Há muitas lendas em torno dos chamados “Cães Leões Sagrados”, “Cães Fu (Foo)”, Leões de Buda, e, em alguns casos, leões de pedra. Na China, no Japão e em outros locais ao redor do mundo para onde muitos chineses migraram, há referências espalhadas por toda parte destes leões guardiões chineses.

Os Cães Leões são poderosos animais míticos que têm sua origem na tradição budista. Acreditava-se que este animal tinha fortes poderes místicos de proteção, sendo símbolo de energia e valor. Por esta razão, tradicionalmente, eram posicionados à frente de Palácios Imperiais Chineses, templos, tumbas imperiais, prédios governamentais, e das casas de oficiais do governo e homens ricos, desde a Dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.) até a queda do Império em 1911 como sinal de proteção. Até hoje ainda se pode ver essas figuras espalhadas por toda parte em alguns países do Oriente-asiático.

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Lhasa Apso no outono (Crédito/Copyright: “ZeeDevil/Shutterstock”)

O leão, curiosamente, não é um animal natural da China; entretanto, leões asiáticos já foram muito comuns na Índia. Tais leões asiáticos encontrados na Índia são os mesmos presentes e representados na cultura chinesa. Na mitologia hindu os cachorros tem um papel significativo.

Sarama – a mãe de cães – auxilia o governante do Céu, com cães que guardavam os portões para a vida após a morte.

Na medida em que o Budismo foi introduzido na China por sacerdotes e monges budistas oriundos da Índia, eles trouxeram consigo estórias sobre os leões asiáticos indianos de pedra guardiões das entradas de templos e monastérios budistas, bem como de palácios reais indianos.

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Cão Pequinês considerado sagrado (Crédito/Copyright: “Rikke/Shutterstock”)

Assim, os escultores chineses modelaram as estátuas dos leões, para serem usadas nas entradas dos seus templos e palácios, a partir de espécies de cachorros nativas da região, como o Lhasa Apso, o Chow Chow, Pequinês, o Pug, entre outros, pois jamais haviam visto um leão verdadeiro em suas vidas na China.

A versão mítica do animal é associada ao Feng Shui, que lhes associa a vigilância, o jogo limpo e a defesa do débil, e são comumente chamados de Leão de Fu, sendo que a palavra “Foo” (佛) significa “felicidade” em chinês; e o termo chinês para designar “Buda”, já que o leão é um animal considerado sagrado por ele. A palavra chinesa para leão é “shi”, uma adaptação do termo indiano em sânscrito “sihn”, que significa “leões auspiciosos”.

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filhote de Pug preto deitado no chão (Crédito/Copyright: “Natalia Fadosova/Shutterstock”)

Existem muitos estilos de leões guardiões, que refletem as influências de diferentes períodos históricos, dinastias imperiais e regiões da China e de outro países asiáticos. Tais estilos variam em seus detalhes artísticos e adornos, bem como na representação dos leões desde ameaçadores até serenos, mas sempre em pares e do sexo masculino e feminino representando yin e yang, ou morte e vida. Seus olhos estão sempre abertos para transmitir proteção contra maus espíritos que queiram violar a tranquilidade do lugar.

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Chow Chow brincando com uma bola em seu quintal (Crédito/Copyright: “dezi/Shutterstock”)

No Tibete, o leão guardião é conhecido como leão da neve, similar ao japonês “shishi”. Em Myanmar, eles são chamados de “Chinthe”, que serviu de inspiração, durante a Segunda Guerra Mundial, para os soldados chamados de “Chindites”. No Japão, existem as Komainu, estátuas de leões encontrados na maioria dos santuários e templos xintoístas espalhados pelo país, servindo como “cães de guarda”, e prevenindo a entrada de más presenças.