Geralmente, quem busca cachorros de raça, deseja cachorros com pedigree. Mas o que é isso afinal de contas?

Cachorros com Pedigree – do que se trata?

Primeiramente, o pedigree é o registro genealógico de um cão de raça pura. No entanto, o documento é fornecido somente aos filhotes de cães que já possuem pedigree. Ou seja, cachorros com pedigree pertencentes à canis filiados à Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC).

No documento devem constar as seguintes informações:

  • Nome do cão;
  • Raça;
  • Nome do criador;
  • Nome do canil;
  • Nome dos pais;
  • Data de nascimento;
  • Dados de sua árvore genealógica até a terceira geração.

O pedigree é, portanto, o documento de identificação do cachorro. Além disso, é também uma forma que a CBKC e demais confederações do sistema da Federation Cynologique Internationale – FCI utilizam para melhorar as raças.

Quando uma ninhada nasce, os criadores devem registrar os filhotes junto ao Kennel Club, uma organização que se preocupa com a criação, registro, exposição e promoção de cães de raça. Cada região tem seu Kennel Club.

Esse controle de registros auxilia os criadores através da documentação atualizada, evitando, assim, problemas relacionados aos animais de estimação, melhorando a raça, evitando a consanguinidade e outros problemas causados por cruzamentos inapropriados. De fato, sabe-se que cruzamentos como esses, podem causar transmissões de doenças e defeitos genéticos, como a displasia coxofemoral e outros.

Existem, no entanto, criadores de má índole que conseguem burlar o sistema. Por isso é tão importante a busca por um criador ético!

O que é FCI?

FCI é a sigla para Federação Cinológica Internacional . Trata-se, portanto, de uma federação de caráter cinófilo fundada em 1911, sediada em Thuin na Bélgica.

Participam desta federação 94 membros em diversos países (um membro por país) e contratantes que expedem, cada um, seus próprios pedigrees e formam seus juízes. A organização reconhece, no total, 344 raças de cães.

De acordo com o clube, cada uma destas raças é “propriedade” de um país específico. Os países “proprietários” das raças descrevem o padrão, em cooperação com as Comissões de Padrões e Ciências da FCI. Além disso, a FCI garante o reconhecimento mútuo dos juízes e pedigrees dentro e entre seus países membros.

No Brasil o representante oficial da FCI é, enfim, a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC).

Grupos de raças aceitas pelo FCI

A FCI divide as raças em 11 categorias:

  • Grupo 1 (cães pastores e boiadeiros);
  • Grupo 2 (pinschers, schnauzers e molossóides);
  • Grupo 3 (cães terriers);
  • Grupo 4 (dachshunds);
  • Grupo 5 (spitz e cães do tipo primitivo);
  • Grupo 6 (farejadores e raças assemelhadas);
  • Grupo 7 (apontadores);
  • Grupo 8 (retrievers, levantadores e cães d’água);
  • Grupo 9 (cães de companhia e brinquedo);
  • Grupo 10 (galgos ou lebréis);
  • Grupo 11 (raças com registro provisório).

Grupo 11 – Raças não Reconhecidas pelo FCI

As raças listadas abaixo são aquelas que não possuem reconhecimento da FCI. No entanto, possuem um padrão descrito.

Akbash
Alano español
Alaskan Klee Kai
American Bully
American Hairless Terrier
Boerboel
Braco de japma
Buldogue campeiro
Buldogue serrano
Bullbras
Buldogue americano
Boca-preta sertanejo
Dogue brasileiro
Galgo da campanha
Griffon barbudo
Hortaya Borzaya
Hound nacional
Kitler
Afghan Kuchi
Leavitt Bulldog
Olde English Bulldogge
Original fila brasileiro
Ovelheiro gaúcho
Pastor americano miniatura
American pit bull terrier
Podengo crioulo
Rastreador brasileiro
Rat terrier
Shorty Bull
Spaniel Russo
Toy Fox Terrier
Veadeiro catarinense
Veadeiro nacional
Veadeiro pampeano

Quem pode entrar com pedido de Pedigree?

Quem possui cães da raça pura, reconhecidas internacionalmente pela FCI ou não (como é o caso do Grupo 11), e que por alguma razão não estão registrados, pode providenciar o certificado de registro (pedigree) desses cães, através do sistema CBKC.

Todavia, é necessário dirigir-se ao Kennel Clube da sua região com o cão e solicitar que os Árbitros credenciados avaliem o animal quanto ao seu enquadramento no padrão da raça e o aprove para a emissão do certificado específico.

Como saber se tenho um cachorro com Pedigree.

Normalmente, ao adquirir um filhote junto a um criador, ele já vem com o documento. Caso o próprio canil não tenha dado entrada no registro do animal, é possível obtê-lo mesmo assim.

Para saber se um cão tem pedigree, o proprietário deve checar se o canil onde obteve o cão está devidamente registrado na CBKC. Por isso, é necessário levar a documentação até o Kennel Club da sua região e verificar a informação.

Filhotes cujos pais já tenham pedigree da CBKC, automaticamente já têm o direito a possuir o registro de raça pura. A partir daí, o proprietário pode se dirigir ao Kennel Club da sua região e dar, portanto, entrada no pedido de registro.

Se um cão de raça pura não tem pais com pedigree, ele pode receber um primeiro registro chamado de Certificado de Pureza Racial (CPR). Esse procedimento deve ser verificado diretamente com o Kennel Clube da sua região. Posteriormente, deverá ocorrer um agendamento para uma avaliação com árbitros da CBKC, que vão verificar se o seu animal está de acordo com o padrão internacional da raça.

Depois que a documentação for entregue, junto com o comprovante de pagamento da taxa administrativa para emissão de pedigree, o Kennel Club tem até 40 dias para enviar o material à CBKC. Uma vez recebidos, a CBKC retorna o documento em até 30 dias.

Cachorros com Pedigree – por que ter esse documento.

Além de possuírem registro, como falamos acima, os cachorros com pedigree, se estiverem de acordo com todos os padrões da raça, podem participar de eventos como exposições e concursos. Além disso, para quem tem interesse em abrir um canil ético e confiável, o pedigree é um documento indispensável.

Outro ponto essencial do Pedigree é que através desse documento é possível conhecer a árvore genealógica do animal e, assim, saber com antecedência sobre eventuais patologias e problemas genéticos.

Criadores éticos JAMAIS devem cruzar animais com problemas genéticos. Animais que apresentam patologias e defeitos genéticos devem ser, portanto, castrados e tratados. Cruzar animais com doenças transmissíveis é uma enorme irresponsabilidade e injustiça.

Além disso, criadores éticos JAMAIS falsificariam um pedigree.

Cachorros com pedigree falsificado

Sabe-se que muitas pessoas tentam, sem dúvida, driblar a lei e a honestidade produzindo documentos falsos. Isso, infelizmente, existe em quase todas as áreas, e a venda de animais, certamente, não poderia ficar de lado.

Existem, de forma geral, quatro formas de falsificar um pedigree.

1.Assim como muitas qualquer outro documento, o Pedigree é passível de falsificação. Basta ter, de fato, um modelo oficial, conhecimentos de informática e uma boa maquina de impressão a laser.

2. Como mencionamos anteriormente, para obter um pedigree, os pais da ninhada devem possuir esse documento. No entanto, muitos criadores mal intencionados acabam juntando ninhadas ou até mesmo comprando ninhadas sem pedigree da mesma raça, e registram filhotes no Kennel Club. Ou seja, no documento, parece que todos os filhotes são irmãos e filhos dos mesmos pais.

3. Outro golpe é aquele aplicado pelo ‘criador’ que vende filhotes com Pedigree opcional. São aqueles casos em que o criador vende sem entregar o Pedigree. Entretanto, ele utiliza o documento para outro cão.

4. Há, enfim, os criadores que mentem ao informar os pais em determinados cruzamentos. Então o que está no Pedigree, na realidade, é uma mentira. Assim, o risco de consanguinidade em futuros cruzamentos e é muito maior. Por isso, muitas raças possuem tantos problemas de origem genética.

Em caso de constatação de Pedigree falso, denuncie! Falsificação é crime. Além disso, entre em contato com a CBKC da sua região e siga as orientações.