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Doença do Carrapato – o que é, como tratar e prevenir.

Fala-se muito sobre doença do carrapato, entretanto muitos não sabe que o carrapato pode transmitir três patologias distintas aos cachorros, e muitas outras aos homens e outras espécies.

Entre as doenças de carrapato mais comuns nos cães, estão:

  • Erliquiose – Doença infecciosa grave, transmitida pela picada de um carrapato infectado, pela bactéria, do gênero Ehrlichia. Causa febre, perda de apetite, perda de peso e vômito.
  • Babesiose – Causada por um protozoário, o Babesia canis. A Babesiose é uma doença transmitida pela picada de um carrapato infectado. Ela invade os glóbulos vermelhos dos cães e multiplica-se, rompendo-os. Febre e anemia são os principais sintomas.
  • Hepatozoonose – É uma doença transmitida por carrapatos, causada por um protozoário do gênero Hepatozoon canis.

Doença do Carrapato – quem é o transmissor?

Parece óbvio responder que quem transmite a doença do carrapato é o carrapato. Entretanto, há diversas famílias e gêneros deste animal, e cada um transmite tipos de patologias diferentes. No cachorro, por exemplo, o maior causador de doenças é o Rhipicephalus sanguineus.

Entendendo melhor o carrapato.

Carrapatos são pequenos aracnídeos ectoparasitas hematófagos. Costumam infestar vertebrados, principalmente mamíferos, aves e répteis.

Há duas famílias de carrapatos:

  • Argasidae – carrapatos de corpo macio, que se alimentam de forma rápida, ficam fixados em um hospedeiro por um curto período de tempo, ou seja, normalmente algumas horas ou menos.
  • Ixodidae – carrapatos de corpo duro que necessitam dias para completar uma alimentação e permanecem firmemente fixados, geralmente a um único hospedeiro, enquanto se alimentam.

Carrapatos da família Ixodidae são divididos, por sua vez, em cinco gêneros:

  • Ixodes,
  • Amblyomma,
  • Dermacentor,
  • Rhipicephalus 
  • Haemaphysalis.

Os carrapatos destes gêneros são responsáveis pela transmissão de patógenos de grande importância para a medicina humana e veterinária. De fato, cada espécie de carrapato dentro destes gêneros é capaz de transmitir múltiplos patógenos, que podem infectar várias espécies, incluindo cães.

Além disso, um único carrapato pode transmitir simultaneamente múltiplos patógenos a um hospedeiro mamífero, durante sua alimentação.

Rhipicefalus sanguineus – biologia do causador da doença do carrapato em cães.

Como foi mencionado anteriormente, o R. sanguineus, conhecido também como Carrapato Marrom, é a espécie mais comum em cães.

Este carrapato está adaptado às áreas urbanas, podendo ser encontrado no interior das residências. A fêmea, para fazer seu ninho, abandona o hospedeiro e procura lugares altos, sem umidade e com baixa luminosidade, como em frestas, rodapés, batentes de porta, atrás de quadros e embaixo de estrados de camas. Este tipo de carrapato não gosta de ficar no chão ou grama.

O ciclo de vida do carrapato possui 4 fases:

  • ovo,
  • larva,
  • ninfa
  • adulto.

No cão podemos ver as fases jovens (larva e ninfa) e adulta. Quando não estão no animal, eles se escondem em “ninhos”, onde passam a maior parte da vida. O carrapato não troca de fase sobre o animal, ele sempre faz isso no ambiente, nos ninhos. Normalmente estes ninhos são próximos de onde o animal dorme.

Ao sair do esconderijo, os carrapatos caminham pelo ambiente a procura de hospedeiros para se alimentarem. É mais fácil encontrar os carrapatos no ambiente, geralmente em paredes ou muros, no amanhecer ou entardecer, pois são momentos em que o clima está fresco.

Os carrapatos são extremamente resistentes, podem ficar semanas escondidos sem se alimentar, aguardando uma condição de clima mais favorável para saírem em busca de alimento. Eles também são resistentes a produtos de limpeza, por isso infestação não é sinônimo de sujeira.

Doenças do Carrapato – quais são?

Como mencionado na introdução do texto, as doenças do carrapato, em cães, são principalmente três: erliquiose, babesiose e hepatozoonose.

Erliquiose

O gênero Ehrlichia tem este nome em homenagem ao microbiologista alemão Paul Ehrlich. A primeira doença ‘erlichiana’ foi reconhecida na África do Sul durante o século XIX. O reconhecimento de sua transmissão por carrapatos foi determinada em 1900.

É uma doença que se distribui mundialmente e ganhou destaque durante a Guerra do Vietnã, já que muitos cães de militares contraíram a doença na época.

A Erliquiose é uma das principais doenças infecto-contagiosas, causada por um hemoparasita da ordem Rickettsiales e do gênero Ehrlichia spp.

Essa doença é conhecida também como pancitopenia canina tropical, tifo canino, febre hemorrágica canina, doença do cão rastreador e, finalmente, doença do carrapato.

Transmissão

Sua transmissão pode ocorrer pela participação de um vetor, o carrapato Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom), ou por transfusão sanguínea.

O carrapato é contaminado quando se alimenta do sangue de um cão portador de Ehrlichia sp. Depois disso, este agente se multiplica no interior do carrapato mantendo-se vivo por até 5 meses. O carrapato, por sua vez, passa a transmitir a Ehrlichia 3 a 5 dias após a sua contaminação.

A transmissão ocorre por inoculação no sangue, quando o carrapato infectado pica um animal sadio, liberando no local da picada secreções salivares que contêm a Ehrlichia sp, infectando, assim, o animal.

Como mencionado anteriormente, pode também ser inoculada no momento de transfusões sanguíneas, através de agulhas ou instrumentais contaminados.

O mesmo carrapato pode transmitir outras enfermidades, como a babesiose e anaplasmose, que podem ocorrer conjuntamente à erliquiose. O período de incubação varia de 7 a 21 dias, e no prazo de 14 a 28 dias, o animal manifesta a fase aguda da doença

Sinais Clínicos

Os cães infectados com E. canis podem desenvolver sinais brandos a intensos ou até mesmo não apresentar sinais, dependendo da fase da doença em que se encontram.

O diagnóstico clínico geralmente não é o suficiente para confirmação da doença, já que os sinais clínicos podem ser inespecíficos. Portanto, há a necessidade de diagnóstico complementar.

Quando se fala sobre sinais clínicos inespecíficos, fala-se sobre sinais que podem ocorrer em muitas outras doenças. De fato, na maioria das vezes, quando um cão é infectado por Erliquiose e apresenta algum sintoma, ocorre um início abrupto com febre, calafrios, mialgia, fraqueza, náuseas, vômitos, tosse.

Apesar de ser uma doença que pode ser bem severa, o tratamento é simples, e consiste na administração de antibióticos. No entanto, deve ser detectada o quanto antes para o sucesso do tratamento.

Babesiose

A Babesiose, também conhecida como Piroplasmose ou doença do carrapato, é uma afecção parasitária provocada pelo desenvolvimento de hematozoários do Gênero Babesia, destacando-se a Babesia canis e Babesia gibsoni, como principais espécies envolvidas em casos diagnosticados no Brasil.

A primeira espécie de Babesia foi descoberta em 1888 por Victor Babes, um patologista húngaro. O nome do organismo, portanto, deriva do nome de seu descobridor.

A Babesiose tem sido reconhecida há muito tempo como uma doença do gado (tristeza parasitária bovina) e de outros animais domésticos. No entanto, o primeiro caso humano não foi descrito até 1957, quando um jovem agricultor croata contraiu a doença e morreu alguns dias depois de insuficiência renal.

No final dos anos 1960, os primeiros casos norte-americanos surgiram na ilha de Nantucket, e a doença é agora reconhecida como uma zoonose emergente e ocasional séria nos Estados Unidos.

Relatos, informam que a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1983, no estado de Pernambuco. Desde então, foram registrados outros casos no país, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Transmissão

A transmissão ocorre quando um carrapato infectado pica um animal sadio e, consequentemente, acaba inoculando o hematozoário causador da piroplasmose na corrente sanguínea do cão. A partir desse momento, entra na corrente sanguínea do animal e, enfim, o protozoário penetra nas hemácias (glóbulos vermelhos do sangue).

Já que o protozoário de alimenta dos nutrientes das células e continua se reproduzindo nelas, provoca, com o tempo, uma ruptura das paredes celulares, distribuindo mais agentes no sangue.

Os sinais clínicos, no entanto, dependerão do grau de infestação e de evolução do quadro. Assim que um cachorro é infectado a doença ainda pode levar meses para aparecer, ou seja, um cachorro pode estar infectado pelo protozoário da babesiose sem sinal nenhum da doença, porém, no momento em que sua imunidade cair, a doença se manifestará.

Sinais Clínicos

Os principais sintomas são: anemia, perda de apetite, febre, mucosas pálidas ou ictéricas (amareladas), prostração, problemas na coagulação sanguínea.

Quando detectada no início, através de exames laboratoriais, a babesiose pode ser tratada mais facilmente. No entanto, quando detectada tardiamente, ou seja, quando o animal já parou de se alimentar, o tratamento pode ser mais difícil. De fato, poderá ser necessária a internação do cachorro para alimentação por sonda e, inclusive, a transfusão sanguínea em casos de anemia severa.

Hepatozoonose

Enfim, a última das três doenças do carrapato mais comuns em cães.

A Hepatozoonose é uma doença descrita em vários países. Assim como a Babesiose, também é causada por um protozoário. No entanto, nesse caso,  o responsável é o Hepatozoon canis (H. canis), que acomete principalmente os carnívoros domésticos.

A hepatozoonose canina foi descrita pela primeira vez em 1906 na Índia, causada pelo
microorganismo na ocasião chamado Leukocytozoon canis, hoje conhecido como Hepatozoon.

Transmissão

A transmissão da doença ocorre de forma surpreendente e peculiar. De fato, para que ocorra a infecção, os cães devem ingerir o carrapato contaminado.

Isso acontece principalmente quando o cachorro sente incomodo com a presença do ectoparasita e começa a se coçar e procura arrancar o carrapato com seus dentes.

A infecção, então, é liberada dentro do intestino do animal e circula pelo sangue alcançando regiões como os gânglios linfáticos, a medula óssea, o fígado, os músculos, o baço, dentre outros.

A hepatozoonose atinge todos os tipos de cães, independente da idade, sexo ou raça. No entanto, os filhotes são mais suscetíveis pela fragilidade do sistema imunológico.

É estimado que a taxa de infecção nas áreas urbanas seja de 4,5%, enquanto nas zonas rurais a taxa pode ultrapassar os 30%. Esse problema tem se tornado casa vez mais frequente e preocupante para a Medicina Veterinária, pois para que a doença se manifeste, é preciso contar com a presença de um animal já infectado ou estados de imunossupressão.

Sinais Clínicos

Os sintomas mais comuns são febre, anorexia, perda de peso, descarga ocular, sinais de debilidade crônica e fraqueza dos membros posteriores. Além disso, o animal pode manifestar diarreia hemorrágica, febre, apatia, problemas de apetite e dificuldades para se movimentar devido a dores musculares.

Não existe, no entanto, um medicamento específico para o tratamento dessa doença do carrapato. O veterinário deverá, portanto, avaliar o estado geral do animal antes de optar por um protocolo, já que o estado geral dos órgãos vitais deverá ser considerado. Em casos mais graves, pode ser necessária uma transfusão de sangue.

Como prevenir e evitar a doença do carrapato

Sem dúvida, a prevenção é imprescindível. Para isso, os proprietários de cães e seus veterinários devem trabalhar em conjunto para proporcionar um controle eficaz de carrapatos no meio ambiente e no paciente canino.

O controle de carrapatos não deve ser focado apenas no animal. Deve-se ter em mente que este artrópode permanece também no meio ambiente. Portanto, são necessárias diferentes medidas para evitar infestações e infecções indesejáveis.

Verificação do Ambiente

Como vimos anteriormente, presença de carrapatos no ambiente não é necessariamente sinônimo de falta de higiene. Isso porque o carrapato é um animal que resiste a produtos de limpeza convencionais.

Por isso, é necessário verificar frequentemente as frestas e cantos da residência e área externa da casa promovendo higienização periódica e desinsetização.

Além disso, ao passear com seu cachorro, evite locais com acúmulo de mato.

Cuidados com o animal

Primeiramente, recomenda-se o uso periódico de repelentes e acaricidas. Os cães podem se beneficiar de acaricidas e repelentes administrados tanto sistêmica quanto aplicados sobre a pele.

Uma preocupação com acaricidas sistêmicos é que o carrapato precisa picar a fim de ser exposto ao ingrediente ativo.

No entanto, a recente introdução de acaricidas sistêmicos altamente eficazes tem resultado na reconsideração desta opção para reduzir a exposição à doença transmitida por carrapato e, de fato, os acaricidas sistêmicos têm demonstrado bloquear efetivamente a transmissão de B. canis.

Para isso, são recomendados produtos encontrados facilmente em pet shops como coleiras repelentes, produtos top spot e, principalmente, comprimidos.

No entanto, como cada animal tem uma particularidade e possível sensibilidade, recomendamos que converse com seu médico veterinário de confiança para escolher a melhor forma de prevenção para seu cachorro.

Referências Bibliográficas:

SILVA, I. P. M. – ERLIQUIOSE CANINA – REVISÃO DE LITERATURA . REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – Ano XIII-Número 24 – Janeiro de 2015 – Periódico Semestral

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

D.M. Aguiar, M.G. Ribeiro, W.B. Silva, J.G. Dias Jr, J. Megid, A.C. Paes – Hepatozoonose canina: achados clínico-epidemiológicos em três casos. Arq. Bras. Med.Vet. Zootec., v.56, n.3, p.411-413, 2004

Columbia University Irving Medical Center – Babesiosis

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Sarna Demodécica e Sarcóptica: Qual a diferença?

Sabia que nem toda a sarna é contagiosa? Essa é a principal diferença entre a sarna demodécica e a sarcóptica. Ambas provocam diversos distúrbios dermatológicos, no entanto, uma é contagiosa e tem cura, enquanto a outra não é contagiosa e tem apenas tratamento paliativo.

No geral, os problemas de pele têm características bem parecidas entre eles. Por isso, para saber se o cachorro tem sarna ou outra dermatite, é imprescindível levá-lo ao médico veterinário.

Além disso, existe uma terceira sarna chamada otodécica. No entanto é um tipo de sarna que fica mais localizada como veremos adiante.

Vamos conhecer melhor as diferenças entre as doenças.

Sarna Demodécica, Sarcóptica e Otodécica

Como mencionamos anteriormente, existem diversos tipos de sarna: a sarcóptica, a demodécica e existe também a orodécica que será brevemente descrita.

Sarna Otodécica

A Sarna Otodécica é um tipo de sarna pode ser passada de cachorros para gatos, e vice-versa, com facilidade. No entanto, só atinge os ouvidos dos animais. O ácaro responsável é o Otodectes cynotis e ele não apresenta perigo aos humanos.

Transmissão

A contaminação é muito rápida e pode se dar por um breve contato físico ou em locais infestados por este ácaro. Atinge mais comumente cães, gatos, coelhos e ferrets.

Sinais Clínicos

A doença causa coceira intensa na orelha/ouvido do animal e, de tanto ele coçar, pode acabar ferindo a região. Além da coceira, outro sinal que é, sem dúvida característico, é o acúmulo anormal de cera no local, que pode gerar uma otite.

Diagnóstico

O diagnóstico é possível através da visualização com o otoscópio. A confirmação do diagnóstico de é feita com a visualização do parasita (otodectes cynotis) dentro do ouvido. Além disso, pode ser feita a retirada de um pouco de exsudato como amostra e posterior visualização do mesmo com auxílio de lupa ou microscopia.

Tratamento

O tratamento deve ser feito em todos os animais da casa e no meio ambiente. Nos animais é necessário fazer uma boa limpeza do conduto auditivo retirando todo o material enegrecido para aplicar o medica

Existem medicamentos para instilar dentro do conduto auditivo, injetáveis ou até spot-on (tópico no pescoço).

Sarna Demodécica VS Sarna Sarcóptica

Ao contrário da sarna otodécica, a sarna demodécica e a sarcóptica atingem todo o corpo do animal, provocando lesões na pele e perda de pelos. No entanto, são transmitidas e provocadas por agentes diferentes.

Vamos conhecer as diferenças.

Sarna Demodécica

A sarna demodécica é conhecida também como demodicose ou sarna negra. Trata-se de uma dermatopatia parasitária inflamatória que pode acometer cães e gatos.

É causada por uma proliferação anormal de um ácaro do gênero Demodex, que, no entanto, é considerado parte da fauna cutânea normal dos animais, desde que achados em número baixo.

Apesar de atingir também gatos, a sarna demodécica é mais comum em cães. É uma doença generalizada, crônica e não possui cura. Esse tipo de sarna deve ser, portanto, controlada durante toda a vida do animal.

Etiologia

Como mencionado anteriormente, a sarna demodécica canina é provocada pelo Demodex canis.

Esse ácaro é um habitante natural da pele do animal, no entanto, por motivos ainda desconhecidos, em alguns casos, estes proliferam de uma forma tão acentuada que acabam causando lesões dermatológicas em seus portadores. Acredita-se que anormalidade genéticas e/ou de imunidade, possam provocar ou acentuar esse tipo de alteração.

A sarna demodécica tem forte ligação com componentes hereditários. Porém, existem outros fatores que influenciam diretamente. Animais com imunidade baixa, que passaram por separações, doenças como câncer, gestações ou mesmo cio, são mais suscetíveis à manifestação da doença.

Além disso, algumas raças também são mais propensas se comparado às outras. São elas:

  • Pastor Alemão;
  • Doberman;
  • Dálmata;
  • Boxer;
  • Pug.

No gato, duas espécies de ácaros podem provocar esse tipo de sarna: D.cati e D.criceti.

O ciclo vital do ácaro ocorre no hospedeiro e passa por quatro estágios principais:

  • ovo,
  • larva,
  • ninfa
  • adulto.

Acredita-se que o ciclo demore de 20 a 35 dias para se completar.

Transmissão da sarna demodécica.

A Sarna Demodécica é uma dermatopatia individual, não sendo considerada contagiosa. No entanto, é transmitida de mãe para filho durante os primeiros dias de vida, por meio do contato direto entre os dois.

O ácaro, portanto, não afeta pessoas ou outros animais adultos saudáveis.

Sinais Clínicos

A sarna demodécica pode ser localizada ou generalizada. Quando localizada, ela aparece tipicamente em cães com menos de um ano de idade, com lesões observadas, normalmente,  na cabeça e extremidades.

As lesões são áreas alopécicas que podem ter sinais variáveis de eritema, descamação, piodermatite e prurido. Apenas 10% dos cães apresentam a sarna demodécica generalizada.

A sarna demodécica generalizada é rara em adultos. É considerada como a forma mais grave da doença e se apresenta como uma dermatite crônica que se desenvolve em áreas como a cabeça, pernas e troncos. Os sinais clínicos comuns são:

  • Alopécia;
  • Descamação;
  • Piodermite severa;
  • Hiperpigmentação;
  • Formação de crostas.

Diagnóstico

Para diagnosticar corretamente a Sarna Demodécica, é necessário passar com consulta com o médico veterinário de confiança, já que tudo começa com uma boa anamnese e exame físico.

Primeiramente, sugere-se o raspado cutâneo ou biópsia.

Para descarte de outras doenças que provocam sintomas similares, sugere-se também a inclusão de exames laboratoriais como perfil bioquímico sérico, hemograma e urinálise. Outros testes relacionados a doenças endócrinas podem ser solicitados conforme a necessidade.

Tratamento

A sarna demodécica, principalmente quando localizada, tem tratamento paliativo. Ou seja, infelizmente não tem cura, mas com os devidos cuidados, o animal pode ficar assintomático pelo resto da vida.

Primeiramente deve-se oferecer alimentos de alta qualidade ao animal. Isso ajuda a promover a imunidade, condição essencial para combater o aparecimento das lesões. Além disso, as vitaminas e proteínas contidas em alimentos de alta qualidade, ajudam a manter a saúde da pele e dos pelos.

Em segundo lugar, e não menos importante, deve ser feito o controle dos ácaros através de medicamentos específicos. Veja mais em ‘Remédios para Sarna de cachorro: Como tratar a doença?‘.

Como ainda não é possível prevenir a doença, o ideal é evitar que ela se espalhe ainda mais. Para isso, é recomendado castrar animais portadores da doença.

Sarna Sarcóptica

A Sarna Sarcóptica, conhecida também como escabiose, é uma zoonose. Ou seja, trata-se de uma doença que pode ser transmitida de animais a humanos.

É uma dermatose parasitária causada por ácaros que vivem sobre ou no interior da pele do hospedeiro. As lesões características são provocadas por danos mecânicos provenientes da escavação dos ácaros na pele, substancias pruriginosas ou até mesmo por uma reação de hipersensibilidade desenvolvida contra um ou mais produtos extracelulares do ácaro.

Etiologia

A sarna sarcóptica é uma dermatose extremamente pruriginosa, papulocrostosa causada pelo ácaro epidérmico Sarcoptes scabiei (daí o nome escabiose).

O ácaro adulto é microscópico, possui uma forma grosseiramente circular e se caracteriza por dois pares de pernas curtas craniais (que portam longas hastes não-articuladas com ventosas) e dois pares de pernas rudimentares caudais, que não se estendem além da borda do corpo.

Embora possua preferência por cães, este ácaro pode facilmente afetar gatos e humanos. Entretanto, gatos com esse tipo de doença podem ter também outra doença subjacente, ou seja, a infecção com vírus da imunodeficiência felina.

O parasita possui um ciclo de vida que se completa de 17 a 21 dias, e se divide em quatro estágios: ovo, larva, ninfa e adulto.

Transmissão da sarna sarcóptica.

O Sarcoptes scabiei é suscetível à temperaturas altas e ressecamento, no entanto, consegue viver no ambiente até 21 dias.

Este tipo de sarna é altamente contagiosa e é transmitida principalmente pelo contato direto. Inclusive instrumentos de limpeza podem ser fontes de infecção.

Os ácaros sarcópticos preferem peles com pouco pelame, portanto são mais numerosos nas orelhas, cotovelos e abdome. Com a evolução da doença, os pelos caem e, eventualmente, os ácaros ocupam grandes áreas de pele.

Sinais Clínicos

Primeiramente, o parasita localiza-se na pele dos animais e gera uma dermatite muito pruriginosa e generalizada. O animal apresenta-se, na maioria dos casos, com pequenas crostas hemorrágicas e perda da pelagem nas regiões ventral, axilar, cotovelos, calcanhares e no focinho. No entanto, o quadro clínico pode ser mais abrangente.

A dermatite é acompanhada invariavelmente por produção exagerada de gordura, dando um aspecto e odor “rançoso” ao animal.

Diagnóstico

O diagnóstico da doença de pele faz-se pelo aspecto clínico do animal junto com a confirmação da
presença do ácaro na pele por um exame (raspagem de pele e observação ao microscópio).

Muitas vezes, e apesar do animal ser portador, o ácaro não é encontrado no exame referido. Este fato não deve ser suficiente para excluir esta doença dos diagnósticos possíveis. A resposta positiva à medicação acaricida (destinada a destruir os ácaros) é também diagnóstica.

O aparecimento simultâneo de vários animais com o mesmo problema ajuda a limitar as possibilidades de diagnóstico. No entanto, outras dermatoses parasitárias ou alérgicas devem ser consideradas no diagnóstico diferencial.

Tratamento

O tratamento consiste na medicação acaricida associada a medicação sintomática conforme necessidade. Podem ser, de fato, associadas antibioterapia, terapia para o prurido, banhos anti-sépticos, suplementos nutricionais específicos e outros.

A medicação acaricida pode ser administrada sob a forma injetável (sempre pelo médico veterinário), por banhos medicamentosos ou por via oral. Entretanto, recomenda-se o acompanhamento e indicação de um médico veterinário. Afinal de contas, algumas raças de cães possuem sensibilidade e/ou intolerância a determinados medicamentos.

As melhorias no aspecto do animal são visíveis poucos dias após o início do tratamento e, em regra, a cura completa pode ser conseguida após duas semanas.

Casos graves ou crônicos podem demorar mais tempo devido a dificuldade em reverter as alterações mais profundas que podem ocorrer na pele do animal, como seborréia oleosa, hiperqueratose, hiperpigmentação, ou seja, pele espessa, escura e gordurosa.

É imprescindível isolar os animais doentes. Além disso, deve-se ter muito cuidado ao manipula-los já que a doença é facilmente transmissível. Recomenda-se, portanto, o uso de materiais de proteção como luvas e protetores de roupa descartáveis ao realizar o tratamento.

Além disso, o ambiente contaminado por ácaros deve ser higienizado e tratado com um produto acaricida. Todos os animais co-habitantes devem ser tratados simultaneamente. Neste caso, pode ser útil verificar com seu médico veterinário de confiança a indicação de acaricidas por via oral como forma preventiva e de tratamento.

É possível prevenir a sarna demodécica, sarcóptica ou otodécica?

Sim, é possível prevenir as manifestações da sarna. Sem dúvida, a prevenção é sempre o melhor caminho para poupar sofrimento desnecessário, preocupações e o bolso. Conheça algumas formas de evitar o aparecimento das sarnas:

Mantenha seu cachorro saudável.

O fortalecimento do sistema imunológico do cachorro ajuda, sem dúvida, a conter a ação dos ácaros, impedindo o agravamento da doença. Isso é especialmente importante em portadores da sarna Demodécica, já que costuma reaparecer justamente quando a imunidade do animal está baixa.

Evite contato com animais infectados.

Essa recomendação vale para animais portadores de sarna sarcóptica e otodécica, ou seja, os casos em que a sarna é contagiosa. É muito importante evitar o contato com animais e pessoas infectadas, e evitar locais e objetos contaminados.

Cuidado com a predisposição à doença

Como a sarna Demodécica é pode ser transmitida de mãe para filhote, observe a genética antes de optar pelo cruzamento de cachorros. Recomenda-se a castração dos portadores.

Isolamento.

Caso suspeite que seu cachorro esteja com sarna, recomenda-se isolá-lo e chamar um médico veterinário para iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Higienização

A higienização do local e dos objetos com desinfetante e água quente deve ser realizada corretamente. Além disso, considere descartar alguns materiais como o cobertores, para evitar um novo contágio. Mas, antes disso, lave-os com água fervente.

Lembre-se que, ao ir para o lixo, o material ainda vai entrar em contato com pessoas e animais e pode continuar transmitindo a doença.

Dedetização do ambiente

Essa é uma medida para evitar o contágio dos membros da casa e de outros animais, pois a sarna é facilmente transmitida.

Para isso, trate o ambiente com inseticida e higienize completamente as roupas do cão, caminha e todos os utensílios dele.

Lembre-se que o ácaro é resistente à maioria dos produtos de limpeza. Além disso, devido ao tempo do ciclo de vida e capacidade do ácaro de viver fora do animal, a casa precisa desse tratamento especial por pelo menos quatro semanas.

 

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

FERRARI, M.L.; PRADO, M.O.;SPIGOLON, Z. SARNA SARCÓPTICA EM CÃES – Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008

SANTOS, L.M; MACHADO, J.A.C.; NEVES, M.F. DEMODICOSE CANINA: REVISÃO DE LITERATURA – Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009.

 

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Leishmaniose visceral canina: o que é e como tratar.

No Brasil, a Leishmaniose Visceral Canina é doença de notificação compulsória. Requer, portanto, uma ampla investigação epidemiológica para definir as estratégias de controle.

Existe, de fato, um programa de controle coordenado pelo Ministério da Saúde que tem como objetivo reduzir as taxas de letalidade, grau de morbidade e riscos de transmissão, mediante controle das populações de reservatórios e do vetor, além do diagnóstico e tratamento precoce dos casos humanos da doença.

O que é a Leishmaniose Visceral Canina?

A Leishmaniose Visceral Canina é uma antropozoonose. Ou seja, é uma doença própria de animais, mas pode ser transmitida de maneira acidental para seres humanos.

É causada por um protozoário parasita que é transmitido entre animais (cães, roedores) através da picada de certos tipos de mosquito. Quando o mosquito infectado pica um ser humano, a doença é transmitida para o homem.

O período de incubação varia de 1 mês a 2 ou mais anos. Os sinais clínicos mais frequentes são:

  • Aumento dos gânglios linfáticos,
  • crescimento exagerado das unhas,
  • perda de pelo,
  • úlceras e descamação da pele,
  • emagrecimento,
  • atrofia muscular,
  • sangramento nasal,
  • anemia,
  • alterações dos rins, fígado e articulações.

No entanto, a Leishmaniose canina apresenta diferentes sinais clínicos e diversos graus de gravidade, podendo estar associada a outras doenças concomitantes.

É importante dizer, também, que trata-se de uma doença que pode ser assintomática. Além disso, mesmo quando tratado, o cachorro permanece um reservatório.

Há dois tipos de Leishmaniose:

Outra informação importante, é que há dois tipos de Leishmaniose: a visceral e a tegumentar.

  • Leishmaniose visceral canina- também conhecida como calazar. É a forma mais severa da doença. Além disso, é considerado o terceiro maior assassino parasitário no mundo, depois da malária e da amebíase.
  • Leishmaniose cutânea (ou tegumentar) – forma mais comum de leishmaniose. Caracteriza-se por feridas na pele que se localizam com maior frequência nas partes descobertas do corpo.

Neste artigo, devido a sua gravidade e importância epidemiológica, focaremos na Leishmaniose Visceral Canina.

A importância da Leishmaniose Visceral Canina no Brasil

No Brasil, a leishmaniose visceral canina possui alta incidência e ampla distribuição. A maior preocupação em relação à doença reside na possibilidade de assumir formas graves e letais quando associada ao quadro de má nutrição e infecções concomitantes.

O Brasil responde por 90% dos casos de leishmaniose visceral canina da América Latina. Em 2016, o Ministério da Saúde recebeu 3.626 notificações de casos da doença em humanos e 275 mortes foram registradas em todo o País. Somente no Estado de São Paulo, foram 119 pessoas atingidas pela doença e 11 óbitos.

A transmissão da leishmaniose visceral canina ocorre pela picada do mosquito-palha e afeta principalmente cães, gatos e humanos. É uma doença que leva ao óbito em até 90% dos casos não tratados e, até recentemente, cães infectados eram submetidos à eutanásia por serem hospedeiros do vetor.

Como é transmitida a Leishmaniose Visceral Canina

A Leishmaniose Visceral Canina é uma doença infecciosa zoonótica grave e, como vimos anteriormente, encontra-se em franca expansão para grandes centros urbanos em todo o Brasil.

É causada por espécies do gênero Leishmania, pertencentes ao complexo Leishmania (Leishmania) donovani. No Brasil, o agente etiológico é a L. chagasi, espécie semelhante à L. infantum que é encontrada, por sua vez, em alguns países do Mediterrâneo e da Ásia.

Este parasita é transmitido pela picada da fêmea do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi, este ultimo de ocorrência no estado do Mato Grosso do Sul. Em áreas urbanizadas o cão doméstico é o principal reservatório do parasita.

Os insetos vetores são conhecidos como mosquito palha ou ainda, no interior do estado de São Paulo, como birigui, canguinha ou asa dura. São de habito noturno, ou seja, tem maior atividade durante o entardecer até o amanhecer. Além disso, desenvolvem-se em locais úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica.

A transmissão da doença ocorre quando a fêmea do vetor se alimenta de sangue de um cão infectado. Assim, o parasita se multiplica e desenvolve em seu tubo digestivo, tornando-se, enfim, infectante. Essas formas infectantes da leishmania, no momento da alimentação da fêmea do vetor, serão inoculadas em um novo individuo.

Lutzimyia longipalpis, o inseto transmissor da Leishmaniose Visceral Canina

O mosquito-palha, cujo nome científico é Lutzomyia longipalpis, é um inseto díptero hematófago da subfamília denominada Phlebotominae, subordem Nematocera, família Psychodidae.

Dos gêneros de flebotomíneos, o Lutzomyia é o maior e de mais ampla distribuição geográfica, com representantes desde os Estados Unidos até o norte da Argentina. Além disso, é o principal transmissor da leishmaniose.

Sua a cor é amarelada, possui cabeça com antenas longas, asas grandes, revestidas de cerdas.

Machos e fêmeas possuem algumas diferenças físicas. Os machos, de fato, possuem mandíbulas rudimentares, não sendo capazes de penetrar na pele dos vertebrados e nem de se alimentar de sangue. Os machos são, portanto, fitófogos, enquanto as fêmeas são hematófogas.

O ciclo biológico do L. longipalpis

O ciclo biológico deste inseto se processa no ambiente terrestre e compreende quatro fases de desenvolvimento:

  • ovo,
  • larva (com quatro estágios),
  • pupa
  • adulto.

Após a cópula, as fêmeas colocam seus ovos sobre um substrato úmido no solo e com alto teor de matéria orgânica. Essa escolha, serve para garantir a alimentação das larvas.

Ao eclodirem os ovos, as larvas alimentam-se vorazmente. Desenvolvem-se em média entre 20 a 30 dias, de acordo com as condições do meio ambiente.

Após esse período as larvas de quarto estágio transformam-se em pupas. O período pupal em condições favoráveis tem duração média de uma a duas semanas. No desenvolvimento do ovo ao inseto adulto decorre um período de aproximadamente 30 a 40 dias de acordo com a temperatura.

Em áreas urbanas, os animais domésticos são a principal fonte de alimentação das fêmeas no ambiente doméstico. A longevidade das fêmeas é estimada em 20 dias.

Sinais e sintomas da Leishmaniose Visceral Canina

A maioria dos cães com Leishmaniose, não desenvolve sinais e sintomas clínicos aparentes da doença. Ou seja, na maioria das vezes a doença é assintomática.

No entanto, quando esta se manifesta, os sinais mais característicos são:

  • Feridas (na pele, no focinho, orelhas, articulações e cauda) que demoram a cicatrizar;
  • Descamação e perda de pelos;
  • Crescimento exagerado das unhas, com espessamento e em formato de garras.
  • Problemas oculares, que ocorrem em 80% dos casos. Portanto, sinais como secreções persistentes, piscadas excessivas e incômodo nos olhos, merecem atenção.
  • Nas patas, pode ocorrer infecção (pododermatite). Além disso,  a pele pode se tornar grosseira por excesso de produção da queratina (hiperqueratose dos coxins).
  • Presença de nódulos e caroços. Isso acontece porque o sistema de defesa do organismo age contra o ataque da leishmania. Isso acaba aumentando o volume dos gânglios linfáticos em várias partes do corpo do animal ao mesmo tempo, ou de forma localizada.

Sintomas variáveis da leishmaniose em cães

Além dos sinais e sintomas descritos acima, a leishmaniose visceral canina também possui sintomas variáveis. Ou seja, muitas vezes, o parasita pode prejudicar diversos órgãos internos como rins, fígado, ou mesmo estruturas como o sistema digestivo. Haverá, portanto, sintomas diferentes dependendo dos órgãos afetados.

Entre os sinais mais comuns estão vômito, diarreia, sangramento nas fezes, perda de apetite, desidratação e irregularidade no trato urinário. Quando a medula óssea é atacada, por exemplo, a produção de células sanguíneas diminui. Isso pode gerar anemia e deixá-lo predisposto a novas infecções.

Por conta da incidência no sistema imunológico, o cachorro infectado frequentemente apresenta indícios de outras doenças.

Diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina

Como mencionado anteriormente, muitas vezes o portador da leishmaniose permanece assintomático. Por isso, é de suma importância que o profissional da área esteja atualizado quanto aos métodos de diagnóstico. Inclusive, os exames devem ser de rotina em áreas endêmicas.

Além de ser importante para o tratamento precoce do animal, o diagnostico correto e rápido pode salvar muitas vidas, já que o cachorro infectado torna-se reservatório da doença.

O diagnóstico clínico da leishmaniose visceral canina é difícil de ser realizado devido à variedade de sintomas da doença, que pode ser confundido com muitas doenças como, por exemplo, brucelose, babesiose, toxoplasmose, entre outras.

As alterações laboratoriais encontradas no hemograma, ou nos exames de função renal
ou hepática, são inespecíficos, tornando o diagnóstico laboratorial ou parasitológico
necessários para a confirmação da suspeita.

Os métodos conhecidos atualmente para o diagnóstico da leishmaniose são, portanto, o
diagnóstico clínico, parasitológico, sorológico, imunológico, molecular e cultivo parasitológico.

Os métodos sorológicos que visam a detecção de anticorpos anti-Leishmania são aqueles utilizados principalmente em campanhas de inquéritos epidemiológicos, já que, entre os exames, são os mais precisos, apesar de não serem 100% confiáveis.

Tratamento da Leishmaniose Visceral Canina

A Leishmaniose Visceral Canina é uma doença que não tem cura e representa uma grave ameaça à saúde pública.

Embora não transmitam a doença diretamente a humanos, os cães são o principal reservatório urbano da Leishmania, que infecta pessoas por meio da picada do mosquito-palha. Por isso, o tratamento de animais infectados com medicamentos que não tenham a eficácia comprovada, é proibido no Brasil.

No ano de 2017, os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde aprovaram a comercialização do primeiro medicamento para tratamento da leishmaniose visceral canina: o MilteforanTM, desenvolvido pela Virbac.

A droga, todavia, não cura a doença. No entanto, promove uma grande diminuição na carga parasitária presente no sangue do animal, reduzindo o desenvolvimento dos sinais característicos.

Este tratamento, entretanto, requer monitoramento periódico de um médico veterinário e deverá ser administrado até o fim da vida do animal, assim como devem ser mantidas obrigatoriamente as medidas preventivas.

Todavia, dependendo do quadro de saúde do animal, condição econômica do proprietário e grau de responsabilidade do mesmo, o médico veterinário pode determinar que o medicamento não é uma opção. De fato, o alto custo da droga é outro fator limitante, que pode inviabilizar o tratamento, já que exige acompanhamento veterinário regular e se estende até o fim da vida do animal.

No caso dos animais que não podem ser submetidos ao tratamento, e que não podem permanecer isolados e confinados, é recomendada a eutanásia como forma de prevenção de alastramento da doença.

A medida é prevista no decreto nº 51.838 de 14 de março de 1963, que lista as normas técnicas para o combate às leishmanioses.

Controle e Prevenção

Para evitar a infecção pela leishmaniose visceral canina, os médicos veterinários recomendam a adoção de algumas medidas por parte dos tutores de cães e gatos.

  • Coleiras repelentes: As coleiras com substâncias repelentes estão entre as medidas mais eficientes. A deltametrina é o elemento químico recomendado pela Organização Mundial da Saúde para impedir o contato dos animais com o mosquito transmissor.
  • Barreiras físicas: Revestir janelas e portas de canis ou viveiros com redes e telas é outra medida preventiva eficiente. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de leishmaniose, é recomendável abrigar os animais em seus refúgios após o fim de tarde.
  • Limpeza de locais abertos: Como o mosquito-palha se reproduz em locais com matéria orgânica, é preciso manter quintais limpos e evitar o acúmulo de lixo e água parada. A higiene é uma das melhores medidas de prevenção contra a Leishmaniose. Terrenos abandonados e locais com muitas árvores e sem manutenção devem ser evitados pelos tutores.
  • Exames periódicos: Todas as medidas acima devem ser acompanhadas de consultas regulares ao veterinário. Somente este profissional está capacitado para identificar os sintomas e promover o tratamento recomendado.
  • Por último, mas não menos importante, há recomendação de vacina que, no entanto, ainda gera polêmicas.

Vacina contra Leishmaniose Visceral Canina

A única vacina aprovada pelo MAPA para o controle da doença, chama-se LeishTec. No entanto, apenas animais soronegativos podem ser vacinados. É, portanto, obrigatório o exame sorológico negativo e exame clínico antes da vacinação, certificando que o animal não apresenta nenhum sintoma clínico da doença.

Isso deve-se ao fato que, após a vacina, o animal pode resultar como positivo para leishmaniose nos exames.

Segundo o site do fabricante, Ceva, Em estudo, a Leish-Tech obteve como resultado 96,41% de proteção contra a Leishmaniose Visceral Canina no grupo vacinado, o que corresponde a 71,3% de eficácia vacinal.

A vacinação deve ser feita a partir dos 4 meses de idade. Deverão ser aplicadas 3 doses iniciais com intervalos de 21 dias e posteriormente, deverá ser feito o reforço anual, como acontece com todas as outras vacinas.

Além disso, deve ser assinado o certificado de vacinação pelo responsável do cão ao iniciar o protocolo vacinal, individualmente para cada animal, o qual deve ser obtido no site da Leish-Tech pelo médico veterinário. É necessário guardar o certificado por pelo menos 3 anos, por recomendação do MAPA.

Enfim, devido à importância da erradicação da doença no País e ineficiência dos métodos de controle utilizados até hoje, está avançando um projeto de lei que torna obrigatória e gratuita a vacina contra Leishmaniose.

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Confira o Projeto de Lei 1738/2011.

Referências Bibliográficas:

Célia M.F.G., Maria N. M. Leishmaniose visceral no Brasil: quadro atual, desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Epidemiologia

Dotta, S.C.N., Estangari, R.F., Zappa, V. – MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO DA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano VII, Número 12, Jan 2009.

https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/569957-AGRICULTURA-APROVA-VACINACAO-OBRIGATORIA-E-DE-GRACA-CONTRA-LEISHMANIOSE-ANIMAL.html

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Remédios para Sarna de cachorro: como tratar a doença?

Sarna é o nome que se dá a uma série de doenças provocadas por ácaros, que podem acometer animais de estimação e, dependendo do tipo de sarna, até mesmo o homem. No entanto, o cachorro continua sendo a vítima mais frequente destas dermatoses. Qual seriam então os remédios para sarna de cachorro mais indicados?

Sarna Demodécica, Sarcóptica e Otodécica

No texto ‘Sarna demodécica e Sarcóptica: Qual a diferença?‘ é possível aprender mais sobre os três tipos de sarnas que acometem os cachorros, ou seja, a Sarna Otodécica, a Sarcóptica e Demodécica.

No entanto, é importante explicar as principais diferenças entre elas.

Sarna Otodécica

A Sarna Otodécica é um tipo de sarna pode ser passada de cachorros para gatos, e vice-versa, com facilidade. No entanto, só atinge os ouvidos dos animais. O ácaro responsável é o Otodectes cynotis e ele não apresenta perigo aos humanos.

A doença causa coceira intensa na orelha/ouvido do animal e, de tanto ele coçar, pode acabar ferindo a região. Além da coceira, outro sinal que é, sem dúvida característico, é o acúmulo anormal de cera no local, que pode gerar uma otite.

Sarna Demodécica

Conhecida também como demodicose ou sarna negra. Trata-se de uma dermatopatia parasitária inflamatória que pode acometer cães e gatos.

É causada por uma proliferação anormal de um ácaro do gênero Demodex, que, no entanto, é considerado parte da fauna cutânea normal dos animais, desde que achados em número baixo.

Apesar de atingir também gatos, a sarna demodécica é mais comum em cães. É uma doença generalizada, crônica e não possui cura. Esse tipo de sarna deve ser, portanto, controlada durante toda a vida do animal.

É transmitida de mãe para filho durante os primeiros dias de vida, por meio do contato direto entre os dois. O ácaro, portanto, não afeta pessoas ou outros animais adultos saudáveis.

A sarna demodécica pode ser localizada ou generalizada. Quando localizada, ela aparece tipicamente em cães com menos de um ano de idade, com lesões observadas, normalmente,  na cabeça e extremidades.

As lesões são áreas alopécicas que podem ter sinais variáveis de eritema, descamação, piodermatite e prurido.

Sarna Sarcóptica

A Sarna Sarcóptica, conhecida também como escabiose, é uma zoonose. Ou seja, trata-se de uma doença que pode ser transmitida de animais a humanos.

É uma dermatose parasitária causada por ácaros que vivem sobre ou no interior da pele do hospedeiro. Este tipo de sarna é altamente contagiosa e é transmitida principalmente pelo contato direto. Inclusive instrumentos de limpeza podem ser fontes de infecção.

Os ácaros sarcópticos preferem peles com pouco pelame, portanto são mais numerosos nas orelhas, cotovelos e abdome. Com a evolução da doença, os pelos caem e, eventualmente, os ácaros ocupam grandes áreas de pele.

O animal apresenta prurido intenso e, na maioria dos casos, com pequenas crostas hemorrágicas e perda da pelagem nas regiões ventral, axilar, cotovelos, calcanhares e no focinho. No entanto, o quadro clínico pode ser mais abrangente.

A dermatite é acompanhada invariavelmente por produção exagerada de gordura, dando um aspecto e odor “rançoso” ao animal.

Remédios para sarna de cachorro. Qual escolher?

Hoje em dia, o mercado de remédios para sarna de cachorro é enorme. De fato, existem várias opções de remédio para sarna canina.

Existem diferentes tipos de medicamentos: comprimidos, medicamentos injetáveis, sprays tópicos, pour on, pomadas e inclusive produtos para banhos como sabonetes com ação antisséptica específicos para cães com sarnas.

O remédio para sarna de cachorro ideal, evita o contágio em outros animais e reduz o incômodo da coceira e das feridas. No entanto, é imprescindível que o tratamento seja recomendado pelo médico veterinário. Isso porque alguns dos medicamentos indicados para a sarna canina podem ser tóxicos para determinadas raças de cachorro.

Além disso, o veterinário deverá avaliar a condição clínica do animal, condição da moradia, e principalmente, deverá diagnosticar o tipo de sarna para obter sucesso no tratamento.

O tratamento, de fato, varia de acordo com o tipo da doença e a gravidade. Entre as terapias mais comuns estão os banhos com shampoos e sabonetes especiais e remédio para sarna de cachorro com aplicação tópica, podendo ser cremes, pomada, sprays e aerossol.

Alguns casos, exigem a utilização de remédio para sarna de cachorro via oral ou injetável.

Prevenção é o melhor remédio para sarna de cachorro

Com alguns cuidados, é possível prevenir o aparecimento das sarnas. Sem dúvida, a prevenção é sempre o melhor caminho para poupar sofrimento desnecessário, preocupações e o bolso.

Para isso, podem ser utilizados, em conjunto, remédios para sarna de cachorro comercializados em pet shops e atitudes preventivas.

Comprimidos

É muito importante utilizar remédios para sarna de cachorro em modo preventivo. Há, hoje em dia, uma série de comprimidos de última geração que funcionam como antipulgas e sarnicidas. Pergunte ao seu veterinário de confiança sobre isso. Ele irá avaliar o caso e, certamente, indicar o melhor tipo e marca para seu cachorro.

Hoje em dia, no mercado há duas marcas de comprimidos que prometem o tratamento e prevenção de sarnas: Bravecto e Simparic.

Pour on

Medicamentos Pour on são aqueles vendidos em pipetas cujo conteúdo deve ser derramado na nuca do animal. No entanto, alguns cães podem ter reações alérgicas a esses produtos.

Alguns pour-on encontrados no mercado, são eficientes no tratamento e prevenção de sarnas e outros ectoparasitas.

Coleiras anti sarna

Outra forma preventiva eficiente se dá através do uso de coleiras como a Preventic, do fabricante Virbac. Trata-se, de fato, de uma coleira que protege o animal contra a infestação por carrapatos. Além disso é adjuvante no tratamento e controle da sarna demodécica.

Atitudes preventivas

Mantenha seu cachorro saudável.

O fortalecimento do sistema imunológico do cachorro ajuda, sem dúvida, a conter a ação dos ácaros, impedindo o agravamento da doença. Isso é especialmente importante em portadores da sarna Demodécica, já que costuma reaparecer justamente quando a imunidade do animal está baixa.

Evite contato com animais infectados.

Essa recomendação vale para animais portadores de sarna sarcóptica e otodécica, ou seja, os casos em que a sarna é contagiosa. É muito importante evitar o contato com animais e pessoas infectadas, e evitar locais e objetos contaminados.

Cuidado com a predisposição à doença

Como a sarna Demodécica pode ser transmitida de mãe para filhote, observe a genética antes de optar pelo cruzamento de cachorros. Recomenda-se a castração dos portadores.

Isolamento.

Caso suspeite que seu cachorro esteja com sarna sarcóptica ou otodécica, recomenda-se isolá-lo e chamar um médico veterinário para iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Higienização

A higienização do local e dos objetos com desinfetante e água quente deve ser realizada corretamente. Além disso, considere descartar alguns materiais como o cobertores, para evitar um novo contágio. Mas, antes disso, lave-os com água fervente.

Lembre-se que, ao ir para o lixo, o material ainda vai entrar em contato com pessoas e animais e pode continuar transmitindo a doença.

Dedetização do ambiente

Essa é uma medida para evitar o contágio dos membros da casa e de outros animais, pois a sarna é facilmente transmitida.

Para isso, trate o ambiente com inseticida e higienize completamente as roupas do cão, caminha e todos os utensílios dele.

Lembre-se que o ácaro é resistente à maioria dos produtos de limpeza. Além disso, devido ao tempo do ciclo de vida e capacidade do ácaro de viver fora do animal, a casa precisa desse tratamento especial por pelo menos quatro semanas.

Considerações finais sobre remédios para sarna de cachorro.

Por mais que seja sentador, nunca trate um animal sem ter conhecimento da doença ou das sensibilidades individuais. Por isso, sempre consulte um médico veterinário.

Recomendações erradas podem acabar provocando problemas muito maiores. Um exemplo disso é o uso indevido da Ivermectina. Esse é um medicamento que é muito utilizado por ser eficiente e de baixo custo, e é indicado também como remédio para sarna de cachorro. No entanto, não pode ser usada em cães das raças Collie, Pastor de Shetland, Border Collie, Sheepdog, Bearded Collie, Pastor Australiano e seus cruzamentos. Cães dessas raças, podem, de fato, vir a óbito se utilizarem esse medicamento.

Ao comprar ou adotar um animal de estimação, a qualidade de vida e saúde deste se tornam de sua responsabilidade. Por isso, procure sempre proporcionar o diagnóstico e tratamento correto. Dessa forma, o problema poderá ser resolvido de forma mais rápida e em segurança.

 

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

FERRARI, M.L.; PRADO, M.O.;SPIGOLON, Z. SARNA SARCÓPTICA EM CÃES – Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008

SANTOS, L.M; MACHADO, J.A.C.; NEVES, M.F. DEMODICOSE CANINA: REVISÃO DE LITERATURA – Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009.

 

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Tosse seca em cachorro: quais as principais causas?

Primeiramente, é importante esclarecer que a tosse seca em cachorro é uma reação do corpo a algum processo de irritação das vias aéreas ou respiratórias. Essa irritação, no entanto, pode ser provocada por diversos fatores como episódios alérgicos, agentes infecciosos ou até mesmo algum problema cardíaco.

Portanto, ao perceber tosse seca no cachorro, o tutor deve observar alguns fatores. Entre eles é importante avaliar:

  • A frequência,
  • Tipo de tosse – tosse seca ou produtiva? Com presença de sangue, pus ou catarro?
  • Presença de febre,
  • Nível de cansaço,
  • Falta de ar e inchaço nas vias respiratórias.

Além disso, é importante distinguir uma tosse de um engasgo, espirro, chiado, entre outros, para ajudar seu veterinário na hora do diagnóstico.

Tosse seca em cachorro – Quais são os problemas que afetam as vias respiratórias.

A tosse seca em cachorro pode ser provocada por alguns fatores como:

  • Obstruções;
  • Lesões provocadas por mordidas ou atropelamentos;
  • Mau uso de enforcadores;
  • Latidos persistentes.

Os fatores mencionados acima provocam, sem dúvida, algum tipo de trauma nas vias respiratórias dos cães e consequente irritação. Por isso, podem provocar uma tosse seca em resposta ao trauma. No entanto, há uma série de patologias que também podem provocar a tosse seca. Entre elas, estão:

  • Tosse dos canis;
  • Colapso de Traqueia;
  • Irritação das vias respiratórias;
  • Fibrose Pulmonar;
  • Doença Cardíaca;
  • Neoplasia Pulmonar.

Tosse dos Canis – uma das causas mais comuns de tosse seca em cachorro.

Nas estações mais frias do ano, e com umidade mais baixa há, sem dúvida, um aumento no número de casos de contaminações por Tosse dos Canis.

É importante, no entanto, explicar que a Tosse dos Canis, conhecida também como Gripe Canina, é um complexo de doenças infecciosas altamente contagiosas. Os agentes mais comuns que causam esta condição são: o vírus da parainfluenza, a Bordetella bronchiseptica e o Adenovírus.

Para cães que se infectam com um único agente, a doença é geralmente branda e auto-limitante, ou seja, acaba passando sozinha. Entretanto, permanece alta a ocorrência de infecções causadas por múltiplos agentes, com conseqüente agravamento dos sinais clínicos.

Estas doenças têm em comum o acometimento do trato respiratório causando tosse seca. Além disso, são de fácil contaminação. Por isso, costumam se desenvolver com facilidade em ambientes onde a proximidade entre os cachorros é grande, como nos canis.

A tosse dos canis é transmitida através do ar ou pelo contato com acessórios contaminados (bebedouros, brinquedos, comedouros). Fatores ambientais tais como frio, disposição do canil e umidade são condições que aumentam, e muito, a suscetibilidade à doença.

Agentes causadores da tosse dos canis

Como mencionado anteriormente, a tosse seca é causada principalmente por agentes infecciosos que acometem os cães nas épocas mais frias do ano, ou seja, outono e inverno.

Entre os agentes infecciosos estão o Adenovírus, a Parainfluenza e a Bordetella bronchiseptica.

1. Adenovirus

O adenovírus canino do tipo 2 (CAV-2), é o causador principal da doença chamada ‘Tosse dos Canis’. Essa é uma doença extremamente contagiosa, que pode causar sérios danos ao sistema respiratório do animal, sendo bastante encontrada em aglomerações de cães.

Os principais sinais clínicos desta enfermidade são: tosse seca e intensa, tentativas de vômitos, depressão, resistência ao esforço físico, respiração forçada, apatia.

2. Parainfluenza

A parainfluenza canina é um vírus que pertence à família Paramyxoviridae, e como no caso do adenovírus, é transmitido por via aérea.

Este vírus fixa-se e replica-se nas células que recobrem a traqueia, os brônquios e os bronquíolos, a mucosa nasal e os gânglios linfáticos, causando principalmente um quadro clínico a nível respiratório.

Os sintomas apresentados são coriza, febre, tosse seca, secreções.

3. Bordetella bronchiseptica

Apesar de não ser um fator individual, a Bordetella bronchiseptica é um dos agentes etiológicos primários no complexo ‘tosse dos canis’. Este patógeno, de fato, predispõe cães à influência de outros agentes respiratórios e freqüentemente, há ocorrência simultânea entre eles.

Os sintomas são: tosse seca e severa, vômito e esforço na tentativa de expelir pequena porção de muco da traqueia, pode apresentar febre devido à infecção bacteriana secundária.

Tratamento da Tosse dos Canis

A tosse dos canis geralmente desaparece por si só em cerca de 5 a 12 dias de evolução. O tratamento, todavia, busca aliviar os sintomas da tosse seca e evitar que evolua para uma traqueobronquite com infecção pulmonar.

Por isso, o veterinário irá indicar, muito provavelmente, algum antitussígeno. Poderá indicar também um antibiótico e anti-inflamatório. Além disso, manter o animal hidratado e usar de nebulização com inalador ajuda bastante.

No entanto, recomenda-se uma visita ao médico veterinário para avaliar se a tosse é mesmo de origem infecciosa ou não, já que pode ser sinal de outras patologias como veremos mais para frente.

Prevenindo a Tosse seca de origem infecciosa

As vacinas polivalentes (V8 e V10) contém os antígenos contra a Parainfluenza e Adenovírus. No entanto, não possui proteção contra não contém proteção contra a Bordetella bronchiseptica.

Existem vacinas específicas para esta doença e são consideradas de uso opcional. Os veterinários costumam recomendá-las para animais que vivem em locais aglomerados ou animais debilitados.

Outros fatores que podem provocar tosse seca em cachorros

A tosse seca em cachorros pode ser provocada por outros fatores como defeitos congênitos ou doenças. Vamos conhecer as principais causas da tosse seca em cachorros.

Colapso de Traqueia

O colapso de traqueia em cães é, sem dúvida, um dos principais responsáveis por obstrução parcial das vias aéreas nos pets. A traqueia tem características semelhantes a um túnel formado por arcos firmes que são as cartilagens. Se vistos de trás, os arcos têm formato de “U” com uma membrana fechando firmemente o topo.

Quando as cartilagens amolecem, elas colapsam e fazem com que o interior do túnel diminua. Desta forma, a membrana se torna flácida e bloqueia o interior do túnel.

O animal passa, portanto, a ter dificuldade de levar ar para dentro e fora da traqueia e pulmões durante o processo de respiração. A origem da doença, no entanto, ainda é desconhecida. Mas, o que se sabe é que fatores como a genética, traumas e senilidade podem ter influência direta. Além disso, os sinais costumam aparecer quando os animais estão em uma faixa etária entre 6 e 7 anos.

Alguns sinais são muito comuns de serem observados em casos de colapso de traqueia em cães, como:

  • Engasgos;
  • Tosse crônica;
  • Náuseas e vômitos;
  • Angústia respiratória;
  • Emissão de barulhos ao respirar.
  • Intolerância a exercícios físicos.

Irritação das vias respiratórias

Assim como nós, os cachorros também podem ficar com o sistema respiratório irritado quando houver presença de substancias irritantes no ar. O grau de irritação, todavia, irá depender da sensibilidade do cachorro. No entanto, o sinal mais comum de que o animal está com as vias respiratórias irritadas, é uma tosse seca abrupta. Entre as substancias mais irritantes podemos listar:

  • Fumaça;
  • Cheiro de produtos de limpeza como cândida;
  • Ar muito seco;
  • Presença de alérgenos.

Fibrose Pulmonar

A fibrose pulmonar é uma forma de pneumonia que pode afetar os cães. O desenvolvimento desta doença resulta em inflamação e cicatrização dos pequenos sacos aéreos dos pulmões e do tecido pulmonar.

A cicatrização reativa dos pulmões, por sua vez, resulta em acúmulo de tecido fibrótico, onde o tecido se torna excessivamente espesso, reduzindo a capacidade dos sacos afetados de passar oxigênio para a corrente sanguínea. Portanto, à medida que a doença progride, menos oxigênio do que o normal é passado para os tecidos do corpo quando o cão respira.

Os fatores que iniciam a fibrose pulmonar em cães ainda são desconhecidos. No entanto, fatores hereditários e uma variedade de micro-lesões nos sacos aéreos são suspeitos.

Os principais sintomas são: tosse seca, falta de ar, letargia, cianose (ou seja, as mucosas ficam azuladas por falta de oxigênio), perda de apetite.

Doença Cardíaca

Sabe-se que alguns problemas cardíacos podem ser sinalizados por uma tosse seca. Entre essas doenças, está a Insuficiência Cardíaca Congestiva. Trata-se de uma doença que ocorre quando o coração já não é mais capaz de fornecer a quantidade necessária de sangue ao organismo, ou seja, quando perde sua capacidade de bombear o sangue.

Inicialmente, os sintomas podem ser silenciosos. Entretanto, quando existentes, os cães podem apresentar tosse, dificuldade em respirar, intolerância a exercícios, falta de energia, diminuição do apetite, emagrecimento e desmaios.

Câncer Pulmonar.

Infelizmente, o câncer pulmonar não é uma doença que acomete somente humanos.

O câncer ocorre por proliferação desordenada de células de qualquer tecido do organismo. O pulmão pode ser afetado, principalmente, pela presença de metástase originada de algum câncer em outro órgão, ou ainda pela presença de tumores primários pulmonares.

O cachorro que tiver essa doença, poderá apresentar alguns sintomas inicialmente como tosse seca, dificuldade respiratória e apatia.

Observações finais

Depois de ler esse texto, fica mais fácil entender que uma simples tosse seca pode ser sinal de algo mais grave e, por isso, requer maior atenção.

Verifique, portanto, a frequência da tosse, a qualidade (se produtiva ou seca) e se ocorre em momentos específicos do dia.

Recomendamos sempre a visita ao médico veterinário de confiança para que ele possa fazer exames complementares e descartar eventuais doenças. Entre esses exames, ele poderá solicitar,  RX de tórax e hemograma. Caso seja necessário, outros exames poderão ser solicitados.

Enfim, não deixe de levar o cachorro ao veterinário. A velocidade no atendimento inicial pode, de fato, fazer toda a diferença.

 

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

TAYLOR, D. Animais de Estimação: Cães – Manual Prático Ilustrado. JB Indústrias Gráficas, 1986.

VECCHI, V. Vacinas para cachorros: saiba quando e porque vacinar seu cachorro

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Cio da Cadela Seco ou Silencioso: O que é isso?

O cio da cadela é o estado fisiológico cíclico que se caracteriza por uma série de alterações preparatórias e favoráveis à fecundação e à gestação. O cio da cadela normal passa por 4 fases distintas, no entanto pode ocorrer um fenômeno chamado de cio silencioso ou seco.

Para entender melhor, vamos explicar como funciona o ciclo reprodutor das cadelas.

Cio da cadela – fases do ciclo estral.

Em geral, a cadela tem seu primeiro cio com idades que variam de 6 a 12 meses. O ciclo estral canino, outro nome para cio da cadela, passa por quatro fases distintas que duram em média seis a sete meses: proestro, estro, diestro e anestro.

Proestro

Proestro é a primeira fase do ciclo estral canino, mais conhecido como cio da cadela. É o estágio em que a maioria dos proprietários começa a perceber mudanças no próprio animal.

Esse estágio dura em média 9 dias, mas pode variar de 0 a 27 dias. Nessa fase a cadela apresenta uma alta concentração de estrógeno no seu corpo. Isso faz com que a vulva do animal aumente de tamanho, o cérvix fique dilatado e o endométrio espessado. Nesse momento, pode-se perceber um sangramento na vagina do animal.

A vulva geralmente fica inchada com uma descarga tingida de sangue. A citologia vaginal mostra, nessas fases, tipos mistos de células, geralmente com glóbulos vermelhos.

Além disso, nessa fase os machos começam a mostrar interesse em razão da liberação de feromônios. No entanto, a fêmea não aceita o acasalamento.

Estro

O estro é o estágio em que a fêmea se torna receptiva ao macho. É a fase do cio propriamente dito, que é caracterizado por uma diminuição nos níveis de estrógeno e um aumento nos níveis de progesterona.

Nessa fase, o sangramento cessa, o inchaço da vulva diminui e pode haver a liberação de um corrimento de cor clara. Esse período dura em média nove dias com base em sinais comportamentais, mas pode variar de 4 a 24 dias.

O período fértil ocorre durante este tempo. Após cerca de dois ou três dias do início do estro, ocorre a ovulação. Acasalamentos que ocorrem nessa fase, portanto, tem grande chance de resultar em gestação.

Diestro

É uma fase após o cio da cadela, na qual ela não é mais receptiva ao macho. Nesse período, que dura em média 75 dias, há os níveis máximos de progesterona. São verificados também um corrimento mais mucoso, diminuição do tamanho da vulva e um comportamento calmo da cadela.

A fase de diestro é muito semelhante em cadelas gestantes e não gestantes. Algumas vezes, elas apresentam uma síndrome conhecida por pseudo-gestação (ou gravidez psicológica), em que todas as características fisiológicas e comportamentais assemelham-se a uma gestação. Para tratar o problema, recomendam-se inibidores de prolactina, progestágenos e andrógenos.

O primeiro ciclo das cadelas varia entre as raças. Normalmente, em raças de portes pequenos, observa-se o primeiro ciclo entre o 6º e o 10º mês de vida. Já raças de portes grandes, o ciclo pode iniciar-se no 18º ao 24º mês. A periodicidade do ciclo estral também é variável, estando relacionada com a hereditariedade, raça, gestação e idade do animal.

ATENÇÃO:  nesse período ocorre maior incidência do desenvolvimento de piometra, ou seja, infecção uterina. Fique de olho para eventuais alterações e corrimentos e fale com seu médico veterinário de confiança se desconfiar de algo.

Anestro

Anestro é o tempo entre o diestro e o próximo proestro. É um período de total inatividade sexual, que dura em média 125 dias e caracteriza-se por uma involução do útero.

Nesse período, não há inchaço na vulva, nem corrimento vaginal. O corpo usa esse tempo para permitir que o útero se prepare para a próxima possível gestação.

Além disso, são observados na fase de anestro níveis de estrogênio e progesterona bem baixos. Todavia, há aumento do nível de estrogênio na fase final desse período.

Cio da Cadela Silencioso – O que é isso?

Muitas vezes os veterinários que se especializam em saúde reprodutiva são questionados pelos proprietários que ficam intrigados com o fato de que a própria cadela aparentemente não entra no cio. No entanto, existe uma grande possibilidade que a cadela já tenha entrado no cio e ninguém  tenha percebido.

O cio silencioso, de fato, é um cio que ocorre, mas não é perceptível. Nesse período, normalmente, a cadela torna-se receptiva aos machos, pode engravidar, mas não apresenta sinais de cio como inchaço na vulva e sangramento.

Na maioria dos casos, os sinais podem até estar presentes, mas são tão fracos que os tutores das cadelas nem os percebem. Além disso, não é incomum que raças menores de cães tenham um ou dois cios silenciosos antes que apareçam sintomas claros.

Como descobrir se o cio da cadela está presente?

Existem três formas de descobrir o cio silencioso:

  • Através do interesse de machos da casa ou da redondeza, o que é um risco para possível acasalamento indesejado pelo tutor.
  • Observação da mudança de comportamento da cadela, já que pode passar de momentos mais agressivos à de maior receptividade em relação aos machos.
  • Por meio de exames laboratoriais, através da dosagem hormonal de progesterona ou citologia vaginal.

Existe tratamento para cio da cadela silencioso?

Não há tratamento para cio silencioso. No entanto, isso pode representar um problema tanto para criadores quanto para famílias que não desejam ninhadas inesperadas.

Em relação aos criadores, pode representar um problema já que as fêmeas afetadas provavelmente não irão aceitar o acasalamento com os machos. Portanto, se houver interesse em cruzamento, deve-se optar por inseminação artificial realizada por um profissional especializado.

Como evitar gestações indesejadas.

Se o tutor tem uma fêmea, mas não quer que ela dê cria e pensou em aplicar algum tipo de hormônio para evitar que isso aconteça, saiba que este tutor está no caminho errado.

Hormônios aplicados com função anticoncepcional, são venenos para os cachorros. De fato, cadelas submetidas a esse tipo de tratamento desenvolvem piometra e tumores.

O método mais eficaz e seguro é, sem dúvida, a castração. Ou seja, uma técnica cirúrgica que visa a retirada de ovários e útero e que é altamente recomendada pelos médicos veterinários.

Um dos grandes benefícios da castração é a eficácia na prevenção de doenças. Castrar uma fêmea antes do primeiro cio, por exemplo, diminuirá consideravelmente as chances de desenvolvimento de neoplasias mamárias. Além disso, elimina-se a chance de desenvolver piometra.

Nas fêmeas, os ovários, útero e a maior parte do seu colo são removidos através de uma incisão no abdômen.

Além disso, os cachorros costumam ter uma recuperação muito rápida e costumam voltar para casa no mesmo dia. Podem sentir dores pós cirúrgicas, e por esta razão o veterinário ainda irá prescrever analgésicos para preveni-las ou aliviá-las.

Referências Bibliográficas:

JACKSON, P. Obstetrícia Veterinária. Roca, São Paulo, 2006.

TAYLOR, D. Cães – Manual Prático Ilustrado. JB Indústrias Gráficas. Rio de Janeiro, 1986.

VECCHI, V. Castração de cachorro: por que é necessário castrar cachorro?– Vidanimal

 

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Espirro reverso em cães: O que é? Causas e Sintomas

O espirro reverso é, sem dúvida, algo muito comum em cães e que pode assustar o tutor que não está familiarizado com o barulho.

Quando os animais de estimação invertem o espirro, eles geralmente ficam de pé, estendem a cabeça e o pescoço, puxam os lábios para trás e inalam repetidamente e com força através do nariz. Esse processo todo, faz com que emitam um som característico que pode assustar um pouco os tutores mais inexperientes.

O que é o espirro reverso em cães

Espirro reverso, conhecido na veterinária como respiração paroxística inspiratória, é um fenômeno observado em cães, particularmente em braquicefálicos, ou seja, cães com focinho achatado como Pug, Buldogue Inglês ou Francês.

É caracterizado por uma rápida e repetida inalação forçada passando através do nariz, acompanhada de sons de ronco ou engasgos. Embora possa parecer angustiante para o animal, o fenômeno não é prejudicial. A maioria dos cães permanecem completamente normais antes e depois de tais episódios. Além disso, a maioria dos cães têm episódios de espirro reverso repetidos ao longo das suas vidas.

Sintomas do espirro reverso canino

Cães que apresentam espirro reverso geralmente apresentam os seguintes sintomas:

  • O cão fica estático;
  • Estica o pescoço para o alto;
  • Os olhos ficam arregalados;
  • O cão faz movimentos respiratórios mais rápidos do que o comum;
  • Emite sons nasais (por isso a confusão com um engasgamento);
  • Tosse.

Causas do Espirro Reverso

Espirros reversos e espirros “regulares” são reflexos intimamente relacionados. O objetivo de ambos é, de fato, expulsar um agente irritante da parte superior do trato respiratório.

Irritações nas vias nasais como excesso de poeira, por exemplo, provoca espirros regulares. Por outro lado, a irritação que ocorre na área atrás das cavidades nasais, acima do palato mole, fazem com que os cães “invertam’ o espirro. Ou seja, o episódio ocasional de espirros reversos é perfeitamente normal. É apenas o jeito do corpo de se livrar de algo que está irritando a nasofaringe.

O espirro reverso começa a merecer atenção a mais quando se torna muito frequente. Nesse caso, pode haver algum agente irritando na nasofaringe que o cachorro não está conseguindo expelir. Por isso, caso isso ocorra, sugere-se uma visita ao médico veterinário para avaliações mais aprofundadas.

O que pode desencadear um espirro reverso

Um espirro reverso normal tem duração curta e não acontece com frequência. Espirros reversos também podem ser causados ​​por:

  • Perfume irritante no ambiente;
  • Excitação;
  • Intolerância ao Exercício
  • Trauma após puxada na coleira.
  • Ácaros
  • Vírus
  • Alergias sazonais

Problemas de saúde que causam espirros reversos

Para obter um diagnóstico preciso do que está causando episódios de espirros reversos frequentes no cachorro, o veterinário fará, muito provavelmente, um exame físico e coletará o histórico do animal (anamnese). Além disso, poderá solicitar exames complementares, como exames de sangue e de de imagem.

As possíveis causas de espirros reversos excessivos incluem alergias, infecções, formações anormais, material estranho (por exemplo, grama), ou anormalidades anatômicas que afetam a nasofaringe.

Os ácaros nasais, ou seja, pequenos parasitas que podem infestar as passagens nasais e os seios dos cães, são outra possível causa do espirro reverso.

Como tratar o espirro reverso?

Em casos de episódios  leves e esporádicos, não é necessário algum tipo de tratamento já que não são considerados eventos anormais.

Em geral, o tratamento é feito em animais com episódios frequentes e, portanto, anormais. Nesses casos, são utilizados medicamentos específicos após diagnóstico correto. O tratamento cirúrgico, no entanto, só é necessário quando houver presença de massas e anormalidades anatômicas.

Referências bibliográficas:

Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais. Bichard, s. Sherding, R. São Paulo, Roca, 2003.

What is the Reverse Dog Sneeze and Why Does it Happen.

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Displasia canina: O que é? Como tratar?

Displasia canina, um problema ortopédico extremamente comum, limitante e permanece um grande desafio para os criadores, já que animais com esse tipo de problema não podem mais ser usados para fins reprodutivos. Isso acontece porque esse tipo de problema, é transmitido geneticamente.

Há dois tipos mais frequentes de displasia canina:

  • Displasia coxofemoral, que é certamente a mais comum.
  • Displasia de cotovelo

Displasia canina – coxofemoral

A displasia coxofemoral, ou displasia canina de quadril, é uma doença de má-formação genética, que com o tempo pode causar degeneração da articulação do quadril dos cães. Envolve principalmente estruturas como a cabeça do fêmur, a cápsula articular e o acetábulo (local onde se encaixa a cabeça femoral).

O principal fator no desenvolvimento da doença é o hereditário, contudo, fatores ambientais (piso), nutricionais (excesso de alimento e ou suplemento de cálcio com ganho rápido de massa muscular), também devem ser levados em consideração no desenvolvimento da displasia. Os dois lados do quadril são comumente afetados, sem predisposição de sexo.

As raças mais acometidas pela displasia de quadril em cães, são principalmente de portes considerados de tamanho médio, grande e ou gigante. Vale ressaltar que cães de raças pequenas como Yorkshires, Pugs e outras, têm comparecido com certa freqüência em nossa clínica nos últimos anos.

Por ser transmitido geneticamente, machos e fêmeas que apresentam esse problema de saúde não são recomendados, portanto, para reprodução.

Cães displásicos costumam nascer sem sintomatologia aparente. Normalmente, de fato, os primeiros sinais aparecem entre quatro meses e um ano de idade. À medida que a condição progride, a deformação da estrutura do acetábulo e da cabeça do fêmur é, simultaneamente, acompanhada pelo desenvolvimento de uma artropatia degenerativa, causando dor, podendo ser até mesmo incapacitante.

Algumas raças são mais predispostas a esta condição. Entre elas estão: Pastor Alemão, Rottweiler, Labrador, Golden, Pointer, Fila Brasileiro, Mastim Napolitano. Todavia, raças de pequeno porte também podem apresentar displasia coxofemoral, porém é menos frequente.

A displasia canina coxofemoral pode ter duas origens distintas: congênita e adquirida.

Na displasia coxofemoral congênita, o animal já nasce com a doença ou com uma predisposição genética com múltiplos genes envolvidos e desenvolve os sintomas precocemente. Entretanto, na displasia coxofemoral adquirida, o animal desenvolve a doença nos últimos anos de suas vidas com o aparecimento de artrites, excesso de exercícios físicos ou de peso, possíveis fatores ambientais, desgaste natural da articulação com o avanço da idade e muitos outros fatores.

Sintomas da displasia canina coxofemoral

Os sintomas mais comuns são:

  • claudicação;
  • andar rebolando;
  • saltar como um coelho (principalmente ao subir escadas);
  • dificuldade para se levantar,
  • subir escadas ou pular;
  • dor ao andar, correr e se exercitar;
  • rigidez das articulações posteriores;
  • dor ao toque.

A grande maioria dos cães com displasia pode levar uma vida plena e ativa, principalmente se a doença for diagnosticada cedo e o tratamento adequado for administrado e mantido para o resto de sua vida.

Os tratamentos podem ser medicamentosos ou cirúrgicos dependendo da gravidade da doença e da idade do cão. O controle do peso também é importante no tratamento, pois a sua manutenção irá ajudar na recuperação, uma vez que diminui a pressão aplicada na região e reduz a inflamação.

Inicialmente, os sinais clínicos da displasia coxofemoral são pouco evidentes, principalmente quando o cachorro é ainda muito novo.

Cães mais novos, geralmente, manifestam sinais agudos com afecção unilateral. Eventualmente, pode ser bilateral. Entretanto, a maioria dos cães displásicos entre 12 a 14 meses, costuma correr e andar normalmente.

Quando começam a aparecer os sinais observa-se, em primeiro lugar, claudicação. Ou seja, o animal começa a mancar, principalmente após exercícios físicos.

Posteriormente, podem começar a aparecer sinais como arqueamento da coluna, redução das atividades locomotoras e enfim, acentuada dor nos membros pélvicos. Além disso, nota-se que o animal joga o próprio peso para as patas dianteiras.

Em estágio mais avançado, então, o animal pode sentir muita dor a ponto de se recusar a andar.

Displasia canina de Cotovelo

A displasia do cotovelo é uma doença degenerativa muito frequente em cães jovens. É transmitida geneticamente, todavia pode estar relacionada também à alimentação, manutenção do peso, ambiente, qualidade dos ligamentos,  excesso de exercício físico ou traumatismos.

Trata-se de uma doença do desenvolvimento. Acontece, principalmente, pelo fato de não haver um crescimento harmônico da ulna e do rádio, ou seja, dois dos três ossos que formam a articulação do cotovelo.

Os primeiros sintomas podem começar a aparecer aos 4-5 meses. O cachorro pode, então, mostrar intolerância ao exercício e claudicação ao iniciar um movimento ou depois de um exercício prolongado. Entretanto, alguns cachorros podem não apresentar sinais até a idade avançada. Nestes casos, é comum que a condição seja acompanhada de osteoartrite.

A displasia de cotovelo em cães se dá, em geral, em animais de grande porte ou gigantes, e que têm um rápido crescimento. No entanto, nenhum cão está isento de vir a sofrer dela.

De qualquer forma, as raças que são as mais propensas a sofrer dessa doença são:

  • Mastim napolitano
  • Rotweiller
  • São Bernardo
  • Labrador
  • Terranova
  • Golden retriever
  • Pastor alemão

No entanto, assim como ocorre na displasia canina coxofemoral, há a influência de fatores como o meio ambiente (frio, umidade), o peso ou a alimentação. Por isso, recomenda-se evitar os suplementos alimentares desnecessários, além de diminuir os riscos de traumatismo durante a atividade física que o bicho estiver fazendo em sua fase de crescimento.

Sintomas da displasia canina de cotovelo

Os sinais da displasia de cotovelo em cães costumam ser:

  • Claudicação ao se mexer ou depois de fazer um exercício físico por tempo prolongado
  • Intolerância à atividade física
  • Manifestações de dor

Cuidados com o paciente portador de displasia canina

Independentemente do tipo de displasia, há certos cuidados que devem ser tomados em relação ao paciente para melhorar sua qualidade de vida e evitar piora de seu quadro.

Quando diagnosticado através de exame clínico e realização de rx, o proprietário, dependendo da condição e da gravidade da displasia, poderá optar por fazer um tratamento cirúrgico, e/ou uma série de tratamentos paliativos.

A decisão, entretanto, dependerá da gravidade, idade do animal e recomendação do médico veterinário de confiança.

Tratamentos para a displasia canina

Os tratamentos para a displasia coxofemoral e do cotovelo visam minimizar a dor, combater os sintomas e, enfim, proporcionar melhor condição de vida para o animal. Em geral recomenda-se a diminuição do peso do animal a fim de reduzir o estresse mecânico sobre a articulação para prevenir ou aliviar o processo inflamatório presente.

Nos casos mais graves podem ser usados anti-inflamatórios para o controle da dor. Como opções terapêuticas, são frequentemente recomendadas a fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, uso de  condroprotetores e, enfim, cirurgia.

Os cuidados em geral devem ser:

  • Restrição de atividades, a fim de não causar inflamação e dor;
  • Diminuição do peso do animal;
  • Evitar pisos lisos.

Referências bibliográficas:

Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais. Bichard, s. Sherding, R. São Paulo, Roca, 2003.

Radiologia e Ultra-Sonografia do Cão e do Gato. Kealy, K.; McAllister, H. Barueri, Manole, 2005.

Vecchi, V. Displasia coxofemoral – como a acupuntura pode ajudar.

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Dermatite em cachorro – quais os tipos mais comuns e suas causas.

Uma das causas mais comuns de visitas ao médico veterinário é, com certeza, o aparecimento de alguma dermatite em cachorro.

Esse tipo de problema, pode ocorrer por diversos motivos. Por isso, a consulta é tão importante. O diagnóstico correto faz com que se economize muito tempo, dinheiro e, sem dúvida, sofrimento no animal.

As causas mais comuns de dermatite em cachorro são:

  • Alérgicos;
  • Endócrinos;
  • Nutricionais;
  • Emocionais;
  • Predisposições raciais.

Dermatite em cachorro – causas alérgicas.

As dermatites em cachorro são frequentemente de origem alérgica. Conheça algumas das mais comuns.

DAPP – Dermatite alérgica a picada de pulgas

A dermatite alérgica à picada de pulgas é uma das doenças de cachorro mais comuns. Trata-se de uma reação de hipersensibilidade aos alérgenos presentes na saliva das pulgas, caracterizada por intenso prurido.

As regiões afetadas apresentam pelo quebradiço ou ausência de pelo, pele inflamada (avermelhada e irritada), além de outros sinais, como pequenas coleções de pus, crostas, feridas, placas e nódulos. Além disso, pode ocorrer infecção secundária causada pelo autotraumatismo.

As lesões localizam-se caracteristicamente na zona lombar dorsal e junto à cauda. A zona abdominal, virilha e outras também podem ser afetadas, todavia, com menor gravidade.

Os animais com DAPP têm reações de hipersensibilidade muito intensas. De fato, nestes animais, a presença de apenas 1 ou 2 pulgas pode desencadear uma reação de grande intensidade e os sinais clínicos podem manter-se até duas semanas após a última picada.

Atopia ou dermatose atópica

A Dermatite Atópica Canina é uma dermatopatia de origem genética. Os cães acometidos tornam-se sensíveis aos antígenos presentes no meio ambiente, desenvolvendo grave reação alérgica, pruriginosa, o que acaba interferindo na qualidade de vida do animal.

Devido ao seu caráter genético, esta é uma doença que na maioria das vezes não tem cura, apenas controle. O tratamento em geral é para a vida toda.

Há diversos relatos de melhora do quadro de animais atópicos que fazem uso de terapias alternativas como fitoterapia, homeopatia e até mesmo acupuntura.

Alergia Alimentar

A hipersensibilidade alimentar é terceira causa mais comum de alergia em cães, e está ligada a resposta imunológica exagerada do organismo a determinada substância presente na dieta do animal. Aditivos, conservantes e outras substâncias químicas usadas em rações industrializadas podem ser responsáveis, porém sabe-se que o que mais provoca este tipo de reação são as proteínas de alto peso molecular como a carne bovina, seguido de produtos lácteos, frango, trigo, ovos, milho e soja.

Manifesta-se principalmente através de prurido, vermelhidão e descamação na pele, depois apresenta sinais cutâneos diversos: pápulas, placas, pústulas, alopecia, liquenificação, pigmentação, otite externa, seborreia e foliculite. Além disso, pode causar desde ferimentos na pele provocados pela unha do próprio animal enquanto se coça sem parar até quadros gastrointestinais, como diarreia e vômito.

Uma vez detectado o problema, o tratamento é simples. Deve-se, de fato, substituir a ração por fórmulas especiais, chamadas hipoalergênicas. Se preferir, é possível solicitar a um médico veterinário nutricionista uma receita caseira específica para seu cachorro.

Dentre as raças mais suscetíveis às alergias, destacam-se: Shar-Pei, Pastor alemão, Golden retriever, Boxer, West Highland White terrier e Bull terrier, além dos Buldogues inglês e francês.

Outros tipos de dermatite em cachorro.

Como dissemos no inicio, as dermatites em cachorros podem ter várias causas. Entre elas incluem-se problemas emocionais, carências nutricionais e predisposições raciais.

Dermatite por lambedura

A dermatite acral por lambedura, ou simplesmente dermatite por lambedura, é uma síndrome comum, geralmente de origem emocional, caracterizada por automutilação através, portanto, da lambedura obsessiva da pata. Três fatores costumam estar envolvidos na causa desta condição:

  • Predisposição racial – Raças que são mais emocionais e nervosas desenvolvem, por certo, mais dermatoses psicogênicas. Alguns autores, observaram que este distúrbio ocorre com maior frequência em raças definidas e de grande porte como Doberman, Pastor Alemão, Boxer, Labrador, Setter.
  • Estilo de vida- Cachorros submetidos a situações estressantes também podem desenvolver dermatoses psicogênicas. Situações como isolamento, solidão, confinamentos prolongados, presença de um animal rival na mesma residência, são certamente influências negativas.
  • Características individuais do animal- Independente de raça, idade, estilo de vida, o animal pode ser particularmente nervoso, ansioso, amedrontado ou tímido.

No entanto, é importante saber que a lambedura excessiva de um determinado local pode ser sinal de dor. Por isso, devem-se descartar outras doenças ou fatores que estejam possivelmente desencadeando o problema. Torna-se necessária uma avaliação mais aprofundada do médico veterinário.

Veja mais sobre o assunto no artigo “Pata de cachorro: Dicas para cuidar melhor das patas do seu cão“.

Tratamento das dermatites psicogênicas

As dermatites psicogênicas são, certamente, de difícil tratamento e podem ser recorrentes, pois não existe uma forma certa de prevenir, já que são comportamentais. Por isso, para tratar com eficiência, é necessário identificar primeiramente o que está desencadeando a doença. Afinal de contas, não adianta tratar a pele do cão se ele continuar estressado e deprimido, repetindo o comportamento.

Após identificação da causa do problema, devem-se, por fim, incluir atividades desestressantes, como:

  • Passeios diário, bem como outros exercícios;
  • Comprar brinquedos com a finalidade de enriquecer o ambiente;
  • Dedicar, enfim, mais tempo ao próprio filho de quatro patas.

Dermatite em cachorro Responsiva ao Zinco

A dermatose responsiva ao zinco é uma doença nutricionalmente responsiva. É considerada rara, entretanto cães da raça Malamute do Alasca e Husky Siberiano, possuem predisposição ao desenvolvimento do distúrbio.

Os sintomas iniciais são crostas grossas ou escamosas na pele e alopecia, especialmente em volta dos olhos e no focinho. Esse sintoma também pode ser visto nas orelhas, jarretes, sob os coxins e em volta dos órgãos genitais. Além disso, a pelagem pode ficar fosca e dura, e podem ocorrer infecções de pele secundárias.

Esta doença é causada por deficiência de Zinco, e pode ter duas origens: alimentar ou hereditária.

Quando provocada por questão alimentar, geralmente deve-se à dieta pobre em zinco, excesso de suplementos minerais (principalmente cálcio, ferro e cobre), ou alimentação com excesso de fitatos (substâncias encontradas em algumas dietas à base de cereais que interferem na absorção de zinco no intestino).

Em raças caninas como Malamute do Alasca, Husky Siberiano e Samoieda, a origem é hereditária. De fato, cães das raças descritas acima, possuem tendência à má absorção.

Intertrigo

Intertrigo é o nome dado ao distúrbio causado pelo atrito de dobras cutâneas.

Acomete as regiões de pregas e dobras cutâneas, tais como as pregas da face dos cães braquicefálicos (Pug, Pequinês, Bulldog, Boxer) ou pregas labiais, peri-vulvares, caudais, axilares, inter-mamárias ou de outras regiões corpóreas em raças que possuem excesso de pele.

O atrito entre as dobras, a umidade acumulada entre elas, a pouca exposição ao ar e sol destas, podem acabar causando uma infecção de pele, chamada de Intertrigo. São comuns, no entanto:

  • Dermatite da dobra caudal -ocorre na base da cauda graças ao excesso de pele e cauda curta ou enrolada. Pode formar ulceração na pele, sendo muito dolorosa. Além disso, esta pode vir a ser contaminada pela flora fecal e causar infecções. Em casos severos, é preciso, portanto, amputá-la. Em casos mais brandos, é importante manter a área limpa e seca para garantir o conforto do cão.
  • Dermatite da dobra facial (ou nasal) – animais braquicefálicos possuem pregas de pele no focinho, o que gera um habitat ideal para proliferação bacteriana, pois é úmido, quente e protegido da luz.

Outras doenças que podem provocar dermatite em cachorro

A dermatite pode ser o sinal de outras doenças nos animais, portanto nunca devemos nos preocupar somente com a pele. Problemas que provocam dermatopatias e que merecem atenção são:

  • Doenças autoimunes;
  • Problemas na tiroide;
  • Neoplasias de pele.

Portanto, fique atento a sintomas como perda de pelos, prurido, descamação, vermelhidão e ferimentos que não cicatrizam. Além disso, consulte sempre seu médico veterinário de confiança.

 

Fontes bibliográficas:

BIRCHARD, S. J; SHERDING, R. G. Manual Saunders: clínica de pequenos animais. Roca, São Paulo, 2º edição; 2003.

ZANON, J.P., GOMES, L. A., CURY, G.M.M – Dermatite Atópica Canina. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 29, n. 4, p. 905-920, out./dez. 2008

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Diabetes canina: o que causa e como tratar a doença.

Diabetes é uma doença crônica que pode afetar cães e gatos e outros animais (incluindo macacos, porcos e cavalos), bem como seres humanos. Embora o diabetes não possa ser curado, ele pode ser gerenciado com muito sucesso.

O Diabetes é, hoje em dia, uma das endocrinopatias mais comuns nos cães. Além disso, pode ser fatal se não for diagnosticada e adequadamente tratada.

A deficiência de insulina que ocorre no diabetes mellitus é resultado da incapacidade do pâncreas em secretar insulina e/ou de ação deficiente da insulina nos tecidos.

Diabetes canina

Existem três tipos de diabetes mellitus em cães:

  • Diabetes Melito Tipo I – É quando o corpo do cão não está produzindo insulina suficiente. Isso acontece quando o pâncreas está danificado ou não está funcionando adequadamente. Cães com este tipo de diabetes, os cães acometidos precisam de doses diárias para substituir a insulina que falta. Este é o tipo mais comum de diabetes em cães.
  • Diabetes Melito Tipo 2 – Diabetes com resistência à insulina – É quando o pâncreas produz insulina, mas o corpo do cão não está utilizando a insulina como deveria. As células não estão respondendo à “mensagem” da insulina, então a glicose não está sendo extraída do sangue para as células. Este tipo de diabetes pode ocorrer especialmente em cães mais velhos e obesos.
  • Diabete Melito Tipo 3 – é o tipo de diabete secundária a outro problema. Ou seja, caracteriza-se por ser transitório, subclínico e induzido por uma variedade de fatores como pancreatite, hiperadrenocorticismo,
    medicamentos ou gestação.

Etiologia da diabetes

A etiologia exata ainda deve ser caracterizada em cães, mas é, sem dúvida, um problema multifatorial.

Predisposição genética, infecções, enfermidades antagônicas da insulina e drogas, doenças imunomediadas e pancreatite foram identificados como fatores iniciantes do desenvolvimento de Diabetes mellitus dependente de insulina.

No entanto, para entender o que é diabetes, ajuda a entender um pouco mais sobre o processo.

A conexão glicose-insulina

A conversão de nutrientes alimentares em energia para alimentar as células do corpo envolve uma interação contínua de duas substancias:

• Glicose: combustível essencial para as células do corpo. Quando a comida é digerida, o corpo decompõe alguns dos nutrientes em glicose, um tipo de açúcar que é uma fonte vital de energia para certas células e órgãos do corpo. A glicose é absorvida do intestino para o sangue, que então transporta a glicose pelo corpo.

• Insulina: responsável pela entrega de combustível. Enquanto isso, um órgão importante ao lado do estômago, chamado pâncreas, libera o hormônio insulina no corpo. A insulina, portanto, atua como um “guardião” que diz às células para pegar glicose e outros nutrientes para fora da corrente sanguínea e usá-los como combustível.

Com diabetes, a conexão glicose-insulina não funciona como deveria.

Fatores que aumentam o risco de diabetes em cães

  • Idade – Embora a diabetes possa ocorrer em qualquer idade, ocorre principalmente em cães de meia-idade a idosos. Ocorre, portanto, mais frequentemente em cães com 5 anos ou mais.
  • Gênero- O estrógeno e a progesterona reduzem a sensibilidade dos órgãos-alvo para a ação da insulina. Logo,  as fêmeas não castradas são mais propensas a desenvolverem a doença.
  • Pancreatite – A pancreatite (inflamação do pâncreas) pode eventualmente causar danos extensivos a esse órgão, resultando em diabetes.
  • Obesidade. A obesidade contribui para a resistência à insulina e é um fator de risco para pancreatite, que pode levar ao diabetes.
  • Medicamentos esteroides – Estes podem causar diabetes quando usados ​​a longo prazo. Os hormônios diabetogênicos são os glicocorticoides, a adrenalina, o glucagon e o hormônio do crescimento.
    Concentrações plasmáticas aumentadas de qualquer um destes hormônios, acabará levando a um antagonismo à insulina nos tecidos periféricos.
  • Doença de Cushing – Também conhecida como hiperadrenocorticismo.  Com essa doença, o corpo produz excesso de esteroides, então essa condição também pode causar diabetes.
  • Outras condições de saúde: Alguns distúrbios auto-imunes e doenças virais também são pensados ​​para possivelmente desencadear diabetes.
  • Predisposição genética.

Predisposição genética.

O diabetes pode ocorrer em qualquer raça ou raça mestiça, e parece que a genética pode desempenhar um papel no aumento ou redução do risco. Um estudo de 2003 descobriu que, em geral, as raças mistas não são menos propensas a diabetes do que os puros-sangues. Entre os puros, as raças variam em suscetibilidade, algumas com risco muito baixo e outras com maior risco.

Alguns que podem estar em maior risco incluem Poodles miniatura, Bichons Frises, Pugs, Dachshunds, Schnauzers Miniatura, Puli, Samoyeds, Keeshonds, Australian Terriers, Fox Terriers, Cairn Terriers e Beagles.

Estudos recentes demonstram que as raças caninas comuns, como Cocker Spaniels, Pastores Alemães, Collies, Pequineses e Boxers possuem pouco risco.

Danos causados ​​pelo diabetes

Independente do tipo de diabetes, os efeitos negativos sobre o corpo são os mesmos. O excesso de açúcar se acumula na corrente sanguínea do cão e, no entanto, as células do corpo que precisam desse açúcar não podem acessá-lo.

Portanto, os efeitos “ruins” que o diabetes causa no corpo do cachorro são dois:

• As células ficam famintas por “combustível” vital. As células musculares e certas células orgânicas são privadas do “combustível” de glicose que precisam para energia. Em resposta, o corpo começa a quebrar suas próprias gorduras e proteínas para usar como combustível alternativo.

• O alto nível de açúcar na corrente sanguínea danifica muitos órgãos. Sem insulina para ajudar a converter a glicose na corrente sanguínea em combustível, de fato, faz com que altos níveis de glicose se acumulam no sangue. Infelizmente, essa química anormal do sangue age como uma espécie de veneno e, eventualmente, causa danos em vários órgãos. Isso geralmente inclui danos aos rins, olhos, coração, vasos sanguíneos ou nervos.

Sinais clínicos

É possível, as vezes, perceber certos sintomas que podem ser sinais precoces de diabetes:

  • Sede excessiva – O cão pode beber com freqüência e esvaziar a tigela com mais frequência.
  • Aumento da micção – o cão pode pedir para sair com freqüência e pode começar a ter “acidentes” na casa.

O aumento da micção (e aumento da sede) acontece porque o corpo está tentando se livrar do excesso de açúcar, enviando-o através da urina, juntamente com a água que se liga ao açúcar.

Além disso, são comuns sinais como:

  • Perda de peso – O cão pode perder peso apesar de comer porções normais. Isso ocorre porque o cão não está convertendo eficientemente os nutrientes de seus alimentos.
  • Aumento do apetite – O cão pode estar com muita fome o tempo todo porque as células do corpo não estão recebendo toda a glicose de que precisam, mesmo que o cão esteja comendo uma quantidade normal.

Sinais avançados

Em casos mais avançados de diabetes, os sintomas podem se tornar mais pronunciados e podem incluir:

  • Perda de apetite
  • Falta de energia
  • Atitude deprimida
  • Vômito

Sinais mais graves

Diabetes descontrolado pode levar a efeitos devastadores no corpo do cão, razão pela qual a detecção precoce e tratamento adequado são cruciais. Os efeitos do diabetes na saúde do cão podem incluir:

  • Cataratas (levando à cegueira)
  • Fígado aumentado
  • Infecções do trato urinário
  • Convulsões
  • Falência renal
  • Cetoacidose, uma condição aguda potencialmente fatal que pode ser acompanhada de respiração acelerada, desidratação, letargia, vômito ou hálito de cheiro doce. Além disso, pode ser desencadeada por fatores como estresse, cirurgia, jejum, infecção ou uma condição de saúde subjacente combinada com baixo nível de insulina.

Diagnóstico

Diagnosticar a doença o quanto antes pode não só salvar a vida do cachorro, assim como prevenir uma série de sofrimentos desnecessários.

Seu veterinário pode fazer testes simples para verificar o diabetes, incluindo testes para glicose excessiva (açúcar) no sangue e na urina. Os exames de sangue, no entanto, também podem mostrar outras indicações de diabetes, como altas enzimas hepáticas e desequilíbrios eletrolíticos.

Quanto mais cedo o diabetes for diagnosticado e o tratamento iniciado, maior a chance de o animal ter uma vida normal.

Tratamento de diabetes em cães

  • Manejo alimentar – Seu veterinário irá recomendar o melhor tipo de dieta para o seu cão diabético. Geralmente isso inclui algumas proteínas de boa qualidade, bem como fibras e carboidratos complexos que ajudarão a retardar a absorção de glicose. Seu veterinário também pode recomendar uma dieta com teor de gordura relativamente baixo. É muito importante respeitar as orientações do veterinário.
  • Exercício. Para ajudar a evitar picos repentinos ou quedas nos níveis de glicose, é especialmente importante que os cães diabéticos mantenham uma rotina de exercícios moderada, mas consistente.
  • Injeções de insulina – A maioria dos cães diabéticos requererá, certamente, doses diárias de insulina sob a pele, algo que o proprietário terá que aprender a fazer. Embora seja compreensível ficar apreensivo ao fazer isso, não é tão difícil quanto parece. Pode se tornar uma rotina diária rápida e fácil, que não é traumática para cães e tutores.

Monitorando e gerenciando o diabetes do seu cão

Embora alguns casos possam ser mais desafiadores, o diabetes canino geralmente pode ser gerenciado com sucesso sem complicações. No entanto, o tutor terá diversas responsabilidades que incluem o controle dos níveis de glicemia, controle dos horários de alimentação e aplicações das doses de insulina.

Seu veterinário irá trabalhar com você para determinar o melhor plano de manejo para o seu cão. No início do tratamento, isso pode envolver visitas frequentes à clínica para testes e ajustes de medicação.

O plano de gerenciamento de diabetes do seu cão, fornecido pelo seu veterinário, provavelmente incluirá informações sobre:

  • Medicação de insulina para o seu cão e como administrar as injeções
  • Recomendações de dieta e exercício
  • Plano diário de monitoramento de glicose
  • Quaisquer sinais de aviso a observar

Por isso, não entre em panico se seu cachorro estiver com essa doença. Com um bom apoio veterinário, é possível  fornecer o cuidado certo para o seu animal de estimação e garantir muitos anos felizes juntos a ambos.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

TUCHLINSKI, C.- Obesidade pet pode diminuir expectativa de vida dos animais. O Estado de São Paulo, 2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA VETERINÁRIA

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Dente de Cachorro: tudo que você precisa saber sobre dentição canina.

Anatomicamente o cachorro é, sem dúvida, um animal carnívoro. De fato, basta pensar em como é feito o dente de cachorro.

Os dentes de cachorro são longos e afiados. Os molares inferiores e superiores possuem forma de triângulo com bordas serrilhadas que se fecham como as lâminas de uma tesoura quando o animal morde a caça. Além disso, possuem uma enorme abertura oral e ausência da enzima amilase na saliva, aquela que dá início à digestão do carboidrato.

É importante mencionar também que esses animais possuem sistemas digestórios bem mais simples, curtos e bastante ácidos.

Dente de cachorro

Os dentes de cachorro são fortes e afiados e permitem que esses animais mastiguem alimentos muito duros.

Os filhotes possuem 28 dentinhos de leite que começam a cair por volta dos 3 meses e meio de idade. Logo em seguida começam a aparecer os dentes definitivos, que na maioria das raças são 42. Os cães costumam estar com os dentes definitivos totalmente posicionados por volta dos 7 meses de idade.

Assim como os humanos, os cães têm vários tipos de dentes. Cada tipo executa um trabalho diferentes e ajudam cães a quebrar a comida enquanto mastigam. Vamos conhecer quais são os dentes de cachorro.

Dente de cachorro – incisivos

Incisivos são os pequenos dentes encontrados na frente da boca de um cachorro.

Os dentes incisivos tem a função de cortar os alimentos menos rígidos, dando início à preparação da função mastigatória. Eles são usados ​​para raspagem, como sua forma torna ideal para tentar raspar a carne dos ossos.

Além disso, os cães muitas vezes tentam remover pulgas e carrapatos, mordiscando sua pelagem e usando seus incisivos para pegar e matar parasitas.

Caninos

Os dentes caninos são os grandes responsáveis pela perfuração dos alimentos mais fibrosos e resistentes. Por isso, geralmente, eles são os mais pontiagudos e compridos dos dentes. Estes dentes tem a função de rasgar alimentos como a carne. Além disso, também são usados ​​para apreender e matar presas, assim como segurar itens como ossos ou um brinquedos.

Cachorros possuem quatro dentes caninos, dois no maxilar superior e dois no inferior.

Dente de cachorro – Pré-molares

O dente pré-molar tem como principal função esmagar e rasgar os alimentos, durante a mastigação. Estes dentes são também conhecidos como bicúspides, pois têm duas cúspides (pontas aguçadas) na sua superfície.  Eles geralmente são usados ​​para mastigar e destruir os alimentos, mesmo os mais duros. De fato, cachorros roem seus ossos utilizando o lado da boca. É assim que, na natureza, utilizariam os pré-molares para retirar a carne dos ossos.

Os dentes pré-molares são dentes de transição entre os dentes anteriores e os molares. Têm a forma de pentágono e são inferiores aos dentes caninos, apresentando bordas convergentes.

Dente de cachorro – Molares

Os molares são os dentes mais complexos presentes na maioria dos mamíferos. A palavra molar significa mó ou pedra de moinho. Com isto já é possível entender melhor a função deles. Os dentes molares são, de fato, responsáveis por triturar e mastigar os alimentos, possuindo assim várias pontas em sua área de contato com a comida.

Além disso, eles têm como função também determinar a chave de oclusão dentária, pois são os primeiros dentes permanentes a surgirem na arcada. Quando um alimento é ingerido, os caninos são responsáveis por dilacerá-lo. Logo após, os pré-molares trituram, transformando-o em pequenas porções. E, por fim, os molares remoem o restante.

Diferenças entre o dente de cachorro de leite e o permanente.

Além de menores, os dentes decíduos também são mais branquinhos e pontiagudos. Já os dentes permanentes são maiores, brilhantes e mais amarelados, com um tom semelhante ao do marfim.

A quantidade dos dois grupos também é diferente: os cães têm 28 dentes de leite que são substituídos por 42 dentes permanentes.

Quando os filhotes começam a dentição?

Os primeiros dentes de leite do filhote começam a sair em torno da segunda ou terceira semana de vida do cachorrinho. Completará um total de 28 dentes, entre a sexta e a oitava semana, incluindo incisivos, caninos e pré-molares. Os molares, no entanto, surgem em uma segunda etapa, já de forma definitiva.

É importante comentar que uma vez iniciado o processo de dentição, o animal pode sentir muito incomodo. É justamente nessa hora que começará a mastigar tudo que possa proporcionar conforto. Por isso, recomenda-se providenciar brinquedos para cachorro mastigáveis com diferentes texturas e materiais.

Quando os filhotes perdem seus dentes?

Em torno aos 4 – 7 meses, o cachorrinho perderá os  dentes temporários e começarão a sair os novos, até completar um total de 42 dentes. O cachorro com um ano de vida, normalmente já tem toda a dentição definitiva completa.

No entanto, se até os 9 meses ainda faltarem alguns dentes adultos, recomenda-se passar por consulta com um médico veterinário odontologista para uma avaliação mais aprofundada.

Quais os cuidados necessários durante a troca de dente de cachorro.

Recomenda-se olhar com frequência a boca do cachorro ao longo do processo, sobretudo para ter certeza de que os dentes do cachorro estão caindo ao invés de ficarem encavalados nos permanentes.

A troca, no entanto, acontece de forma muito natural, não exigindo muitas providências da parte do tutor.

O que pode dar errado durante a troca de dente de cachorro.

Em alguns animais, o dente decíduo não cai. É a chamada dentição dupla, condição mais comum em raças de pequeno porte, como Maltês, Lhasa Apso e Yorkshire.

A dentição dupla leva ao maior acúmulo de tártaro e ao desvio da mordedura do cachorro, o que prejudica a qualidade de vida do animal. Se isso acontecer com o seu cachorro, converse o quanto antes com um médico veterinário especializado em odontologia, que definirá se é a hora de extrair os dentes de leite teimosos.

Sinais durante a troca de dente de cachorro.

Além de morder tudo o que encontra, podem ocorrer pequenos distúrbios durante a troca dos dentinhos.

Sangramento das gengivas

É normal ocorrer um pouco de sangramento. Mesmo as suas pequenas mordidas poderão favorecer que algum dentinho frouxo se solte e que isso produza um leve sangramento.

Mordidas

Em sua necessidade de levar tudo à boca, para tentar acalmar o incomodo ou a dor, pode ser que o cachorrinho passe de pequenas mordidas a mordidas que podem machucar. O importante é que ele não morda você ou algum membro da família.

É aqui onde você deverá se impor como chefe de sua matilha e fazer o animal entender que ele não deve fazer isso com as pessoas.

Gemidos, apatia, diarreia e até mesmo febre

São sinais comuns durante a troca da dentição. No entanto, se os sinais persistirem ou tornarem-se mais graves, principalmente no caso da diarreia, leve-o ao veterinário.

E não se assuste caso não encontre nenhum dente de leite de seu filhote. É provável e normal que ele os engula.

Como aliviar os incômodos da dentição dos filhotes.

Como mencionamos anteriormente, os filhotes podem sentir muito desconforto e até mesmo dor no momento da troca dos dentinhos. Nesse momento, eles começarão a roer qualquer coisa que provoque alivio ou conforto. Para evitar que roa objetos pela casa, ou sapatos novos, sugerem-se algumas alternativas mais válidas e seguras, como:

  • Comprar brinquedos em borracha resistente com diferentes texturas. Além disso, podem ser de diferentes materiais como nylon, plástico grosso e cordas fortes.
  • Oferecer cubos de gelo ao cachorrinho. Além de ser algo divertido para o cachorro, o gelo ainda ajuda a desinflamar a região das gengivas.
  • Oferecer brinquedos gelados também é uma alternativa.

Dente de cachorro: sinais de doenças bucais

Tutores de animais de estimação devem estar atentos a sinais de doença periodontal em cães.

Muitas vezes, é possível notar que há algo errado com o dente do cachorro através das mudanças de comportamento. De fato, o animal pode começar a recusar comida, mastigar com dificuldade ou até mesmo apresentar coloração diferente ou sangramento na gengiva.

Animais de companhia, assim como humanos, desenvolvem uma enorme quantidade de germes na boca que acumulam sobre os dentes formando a placa. Com o tempo, sem a correta higienização, esta placa calcifica-se devido à ação dos minerais contidos na saliva e transforma-se em tártaro que pode causar problemas dentários como gengivite e doença periodontal.

Quando chega a este ponto, o mau hálito é o menor dos problemas pois o animal pode começar a sentir muita dor, parar de se alimentar e perder alguns dentes. Além disso, caso o animal tenha alguma doença do coração, fígado ou rins, esse quadro pode ser agravado.

Sim. Em casos graves, as bactérias acumuladas podem cair na corrente sanguínea do bichinho e prejudicar ainda mais o estado de saúde do cachorro debilitado.

Dente de cachorro – O que é a gengivite.

A gengivite canina é uma inflamação das gengivas. Trata-se do o estágio inicial de uma doença bucal chamada periodontite, ou doença periodontal.

Assim como nos seres humanos, essa inflamação é causada pelo excesso de tártaro nos dentes, que nada mais é que uma placa bacteriana formada pelo acúmulo de restos de comida.

O tártaro é facilmente identificado, devido ao mau hálito e às manchas amareladas nos dentes dos cães. Quando essas placas não são devidamente removidas, causam irritação e inchaço na gengiva, ou seja, o que é chamado de gengivite.

A gengivite é muito comum em cães, e é tratável. No entanto, se não receber atenção, ao longo do tempo as bactérias atingem a raiz dos dentes, e acabam desenvolvendo a doença periodontal avançada. Essa condição sim é muito preocupante, pois pode levar à perda da dentição.

O que é a doença periodontal.

A doença periodontal é o distúrbio mais comum da cavidade oral de cães, principalmente de pequeno porte. Inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

O principal sinal clínico observado pelo proprietário é a halitose. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras.

Dente de cachorro – Prevenção de doenças.

Primeiramente, a melhor forma de prevenir qualquer doença na boca do animal é a observação frequente e hábitos de higiene.

Ou seja, é muito importante escovar os dentes regularmente, de preferência com a pasta de dente para cachorro mais adequada ao seu pet.

Além disso, existem outros produtos no mercado que tem como objetivo proporcionar higiene bucal. Entre eles, podem-se citar brinquedos e snacks. Todavia a escovação diária dos dentes é o método mais eficaz para remover a placa bacteriana e manter a saúde clínica do animal.

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. Sao Paulo, Roca, 2003.

KINDERSLEY, D. CÃES. Rio de Janeiro: JB indústrias gráficas S.A.

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Saúde & Alimentação

Obesidade pet: causas, sintomas, consequências e tratamento..

A obesidade pet está se tornando, sem dúvida, cada vez mais frequente e, se não tratada, pode causar muitos problemas de saúde que podem gerar muito sofrimento aos animais de estimação.

Segundo dados do Ministério da Saúde, houve um aumento da obesidade na população humana em 60% nos últimos 10 anos. Uma em cada cinco pessoas no país está acima do peso e especialistas atribuem fatores como mudanças no estilo de vida, sedentarismo, dieta irregular e stress como principais responsáveis. No entanto, a mudança no estilo de vida afeta não só os tutores como também seus pets.

Como reconhecer a obesidade pet?

A obesidade pet deve ser levada em conta com responsabilidade.
A obesidade pet deve ser levada em conta com responsabilidade.

Segundo um artigo do Estado de São Paulo, no mundo, aproximadamente 59% dos cães e 52% dos gatos estão acima do peso. Sem dúvida, um dos grandes problemas da obesidade canina e felina, é quando os tutores não percebem, não reconhecem ou não aceitam a obesidade pet. Todavia, a conscientização dos tutores é fundamental para o sucesso tanto da prevenção como do tratamento da obesidade.

Além disso, segundo um estudo realizado na Europa, 70% dos tutores de animais com obesidade pet são portadores de sobrepeso e/ou obesidade. Fatores, como o sedentarismo dos tutores e a verticalização das grandes cidades, com consequente diminuição do espaço doméstico, contribuem, certamente, para criar um ambiente favorável ao ganho de peso nos homens e seus animais.

Diagnóstico da Obesidade Pet

Há muitas formas de diagnosticar a obesidade pet. No entanto, nenhuma substitui a avaliação clínica do animal de estimação. O peso corporal, escore de condição corporal e análises morfométricas são ferramentas que podem, e devem ser utilizadas para fundamentar o diagnóstico.

Ficha de anamnese dietética

Esse nome complicado nada mais é que uma ficha, ou um diário de alimentação do animal. A ficha de anamnese dietética completa deve incluir tudo o que é consumido. Ou seja, informações desde a dieta habitual até todos os outros alimentos a que o animal possa ter acesso, como petiscos, guloseimas, frutas, pedacinhos de comidas caseiras, entre outros.

Todos os alimentos devem ser identificados por tipos e quantidades. Estas informações são importantes para determinar a situação alimentar atual e para um planejamento de uma recomendação dietética.

É primordial não omitir informações nessa etapa!

O escore de condição corporal

O escore de condição corporal (ECC) é uma avaliação semiquantitativa da composição corporal, ou seja, representa a porcentagem de gordura e a massa magra para um determinado peso.

O exame físico, a observação visual e a palpação do paciente são dados utilizados para definir um escore de condição corporal (ECC). O sistema de escala de nove pontos validados para cães e gatos é o mais amplamente aceito.

Classifica o paciente em categorias, de caquético (ECC=1) a severamente obeso (ECC=9), sendo a pontuação 5 considerada ideal.

Com este sistema, cada aumento de unidade no ECC é equivalente aproximadamente a um aumento de 10% a 15% do peso corporal ideal. Portanto, um cão ou um gato com ECC=7 é igual a cerca de 20% a 30% excedente do peso corporal ideal.

Um sistema ECC ilustrado é, sem dúvida, uma ferramenta útil para a educação do proprietário com relação a prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade.

Quais são as principais causas da obesidade nos animais?

As principais causas da obesidade pet é a má alimentação e a falta de atividades.
As principais causas da obesidade pet é a má alimentação e a falta de atividades.

A principal causa é, certamente, o desequilíbrio entre o consumo e gasto energético. Ou seja, consomem-se mais calorias do que se gastam. Consequentemente, este excesso de calorias é acumulado em forma de gordura produzindo, enfim, o aumento de peso.

Outros fatores que desencadeiam a obesidade pet são:

  • Predisposição racial – Algumas raças de cães tem mais tendencia do que outras a se tornarem obesas como Labrador, Cocker Spaniel, Beagle. Em gatos, sabe-se que algumas raças são mais letárgicas que outras. Um exemplo dessas raças é o gato Persa. No entanto, para essa espécie não há muitas informações sobre predisposições raciais.
  • Predisposição genética;
  • Sexo – A obesidade é mais comum em fêmeas do que em machos;
  • Idade- Cães mais velhos são mais predispostos ao aumento de peso;
  • Castração;
  • Problemas endócrinos: hipotireoidismo ou hiperadrenocorticismo (ou síndrome de Cushing)

Consequências da Obesidade Pet:

Pode-se chamar sobrepeso quando se tem até 15% acima do peso ideal e de obesidade pet quando esse excesso ultrapassa este valor. É justamente nesta fase (entre os 15 aos 20%), que os problemas de saúde relacionados ao peso iniciam-se tanto em humanos quanto em cães e gatos. Portanto, animais neste quadro tem maior risco de apresentar problemas crônicos de saúde como:

  • Diabetes Mellitus;
  • Problemas Articulares;
  • Doenças cardiovasculares e pulmonares;
  • Intolerância a execícios;
  • Intolerância ao calor (podem ocorrer os chamados “golpes de calor” podendo levar o animal à morte);
  • Doenças de pele;
  • Maior risco em casos de cirurgias e anestesias;
  • Diminuição da longevidade.

Como evitar a obesidade pet?

É preciso manter as atividades físicas em dia para se evitar a obesidade pet.
É preciso manter as atividades físicas em dia para se evitar a obesidade pet.

O combate à obesidade pet é, na verdade, um conjunto de ações que visam a mudança de hábitos. O cachorro, portanto, não emagrecerá sem o apoio, disciplina e controle de seu tutor.

Veja quais são as principais alterações no dia a dia para combater a obesidade pet:

Mudança de comportamento alimentar:

Hábitos como dar alimentos muito saborosos ao seu pet, restos de comida, dietas energéticas, fornecer frequentemente petiscos para cães (biscoitos e bifinhos) são, sem dúvida, prejudiciais e devem ser evitados.

Exercícios:

Primeiramente, o aumento da quantidade de exercícios, além de ajudar a regular a ingestão alimentar, contribui diretamente com a perda de peso por intensificar o gasto de calorias.

Exemplos de exercícios para cães:

  • Caminhadas diárias;
  • Agility;
  • Natação;
  • Brincar com bolinha;

Leia mais: Descubra as melhores atividades para cada raça de cachorro

Exemplos de exercícios para felinos:

Gatos saudáveis que passam muito tempo ao ar livre, sem dúvida, exercitam-se bastante através de caçadas, brincadeiras e exploração territorial.

Gatos confinados a ambientes internos, por outro lado, geralmente sofrem de falta de exercício e são mais propensos à obesidade. Por isso, seguem algumas ideias para exercitar seu bichano mesmo em locais confinados:

  • Brinquedos para cachorro e gatos ajudam, certamente, a estimular seu gato a se mexer. Além disso, podem ser caseiros ou adquiridos em pet shops.
  • Feixes de luz são, sem dúvida, um sucesso entre os gatos. Acenda uma lanterna e deixe seu gato brincar com o feixe de luz sobre o chão e as paredes.
  • Deixe seu gato brincar em uma caixa de papelão. Existem muitos vídeos na internet que ensinam a fazer brinquedos para os felinos sem gastar muito!
  • Espalhe alguns petiscos não calóricos ou brinquedos preferidos em um lugares diferentes a cada dia (incluindo o topo de móveis altos).

Conclusão:

Como vimos, a obesidade pet é causada, na maioria das vezes, por um desequilíbrio energético. No entanto, antes de mais nada, é muito importante passar por consulta com um médico veterinário para um check-up. De fato, é primordial realizar uma avaliação laboratorial para identificação de possíveis alterações hormonais, por exemplo.

Uma vez estabelecido um diagnóstico preciso, será possível, enfim, traçar o melhor tratamento. Além disso, sugere-se o acompanhamento do médico veterinário em todas as etapas da dieta, ou seja, desde a escolha do alimento à indicação de exercícios ideais para cada animal.

Enfim, eis os principais passos para conseguir um emagrecimento saudável e eficiente:

  • Evitar o fornecimento de restos de comida, guloseimas;
  • Mudar hábitos alimentares que contribuam à obesidade pet;
  • Após conseguir a perda desejada, controlar a ingestão para manter o peso corporal ideal. Para isso, sugere-se o acompanhamento do médico veterinário.
  • Evitar aumento de peso através do exercício regular contínuo e controle da ingestão calórica.

O resultado do tratamento dependerá, sem dúvida, da força e disciplina do tutor. Por isso, é muito importante que o dono do pet resista aos olhares pedintes pelo bem do próprio pet.

 

Referências Bibliográficas:

BICHARD,S. J.; SHERDING,R. G. Manual Saunders: Clinica de Pequenos Animais. 2 ed. São Paulo, Roca, 2003.

TUCHLINSKI, C.- Obesidade pet pode diminuir expectativa de vida dos animais. O Estado de São Paulo, 2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA VETERINÁRIA