organismo mamífero não precisa de carne animal para sobreviver.

Nesse caso, este artigo é mais um. Capivara só come planta e nada mais, especialmente gramíneas aquáticas, que estão mais próximas de si. Aliás, isso representa quase 80% de sua alimentação diária. Apesar disso, é forte. Muito forte mesmo.

Em dia normal, ingerem uns 4kg de grama. Entretanto, não dispensam um bons grãos, abóboras, melancias etc.

Interessante: Há glândulas sudoríparas espalhadas pelo corpo da capivara, o que não é comum em mamíferos. Com elas, um indivíduo se comunica com outro a fim de emitir, em especial, mensagens sobre fase de acasalamento. Além disso, registram domínio de território também pelo cheiro.

Recém-nascidos com dentes

A capacidade reprodutiva da capivara fêmea tem início já com um ano de vida. Porém, o macho demora o dobro do tempo para ser capaz de produzir filhotes. O ato é por meio de cobertura do macho sobre a fêmea e normalmente é feito na água.

Antes do ato, a fêmea terá espalhado um cheiro que é horrível à sensibilidade humana, mas bom perfume para machos. É assim que ela diz ao macho que está em fase de cio e que pretende acasalar.

Ela fica grávida por até 120 dias, mas não é raro que esse tempo seja um pouco menor. A ninhada tem 3 filhotes em média, mas pode chegar a 7 ou 8. Estes nascem com uns 2kg de peso, mas, com 18 semanas, alcançam mais de 60kg. Note: chegam a esse peso em menos de 5 meses.

Os filhotes recebem cuidados de todas as fêmeas do grupo, não apenas da fêmea que o pariu. Isso é importante por serem altamente sujeitos a ataques de predadores, especialmente os felinos.

Os filhotes passam de menos de 2kg para mais de 60kg em 18 semanas. Provavelmente isso se dá porque mamam por até 16 semanas de vida e, além disso, ainda pastam. E, provavelmente também por isso, saem do organismo da fêmea já com dentinhos. E dentinhos fortes. E permanentes.

Mecanismo intestinal

O sistema digestivo da capivara foi se constituindo para ser bom consumidor de alimentos fibrosos. Ou seja, plantas. Seu estômago é provido de área em que a massa alimentar é jogada de um lado para outro. Enquanto isso, gases intestinais e enzimas diversas, além de bactérias em geral, fazem a fermentação e quebra da celulose.

Como a gente definiu acima, a capivara é roedora e não ruminante. Apesar disso e por conta do sistema intestinal, é capaz de regurgitar a massa alimentar a fim de continuar o processo de mastigação.

Por outro lado, à primeira vista, um observador vai imaginar que a capivara come seus próprios excrementos. Na verdade, é o que parece quando está investigando seu próprio ânus. Esse processo é chamado coprofagia, cecofagia ou ainda cecotrofia. Ceco é região no fim dos intestinos em que a massa alimentar recebe grande quantidade de nutrientes.

Isso é resultado da ação das bactérias e enzimas. Assim, tão logo a capivara libere a massa alimentar, ingere-a novamente a fim de se beneficiar de tais nutrientes.

Você tem responsabilidades com a capivara

Apesar de não estar em momento de perigo para a preservação de sua espécie, a capivara precisa de ajuda. Afinal, é animal e, como todo animal, depende de ações humanas conscientes. E também apesar de você certamente não ter um capivara em casa, pode ajudar muito. E ela também pode te ajudar muito.

E não apenas servindo de transporte para aves que comem insetos nocivos à saúde humana. Os olhos da capivara guardam boa semelhanças físicas com os olhos dos humanos. Assim, a oftalmologia tem estudado e avançado em pesquisas para melhoria da visão do homem a partir de análises da estrutura ocular da capivara.

Viu? Ela é importante. Se você tiver mais alguma dúvida sobre capivara ou ainda alguma informação interessante, deixe nos comentários abaixo. Nosso site tem dois motivos para existir: os animais e você.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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