O Cairn Terrier é o menor dos terriers. Originário da Escócia, é uma raça de cães antes chamados de Skyes terriers de pêlo curto, e foram criados para possuírem habilidades para trabalhar e não para ter uma boa aparência. Seu nome atual foi inspirado em sua função de afugentar pragas e presas escondidas em pilhas de pedras denominadas “Cairns”.

Índice de conteúdo:

Ficha Técnica da raça Cairn Terrier

Origem: Escócia
Data de origem: século XV
Grupo de Raças: FCI Grupo 03 – Cães Terriers / AKC Terrier / UKC Terrier.
Função original: cão trabalhador, caça
Função atual: cão de companhia, esportista
Outros nomes ou apelidos: Cairn
Tamanho: porte pequeno
Altura: Machos de 25 cm a 33 cm / Fêmeas de 23 cm a 30 cm
Peso: Machos de 6 kg a 8 kg / Fêmeas de 5 kg a 7 kg
Cores: todas as variações de cinza, castanho.
Pêlos: duros, lisos e desgrenhados
Manutenção: fácil, escovacões semanais
Expectativa de vida: cerca de 12 a 15 anos.
Filhotes: cerca de 2 a 10 filhotes de Cairn Terrier por cria, padrão de x a x.
Reconhecimento (Canil): APRI / CKC / FCI / AKC / UKC / KCGB / CKC / ANKC / NKC / NZKC / CET / ACR / DRA / NAPR / ACA.

Introdução à raça Cairn Terrier

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Cairn Terrier adulto e seu olhar penetrante irresistível. (Créditos/Copyright: “Por Ina Olars/Shutterstock”)

Cairn Terriers são animais alegres, travessos, cheios de energia e muito ativos que adaptam-se facilmente a famílias que vivem tanto no campo quanto na cidade e cujos membros sejam também ativos. Cairn Terriers possuem pelagem dupla à prova d’água, dura, felpuda e de cores variadas, e o corpo quadrado e robusto.

Pequenino, mas de grande personalidade!

Se você assistiu ao filme “O mágico de Oz” em sua versão original, impossível não ter notado o Cairn Terrier mais famoso do mundo, Toto, o companheiro inseparável da menina Dorothy.

O cachorro que interpretou Toto no filme era uma Cairn fêmea chamada Terry, que possuía todas as características físicas de um típico Cairn: um terrier pequeno, robusto de pelagem desgrenhada, altamente inteligente e confiante. Antes de ser contratada para desempenhar o seu papel como Toto, Terry apareceu em diversos filmes antes de se tornar famosa em “O mágico de Oz”. Terry viveu até os seus 11 anos de idade.

O Cairn é na essência um perfeito cão terrier: valente, espirituoso, atrevido, audacioso, inquisitivo, durão, esperto e ao mesmo tempo desligado. É considerado dócil, apesar de ousado, e não requer muitos cuidados — apenas escovações semanais para manter o caimento de pêlos sob controle.

A raça está sempre alerta e pronta para a ação. Por ser curioso, acaba aprendendo rápido. E como todo terrier, ele é independente e teimoso. Eles precisam saber logo de cara quem está no comando, ou tentarão mandar em tudo.

Treinamento de obediência e socialização desde filhotes são essenciais. Eles costumam atender aos desejos do seu dono e ainda tentam agradar; porém, independente da sua natureza autônoma, o Cairn é surpreendentemente sensível. Seus sentimentos são feridos com facilidade, e ele não responde bem a repreensões duras. Um treinamento gentil, positivo e paciente é o melhor método para ensiná-lo qualquer coisa.

Não há nada que este cãozinho esperto não possa aprender. Com o treinamento adequado, o Cairn pode virar especialista em inúmeros truques e comandos. No entanto, é certamente impossível evitar que um Cairn faça o que todo Terrier mais ama fazer: perseguir, cavar e latir. O Cairn irá perseguir quase tudo que se mova, pequenos animais, gatos e até outros cães, não importa o tamanho deles, se tiverem a chance.

Por esta razão, ele deve estar sempre na coleira quando estiver em locais públicos, e deve apenas correr solto e livremente em locais devidamente cercados. Eles adoram farejar, explorar e caçar por aí.

Eles são capazes de ser excelentes animais de estimação, desde que sejam exercitados fisicamente e estimulados mentalmente todos os dias. Cairn Terriers são alegres, leais, amáveis, sociais e muito afetuosos. São muito divertidos e adoram brincar e entreter crianças, além de serem fortes o suficientes para aguentar brincadeiras mais brutas e ter paciência com o jeito barulhento delas.

Cairns e crianças são perfeitos um para o outro!

Lembrando que crianças não devem ser deixadas sozinhas com cachorros de raça algum, incluindo o Cairn, e adultos responsáveis devem supervisionar sempre a interação entre crianças e cachorros.

Dito isso, o Cairn Terrier é um cão do tipo familiar, capaz de se ser uma companhia maravilhosa para a família inteira. Por isso, ele precisa viver dentro de casa, seja apartamento ou condomínio, na cidade ou no campo, junto à sua família.

Ele prospera com o amor e a atenção que ganha de seus donos, e ficaria muito infeliz se fosse deixado sozinho ou afastado. Ele poderá ficar entediado, o que leva a comportamentos destrutivos e desagradáveis como latir em excesso, cavar ou mastigar.

Cairn Terriers também são muito territoriais e irão proteger o seu território contra estranhos e outros cachorros, mesmo maiores. Costuma soar o alarme quando algo estranho se aproxima. Isto pode ser perigoso, pois embora valente, o Cairn Terrier não é forte o suficiente para conseguir defender a si mesmo ou lutar com cachorros maiores.

O Cairn pode ser pequeno, mas ele é um membro ativo da família que só deseja brincar e brincar, uma excelente escolha para quem deseja uma companhia alerta e independente com uma atitude corajosa em levar a vida.

Origem da raça Cairn Terrier

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Cairn Terrier de pelagem quase toda negra passeando na rua. (Créditos/Copyright: “Por OlgaOvcharenko/Shutterstock”)

Um dos terriers da família de pernas-curtas, o Cairn Terrier foi originado há mais de 200 anos atrás em cerca de 1500s, nas fronteiras da Escócia e da Ilha de Skye, e é um dos terriers originais da Escócia.

Todas as raças na Escócia eram originalmente classificadas como Terrier Escoceses, e até um certo ponto, o Cairn foi considerado a mesma raça que o Terrier Escocês e o West Highland White Terrier. Foi quando em 1873, um novo sistema foi implantado e Terriers Escoceses foram separados em duas classes diferentes: Dandie Dinmont Terriers e Skye Terriers, com o Cairn fazendo parte deste último.

Este mesmo grupo foi dividido mais tarde em Skye Terriers e Terriers de pelo-duro, sendo que os Terriers de pelo-duro foram eventualmente separados entre Escocês, West Highland White e Cairn Terrier. Estes cães tinham as mais variadas cores, variando do branco ao cinza ao castanho, e eram todos considerados Terriers Escoceses quando participavam de exposições. Todos eram diferenciados apenas pelas cores, eas três raças vinham da mesma ninhada.

Um clube foi formado em 1881 para Terriers Escoceses de pelo-duro e as três raças, e um padrão aprovado em 1882. Já ao final do século XIX, criadores de Terriers escoceses passaram a selecionar características diferentes, cores, entre elas. E assim, o West Highland White Terrier se tornou uma raça separada em 1908.

O Cairn já foi chamado de Skye de pelo-curto, depois Cairn Terrier ou apenas Skye e finalmente, em cerca de 1912, Cairn Terrier. Estes cães existiram desde o século XV e eram usados para caças raposas, texugos e lontras.

O Cairn adquiriu este nome pela forma com que se encolhia para dentro de montes de pedras de mesmo nome (“cairns”) e latia para estes animais até que o caçador ou fazendeiro pudesse chegar para matá-los.

“Cairns” eram uma espécie de “grutas ou tocas” de pedras empilhadas onde texugos e raposas costumavam viver, normalmente em montes de pequenas pedras usadas para demarcar fronteiras entre fazendas escocesas e sepulturas.

A raça se tornou bastante popular na Inglaterra, e um pouco menos popular nos Estados Unidos e menos ainda no resto do mundo, mas a sua fama mesmo veio com o filme “O mágico de Oz”, em que um cãozinho da mesma raça protagonizou o papel de Toto, o cão de estimação de Dorothy, a heroína do filme.

Os primeiros Cairn Terriers foram importados para os Estados Unidos em 1913. E tanto nos Estados Unidos, quanto na Inglaterra, o Cairn e o West Highland White foram cruzados entre si até 1917, quando a AKC barrou os registros de qualquer cachorro desses cruzamentos. Neste mesmo ano, a AKC concedeu a adesão do Clube Cairn Terrier da América. A raça foi publicamente apresentada em 1909 e ficou popular depois de 1930. Foi reconhecida pela AKC em 1913. Alguns dos talentos do Cairn incluem: caça, rastreamento, competições de “go-to-ground”, vigia, agilidade, obediência e desempenho dos mais variados truques.

Aparência do Cairn Terrier

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O Cairn Terrier deitado no gramado do jardim em momento relaxado (Créditos/Copyright: “Por OlgaOvcharenko/Shutterstock”)

O Cairn Terrier é um pequeno terrier durão de expressão esperta e ativa. Possui as patas curtas, é mais comprido que alto, mas não tão baixo como o Sealyham ou Terrier escoceses. São de baixa estatura, mas possui uma forte estrutura óssea.

Sua cabeça é larga em proporção ao seu comprimento, mais baixo e mais largo que qualquer outro terrier, possui uma boa força nas mandíbulas. O seu focinho é forte e de comprimento médio, com uma parada bem definida.

Os dentes se encontram em mordida de tesoura ou nivelados. As orelhas são pequenas, pontudas e eretas, cobertas por pelos curtos descabelados. Possuem uma cauda curta e um focinho escuro, com topete e sobrancelhas espessas. Seus olhos são profundos e amendoados.

A sua pelagem é desgrenhada, dupla e à prova d’água, com uma camada externa dura e outra interna macia. A face é peluda como uma raposa. As cores possuem muitas variações, exceto o branco. Podem ser castanho, malhado, areia e vários tons de cinza, muitas vezes com orelhas mais escuras, focinho e ponta da cauda. Sua pelagem também costuma mudar de cor durante vários anos de vida.

Ambiente Ideal para o Cairn Terrier

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Cairn Terrier deitado na grama do seu quintal relaxado e calmo.(Créditos/Copyright: “Por OlgaOvcharenko/Shutterstock”)

O Cairn Terrier pode viver em apartamentos ou lares pequenos desde que seja exercitado de forma adequada. Eles são capazes de se exercitar sozinhos, mas precisam de algum espaço. É ideal que se tenha pelo menos um jardim pequeno, mas também podem ser levados para passear com mais frequência para compensar a falta de espaço. Podem suportar climas temperados do lado de fora, mas necessitam dormir dentro de casa, mais próximos aos donos, e ter acesso ao lado de fora quando desejarem.

Temperamento & Personalidade do Cairn Terrier

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Cairn Terrier no colo do seu dono em momento de carinho e afago. (Créditos/Copyright: “/Shutterstock”)

O temperamento de qualquer cão é afetado por inúmeros fatores, incluindo hereditariedade, treinamento, e socialização. Os filhotes que possuem bons temperamentos costumam ser curiosos e brincalhões, costumam se aproximar das pessoas e gostam de ser carregados por elas. Como todo cão, o Cairn Terrier precisa de socialização desde filhote — o exponha à diferentes pessoas, locais, sons, cenas e experiências. A socialização ajuda a garantir que o seu Cairn Terrier cresça saudável tornando-se um cão bastante sociável.

Em geral, o Cairn Terrier é um cão alerta, animado, alegre, leal, curioso, amável e muito amistoso. Embora independente, o Cairn é bastante devotado à sua família e se sente mais feliz quando faz parte da rotina do seu dono diariamente. Ele ama ficar em casa brincando com as crianças, seguindo todo mundo de um cômodo ao outro, te fazendo companhia onde quer que você esteja.

Eles possuem uma afinidade especial por crianças acima dos seis anos de idade. Cairns são robustos e perdoam algumas brincadeiras mais brutas. No entanto, eles costumam ser sensíveis e não toleram maus tratos.

Eles não gostam de ser repreendidos e ficam magoados quando sentem que não estão felizes com ele. Por isso, é importante protegê-los de crianças que não saibam lidar com cachorros de forma adequada.

O Cairn Terrier adora brincar e ser estimulado mentalmente. É curioso e aprende muito rápido — adoram aprender truques. Só não espere que o Cairn se comporte como um cão de colo só por causa do seu tamanho. Ele pode até lhe fazer companhia calmamente no sofá por alguns minutos, mas ele com certeza terá coisas melhores pra fazer ou lugares para ir.

Esta raça é espirituosa e incansável, está sempre procurando por uma boa aventura. Apenas certifique-se de que isso não envolva cavar o seu jardim — Cairns adoram cavar, é puro instinto terrier. Mas com exercícios mentais e físicos suficientes junto a uma liderança firme, eles podem ser calmos e tranquilos.

Mesmo independente, ele irá escutá-lo se identificar uma liderança firme e uma mente mais forte que a dele. Cairns precisam de donos firmes e de personalidade forte. Eles precisam de treinamento e disciplina, mas não de forma dura. Sem isso, o Cairn pode ficar destrutivo e começar a latir em excesso, simplesmente por solidão ou tédio.

Não permita que ele desenvolva a “Síndrome do Cachorro Pequeno”, comportamentos humanos induzidos em que o cão acredita ser o líder do bando, no caso, sua família. Cairns com esta síndrome desenvolvem todos os tipos de problemas de comportamento em vários níveis, incluindo ansiedade de separação, teimosia excessiva, surtos, rosnar e guarda de locais e objetos.

Qualquer cachorro, não importa o quanto for bonzinho, pode desenvolver níveis de comportamento inadequados, como latir em excesso, cavar, roubar comida e outros comportamentos indesejáveis se estiver entediado, destreinado ou não for supervisionado.

Por isso esta raça deve ser tratada de maneira firme e consistente para evitar estes comportamentos. Se você permitir que eles acreditem estar no comando, você perderá o controle sobre ele.

Problemas podem surgir quando a pessoa não consegue distinguir um comportamento natural canino confundindo com emoções humanas, acabando com um cão que pensa que é o dono da casa. Mesmo sendo uma raça de porte pequeno, a pessoa PRECISA entender e seguir à risca o conceito de como manter um cachorro na linha em casa.

Como todo terrier criado para caçar, ele irá perseguir qualquer animal pequeno, incluindo o gato do vizinho, se tiver a chance. Ele também é capaz de anunciar qualquer visitante ou barulho estranho. Por esta razão, muitos costumam dizer que o Cairn Terrier é o tipo de cão grande em um corpo pequeno. É importante tomar cuidado com isso.

O Cairn Terrier não tem noção do seu tamanho, tamanha é a sua coragem, e não pensará duas vezes em provocar um cão bem maior. Isso não é uma boa atitude, e quase sempre não acaba bem, por isso Cairn Terriers devem ficar sempre na coleira quando não estiverem em locais seguros e cercados.

O Cairn Terrier perfeito não nasce perfeito, ele é produto da sua hereditariedade e criação. Seja lá o que você deseja dele, procure por um que tenha tido pais com boa personalidade e que tenham sido socializados desde filhotes. Qualquer cão pode desenvolver níveis desagradáveis de latidos, cavações e outros comportamentos inadequados se estiver entediado, destreinado ou não supervisionado.

Compre um filhote que tenha sido criado em casa e tenha certeza de que ele foi exposto a diferentes locais e sons, assim como pessoas antes de ir para outro lar. Continue socializando-o sempre levando a casa de amigos e vizinhos, assim como a passeios públicos.

Antes de comprar um filhote, procure saber como escolher o filhote ideal e não deixe de conversar com o seu criador, descreva exatamente o que você procura em um cãozinho, e peça ajuda para escolher um filhote. Os criadores costumam conviver com filhotes todos os dias e podem dar excelentes recomendações uma vez que saibam um pouco sobre o seus estilo de vida e personalidade.

Cuidados e Manutenção do Cairn Terrier

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Cão Cairn Terrier cinzento e o seu olhar meigo e cativante. (Créditos/Copyright: “Por Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock”)

Comece a acostumar o seu Cairn Terrier à ser escovado e examinado desde filhote. Mecha em suas patas com frequência — os cães costumam ser sensíveis com relação às suas patas — e olhe dentro de sua boca e orelhas. Torne essa manutenção uma experiência positiva cheia de elogios e recompensas, e assim você irá construir a base para exames veterinários e idas ao petshop mais fáceis de se lidar. Uma introdução cedo mostra para o independente Cairn que manutenção é um hábito normal da sua vida, e o ensina a aceitar com paciência todo o processo.

Ao checá-lo, procure por machucados, arranhões, feridas ou sinais de infecção como vermelhidão, inchaço, ou inflamação na pele, nas orelhas, nariz, boca, olhos e patas. Este rápido exame pode levar a diagnósticos mais cedo e evitar maiores problemas de saúde.

Escove os seus dentes 2 ou 3 vezes na semana para remover tártaro e bactéria que proliferam dentro da boca – diariamente é ainda melhor para prevenir gengivite e mau hálito e ainda evitar o caimento de dentes precoce.

Corte suas unhas uma ou duas vezes ao mês se não forem gastas naturalmente para evitar lágrimas dolorosas e outros problemas. Se você pode ouvir suas unhas batendo no chão, elas estão longas demais.

Unhas caninas possuem artérias, se você cortá-las demais causará sangramento — e o seu cão pode não querer cooperar nas próximas vezes. Por isso, se você não tiver experiência ou não se sentir confiante para a tarefa, procure ajuda profissional.

Cheque também suas orelhas uma vez por semana por sujeira, vermelhidão ou mau cheiro que possam indicar infecções. Limpe-as semanalmente usando loção de de PH equilibrado para evitar maiores problemas.

Cuidar de um Cairn Terrier não é difícil, e apesar do tamanho pequeno é fácil a sua manutenção. A sua pelagem desgrenhada parece natural, mas na verdade precisa de upkeep e atenção. Se for negligenciada, pode ficar embaraçada, cheias de nós e com má aparência.

Para manter seus pelos saudáveis é necessária uma escovação semanal, retirar os pelos mortos, pelo menos duas vezes por ano, e dar banhos periódicos (a cada 3 meses, ou quando necessário).

Aparar seus pelos também é necessário — apenas para melhorar a sua aparência, e não para estilizar radicalmente seus cachos. Os pelos devem ser aparados ao redor dos seus olhos e orelhas. Aparar profissionalmente duas ou três vezes ao ano é o suficiente.

Banhos muito frequentes não são recomendáveis porque amaciam demais a camada dura de sua pelagem. Embora uma pelagem macia não faz mal a nenhum cão, e é tranquilo para uma animal de estimação, isso acaba tirando a sua personalidade e aparência física exigida em exposições.

Saúde do Cairn Terrier

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Cão Cairn Terrier castanho saudável e feliz. (Créditos/Copyright: “Por Mikkel Bigandt/Shutterstock”)

Sabe-se que cada raça de cachorro tem predisposição a determinadas doenças. O Cairn Terrier, não passa ileso à essa regra. Isso, porém, não significa que todos os indivíduos da raça terão as patologias descritas no artigo, e sim que há chance de desenvolvê-las ao longo da vida.

Por isso, é muito importante que o tutor conheça os riscos de condições de saúde e doenças comuns, para preveni-los ou tratá-los o quanto antes.

Primeiramente, quando decidimos comprar um cão de uma raça específica, é muito importante comprá-los de criadores éticos e responsáveis. Por isso, procure conhecer o trabalho do criador e os pais do seu filhote. Verifique se os pais possuem alguma doença que possa ser eventualmente transmitida à próximas gerações. Questione o criador sobre isso.

Problemas oculares

O Cairn Terrier tem tendência a desenvolver os seguintes distúrbios oculares:

Catarata – O Cairn Terrier possui tendência ao desenvolvimento de catarata herdada ou familiar, portanto, torna-se necessário um controle periódico no veterinário de confiança já que é uma condição que pode ser tratada.

Glaucoma – Doença caracterizada pela elevação da pressão intra-ocular e pela morte de células da retina e do nervo óptico. Pode causar cegueira irreversível. Além disso, provoca vermelhidão nos olhos, aumento de volume do globo ocular, lacrimejamento, edema de córnea e dor.

Distúrbios bucais

Doença Periodontal

A doença periodontal é, certamente, o distúrbio mais comum da cavidade oral de cães, principalmente de pequeno porte. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é, sem dúvida, a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras.

Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

A melhor forma de prevenir esta doença é, portanto, utilizar alimentos, brinquedos e cremes dentais específicos. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Problemas osteoarticulares

Luxação de Patela

Um dos distúrbios ortopédicos mais comuns no Cairn Terrier é, certamente, a luxação de patela. Trata-se de deslocamento da patela (ou rótula) de sua posição anatômica normal, que fica no sulco troclear do fêmur, durante a fase de crescimento e adulta dos cães. A causa pode ser congênita ou traumática.

Em caso de luxação da rótula, a pata afetada poderá elevar-se do solo, ou seja, o pet irá tirar o pé do chão. Esse sinal geralmente costuma aparecer por volta dos 4 meses de idade.

Osteopatia Craniomandibular

Trata-se de uma doença rara que ocorre principalmente em cães jovens. De fato, esta doença é diagnosticada, normalmente, entre os 3 e os 8 meses de idade. Ou seja, quando os cachorros afetados demonstram inflamação da articulação da mandíbula, dificuldade na mastigação, dificuldade em abrir a boca, salivação ou combinação destes sintomas.

Esta doença é auto-limitante. Portanto, até aproximadamente um ano de idade, as alterações de crescimento do osso ficam estagnadas é podem até mesmo regredir.

Doença de Legg-Calvé-Perthes

Cairn Terriers podem apresentar a doença de Legg-Calvé-Perthes, ou necrose asséptica da cabeça do fêmur. Trata-se de uma doença ortopédica que afeta a articulação do quadril de animais em crescimento, especificamente a cabeça do fêmur.

Como o nome indica, caracteriza-se por uma necrose, sem que haja qualquer envolvimento de microrganismos (daí a designação asséptica). A verdadeira causa desta condição, entretanto, permanece desconhecida. Costuma ocorrer em cães entre 4 e 11 meses de idade.

Doenças do fígado

Desvio Portossistêmico Congênito (DPS)

O desvio portossistêmico, ou shunt portossistêmico, é uma anomalia circulatória hepática sem dúvida comum em cães. Trata-se da conexão anormal entre a circulação portal e sistêmica que desvia o fluxo sanguíneo do fígado em variados graus.

Deste modo, substâncias tóxicas e hepatotróficas importantes (oriundas do pâncreas e dos intestinos) são absorvidas e enviadas diretamente para circulação, sem passar pelo fígado.

Esse quadro pode levar, enfim, à atrofia e disfunção do fígado, diminuindo cada vez mais o metabolismo hepático das toxinas intestinais que se acumulam no sangue. O tratamento é cirúrgico.

Sistema urinário

Nefropatia Policística

A doença renal policística caracteriza-se pela presença de cistos, em número e tamanhos variáveis, no tecido renal e já está documentada em Bull Terriers, Cairn Terriers e West Highland White Terriers.

No Cairn Terrier são observáveis cistos tanto nos rins como no fígado. No Bull Terrier os sinais clínicos podem manifestar-se em adultos jovens. Entretanto, no Cairn Terrier e no West Highland White Terrier, os sintomas surgem entre o primeiro e o segundo mês de vida, podendo, todavia, verificar-se a presença de cistos sem qualquer sinal clínico ou biológico.

Doenças endócrinas

Hipotireoidismo

Distúrbio no qual ocorre uma diminuição na produção de hormônios da tireoide. Provoca letargia, enfraquecimento dos pelos, obesidade. Além disso, pode ocorrer também escurecimento da pele.

Diabetes mellitus

Diabetes mellitus é uma doença que pode ser consequência da obesidade. Ocorre quando existe um problema na produção de insulina pelo pâncreas. Se a insulina for insuficiente para processar o açúcar, ocorre um consequente aumento de seus níveis no sangue e urina do cachorro.

É, certamente, mais comum em cães mais velhos, porém nada impede que ocorra antes. Os sinais clínicos mais característicos são:

  • Aumento da ingestão de água;
  • Aumento da quantidade e frequência de urina;
  • Perda de peso.

É uma doença que não tem cura, porém tem tratamento paliativo. É muito importante ter acompanhamento de um médico veterinário para poder fornecer a quantidade correta de alimento e de insulina.

Problemas dermatológicos

Atopia

Trata-se de uma alergia genética e sem cura. Os animais que têm esse problema de saúde podem ser alérgicos à inúmeros alérgenos ambientais que podem ser ingeridos, inalados e até mesmo absorvidos pela pele do cachorro. Entre estes agentes estão o pó, ácaros, alimentos, bolores e pólen.

A atopia afeta cães de todas as idades e sexos, porém costuma se manifestar entre os três primeiros anos de idade do animal. E apesar de lesionar o corpo todo, aparece com mais evidência nas axilas, rosto, orelhas, virilhas, patas, periocular e perianal. Os sintomas podem variar, mas geralmente são:

  • Prurido intenso sem causa aparente;
  • Pele mais escura do que o normal;
  • Queda drástica dos pelos;
  • Pele ressecada, rachada, machucada e descamada;
  • Vermelhidão nas áreas afetadas.

Distúrbios neurológicos

Abiotrofia cerebelar

Considerada uma doença rara, de origem congênita e hereditária. Caracteriza-se por alterações degenerativas e progressivas dos neurônios de Purkinje, que podem ser observadas após o nascimento. Os sinais clínicos podem ocorrer logo após o nascimento ou mais tardiamente, caracterizados principalmente por tremores de intenção, hipermetria, espasticidade, ataxia e crises epiléticas.

Leucodistrofia de Células Globóides

O Cairn Terrier possui predisposição a uma condição hereditária chamada Leucodistrofia de Células Globóides, ou simplesmente Doença de Krabbe. Trata-se de uma doença causada por uma deficiência da enzima β-galactocerebrosidase, que resulta em danos celulares no sistema nervoso central e periférico. Causa ataxia de membros pélvicos que progride para tetraparesia, hipermetria e tremores de cabeça.

Outras observações

Certamente, o Cairn Terrier, assim como todos os outros cachorros, pode desenvolver outras doenças ao longo da vida, mesmo não tendo predisposição racial. Por isso, o acompanhamento do médico veterinário, assim como conhecer bem seu próprio cachorro, é essencial para detectar precocemente a presença de alguma patologia.

A raça pode viver de 12 a 15 anos, o que não quer dizer que ele não possa viver por mais tempo. De fato, qualquer cachorro pode estender a sua longevidade desde que se tomem os devidos cuidados com a sua saúde, como oferecer alimentação completa e balanceada, manter o seu peso controlado e estimular corretamente de forma física e mental.

(Correções e revisões feitas pelo médico(a) veterinário(a) Dra. Valentina Vecchi, CRMV/SP:21838)

Atividade & Exercícios do Cairn Terrier

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Dupla de Cairn Terriers correndo pelo jardim para gastar energia brincando. (Créditos/Copyright: “Por OlgaOvcharenko/Shutterstock”)

O Cairn Terrier é pura energia, por isso deve ter muitas oportunidades para correr, pular e brincar. Eles devem ser levados para dar caminhadas diariamente para gastar toda a sua energia, mas são mais adequados a uma jardim seguramente cercado que tenha espaço para correr. Se tiver a chance, deixe que o seu Cairn Terrier corra em campos abertos, mas certifique-se de que o ele seja treinado a voltar quando for chamado de volta. O Cairn também tem talento para brincar de bola e ainda é capaz de fazer isso por horas.

Brincadeiras também são capazes de suprir suas necessidades de exercícios, no entanto, como toda raça canina, brincar não substitui o seu instinto de caminhar — é importante para o cão que ele exerça esta atividade regularmente.

Cães que não saem para caminhar diariamente são mais suscetíveis a apresentar problemas de comportamento.

Apenas tenha em mente que Cairns precisam de supervisão quando estão ao ar livre por causa do seu instinto de caça e de cavar buracos por ai que pode colocá-los em perigo.

O importante é dar os estímulos certos e mais adequados à raça do seu cachorro. Para entender melhor o que pode ou não pode ser feito em termos de exercícios e estímulos, é preciso saber como estimular a mente do seu cão, e ter sempre em mente quais são os cuidados básicos na hora de exercitar o seu cachorro. Existem diversos motivos para exercitar e estimular o seu cão, mas o mais importante deve ser a saúde física e mental dele, sem falar que um cachorro saudável pode viver por muito mais tempo ao seu lado.

Treinamento do Cairn Terrier

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Cairn Terrier ainda filhote sendo treinado no jardim.(Créditos/Copyright: “Por Svetlana Valoueva/Shutterstock”)

Treinamento e socialização (o processo em que filhotes ou adultos aprendem como ser amistosos e se dar bem com outros cachorros e pessoas) são essenciais para o Cairn Terrier. Comece a treinar o seu filhote no momento que trazê-lo para casa.

Mesmo com 8 semanas de vida ele é capaz de absorver tudo o que você puder ensiná-lo. Não espere até que ele faça 6 meses de idade para começar o seu treinamento ou você terá que lidar com um cachorro muito mais teimoso e difícil de controlar.

Embora o Cairn Terrier seja inteligente e aprenda rapidamente, é preciso lembrar que ele é também independente e teimoso. Treinamento de obediência regular é essencial para ensiná-lo boas maneiras e respeito pela sua autoridade. Não se surpreenda se ele desafiar você — apenas mantenha o treinamento.

Seja positivo, gentil e consistente. O comando “quieto” deve ser um dos seus comandos básicos durante o treinamento. Não deixe o Cairn fora da coleira em locais públicos; ele é capaz de sucumbir a qualquer tentação para sair em perseguição. E não o deixe sozinho no jardim sem supervisão alguma — ele irá cavar, e ele não irá distinguir entre escavar uma área segregada ou seu canteiro inteiro de flores.

O Cairn Terrier precisa de um líder firme, mas nunca duro ou agressivo. Não há razão para gritar com ele ou forçá-lo a nada; ele responderá a esforço positivo na forma de elogio, brincadeiras e recompensas desde que ele saiba que você é quem está no comando. Seja firme e consistente ao lhe pedir algo, e ele irá adorar seguir a sua liderança. Deixe que ele pense que você é fraco, e esse cãozinho corajoso e tenaz irá dominar a todos em casa.

Ao treiná-lo, seu dono deve sempre manter o cachorro ao seu lado ou atrás quando caminhando com ele. O objetivo do treinamento desta raça é obter sucesso no status de líder do bando.

É natural para um cachorro haver uma ordem no seu bando. Quando seres humanos vivem junto a cachorros, nós nos tornamos o seu bando. O bando inteiro deve cooperar sob um único líder; os limites são claramente definidos e as regras são colocadas.

O dono e todos as outras pessoas de seu convívio DEVEM estar em uma ordem acima do cachorro. É a única maneira de se obter sucesso nesta relação. Quando treinado e socializado de maneira adequada, o Cairn Terrier é capaz de ser um excelente cachorro e companheiro da família.

Sem treinamento, supervisão ou níveis apropriados de brincadeiras, ele ficará entediado e irá gastar o seu tempo mastigando, latindo e cavando para manter-se ocupado. Não deixe que isso aconteça! Desafie o seu cérebro — ele possui uma mente excelente — com jogos de quebra-cabeça e sessões de treinamento interessantes e criativas, além de mantê-lo ativo com as caminhadas diárias e horas de divertimento.

Quando o treinamento é divertido, ou seja, mistura técnicas de adestramento com diversão, o resultado é sempre muito mais positivo. Algumas dicas de como se divertir exercitando o seu cachorro poderão ajudar você a treiná-lo brincando. É importante conhecer o seu cão e entender quais são as atividades preferidas do cachorro.

Ensinar o seu cachorro a deitar, sentar e ficar no lugar é vital para o treinamento de um filhote. O treinamento da caixa é algo também fortemente recomendado para o Cairn Terrier.

Não só ajuda no treinamento dentro de casa, mas também serve como um espaço para se acalmar e relaxar, além de evitar que ele saia mastigando tudo por ai enquanto você estiver fora. A caixa é apenas uma ferramenta, não uma jaula, por isso não mantenha-o preso ali por longos períodos. O melhor lugar para o seu Cairn Terrier é sempre com você.

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