in

Calopsita: Tudo o que você precisa saber para cuidar do animal

calopsita

A calopsita é uma ave originária da Austrália e, atualmente, sua presença está disseminada por todas as partes do planeta, já que conquistou muitos admiradores por sua beleza e interação com o humano. O nome “calopsita” tem origem em uma palavra alemã “kakatielje”, que significa ”pequena cacatua”. Seu nome científico é Nymphicus hollandicus.

As calopsitas fazem parte da família dos Psitacídeos, ou seja, aves que se caracterizam pelo bico torto, inteligência excepcional e comportamento extrovertido. É a mesma família das araras, cacatuas, periquitos, papagaios e muitos outros. Assim, graças à essas características, seu porte e facilidade de reprodução em cativeiro, as calopsitas se tornaram as aves pets mais populares na América.

Breve história da Calopsita

A ave começou a ser conhecida pelo mundo por causa de um ornitólogo inglês chamado John Gould. Ele, que foi um autor bem sucedido de livros sobre história natural, visitou a Austrália em 1838 com o objetivo de conhecer sua fauna e realizar ilustrações de aves.

Ao retornar, e divulgar seus livros e ilustrações, encantou seu público com a fauna australiana. Entretanto, uma das aves chamou particularmente a atenção de todos: a Calopsita. Tanto é que John Gould ainda é conhecido por ter sido a primeira pessoa a levar Calopsitas para fora da Austrália, contribuindo, portanto, para divulgação da espécie.

Por volta de 1884, a Calopsita já se encontrava bem estabelecida nos aviários europeus. Todavia, a disseminação maciça dessa ave somente ocorreu a partir do surgimento da primeira mutação de cor, o arlequim. A partir daí, outros padrões de cores foram sendo fixados, ganhando então enorme popularidade, igualando-se, praticamente, àquela do periquito australiano.

Classificação da Calopsita

  • Nome científico: Nymphicus hollandicus
  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Ave
  • Ordem: Psittaciformes
  • Família: Cacatuidae
  • Tamanho: Aproximadamente 30 cm
  • Peso: 85 a 120g
  • Postura: 3 a 7 ovos
  • Incubação: 18 a 23 dias
  • Longevidade: 20 a 25 anos (se for bem cuidada, com dieta balanceada e atividades.

Características Físicas das Calopsitas

A calopsita é uma ave que possui uma crista emplumada.
A calopsita é uma ave que possui uma crista emplumada.

As calopsitas medem geralmente entre 30 e 32 centímetros. São aves de cauda comprida e com uma crista característica, similar às das cacatuas. A sua cor original é o cinza, sendo essa a cor predominante em ambiente selvagem.

A calopsita selvagem possui, de fato, o corpo cinza e a borda das asas brancas. A crista do macho e a da fêmea, todavia, se diferenciam. A crista e cabeça do macho são amarelas, já a da fêmea tem a crista num tom cinza misturado com amarelo e a cabeça normalmente cinza. As bochechas tem marcas circulares avermelhadas, sendo que nas fêmeas essa coloração é mais suave.

Em cativeiro, entretanto, nos últimos anos, surgiram diferentes mutações relacionadas à padrões com herança ligada ao sexo e padrões de cores com herança autossômica.

Padrões de cores com herança ligada ao sexo

São colorações determinadas pelos cromossomos sexuais. Entre esses padrões estão os tipos Canela, Pérola, Lutino e Cara Amarela.

Canela: Bem parecidas ao padrão normal, porém tem uma alteração na quantidade de melanina o que lhes proporciona um tom que se assemelha ao marrom-claro quase canela, característica que conferiu o nome.

Os machos se diferem pouco de fêmeas por terem uma tonalidade um pouco mais forte e cores mais vibrantes. As fêmeas tendem a apresentar a face com mais tom de amarelo. As asas e a cauda podem apresentar mescla de cores. Os pés e bicos são mais claros do que a coloração normal.

Pérola: De forma geral apresenta na cabeça duas manchas vermelhas laterais. A face é amarela salpicada de cinza, a crista amarela e riscada de cinza. As penas das costas podem variar do branco ao amarelo, já as penas das asas são cinza com faixas amarelas. A cauda é amarela, o peito e a barriga listrados de amarelo e cinza.

Lutino: É, sem dúvida, a cor mais popular. Sua cor é predominantemente branca, seus olhos são vermelhos, os pés rosados e possui crista amarela assim como a cabeça. As bochechas são avermelhadas. Possuem tonalidade amarela nas asas e cauda.

Cara amarela: É muito semelhante ao padrão silvestre, entretanto a cor da bochecha é a característica que as diferencia. De fato, nessa mutação, a bochecha é amarela, e não vermelha como na padrão.

Padrões de cores com herança autossômica:

Neste caso, os genes que determinam as cores estão localizados em cromossomos chamados de autossomos. Os padrões são os seguintes: Arlequim, Cara Branca, Fulvo, Prata, Prata Recessivo, Prata Dominante.

Arlequim: Possuem uma coloração mesclada de amarelo com cinza, que podem variar entre indivíduos. As bochechas são avermelhadas, a face e a crista são amarelas.

Cara Branca: Considerada uma variação do Arlequim, já que possui mesclas de cinza com branco. Todavia, o rosto normalmente é inteiro branco ou inteiro cinza e possui cristas cinza. As manchas também dependem de cada calopsita.

Fulvo: Possui similares ao padrão canela, entretanto, devido à menor quantidade de melanina no corpo, são mais claras que esse padrão. No entanto, o amarelo é mais vistoso. Seus olhos costumam ser vermelhos e o peito de uma cor creme.

Padrão Prata: Há duas formas distintas do padrão prata. A recessiva e a dominante. As recessivas são, sem dúvida, mais raras. Seus olhos são vermelhos e o cinza do corpo é prateado. As demais características são iguais a padrão normal.

Na dominante o tom do corpo é prateado pastel. Os olhos são pretos, as penas cinza e as faces e a crista são amarelo forte.

Comportamento da Calopsita

Calopsitas, ao contrário dos parentes maiores, estão mais inclinadas a assobiar do que falar. Entretanto, é possível encontrar indivíduos falantes. Os machos são mais propensos a falar do que as fêmeas, e alguns podem aprender a falar algumas palavras ou frases.

A posição das penas da crista de uma calopsita podem indicar seu humor. De fato, quando eretas, pode significar que a ave está assustada ou curiosa. Quando em posição defensiva, manterá sua crista baixa. Entretanto, quando relaxada, a crista fica levemente retida.

Calopsitas criadas em casa adoram brinquedos que façam barulhinhos e que possam destruir. É importante oferecer, por isso, brinquedos atóxicos e que não os machuquem. Adoram também espelhos e outros ítens que reflitam sua imagem.

Além disso, calopsitas gostam de passear pela casa quando tem essa possibilidade. Fazem isso voando ou caminhando pelo chão. Recomenda-se, portanto, tomar sempre muito cuidado ao andar pela casa para não machuca-la acidentalmente. É bom, também, tomar cuidado com outros animais de estimação na casa, como cães e gatos.

Cuidados básicos e alimentação

A calopsita precisa de alguns cuidados específicos.
A calopsita precisa de alguns cuidados específicos.

Primeiramente, a calopsita precisa de uma gaiola espaçosa o suficiente para acomodar vários poleiros, brinquedos, tigelas de comida e ter espaço de sobra para bater suas asas. Calopsitas são aves sociais e adoram interagir com seu tutor. A maioria adora carinhos, ter companhia e “conversar”.

Saúde

Psitacídeos bem alimentados e abrigados costumam ter ótima saúde. É, sem dúvida, sempre importante fornecer um alimento completo e balanceado às aves de estimação. O ideal é fornecer alimento extrusado pois já tem tudo que a ave precisa. No Brasil temos dois fabricantes muito bons de alimentos extrusados: Nutrópica e Mega Zoo. As duas são empresas sérias e fornecem, portanto, produtos de boa qualidade. Ou seja: alimentos completos, balanceados e formulados por veterinários.

Muitas calopsitas alimentadas com uma dieta a base de sementes, sofrem de desnutrição e deficiências de vitaminas e minerais. Uma dieta de sementes também é rica em gordura, o que pode levar à doença hepática gordurosa.

Uma dieta saudável e com baixo teor de gordura, com o equilíbrio certo de vitaminas, minerais e aminoácidos, pode, portanto, ajudar muito na prevenção de doenças de sua calopsita.

Além disso, é importante oferecer também frutas e verduras frescas. Além de serem fontes de nutrientes e vitaminas, são também fonte de distração já que adoram destruí-las.

Lista de alimentos frescos permitidos

Como falado anteriormente, é importante oferecer às aves alimentos frescos. Recomenda-se, entretanto, lavar bem as frutas e verduras para evitar intoxicações com agrotóxicos e/ou verminoses. Veja uma lista de alguns dos alimentos permitidos:

  • Frutas podem ser oferecidas com exceção do abacate, pois é muito gorduroso e causa intoxicação.
  • Verduras frescas: couve, almeirão, acelga, escarola, brócoli, couve flor, talo de cenoura. Todavia, deve-se evitar alface já que pode provocar diarreia
  • Legumes: cenoura, pepino, jiló, chuchu, abobrinha, abóbora/batata doce cozida
  • Arroz, feijão, lentilha, grão de bico. Entretanto, é recomendável oferecê-los cozidos sem sal, tempero ou óleo. De preferência, oferecer os grãos recém cozidos para evitar produção de gás intestinal excessiva e consequente cólica.
  • Milho verde.
  • Pipoca estourada sem sal
  • Pimentão vermelho ou amarelo
  • Pimenta dedo-de-moça
  • Alho
  • Coco/nozes (1 vez por semana no inverno)
  • Ovo cozido/queijo branco: oferecer 2 vezes por semana

Além disso, é primordial, manter água potável e limpa à vontade no bebedouro.

Alimentos não recomendados

Não é recomendado dar alimentos com cafeína, álcool, chocolate, lanches muito doces ou salgados, alimentos gordurosos, feijões secos ou crus, salsinha, cogumelos, sementes de maçã e pêssego, cebolas. Além disso, é importante ressaltar que o abacate é proibido pois pode causar parada cardíaca imediata e morte.

Outras observações sobre saúde.

É importante mencionar também que aves possuem sistema respiratório delicado. Recomenda-se, de fato, mante-las abrigadas em dias mais frios e evitar choques térmicos. É normal que uma ave espirre algumas vezes por dia para remover a poeira ou resíduos das narinas, que podem ser acompanhados por uma descarga clara. Se o espirro persistir e/ou se a descarga não for clara, entre em contato com o seu veterinário.

Reprodução da Calopsita

A reprodução das calopsitas pode ser realizada a partir do primeiro ano de vida e em qualquer época do ano. Porém, o mais recomendado é realizar entre 2 a 3 ninhadas anuais, com o objetivo de não levar as aves à exaustão.

As calopsitas se reproduzem facilmente na natureza, assim como em cativeiro, o que as torna amplamente disponíveis como animais de estimação a um custo menor do que a maioria das outras espécies de papagaios.

O acasalamento pode gerar entre 4 e 7 ovinhos, e a incubação deles varia entre 15 e 20 dias. Tanto fêmeas quanto machos chocam. Os filhotes devem, enfim, viver com seus pais pelo menos até completarem 60 dias.

Referências Bibliográficas

MSPCA
blog4patas.com.br

Avatar

Written by Dra. Valentina Vecchi (CRMV/SP:21838)

Valentina Vecchi (CRMV/SP: 21838), Médica Veterinária de São Paulo especializada em Acupuntura Veterinária, apaixonada pelos seus pacientes atuais e potenciais. Além de escrever para o Vidanimal, atualmente divide seu tempo atendendo seus pacientes e escrevendo para seus blogs 4Patas Acunputura Veterinária e blog4patas.com.br além de escrever artigos sobre pets para a revista digital “Senhora Atual“.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

centopéia

Centopéia: Tudo sobre esse curioso animal

cao-cane-corso-italiano

Cane Corso Italiano